|
Bhagavad Gita in Portuguese Language
O Bhagavad-Gita, o
som de Deus.
Dr. Ramananda
Prasad
(American/
International Gita Society)
Translated in Portuguese
The above is translated in Portuguese from the English Gita of the IGS
and is Copyrighted © 2006 by
Swami Krishna Priya Ananda Saraswati (Dr. Olavo O. Desimon)
IGS Brasil - president
Av.Cel. Lucas de Oliveira, 2884
Porto Alegre, RS
CEP 90460-000
phone +55 51 3333-0733 (09-12 hours and 13-18 hours)
BRAZIL
E-mail contact: krishna@gita-society.com
"Text courtesy of American Gita Society (AGS),
www.gita-society.com."
All works of AGS may be used without a written permission
for non-commercial purposes only. Text under " " must appear on
your website or wherever IGS material is
used.
Prefácio da edição
em português
A presente edição do Dr. Ramananda Prasad,
do Bhagavad-gita, (A canção do Senhor) a qual tenho o privilegio de
traduzir para o Português, trata-se de uma obra feita com o coração puro de um
devoto do Senhor. De fato, é uma verdadeira prasad (restos abençoados
pelo Senhor), carinhosamente posto em forma de palavras para todos nós. Antes de
ser um texto pura e simplesmente baseado numa visão particular, deste grande
clássico da literatura sagrada da Índia védica, trata-se de um “que fazer”, aqui
e agora, protagonizado por esta milenar maravilha que é o Bhagavad-gita.
As inquietantes perguntas que fazemos na maturidade, como bem se refere Sriman
Ramananda, sobre a vida e a morte, estão descritas neste belo texto com uma
simplicidade e profundidade ímpares. Não há dúvidas que o leitor irá se
beneficiar, e muito, com cada uma das instruções dadas pelo divino Mestre,
Bhagavan Shri Krishna, no belo serviço devocional de Sriman Ramananda adhikari.
A Suprema compreensão deste texto é que o
mundo, as coisas que nos rodeiam, nossa própria vida, só tem um destino: o de
amar a Deus sobre todas as coisas; Amor incondicional, sem ter em vista o gozo
dos sentidos e o resultado das nossas ações; trata-se da verdadeira renúncia. A
pessoa não precisa deixar de fazer seus afazeres do dia a dia para tornar-se um
devoto de Deus. O próprio Senhor Krishna diz no Bhagavad gita, 3.9,
yajñaarthaat
karmano ´nyatra
loko ´yam karma-bandhanah
tad-artham karma kaunteya
mukta-sangah samaacara
“A ação deve ser para Vishnu; de outro
modo, ficas cativeiro do
karma (da ação) neste mundo, ó Kauteya! A ação atenta, assim
associada, é perfeita, liberando-te”. Se todas as ações forem feitas tendo
em vista a satisfação do Supremo então não haverá mais sofrimento. Sriman
Ramananda traduziu este verso com o seguinte conteúdo: “O seres humanos ficam
atados ao cativeiro do Karma das suas ações, a não ser que aquelas sejam feitas
como um serviço desapegado (Seva, Yajña). Portanto, o Arjuna, torna-te
livre do apego egocêntrico dos frutos do trabalho, faças a tuas obrigações
eficientemente como um serviço para Mim”. Como se percebe, as ações
direcionadas para o Senhor estão livres da reação do karma, de modo que
não é muito difícil entender que a razão do sofrimento está em agir conforme
nossa vontade individual com finalidades egoísticas. Uma vez que entendemos que
o nascimento e a morte são cíclicos, e o resultado do nosso desejo de desfrutar
é a razão de todo o sofrimento, fica-nos muito claro que a livre vontade deve
compreender o amor de Deus como um amor puro e sem causa, deste modo, apenas a
misericórdia do Senhor permanece, e na Sua imensa bondade e beatitude nos
oportuniza o caminho de volta ao Seu aconchego. Viver a consciência pura de Deus
é algo muito prático e aprazível. E uma vez que experimentamos este doce
presente de Deus ficamos maravilhados, na realidade, ficamos embriagados pela
simplicidade em que Ele nos permite amá-lO.
Todos estamos muito felizes em poder
compartilhar este belo trabalho do Dr. Ramanda Prasad, que tem dedicado a sua
vida para o serviço devocional ao Senhor. Como uma prova do seu amor, ele nos
concedeu esta bênção, em poder, agora, divulgar para a comunidade da
língua portuguesa no mundo todo, a sua bela compreensão das palavras do nosso
divino mestre.
Todas as glórias ao divino mestre, Shri
Krishna, amor puro personificado, e aqui nestes versos desvelando-se como a
misericórdia e a justiça incarnada de Deus.
Hare Rama, Hare
Krsna
Sriman Ojasvi dasa vyasa (Prof. Dr. Olavo Orlando Desimon)
Presidente da Sociedade da Vida Divina, Brasil.
INTRODUÇÃO
O Gita é uma doutrina sobre a verdade
universal. Sua mensagem é universal, sublime e não-sectária, embora ele seja uma
parte da trindade escritural do Sanathana Dharma, normalmente conhecido como
Hinduísmo. O Gita é muito fácil de ser entendido em qualquer linguagem para uma
mente madura. Uma leitura repetida com fé irá revelar todas as idéias sublimes
que ele contém. Poucos são os aspectos abstrusos, intercalados aqui e ali, mas
estes não possuem influência no problema prático do tema central do Gira. O Gita
trata da mais sagrada ciência metafísica. Ele transmite o conhecimento do Ser e
responde a duas questões universais: Quem sou eu, e como eu posso conduzir uma
vida pacífica e feliz neste mundo de dualidades. Ele é um livro de Yoga,
de crescimento moral e espiritual, para a humanidade baseado nos princípios
cardeais da religião Hindu.
A mensagem do Gita chegou até a humanidade
por causa da má vontade de Arjuna, para cumprir para com o seu dever de
guerreiro, uma vez que luta envolve destruição e morte. Não violência ou
Ahimsa é o mais fundamental dos princípios do Hinduísmo. Toda a vida, humana
ou não humana, são sagradas. Este imortal discurso entre o Senhor Supremo,
Krishna, e Seu devoto, Arjuna, ocorreu não num templo, numa floresta reclusa, ou
no alto de uma montanha, mas num campo de batalha, nas vésperas da guerra, e
está escrito no grande épico Mahaabharata. No Gita, o Senhor Krishna avisa
Arjuna para erguer-se e lutar. Isto, provavelmente, gera um mal-entendido do
princípio do Ahimsa, se o fundo da guerra do Mahabharata não estiver na mente.
Portanto, uma breve descrição histórica está em ordem.
Nos tempos antigos houve um rei com dois
filhos, Dhritarashtra e Pandu. O mais velho nasceu cego, portanto, Pandu herdou
o reino. Pandu teve cinco filhos. Eles foram chamados de Pandavas. Dhritarashtra
teve cem filhos. Eles eram chamados de Kauravas. Duryodhana foi o primogênito
dos Kauravas.
Após a morte do rei Pandu, os Pandavas
tornaram-se os reis de direito. Duryodhana foi uma pessoa muito ciumenta. Ele
também queria o reino. O reino foi dividido em duas metades entre os Pandavas e
os Kauravas. Duryodhana não ficou satisfeito com a sua parte do reino. Ele
queria o reino inteiro para si próprio. Ele, de modo mal sucedido, planejou
vários crimes para matar os Pandavas e pegar o reino deles. Ilegalmente ele
apoderou-se do reino inteiro dos Pandavas e recusou-se a devolver mesmo um acre
da terra sem a guerra. Toda a mediação feita pelo Senhor Krishna, e pelos
outros, falharam. A grande guerra do Mahaabharata foi assim inevitável. Os
Pandavas foram participantes que não queriam a guerra. Eles tiveram apenas duas
escolhas: lutar pelo seus direitos conforme a matéria da responsabilidade, ou
fugir da guerra e aceitar a derrota em nome da paz e da não violência. Arjuna,
um dos cinco irmãos Pandavas, encarou o dilema no meio do campo de batalha para
lutar ou fugir da guerra pela segurança da paz.
O dilema de Arjuna é, na realidade, um
dilema universal. Cada ser humano encara dilemas, grandes ou pequenos, em suas
vidas diárias, quando realiza a suas obrigações. O dilema de Arjuna foi o mais
importante de todos. Ele tinha que fazer uma escolha entre lutar a guerra e
matar seus mais reverenciados gurus, seus mais queridos amigos, parentes
próximos, e muitos guerreiros inocentes, ou fugir do campo de batalhas com o
objetivo de preservar a paz e a não-violência. Os setecentos versos, inteiros,
do Gita tratam de um discurso entre o Senhor Krishna e o confuso Arjuna, no
campo de batalhas de Kurukshetra, local próximo a Nova Delhi, na Índia, cerca de
3.100 anos a.n.e. Este discurso foi narrado para o sábio rei Dhritarashtra pelo
seu cocheiro Sanjaya, como uma testemunha ocular da guerra.
O objetivo principal do Gita é ajudar as pessoas lutando na escuridão da
ignorância a cruzarem o oceano da reencarnação (nascimentos e mortes
repetidas), para atingirem a costa espiritual da liberação enquanto viventes e
atuantes na sociedade.
O ensinamento central do Gita é a obtenção
da liberdade ou da alegria, pelo cativeiro da ação da vida de cada um. Sempre se
lembrem da glória e da grandeza do criador e da ação eficiente de seus deveres,
sem estar apegados ou afetados pelos seus resultados, mesmo que a obrigação
demande, de vez em quando, na violência inevitável. Algumas pessoas negligenciam
ou desistem de suas responsabilidades na vida pela segurança de uma vida
espiritual enquanto outras desculpam-se a si mesmos de uma pratica espiritual
porque elas crêem que ela não possuem tempo. A mensagem do Senhor é para
purificar todo o processo da vida em si mesma. Não importa o que uma pessoa faz
ou pensa deverá realizar pensando na glória e na satisfação do Criador. Nenhum
esforço ou custo é necessário para este processo. Faça as suas obrigações como
um serviço para o Senhor e humanidade, e veja um único Deus em tudo, num estado
de espírito. É necessário purificar o corpo, a mente e o intelecto, para
conquistar um estado de espírito, disciplina pessoal, austeridade, penitência,
boa conduta, serviço desapegado, práticas yóguicas, meditação, adoração, oração,
rituais, e estudo das escrituras, assim como a companhia de pessoa santas,
peregrinação, canto dos santos nomes do Senhor, e auto-inquirição. Através
do intelecto purificado deve-se estudar para abandonar a luxúria, a ira, a
avareza, e estabelecer o controle sobre os seis sentidos (audição, tato, visão,
gustação, olfato e mente). Deve-se sempre lembrar de que todos os trabalhos são
feitos pela energia da natureza, e que ele o ela não são os agentes mas apenas
um instrumento. Deve-se aspirar o máximo de excelência em todas as tarefas, mas
mantendo-se a equanimidade no sucesso ou no fracasso, no ganho ou na perda, na
dor ou no prazer.
A ignorância do conhecimento metafísico é
para a humanidade um grande predicamento. Uma escritura, sendo a voz da
transcendência, não pode ser traduzida. A linguagem é incapaz e as traduções são
defeituosas para claramente transmitir o conhecimento do Absoluto. E nesta
tradução, uma tentativa foi feita para manter o estilo mais próximo possível
para a poesia original do Sânscrito, e com isso tornar fácil a leitura e o
entendimento. Uma tentativa há sido feita para aprimorar a claridade pela adição
de palavras ou frases, entre parênteses, na tradução dos versos. Um glossário e
índice há sido incluído. Cento e trinta e três (133) versos chaves estão
impressos em negrito para a comodidade dos iniciantes. Nós
sugerimos a todos os nossos leitores para refletirem, contemplarem, e agirem de
acordo com estes versos. Os principiantes e os ocupados executivos poderão
primeiro ler e entender o significado destes versos chaves antes de se
aprofundarem no profundo oceano do conhecimento transcendental do Gita.
De acordo com as escrituras, não tem
pecado, horrível que seja, que possa comover aquele que lê, pondera e pratica os
ensinamentos do Gita; por mais que a água atinja a pétala do lótus (isso porque
o lótus está por sobre o lodo; mesmo assim é belo e gracioso). O Senhor em Si
mesmo, reside onde o Gita está, é lido, cantado ou ensinado. O Gita é
conhecimento Supremo, e o som personificado do Eterno e Absoluto. Aquele que o
lê, pondera, e pratica os ensinamentos do Gita com fé e devoção irá obter
Moksha (ou Nirvana), pela graça de Deus.
Este livro é dedicado para todos os gurus
de quem as bênçãos, graça e ensinamentos são inestimáveis. Ele é oferecido ao
grande guru, Senhor Krishna, com amor e devoção. Que o Senhor aceite-o, e
abençoe aqueles que repetidamente lerem-no com paz, felicidade, e o verdadeiro
conhecimento do Ser.
OM TAT SAT
LISTA DE ABREVIAÇÕES
AiU
Aitareya Upanishad
AV
Atharvaveda
BP
Bhagavata Maha Purana
BrU
Brihadaranyaka Upanishad
BS
BrahmaSutra
ChU
Chaandogya Upanishad
DB
Devi Bhagavatam
IsU Ishavasya
Upanishad
KaU Katha Upanishad
KeU Kena Upanishad
MaU Mandukya Upanishad
MB Mahabharata
MS Manu Smriti
MuU Mundaka Upanishad
NBS Narada BhaktiSutra
PrU Prashna
Upanishad
PYS Patanjali YogaSutra
RV Rigveda
SBS Shandilya BhaktiSutra
ShU Shvetashvatara
Upanishad
SV Samaveda
TaU Taittiriya Upanishad
TR Tulasi
Ramayana
VP Vishnu
Purana
VR Valmiki
Ramayanam
YV Yajurveda, Vajasaneyi Samhita
Tradução de Sriman
Ojasvi dasa vyasa
Chapter 1
O DILEMA DE ARJUNA
“Deixe os nobres pensamentos virem até nós de todas as partes”.
Os Vedas
A Guerra do Mahaabhaarata teve início após todas as negociações feitas pelo
Senhor Krishna, e outros, para evitá-la, mas falharam. O rei cego,
Dhritaraashtra nunca teve muita certeza sobre a vitória dos seus filhos
(Kauravas),na superioridade da maldade do exército deles. O Sábio Vyasa, o autor
do Mahaavhaarata, procurou dar ao rei cego a bênção da visão, para que o rei,
assim, pudesse ver os horrores da guerra pela qual ele tinha, antes de mais
nada, responsabilidade. Mas o rei recusou esta oferta. Ele não quis ver os
horrores da guerra; mas ele preferiu receber os relatos através do seus
cocheiro, Sanjaya. O sábio Vyasa concedeu o poder da clarividência e clara visão
para Sanjaya. Com este poder, Sanjaya pode ver, ouvir e recordar os eventos do
passado, presente e futuro. Ele foi hábil em fornecer uma rápida repetição do
testemunho ocular da guerra, relatando-a para o rei cego, que estava sentado no
seu palácio.
Bhishma, o homem poderoso e comandante em chefe do exército dos
Kauravas, foi desabilitado por Arjuna, morrendo na batalha no décimo dia, dos
dezoito dias da guerra. Por escutar estas más notícias de Sanjaya o rei cego
perdeu toda a esperança da vitória dos seus filhos. Agora, o rei quer conhecer
os detalhes da guerra desde o começo, incluindo como o poderoso homem, o
comandante em chefe do seu superior exército – que tinha a vantagem de morrer
sob a sua própria vontade – fora derrotado na batalha. Os ensinamentos do
Gita iniciam com o questionamento do rei cego, após Sanjaya descrever como
Bhishma fora derrotado, como se segue:
“O rei inquiriu:
Sanjaya, por favor, agora diga-me, em detalhes, o que fizeram os meus (os
Kauravas) e os Pandavas no campo de batalha antes da guerra começar? (1.01)
Sanjaya disse: Ó
rei, após ver a batalha em formação o exército dos Pandavas, seu filho
aproximou-se do seu guru e falou as seguintes palavras: (1.02)
Ó Mestre, observe
este poderoso exército dos Pandavas, disposto em formação militar feito pelo
outro talentoso discípulo! Ali estão muitos grandes guerreiros, homens valentes,
heróis e poderosos arqueiros.
(1.03-06)
INTRODUÇÃO AOS COMANDATES DOS EXÉRCITOS
Também ali estão
muitos heróis do meu lado, que arriscam a suas vidas por mim. Eu nomearei alguns
poucos comandantes do meu exército para a sua informação. Ele nomeou todos os
oficiais de seu exército dizendo: Eles estão armados com muitas armas e são
hábeis na luta. (1.07-09)
A proteção do
exército de nosso comandante em chefe é insuficiente, enquanto que meu
arquiinimigo, no seu lado, está bem protegido. Portando, todos os seus ocupam-se
nas suas respectivas posições, protegendo seu comandante em chefe. (1.10-11)
A GUERRA INICIA COM O SOPRO DOS BÚZIOS
O poderoso
comandante em chefe, e o avô da dinastia, sopraram suas conchas ruidosamente,
fazendo-as rugir como leões, alegrando seu filho. (1.12).
Pouco tempo depois:
conchas, tambores, címbalos, tamboretes e trompetes foram tocados juntos. A
comoção foi tremenda.
(1.13)
Depois disto, o
Senhor Krishna e Arjuna, sentados na grande quadriga, emparelhada com seus
cavalos brancos, sopraram seus búzios celestiais. (1.14)
Krishna soprou o
Seu búzio; então Arjuna e todos os outros companheiros, das diversas divisões do
exército dos Pandavas, sopraram seus búzios respectivos. O turbulento ruído
ressoou através da Terra e do céu, rasgando o coração dos seus filhos.
(1.15-19).
ARJUNA DESEJA INSPECIONAR O EXÉRCITO CONTRA O QUAL ELE IRÁ LUTAR
Visto a guerra
aproximando-se do início, seus filhos de pé, e com arremesso das armas; Arjuna
pegou o seu arco-e-flecja e falou as seguintes palavras para Krishna: Ó Senhor,
por favor pare a quadriga entre os dois exércitos até que eu observe os que
estão de pé, ansiosos para a batalha e a quem eu devo ocupar-me neste ato de
guerra. (1.20-22)
Eu desejo ver
aquele que estão de bom grado para servir e que apaziguam a mente perversa dos
Kauravas, reunidos aqui no campo de batalha. (1.23)
Sanjaya disse: Ó
rei, o Senhor Krishna, assim foi requerido por Arjuna, colocando a melhor de
todas as quadrigas no meio dos dois exércitos, encarando seus avós, seu guru e
todos os outros reis, e disse para Arjuna: Observe estes soldados reunidos!
(1.24-25)
Arjuna viu seus
tios, avós, professores, tios paternos, irmãos, filhos, netos, e outros
camaradas no exército.
(1.26)
O DILEMA DE ARJUNA
Após ter visto seus
sogros, companheiros, e todos os seus parentes situados no posto dos dois
exércitos, Arjuna ficou com grande compaixão e pesar, dizendo as seguintes
palavras: Ó Krishna, vendo meus parentes, fixos com o desejo de lutar, meus
membros tremem, minha boca começa a secar. Meu corpo estremece e meus
cabelos se arrepiam. (1.27-29)
O arco escorrega de
minhas mãos e minha pele queima. Minha cabeça tonteia, e eu estou incapaz de
ficar de pé e, Ó Krishna, eu pressinto maus presságios. Não vejo nenhum proveito
em matar meus parentes na batalha. (1.30-31)
Eu não desejo
nenhuma vitória, prazer ou reino, Ó Krishna. Qual é o uso de um reino ou da
diversão, ou mesmo da vida, Ó Krishna?; por causa de tudo aquilo – por quem
deseja reinos, diversões, e prazeres – aqui se está sustentando para a batalha,
entregando suas vidas? (1.32-33)
Eu não desejo matar
meus professores, tios, filhos, avós, tios maternos, sogros, netos, cunhados, e
outros parentes que estão prestes a matar-nos, mesmo pela soberania dos três
mundos, sem falar neste reino terrestre, Ó Krishna. (1.34-35)
Ó Senhor Krishna,
que prazer há em matar nossos primos? Por matar nossos semelhantes nós iremos
incorrer em crime, portanto, em pecado. (1.36)
Portanto, nós não
mataremos nossos primos. Como pode alguém ser feliz após matar seus parentes, Ó
Krishna? (1.37)
De qualquer modo,
eles estão cegos pela ambição e não vêem a maldade na destruição da família, ou
pecado em serem traidores dos seus amigos; Por que nós, que claramente vemos o
mal na destruição da família, não deveríamos pensar em afastar este pecado, Ó
Krishna? (1.38-39)
ARJUNA DESCREVE A PERVERSIDADE DA GUERRA
A eterna tradição
familiar e o código da conduta moral é destruída com o desmantelamento da
(cabeça da) família, na guerra. E a imoralidade prevalece na família devido a
destruição das tradições familiares. (1.40)
A quando a
imoralidade prevalece, Ó Krishna, as pessoas tornam-se corruptas. E quando as
pessoas se tornam corruptas nasce progênie não desejada. (1.41)
Isto conduz a
família e os assassinos da família para o inferno, porque o espírito de seus
ancestrais são degradados quando são privados de cerimônias de oferendas de amor
e respeito, devido a progênie não desejada. (1.42)
As qualidades
eternas da ordem social e a tradição familiar, daqueles que destroem a suas
famílias, são arruinadas pelos atos pecaminosos da ilegitimidade. (1.43)
Nós sabemos, Ó
Krishna, que a pessoa cuja as tradições da família são destruídas,
necessariamente permanecem no inferno por um bom tempo. (1.44)
Ai de mim! Nós
estamos prestes a cometer um grande pecado por aspirar assassinar nossos
parentes, por causa da ambição da satisfação de um reino. (1.45)
Será melhor para
mim se meus primos matarem-me com suas armas em batalha, e que eu esteja
desarmado e sem resistir. (1.46)
QUANDO SE É TOCADO , MESMO O TOQUE DE ALGUÉM PODE ILUDIR
Sanjaya disse:
Tendo dito isso no campo de batalhas, e deixando de lado o seu arco e flechas,
Arjuna sentou-se na quadriga com sua mente confusa e com tristeza. (1.47)
Diz-se que Arjuna
foi iludido pelo Senhor Krishna, a Personalidade de Deus, com o propósito de
declarar os ensinamentos do Gita, com a intenção de esclarecer e consolar
as amas confusas.
Chapter 2
O
CONHECIMENTO TRANSCENDENTAL
Sanjaya disse: O Senhor
Krishna falou as seguintes palavras para o abatido Arjuna, cujos olhos estavam
lacrimosos, e que estava sob a compaixão e o desespero. (2.01)
O Senhor Krishna disse: Como
pode a tristeza chegar até você nesta conjuntura? Isto não é adequado para uma
pessoa de mente nobre e de ação. Isto é uma grande desgraça, e não fará nada
para conduzir ninguém aos céus, Ó Arjuna. (2.02)
Não se torne um covarde, Ó
Arjuna, porque isto não é adequado para você. Livre-se desta fraqueza trivial do
seu coração, e levante-se para a batalha, Ó Arjuna. (2.03)
ARJUNA CONTINUA SEU
RACIOCÍNIO
CONTRA A GUERRA
Arjuna disse: como poderei
golpear meu avô, meu guru, e todos os outros parentes - que são
merecedores de meu respeito – com flechas na batalha, Ó Krishna? (2.04)
Arjuna possui um ponto
válido. Na cultura védica, gurus, o idoso, pessoas ilustres, e todos os outros
superiores dever se respeitados. Ninguém deve lutar ou nem mesmo brincar, ou
dizer palavras de forma sarcástica para com os seus superiores, mesmo se ele o
ferir. Mas as escrituras também dizem que qualquer um que esteja engajado em
atividades abomináveis, ou apoiando o pecado contra seus semelhantes, está longe
de ser respeitado, devendo ser punido.
Realmente, será melhor viver
de esmolas neste mundo do que matar estas nobres personalidades, porque por
matá-los Eu obterei riquezas e prazeres manchados com seus sangues. (2.05)
Nós não conhecemos qual
alternativa – lutar ou abandonar – é melhor para nós. Além disto, nós não
sabemos se nós iremos conquistá-los ou se eles irão conquistar-nos. Nós nem
mesmo desejaremos viver após matar nossos primos que estão diante de nós. (2.06)
Arjuna está incapaz de decidir o que fazer. Diz-se que a experiente orientação
de um guru, o conselheiro espiritual, deve ser procurada durante um momento de
crise ou submeter-se as perplexidades da vida. Arjuna, agora, pede para Krishna
por direção:
Meus sentidos confundem-se
pela fraqueza da piedade, e minha mente está confusa sobre a obrigação (Dharma).
Por favor, diga-me o que é melhor para mim. Eu sou Seu discípulo, e abrigo-me em
Você. (2.07)
NOTA: “Dharma” pode ser definido como o governo da lei eterna,
sustentando, e suportando a criação e a ordem no mundo. Ele é o eterno
relacionamento entre o criador e Suas criaturas. Ele também significa o caminho
da vida, doutrina, princípio, dever prescrito, retidão, reta ação, integridade,
conduta ideal, hábito, virtude, natureza, qualidade essencial, mandamentos,
princípios morais, verdade espiritual, espiritualidade, valores espirituais, e
uma função dentro da ordem das escrituras ou da religião.
Eu não percebo que o ganho de
um incomparável e próspero reino por sobre esta Terra, ou mesmo por sobre a
nobreza de todos os controladores celestiais, removerão a aflição que está
esgotando os meus sentidos. (2.08)
Sanjaya disse: Ó rei, após
ter falado deste jeito para o Senhor Krishna, o poderoso Arjuna disse: “Eu não
irei lutar!”, e ficou em silêncio. (2.09)
Ó rei, o Senhor Krishna, como
se sorrisse, falou as seguintes palavras para o angustiado Arjuna no meio dos
dois exércitos. (2.10)
OS ENSINAMENTOS DO GITA INICIAM COM O VERDADEIRO CONHECIMENTO DO SER E DO CORPO FÍSICO
O Senhor
Krishna disse: dizendo sábias palavras, “Seu lamento por aqueles não merece o
seu pesar. O sábio nunca se lamenta nem pelos vivos e nem pelos mortos”. (2.11)
As pessoas se encontram e se
despedem deste mundo como duas peças de madeira flutuando rio abaixo,
reunindo-se e se separando uma das outras (MB 12.174.15). O sábio que conhece
que o corpo é mortal e que o espírito é imortal não tem nada do que se lamentar
(KaU 2.22).
NOTA: O Ser (ou Atma) é
também chamado alma ou consciência, e é a origem da vida e o poder cósmico por
detrás do complexo corpo-mente. Do mesmo modo como um corpo existe no espaço,
similarmente, nossos pensamentos, intelecto, emoções, e psique, existem no Ser,
o espaço da consciência. O Ser não pode ser percebido por nossos sentidos
físicos porque o Ser está além do domínio dos sentidos. Os sentidos foram
desenvolvidos para a compreensão dos objetos físicos.
A palavra “Atma” foi
usada também no “Gita” para, o ser inferior (corpo, mente e sentidos), psique,
intelecto, alma, espírito, sentidos sutis, si mesmo, ego, coração, seres
humanos, Ser Eterno (Brahman), Verdade Absoluta, alma individual, e super-alma,
ou o Supremo Ser, dependendo do contexto.
Nunca houve um tempo que
todos estes monarcas, você, ou Eu não tenhamos existido, e nem deixaremos de
existir no futuro. (2.12)
Da mesma forma que a alma
adquire um corpo na infância, um corpo na juventude, e um corpo na velhice,
durante a sua vida, similarmente, a alma adquire outro corpo após a morte. Isso
não deveria iludir um sábio (2.13 – veja também o verso 15.08)
Os contatos
dos sentidos com os objetos dos sentidos causam os sentimentos de calor e frio,
dor e prazer. Eles são transitórios e impermanentes.
Portanto, deve-se carregá-los corajosamente. (2.14)
Porque uma pessoa tranqüila –
que não se aflige por estes objetos dos sentidos e mantém-se firme na dor e no
prazer – torna-se adequada para a salvação. (2.15)
Nada pode ferir alguém se a mente for treinada para resistir o impulso
do par de opostos – alegria e tristeza; prazer e dor; perda e ganho. O mundo
fenomênico não pode existir sem o par de opostos. Bem e mal, dor e prazer
sempre irão existir. O universo é um playground designado por Deus para as
entidades vivas. Ele escolhe dois para jogar um jogo. O jogo não pode continuar
se os pares de opostos forem totalmente eliminados. Alguém pode sentir alegria
antes, mas conhecerá a tristeza depois. Ambas as experiências, positiva e
negativa, são necessárias para o nosso crescimento espiritual. A cessação
da dor traz o prazer, e a cessação do prazer resulta em dor. Deste modo, a
dor nasce do útero do prazer. A paz nasce do útero da guerra. A tristeza existe
por causa da existência do desejo de felicidade. Quando o desejo de felicidade
desaparece, desaparece a tristeza. Tristeza e somente o prelúdio para a
felicidade e vice e versa. Mesmo a alegria de ir para o Paraíso é seguida
pela tristeza de retornar para a Terra; portanto, os objetos materiais não devem
ser a meta da vida humana. Se alguém escolhe o prazer material é como abandonar
o néctar escolhendo o veneno.
A mudança é uma lei da natureza – mudança do verão para o inverno, da
primavera para o outono, da luz da Luz cheira para a escuridão da Lua nova.
Nenhuma dor ou prazer duram para sempre. O prazer vai em busca da dor, e a dor é
seguida de novo pelo prazer. Refletindo sobre isto, aprende-se a tolerar os
golpes do tempo com paciência, e não apenas se aprende a sofrer, mas também a
esperar, a receber, e alegrar-se com ambos, alegria bem como as tristezas da
vida. Semeando a semente da esperança no solo da tristeza. Procure seu caminho
na escuridão da noite da adversidade com a tocha das escrituras e a fé em Deus.
Ali não será oportuno se não existir problemas. Einstein disse: a
oportunidade descansa no meio das dificuldades.
O SER É ETERNO, O CORPO É TRANSITÓRIO
O Ser invisível (Atma, Atman,
a alma, o espírito, a força vital), é eterna. O corpo físico visível é
transitório, e passa por mudanças. A realidade destes dois, de fato, é realmente
vista pelos videntes da verdade, que conhecem que nós não somos estes corpos,
mas o Atma. (2.16)
O Ser existe em toda a parte
em todos os tempos – passado, presente e futuro. O corpo humano e o universo,
ambos, possuem uma existência temporária, mas aparecem como permanentes numa
primeira impressão. O dicionário Webster define o Atman ou Atma com a “Alma
Universo”, da qual todas as almas derivam-se, e a Suprema Morada para a qual
elas retornam. Atma é também chamado de “Jivatma”, ou “Jiva”, o qual é a origem
fundamental do toda a personalidade individual. Nós usamos as palavras inglesas:
Ser, espírito, alma, ou alma individual de modo possível de mudança para os
diferentes aspectos de Atma. (No Dicionário Aurélio, versão eletrônica, existe a
seguinte menção a palavra Atma: “Atmã, Do sânscrito: No hinduísmo, o eu ou a
alma individual, querendo significar, ou a totalidade das funções do organismo,
ou uma entidade supracorporal que só pode ser atingida quando superada a
realidade corpórea do indivíduo concreto, confundindo-se este com Brama [leia-se
Brahman]”, nota do tradutor para o Português).
Nosso corpo físico está sujeito ao
nascimento, crescimento, maturidade, reprodução, decadência e morte; enquanto
que o Ser é eterno, indestrutível, puro, único, todo conhecedor, substrato,
imutável, alto-luminoso, a causa de todas as causas, todo penetrante,
inafetável, imutável, e inexplicável.
O espírito, pelo qual o
universo todo está impregnado, é indestrutível. Ninguém pode destruir o Espírito
imperecível. (2.17)
O corpo físico do que é
eterno, imutável e incompreensível Espírito, é mortal. O Espírito (Atma) é
imortal. Portanto, enquanto guerreiro, você deve lutar, Ó Arjuna. (2.18)
Aquele que pensa que o
Espírito é morto, e aquele que pensa que o Espírito mata, ambos são ignorantes,
porque o Espírito nunca mata nem é morto. (2.19)
O Espírito nunca nasce e nem
morre em qualquer tempo; nunca vem a ser ou cessa de existir. Ele é não nascido,
eterno, permanente e originário. Ele não se extingue quando o corpo se extingue.
(2.20)
Ó Arjuna, como pode uma
pessoa que pensa que o Espírito é indestrutível, eterno, não nascido e imutável,
matar alguém ou fazer com que alguém seja morto? (2.21)
A MORTE E A TRANSMIGRAÇÃO DA ALMA
Assim como
uma pessoa coloca uma nova roupa após desfazer-se das velhas, similarmente, a
entidade viva, ou a alma individual, adquire um novo corpo após jogar fora o
velho corpo. (2.22)
De modo
semelhante a uma lagarta que abandona seu corpo por outro a entidade viva (a
alma) obtém um novo corpo após ter abandonado o antigo (BrU 4.4.03).
O corpo físico
também pode ser comparado com uma prisão, um veículo, uma residência, bem como
uma roupa corpórea sutil que necessita ser trocada freqüentemente. Morte é a
separação do corpo sutil do corpo físico. A entidade viva é um viajante. A morte
não é o final da jornada da entidade viva. A morte é como uma área de descanso
onde a alma individual troca seu veículo e a jornada continua. A vida é contínua
e infinita. A morte inevitável não é fim da vida; é somente o final de algo
perecível, o corpo físico.
As armas não podem cortar o
Espírito, o fogo não pode queimá-lo, a água não pode molhá-lo, e o vento não
pode secá-lo. O Espírito não pode ser cortado, queimado, molhado, ou seco. Ele é
eterno, todo penetrante, imutável, imóvel e original. O Atma está além do espaço
e do tempo. (2.23-24)
O Espírito é dito como imperecível, incompreensível, e imutável. Sabendo que o Espírito é
como tal você não deve lamentar-se pelo corpo físico. (2.25)
No verso anterior, Krishna
convidou-nos para não nos aborrecermos sobre o espírito indestrutível. Uma
questão pode ser levantada: Deverá alguém lamentar-se pela morte (do corpo
destrutível) dos seus familiares de alguma maneira? A resposta sucede-se:
Mesmo se você pensar que o
corpo físico nasce e morre perpetuamente, então, Ó Arjuna, você não deve
lamentar-se, porque a morte é certa para aquele que nasce, e o nascimento é
certo para aquele que morre. Portanto, você não deve lamentar-se sobre a morte
inevitável. (2.26-27)
Não se deve lamentar a
morte de qualquer um, em todos. A lamentação é devida ao apego, e o apego amarra
a alma individual na roda da transmigração. Portanto, as escrituras sugerem que
não se deve enlutar, mas orar por vários dias após a morte do corpo para a
salvação da alma que partiu.
A inevitabilidade da morte, e
a indestrutibilidade da alma, de qualquer forma, não justificam a permissão de
matar desnecessariamente numa guerra injusta, ou mesmo o suicídio. As escrituras
Védicas são muito claras neste ponto, a respeito em matar seres humanos ou
qualquer outra entidade viva. As escrituras dizem: Ninguém deve cometer
violência contra qualquer um. O matar não autorizado é punível em todas as
circunstâncias: uma vida por uma vida. O Senhor Krishna está encorajando Arjuna
para lutar – mas não para matar de forma libertina - para estabelecer a
paz, a lei e a ordem por sobre a Terra, de acordo com o dever de um guerreiro.
Todos os seres são
imanifestos, ou invisíveis, para os seus olhos físicos antes de nascer e depois
da morte. Eles são manifestos somente entre o nascimento e a morte. O quê tem
para se lamentar? (2.28)
O ESPÍRITO INDESTRUTÍVEL TRANSDENDE A MENTE E A PALAVRA
Alguns falam sobre este
Espírito como um enigma, outros o descrevem como uma maravilha, e outros ouviram
sobre ele como algo maravilhoso. Mesmo após ter ouvido sobre isto, muito poucas
pessoas conhecem sobre o que é o Espírito. (2.29) – (Veja, também, KaU 2.07)
Ó Arjuna, o Espírito que
reside no corpo de todos os seres é eterno e indestrutível. Portanto, você não
deve enlutar-se por ninguém. (2.30)
O SENHOR KRISHNA RELEMBRA ARJUNA DA SUA RESPONSABILIDADE ENQUANTO GUERREIRO
Considerando, também, a sua
condição enquanto guerreiro, você não deve hesitar, porque não há nada mais
auspicioso do que alguém realizar a sua responsabilidade na vida. (2.31)
Somente afortunados
guerreiros, Ó Arjuna, recebem semelhante oportunidade para uma guerra justa
contra o mal, que é como uma porta aberta para o céu. (2.32)
Uma guerra justa não é uma
guerra religiosa contra seguidores de outras religiões. Uma guerra justa pode
ser travada mesmo contra seus próprios agentes malvados adeptos e familiares (RV
6.75.19). A vida é uma contínua batalha entre as forças da maldade e da bondade.
Uma pessoa valente deve lutar com o espírito de um guerreiro – com vontade e
determinação para a vitória – e sem qualquer compromisso com as forças do mal e
dificuldades. Deus ajuda o valente que adere à oralidade. Dharma (justiça;
retidão) protege aqueles que protegem o Dharma (moralidade, justiça e retidão).
É mais vantajoso morrer por
uma reta causa, e ,adquirir a graça do sacrifício, do que morrer de uma morte
normal ou compulsória. Os portões do paraíso abrem-se totalmente para aqueles
que levantam-se para manter a justiça ou a retidão (Dharma). Nenhum mal pode
deter isso. Existem idéias muito similares expressas em outras escrituras do
mundo. O Corão diz: “Alá ama aqueles que lutam por Sua causa na ordem (Surah
61.04)”. A Bíblia diz: “Feliz aqueles que sofrem perseguição porque fazem o que
Deus exige. O reino dos céus será deles (Mateus, 5.10). Não há pecado em matar
um agressor. Quem quer
forma, todos aqueles que
apóiem os Kauravas são basicamente agressores e merecem ser eliminados.
Se você não lutar nesta
batalha do bem sobre o mal, você irá fracassar no seu dever, perderá a sua
reputação como um guerreiro, e incorrerá em pecado por não realizar a ação
correta. (2.33)
As pessoas irão falar sobre
sua desgraça por um longo tempo. Para o ilustre, a desonra é pior do que a
morte. (2.32)
Os grandes guerreiros irão
pensar que você fugiu do campo de batalha por medo. Aqueles que muito te estimam
irão perder o respeito por você. (2.35)
Seus inimigos irão falar muitas palavras com desdém sobre suas habilidades. O que poderá
ser mais doloroso para você do que isto? (2.36)
Você irá alcançar o paraíso
se matar no cumprimento de sua obrigação, ou você gozará o reino da Terra se
vitorioso. Nada acontecerá se você vencer. Portanto, erga-se com determinação
para lutar, Ó Arjuna. (2.37)
Engaje-se da
mesma forma, no manejo da luta, no prazer ou dor, ganho ou perda, vitória e
derrota, no seu dever. Por fazer sua obrigação deste jeito você não irá incorrer
em pecado. (2.38)
O Senhor Krishna diz, aqui,
que mesmo a violência realizada no cumprimento do dever, com um estado de
espírito apropriado, como no verso dito acima, é sem pecado. Isto é o verso
inicial da teoria do Karma-yoga, um dos temas do Gita.
“O sábio sinceramente deve
saudar o prazer e a dor, alegria e tristeza, sem desencorajar-se” (MB
12.174.39). “Dois tipos de pessoas são felizes neste mundo: Aqueles que são
completamente ignorantes e aqueles que são verdadeiramente sábios. Todos os
outros são infelizes” (MB 12.174.33)
A CIÊNCIA DO KARMA-YOGA, E A AÇÃO DESAPEGADA
A ciência do conhecimento
transcendental há sido dividida para você, Ó Arjuna. Agora ouça a ciência
dedicada de Deus, ação desapegada (Seva), por ela favorecida você irá tornar-se
livre do cativeiro kármico, ou pecado. (2.39)
Na há perda de tempo no
serviço desapegado, e nele não há efeitos adversos. Mesmo uma pequena prática
nesta disciplina protege alguém do repetido ciclo de nascimentos e mortes.
(2.40)
A ação desapegada é também
chamada de Seva, Karma-yoga, sacrifício, yoga ou trabalho, ciência da ação
própria, e yoga da tranqüilidade. Um Karma-yogi trabalha com amor para o Senhor
conforme a sua responsabilidade, sem o desejo egoísta pelos frutos do trabalho,
ou apego egoísta para com os resultados, e torna-se livre de todo o medo. A
palavra karma também significa obrigação, ação, feito, trabalho, esforço, ou o
resultado de ações passadas.
Um trabalhador desapegado
possui resoluta determinação somente na realização de Deus, mas os desejos de
quem trabalha para desfrutar os frutos do trabalho são infinitos os quais tornam
a mente inquieta. (2.41)
OS VEDAS TRATAM DE AMBOS ASPECTOS DA VIDA, MATERIAL E ESPIRITUAL
A pessoa enganada, que se
deleita nos melodiosos cantos dos Vedas – sem o entendimento do real propósito
dos Vedas – pensa, Ó Arjuna, que não há nada mais nos Vedas exceto rituais, com
o único propósito de obter o regozijo celeste. (2.42)
Eles estão dominados pelos
desejos materiais e consideram o alcançar do paraíso como a meta mais elevada da
vida. Eles ocupam-se em ritos específicos com o propósito de prosperidade
material e gratificação. O renascimento é o resultado destas ações (2.43)
A auto-realização – a real
meta da vida – não é possível para aqueles que estão apegados ao prazer e poder,
e para quem o juízo está obscurecido pelos rituais e atividades para a
satisfação dos desejos egoístas. (2.44)
A auto-realização é para que
se conheça o relacionamento com o Senhor Supremo e Sua verdadeira natureza
transcendental. A promessa de benefícios materiais nos rituais védicos são como
promessas de açúcar candy feitas pela mãe a criança para induzir, ele ou ela, a
tomarem remédios do desapego da vida material; esta é a principal instância. Os
rituais precisam ser trocados com o tempo e ser direcionados acima pela devoção
e boas ações. As pessoas podem rezar e meditar a qualquer hora, em qualquer
lugar, sem qualquer ritual. Os rituais tem representado uma importante
função na vida espiritual, mas neles também há enormes abusos. O Senhor Krishna
e o Senhor Buddha desaprovaram o uso impróprio dos rituais védicos, não os
rituais em si mesmos. O rituais criam uma sagrada e abençoada atmosfera. Eles
são respeitáveis como sendo um navio celestial (RV 10.63.10) e criticados como
uma frágil jangada (MuU 1.2.07).
A parte dos Vedas trata dos
três modos – bondade, paixão e ignorância – da natureza material. Eleve-se acima
destes três modos, e seja auto-consciente. Torne-se livre da tirania do par de
opostos. Fique tranqüilo e indiferente com os pensamentos de aquisição e
preservação de objetos materiais. (2.45)
Para a pessoa iluminada, que
está realizada na verdadeira natureza do Ser interior, os Vedas tornam-se
proveitosos como um pequeno reservatório de água, tornando-se disponível como a
água de um grande lago. (2.46)
As escrituras são como um
lago finito que flui suas águas para o infinito oceano da verdade. Portanto, as
escrituras tornam-se desnecessárias somente após o esclarecimento, do mesmo modo
que um reservatório de água não tem utilidade quando é cercado por um dilúvio.
Aquele que há realizado o Ser Supremo não desejará obter o paraíso por
intermédio da realização de rituais védicos. As escrituras, assim como os Vedas,
são meios necessários, não são o fim. As escrituras possuem a intenção de nos
conduzir e guiar-nos no caminho espiritual. Uma vez que a meta é alcançada, elas
serviram-nos com o seu propósito.
TEORIA E PRÁTICA DE
KARMA-YOGA
Você tem o
controle sobre os feitos apenas da sua responsabilidade, mas não controle ou
reclamação sobre os resultados. Os frutos do trabalho não devem ser seu motivo,
e você nunca deverá ser inativo. (2.47)
A reta
visão do mundo se desenvolve quando nós entendemos plenamente que nós possuímos
habilidade para colocar o melhor dos nossos esforços dentro de tudo; nós
não devemos escolher o resultado (da ação) do nosso trabalho. Absolutamente, nós
não temos o controle sobre todos os fatores que determinam o resultado. As
coisas do mundo não se desenrolariam se todos tivesse sido entregue o poder de
escolher os resultados das suas ações, ou para satisfazer os seus desejos.
A alguém é dado o poder e a habilidade de fazer a sua respectiva
responsabilidade na vida, mas ninguém está livre para escolher os resultados. O
trabalho sem a expectativa de sucesso, ou bons resultados, pode ser sem sentido,
mas para estar plenamente preparado para o inesperado será uma importante
posição para qualquer planejamento. Swami Karmananda disse: “A essência do
Karma-yoga é realizar o trabalho para a satisfação do Criador; mentalmente
renunciar os frutos de todas as ações; e deixe Deus tomar conta dos resultados.
Seu dever é viver – no melhor da sua habilidade – como um servo pessoal de Deus
sem qualquer recompensa para o gozo pessoal dos frutos do seu trabalho”.
O medo do
fracasso, causado por ser emocionalmente apegado aos frutos do trabalho, é o
grande impedimento para o sucesso, porque ele rouba a eficiência pelo distúrbio
constante do equilíbrio da mente. Portanto, as obrigações devem ser feitas com
desapego. O sucesso em qualquer tarefa torna-se fácil se o trabalho é feito sem
a perturbação do resultado. O trabalho é realizado mais eficientemente quando a
mente não está continuamente – consciente ou subconscientemente -
perturbada pelo resultado, bom o mal, de uma ação.
Deve-se
descobrir este fato pessoalmente na vida. Uma pessoa deve trabalhar sem o motivo
egoísta, conforme a sua responsabilidade, para uma grande causa, auxiliando a
humanidade particularmente, do mesmo modo que a si mesmo, a uma criança,
ou a pouco indivíduos. Tranqüilidade e progresso espiritual resultam do serviço
desapegado, enquanto que o trabalho motivado pelo egoísmo cria o cativeiro do
Karma, bem como uma grande decepção. O serviço desapegado e dedicado por uma
grande causa conduz para a paz eterna aqui e para o futuro.
O limite
da jurisdição de alguém termina com a realização da obrigação; ela jamais cruza
o jardim do fruto. Um caçador tem controle sobre a flecha apenas, nunca sobre o
veado. Harry Bhala disse: “um lavrador tem controle de seu trabalho sob suas
mãos, apesar disto ele não tem controle sobre a colheita. Mas ele não pode
esperar a colheita se não trabalhar em sua terra”.
Quando
alguém não deseja por prazer ou vitória ele não é afetado pela dor ou derrota.
Questões de prazer ou sucesso, ou de dor ou fracasso não são levantadas porque
um karmayogi está sempre no caminho servil sem esperar pelo gozo dos frutos da
ação, ou mesmo as flores do trabalho. Ele ou ela descobrem o prazer do serviço.
A miopia de curto prazo, ganho pessoal, causado pela ignorância da metafísica, é
a raiz de todos os males na sociedade e no mundo. O pássaro da retidão não pode
ser aprisionada na gaiola do ganho pessoal. Dharma e egoísmo não podem
permanecer juntos.
O desejo
pelos frutos aprisionam alguém no beco escuro do pecado e o impede do real
crescimento. A ação realizada apenas pelo interesse próprio é pecaminosa. O bem
estar individual repousa no bem estar da sociedade. O sábio trabalha para toda a
sociedade, enquanto o ignorante trabalha apenas para si mesmo ou seus filhos e
netos. O conhecedor da verdade não permite a sombra do ganho pessoal
atacar o caminho do dever. O segredo da arte de viver uma vida significante é
ser intensamente ativo sem qualquer motivo egoísta, como declarado a baixo:
Faça as suas
ações no melhor de suas habilidades, Ó Arjuna, com sua mente ligada ao Senhor,
abandonando a preocupação e o apego egoísta para os resultados, permanecendo
calmo tanto no sucesso como no fracasso. O serviço sem egoísmo traz paz e
tranqüilidade da mente, que conduz a união com Deus. (2.48)
O Karmayoga é definido como
“fazer as obrigações enquanto mantêm-se a tranqüilidade”, sob todas as
circunstâncias. Dor e prazer, nascimento e morte, perda e ganho, união e
separação são inevitáveis, estando sob o controle de alguma ação passada, ou
Karma, do modo como se sucedem o dia e a noite. O tolo se regozija na
prosperidade e se aborrece na adversidade, mas um karmayogi permanece tranqüilo
sob todas as circunstâncias (TR 2.149.03-04). A palavra “yoga” pode também ser
definida nos seguintes versos do Gita: 2.50, 2.53, 6.04, 6.08, 6.19, 6.23, 6.29,
6.31, 6.32, 6.47. Qualquer técnica prática de entendimento da Realidade Suprema,
e unindo-as com Ele (Krishna), é chamada prática espiritual ou Yoga.
O trabalho feito com motivo
egoísta é inferior e está longe do serviço desapegado. Portanto, seja um
trabalhador desapegado, Ó Arjuna. Aqueles que trabalham apenas para o gozo dos
frutos dos seus trabalhos são infelizes (porque não se tem controle sobre os
resultados). (2.49)
Um Karmayogi, ou uma pessoa
desapegada, torna-se livre tanto da virtude como do vício em sua vida.
Portanto, esforce-se por serviço desapegado. Trabalhar o melhor das suas
habilidades, sem apegar-se egoisticamente pelos frutos do trabalho, chama-se
Karmayoga ou Seva. (2.50)
Paz, compostura, e liberdade
do cativeiro kármico aguarda aquele que trabalha por uma nobre causa, com um
espírito de desapego e que não procura qualquer recompensa ou reconhecimento.
Tais pessoas regozijam-se no serviço desapegado que no final das contas os
conduz para a bem-aventurança da salvação. Karma yoga purifica a mente e é muito
poderosa e uma fácil disciplina espiritual que alguém pode praticar enquanto
vive e trabalha na sociedade. Não há melhor religião do que o serviço
desapegado. Os frutos do vício e da virtude crescem somente na árvore do
egoísmo, não na árvore do serviço desapegado. Geralmente, aquele pensamento
trabalha arduamente quando se está profundamente interessado neles, ou apegado a
eles, os frutos do trabalho. Portanto, Karmayoga ou serviço sem egoísmo
(desapegado) talvez não conduzam ao progresso material individual ou social.
Este dilema pode ser resolvido pelo desenvolvimento da atividade do serviço
desapegado por uma nobre causa de alguém escolha, jamais permitindo que a
ganância pelos frutos dilua o pureza da ação. Habilidade e experiência no
trabalho é não atar-se pela obrigações do karma de alguém ou a obrigações
mundanas.
Os Karma Yogis estão livres
do cativeiro do renascimento, devido a renúncia do serviço desapegado aos frutos
de todo trabalho, alcançando um divino estado de salvação ou Nirvana. (2.51)
Quando seu intelecto perfurar
completamente o véu da confusão a respeito do Ser e do não-Ser, então você irá
tornar-se indiferente para o que foi dito e o que é para ser escutado das
escrituras. (2.52)
As escrituras tornam-se
dispensáveis após o esclarecimento. De acordo com Shankara, este verso significa
alguém que teve arrancado em partes o véu da ignorância e realizado a Verdade,
tornando-se indiferente aos textos védicos que prescrevem em detalhes a
realização de rituais para o alcance dos frutos do desejo.
Quando o seu intelecto, que
está confuso pelo conflito de opiniões e pela doutrina ritualística dos Vedas,
ficar firme e sólido, centrando-se no Ser Supremo, então você irá ser iluminado
e irá se unir completamente com Deus em transe. (2.53)
Ler escrituras não sagradas ou a leitura de diferentes escritos
filosóficos é amarra para criar confusões. Ramakrishna disse: “Deve-se aprender
das escrituras que unicamente Deus é real e o mundo é ilusório”. Um iniciante
deveria conhecer que somente Deus é eterno e que tudo o mais é temporário. Após
a auto-anunciação, encontra-se o Deus único tendo transformado tudo. Tudo é Sua
manifestação. Ele é ostentado de várias formas. No transe, ou no estado de
superconsciência da mente, a confusão surgida do conflito de opostos cessa, e o
equilíbrio mental é alcançado.
Diferentes escolas de pensamento, cultos, sistemas de filosofia, meios
de adoração, e práticas espirituais encontrados na cultura védica são diferentes
degraus da escada do Yoga. Semelhante amplitude de escolhas d e métodos não
existe em qualquer outro sistema, religião, ou meio de vida. Pessoas de
diferentes temperamentos são diferentes devido as diferenças nos seus estágios
de desenvolvimento espiritual e entendimento. Portanto, diferentes escolas de
pensamento são necessárias para vestir as diferenças individuais assim como o
mesmo indivíduo, ele ou ela, crescem e se desenvolvem. A mais alta filosofia do
puro monismo é o degrau superior da escada. A vasta maioria não pode compreender
isso. Todas as escolas e cultos são necessários. Não se deve ficar confuso por
causa de diferentes métodos, mas deve-se escolher com sabedoria.
Arjuna disse: Ó Krishna,
quais são os sinais de uma pessoa iluminada, cujo o intelecto está firme? O que
pensa e fala uma pessoa de intelecto firme? Como se comporta semelhante pessoa
com os outros, e como vive neste mundo? (2.54)
As respostas para todas as
questões feitas acima são dadas pelo Senhor Krishna nos versos que ficam neste
capítulo, descritas a seguir:
MARCAS DE UMA PESSOA AUTO-REALIZADA
O Senhor Krishna disse:
quando alguém está completamente livre de todos os desejos da mente, e está
satisfeito com a bem-aventurança do Ser Supremo, então essa pessoa é chamada de
iluminada. Ó Arjuna. (2.55)
De acordo com mãe Sarda,
desejos por conhecimento, devoção e salvação não podem ser classificados como
desejos, porque eles são desejos elevados. Deve-se primeiro trocar o desejos
inferiores pelos superiores e então renunciar os desejos superiores também, e
tornar-se absolutamente livre. É dito que a maior liberdade é a liberdade de
tornar-se livre.
Uma pessoa é
chamada de sábio iluminado, de firme intelecto, cuja mente está imperturbável
pela adversidade, que não deseja prazer, e que está completamente livre de
apegos, medo ou ira. (2.5 6)
Apego para com pessoas,
locais e objetos retira o intelecto, e torna alguém míope. As pessoas estão sem
saída, amarradas com a corda do apego. Deve-se estudar para cortar a corda com o
espada do conhecimento do Absoluto, e tornar-se desapegado e livre.
A mente e o intelecto de uma
pessoa torna-se firme se não é apegada a qualquer coisa, que não se exalta pelo
desejo de lucro de resultado, nem se perturba pelos resultados indesejados.
(2.57)
O verdadeiro
espiritualista possui paz e o olhar alegre nas suas faces sob todas as
circunstâncias.
Quando alguém consegue
retirar completamente o sentimento dos objetos dos sentidos, assim como uma
tartaruga retrocede seus membros para dentro do seu casco, por proteger-se, no
mesmo modo faz o intelecto de uma pessoa considerada firme. (2.58)
Uma pessoa aprende a
controlar ou retrair os sentimentos dos objetos dos sentidos, como uma tartaruga
retrai seus membros para dentro do casco no tempo de perigo, e não pode ser
forçada a estender suas patas de novo até que esteja acabado; a lâmpada do
auto-conhecimento torna-se acesa, e se percebe a auto-efulgência do Ser Supremo
interiormente (MB 12.174.51). Uma pessoa auto-realizada regozija-se com a beleza
do mundo, mantendo seus sentidos sob completo controle como uma tartaruga. A
melhor via para a purificação dos sentidos e o controle deles, de modo perfeito
como uma tartaruga, é engajá-los no serviço a Deus o tempo todo.
O desejo por prazeres
sensuais desaparece se se abstém do gozo dos sentidos, mas o desejo pelo gozo
dos sentidos permanece em muitas formas sutis. Esta sutil forma desaparece por
completo também naquele que conhece o Ser Supremo. (2.59)
O desejo por prazer sensual
adormece quando se abstém do gozo dos sentidos, ou devida a limitações psíquicas
impostas por doenças ou velhice. Mas o desejo permanece como uma sutil impressão
mental. Aqueles que tem experimentado o néctar do sabor da união com o Ser
Supremo não procuram longamente pelo desfrute no baixo nível dos prazeres
sensuais. O desejos sutis escondem-se como um ladrão, pronto para roubar o
indivíduo na oportunidade apropriada, como explicado a baixo:
PERIGO DOS SENTIDOS DESENFREADOS
Os sentidos
impacientes, Ó Arjuna, forçosamente fascinam a mente mesmo de uma pessoa sábia
que aspire por perfeição. (2.60)
O sábio sempre mantém
vigilância sobre a mente. Não se pode confirmar plenamente na mente. Ela pode
enganar mesmo uma pessoa auto-realizada (BP 5.06.02-05). Deve-se estar muito
alerta prestando atenção nas excursões da mentes. Jamais relaxe a sua vigilância
até que a meta final de realização em Deus seja atingida. Mão Sarda diz: “É da
natureza da mente dirigir-se aos gozos dos objetos inferiores, assim como a
natureza da água em escorrer para baixo. A Grace de Deus pode fazer a mente
direciona aos elevados objetos, assim como os raios de Sol evaporam a água.
A mente humana está sempre
pronta para ludibriar e fazer boas ações. Portanto, disciplina, vigilância
constante, e prática espiritual honesta são necessárias. A mente é como um
cavalo xucro que precisa ser domado. Nunca deixe a mente vagar - sem vigilância
- no reino da sensualidade. O caminho da vida espiritual é muito escorregadio e
deve ser pisado com muito cuidado para evitar quedas. Não é uma alegre
travessia, e é muito difícil pisar na estreita margem do fio da espada. Muitos
obstáculos, distrações e falhas chegam no caminho para auxiliar o devoto a
tornar-se forte e avançar mais no caminho, assim como o ferro torna-se aço pela
alteração da temperatura, esfriamento e martelamento. Não se deve desencorajar
pelas falhas, mas continuar com determinação.
Aquele que
fixa a sua mente em Deus com amor contemplativo, após trazer os sentidos sob
controle; e de quem o os objetos dos sentidos estão sobre completo controle, o
intelecto torna-se firme. (2.61)
Desenvolve-se apego aos objetos dos sentidos pensando-se nos objetos dos
sentidos. O desejo pelos objetos dos sentidos advém do apego aos objetos dos
sentidos, e a ira advém dos desejos não realizados. (2.62)
A ilusão ou idéias
desordenadas surgem da ira. A mente é confundida pela ilusão. A razão é
destruída quando a mente está confusa. Cai-se do caminho da retidão quando a
razão é destruída, (2.63)
ALCANÇANDO A PAZ E A FELICIDADE ATRAVPES DO CONTROLE DOS SENTIDOS E CONHECIMENTO
Uma pessoa disciplinada,
regozija os objetos dos sentidos com os sentidos que estão sob controle, e
livres dos apegos e das aversões, obtendo a tranqüilidade. (2.64)
A verdadeira paz e felicidade
são alcançadas, não pela gratificação dos sentidos, mas pelo controle dos
sentidos.
Todos os sofrimentos são
destruídos sob o alcance da tranqüilidade. O intelecto de tal pessoa tranqüila
em breve torna-se completamente firme, e em união como Supremo. (2.65)
Não há auto-conhecimento nem auto-percepção naqueles que não estão em união como Supremo.
Sem auto-percepção não há paz, e sem paz não se pode ter felicidade.
(2.66)
A mente,
quando controlada pelo vaguear dos sentidos, rouba o intelecto, do mesmo modo
que uma tempestade desvia um barco no mar do seu destino - a praia espiritual da
paz e da felicidade. (2.67)
Uma pessoa sem o controle por
sobre a sua mente e cujos sentidos movimentam-se sem leme, torna-se um reagente
no lugar do agente, e desenvolve karma negativo.
A ambição por prazer ou gozo
é a inspiração virulenta que conduz a destruição; similarmente, o desejo por
prazeres sensuais deixa-nos fora do auto-conhecimento, e nos conduz para a rede
de transmigração (MB 3.02.69).
Portanto, Ó Arjuna, o
intelecto torna-se firme naquele em que os sentidos são completamente retirados
dos objetos dos sentidos. (2.68)
Um yogi, a pessoa
auto-controlada, permanece vigilante quando é noite para todos os outros. É
noite para o yogi, que vê quando todos estão acordados. (2.69)
O asceta mantém-se desperto
ou desapegado da noite da existência da vida mundana, porque ele está em busca
da mais elevada verdade. Considera-se alguém desperto quando está livre dos
desejos mundanos (TR 2.92.02). Um yogi está sempre consciente do espírito sob o
qual os outros estão inconscientes. A vida de um asceta é inteiramente diferente
da vida de uma pessoa materialista. O que é considerado real por um yogi não tem
valor para uma pessoa mundana. Enquanto a maioria das pessoas dormem e fazem
seus sonhos nos planos da noite ilusória do mundo, um yogi mantém-se desperto,
porque ele ou ela estão despegados do mundo enquanto vivem nele.
Obtêm-se a
paz quando todos os desejos dissipam-se dentro da mente sem criar qualquer
distúrbio mental, como as águas de um rio entram no oceano pleno sem criar
qualquer distúrbio. Aquele que deseja os objetos matérias jamais possui paz.
(2.70)
Torrentes do rio do desejo
carregam longe a mente de uma pessoa materialista assim como um rio carrega
longe a madeira e outros objetos no seu caminho. A mente tranqüila de um yogi é
como um oceano que recebe os rios do desejo sem ser perturbado por eles, porque
um yogi não pensa a respeito de ganho ou perda. Os desejos humanos são
infinitos. Para satisfazer o desejo é como beber água salgada que jamais saciará
a sede, mas irá aumentá-la. É como tentar apagar um fogo com gasolina.
Tentar realizar os desejos
materiais é como adicionar mais madeira no fogo. O fogo irá se apagar se não for
mais colocado madeira nele (MB 12.17.05). Se alguém morre sem ter conquistado o
grande inimigo - os desejos - terá de reencarnar para lutar com estes inimigos
de novo, e de novo, até a vitória (MB 12.16.24). Não se pode ver a face de
alguém num pode de água que está agitada pelo vento; similarmente, não se está
apto para realizar Deus quando a mente e os sentidos estão perturbados pelo
vento dos desejos materiais (MB 12.240.030).
Aquele que abandona todos os
desejos materiais torna-se livre da saudade dos sentimentos de “eu” e “meu”,
alcançando a paz. (2.71)
O Arjuna, este é o estado de
superconsciência da mente. Alcançando tal estão, não se é enganado. Conquistando
este estado, mesmo no fim da vida, uma pessoa alcança a verdadeira meta da vida
humana, tornando-se uno com Deus. (2.72)
O Ser Supremo é a verdade e
realidade final, conhecimento e consciência, e é ilimitado e feliz. (TaU
2.01.01). A alma individual torna-se bem-aventurada e cheira de júbilo após
conhecer Deus. A generosa felicidade não é nada mais que a bem-aventurança em si
mesma, como a generosidade da riqueza deve ter riqueza. Daquele da qual a
origem, sustento, e dissolução deste universo é derivada, é chamado o Absoluto
(BS 1.01.02; TaU 3.01.01). O conhecimento não e uma qualidade (Dharma)
natural do Absoluto; ele é a intrínseca natureza do Absoluto (DB 7.32.19). O
Absoluto é o substrato, ou assim como a material causa eficiente do universo. Em
ambos, a origem e o fim da energia, é única. Isto é também chamado o Campo
Unificado, Espírito Supremo, Pessoa Divina, e Consciência Total, que é
responsável pela percepção dos sentidos em todas as entidades vivas pelo
funcionamento da mente e do intelecto.
A palavra “salvação” no
Cristianismo, significa entrega do poder e penalidade do pecado. Pecado, no
Hinduísmo, não pé nada mais do que o cativeiro do Karma, responsável pela
reencarnação. Assim, salvação equivale a palavra sânscrita “Mukti” - a
libertação final das entidades vivas da reencarnação - no Hinduísmo. Mukti
significa a completa destruição das impressões dos desejos da causa corporal. É
a união da unidade individual com a Superalma. Alguns dizem que a todo
penetrante Superalma é a causa corporal que conduz tudo e que permanece
misericordiosamente desapegada. A palavra sânscrita “Nirvana” no Budismo, é
imaginada como sendo a cessação dos desejos materiais em ego. Isto é um estado
de ser no qual os desejos materiais e pessoais, amores e desafetos, devem
ser totalmente extintos. Eles saem do consciência corporal e alcançam o estado
de auto-consciência. Esta é a liberação do apego do corpo material e o
alcance do estado da bem-aventurança com Deus.
Chapter 3
CAMINHO DO SERVIÇO SEM EGOÍSMO
Nota do tradutor para o Português. O Terceiro canto
do Bhagavad-gita trata do serviço devocional prestado em ação, dito karmayoga. É
importante a sua compreensão para afastar as dúvidas que giram em torno deste
importante conceito védico, “karma”, e que tem causado uma certa confusão na
mente dos ocidentais. A palavra “karma”, do sânscrito, significa: “ação”;
“trabalho”; “envolvimento”, etc., e muitas vezes é confundida com uma lei física
de simples causa e efeito, dentro dos conceitos da lei da inércia. A maior parte
do Bhagavad-gita enfatiza a necessidade do envolvimento das ações conscientes do
Supremo – de Krishna – todo o tempo, realizando tudo para a Sua glória. Quando
Sri Krishna declara no final do B.Gita para que Arjuna deixe tudo por conta
d´Ele, compreende-se que toda a ação deve ser feita tendo em vista a satisfação
do Supremo: diz o verso 18.66: sarva-dharmam prarityajya/ mam ekam saranam vraja
– aham tvam sarva-papebhyo/ moksaysyami ma sucah; “Abandona todas as variedades
de dharma (obrigações) e simplesmente se renda a Mim. Eu libertarei você de
todas as reações pecaminosas; não temas”. Na medida em que Arjuna se rendeu a
Krishna, toda e qualquer ação que ele fizesse no campo de Kuruksetra seria
oferecida para Ele, de modo que não cairia em pecado. Krishna havia dito no
verso 11.55, que “mat-karma-krim mat-paramo/ mad-bhaktah sanga varjitah –
nirvairah sarva-bhutesu/ yah sa mam eti pandava”, “Meu estimado Arjuna, a pessoa
que se ocupa em Meu serviço devocional puro – karma-yoga – livre das
contaminações de atividades anteriores e da especulação mental, que é amigável
para com todas as entidades vivas, certamente vem a Mim”. Eis a máxima do
Senhor, que dá o provimento, assistência e proteção ao seu devoto, não
precisando deixar a sua vida de relação para poder amá-lO e servi-lO.
Sem nenhuma dúvida
os principais obstáculos do devoto são a luxúria, os desejos materiais, e os
apegos mundanos. Neste canto o Senhor Krishna instrui Arjuna como controlar e
dominar a mente irrequieta, e alcançar a meta suprema, a liberação do mundo
material.
-x-x-
Arjuna perguntou: se Você diz que adquirir conhecimento é melhor do que
agir, então por que quer que eu me ocupe nesta guerra horrível, Ó Krishna?
Parece que Você quer confundir a minha mente, aparentemente, por palavras
conflitantes. Diga-me, decisivamente, uma coisa pela qual eu possa alcançar o
Supremo. (3.01-02)
Arjuna estava no modo da ilusão; ele
acreditava que o Senhor Krishna pensava numa vida contemplativa melhor do que
uma vida de obrigações normais. Algumas pessoas ficam freqüentemente confusas, e
que a salvação é possível somente por uma vida devotada ao estudo das
escrituras, contemplação, e aquisição de autoconhecimento. O Senhor Krishna
esclarece isto pela menção dos dois maiores caminhos da prática espiritual -
dependendo da natureza individual - no seguinte verso:
O Senhor Krishna
disse: neste mundo, através do tempo, Eu tenho declarado um duplo caminho de
disciplina espiritual: o caminho do autoconhecimento para os contemplativos, e o
caminho do trabalho não-egoísta (desapegado) (Seva, Karmayoga) para todos os
outros. (3.03)
“Seva” ou “Karmayoga”, significa
sacrifício, serviço abnegado, trabalho altruísta, ação meritosa, entregar-se, de
algum modo, para os outros. Algumas pessoas, freqüentemente, ficam
confusas como Arjuna, e pensam que levar uma vida devotada aos estudos das
escrituras, e contemplação, para aquisição de conhecimento transcendental,
talvez seja melhor para o progresso espiritual do que fazer alguma obrigação
materialmente.
A pessoa realizada em Deus não a considera
a si própria como a fazedora de qualquer ação, mas somente um instrumento nas
mãos do divino, para Seu uso. Isso favorecerá apontando que ambos conhecimentos,
metafísico e serviço abnegado, possuem a intenção de alcançar o Ser Supremo.
Estes dois caminhos não são separados, mas complementares. Na vida, a combinação
destes dois modos é considerada o melhor. Leve ambos, o serviço abnegado e uma
disciplina espiritual de aquisição de autoconhecimento com você, como citado nos
seguintes versos:
Não se alcança a liberdade do cativeiro do karma pela simples abstenção
do trabalho. Ninguém alcança a perfeição meramente abandonando o trabalho,
porque ninguém pode ficar sem ação, mesmo por um momento. Tudo no universo é
dirigido pela ação – realmente não tem saída – pelas forças da natureza.
(3.043-05)
Não é possível, para qualquer um, abandonar
por completo as ações por pensamento, palavras e obras. Portanto, deve-se sempre
estar ativo em serviço ao Senhor, pelos vários meios que se escolher, e jamais
ficar sem trabalho, porque a mente vazia é a fábrica do diabo. Executar as ações
até a morte, sem o desejo da mente é melhor que abandonar o trabalho e conduzir
a vida como um asceta, mesmo após a realização em Deus, porque mesmo um asceta
não pode fugir da pulsação da ação.
Qualquer um que refreie os sentidos, mas, que mentalmente pensa nos
prazeres sensoriais é chamado de embusteiro. (3.06)
O crescimento de uma pessoa provém do
trabalho generoso, mais que da existência desse trabalho ou da prática do
controle dos sentidos, antes dessa pessoa estar naturalmente pronta para isso.
Trazer a mente sob controle é difícil, e a vida espiritual transforma-se numa
zombaria sem comando sobre os sentidos. Os desejos podem tornar-se dormentes e,
então, voltarem à tona trazendo problemas, como uma pessoa dormindo que acorda
devido ao passar to tempo.
As quarto metas da vida humana – fazer as
obrigações, acumular riquezas, gozo material e sensual, e alcance da salvação –
foram designadas na tradição Védica, para o natural e sistemático crescimento
individual e do progresso da sociedade. O sucesso na vida espiritual não chega
prematuramente vestindo roupas açafrão, por manter um Ashrama ou meio de vida,
sem primeiro conquistar os seis inimigos: luxúria, ira, ambição, orgulho, apego
e inveja. É dito que semelhante embusteiro (que pelo gozo dos sentidos diz os
controlar) faz um grande desserviço para Deus, sociedade e para si mesmo, e
tornar-se privado de felicidade neste e no outro mundo (BP 11.18.40-41). Um
monge fingido é considerado pecaminoso e um destruidor da ordem de vida
ascética.
POR QUE ALGUÉM DEVE SERVIR OS OUTROS?
Aquele que controla
os sentidos – pela educação e purificação da mente e intelecto – e que ocupa os
órgão e ações ao serviço abnegado é considerado superior. (3.07)
Execute suas
obrigações porque o trabalhar é, deveras, melhor do que cruzar os braços. Mesmo
a manutenção do seu corpo seria impossível sem trabalho. (3.08)
Os seres humanos são limitados pelo trabalho (Karma) que não é
realizado como serviço abnegado (Seva, Yajña). Portanto, torne-se livre do apego
egoísta aos frutos do trabalho, fazendo suas obrigações eficientemente como um
serviço para Deus, para o bem da humanidade. (3.09)
AJUDAR O OUTRO É O PRIMEIRO MANDAMENTO DO CRIADOR
No começo o criador criou os seres humanos junto com o serviço privado
de egoísmo (serviço generoso ou Seva, Yajna, sacrifício) e disse: “Pelo serviço
de uns aos outros você irá prosperar, e o serviço sacrifical irá realizar todos
os seus desejos.
(3.10)
Satisfaça os controladores celestes com serviço desapegado, e eles irão
satisfazer você. Deste modo, um satisfaz o outro, e você irá alcançar a meta
Suprema. (3.11)
Um controlador celeste, ou anjo guardião,
significa um rei sobrenatural, uma pessoa celeste, um anjo, um agente de Deus,
as forças cósmicas que controla, protege e satisfaz os desejos. Mesmo os portões
dos céus estarão fechados para aqueles que tentarem entrar sozinhos. De acordo
com as antigas escrituras a ajuda aos outros é a mais meritosa das ações que
alguém pode fazer. O sábio vê como um serviço a si mesmo o serviço feito aos
outros, enquanto o ignorante serve a si mesmo a custa dos outros. Servir uns aos
outros é o primeiro mandamento do criador, que novamente foi falado pelo Senhor
Krishna no Bhagavad-gita. Deus nos deu dons para ajudar os outros, e servindo
aos outros nós crescemos espiritualmente. Nós nascemos para servir uns aos
outros, para entender, cuidar, amar, dar, e perdoar uns aos outros. De acordo
com Munijii, “Doar é Viver”. Doar torna o mundo um lugar melhor para toda a
humanidade.
Crê-se que o serviço egoísta mina nossa
saúde natural e nosso sistema nervoso também. Quando nós tomamos providência
para nos movermos por nós mesmos a pensar sobre os que precisam dos outros a
como podemos servi-los, a saúde coloca-se em movimento. Isto é especialmente
verdadeiro se nós pessoalmente ajudarmos uma pessoa que talvez jamais a
encontremos de novo na vida.
Os controladores celestes, sendo atendidos e satisfeitos pelo serviço
abnegado, darão a você todos os objetos desejados. Aquele que goza com os
presentes dos controladores celestes sem compartilhar com os outros é,
realmente, um ladrão. (3.12)
Aquele que não realiza sacrifícios, mas que
agarra tudo sem ajudar os outros, é como um ladrão. É dito que os seres celestes
são agradados quando as pessoas ajudam-se uns aos outros. A posição de dar
aumenta a graça de Deus, realizando e concedendo todos os desejos. O espírito de
cooperação – não confrontação ou competição – entre seres humanos, entre nações,
e entre organizações é a dica aqui (neste verso) do Senhor. Todas as
necessidades da vida são sanadas pela dedicação e o sacrifício das outras
pessoas. Nós fomos criados para sermos dependentes uns dos outros. O mundo foi
chamado de uma roda cósmica de ações cooperativas por Swami Chinmaynanda.
Cooperação, não competição, é a causa mais abrangente do progresso individual,
como um bem na sociedade. Nada vale a pena se quer ser alcançado sem a
cooperação e ajuda dos outros. O mundo será um lugar muito melhor se todos os
habitantes cooperarem e se ajudarem uns aos outros. É motivado egoisticamente o
que impede a cooperação, mesmo entre organizações espirituais. Aquele que pode
dizer verdadeiramente: “Todas organizações, templos, mesquitas, e igrejas são
nossas”, é um verdadeiro lidere e um verdadeiro santo.
O justo, que come após compartilhar com os outros, está livres de todos
os pecados, mas, o ímpio, que cozinha o alimento apenas para si mesmo (sem
primeiro oferecer para Deus ou distribuir com os outros), na verdade, come
pecado. (3.13)
Os alimentos devem ser cozidos para o Senhor e
ser primeiro oferecidos para Ele com amor, antes e durante o consumo. As
crianças devem ser educadas a rezar antes de comerem. A regra do lar deve ser:
não comer antes de rezar e agradecer a Deus. O Senhor promove o estado divino
que ajuda aos outros:
Os seres vivos são sustentados pelos alimentos dos grãos; os grãos são
resultados do sacrifício do trabalho ou da obrigação realizada pelos lavradores
e outros trabalhadores do campo. A responsabilidade está prescrita nas
escrituras. As escrituras vêm do Ser Supremo. Assim, o Ser Supremo, que a tudo
penetra, ou Deus, está sempre presente no serviço livre de egoísmo. (.3.14-15)
Aquele que não
auxilia para manter o movimento circular da criação em movimento, pela obrigação
sacrificial (Seva), e se regozija nos prazeres dos sentidos, tal pecaminosa
pessoa, vive em vão. (3.16)
Um grão de trigo será um simples grão a
menos que ele seja deixado cair dentro da terra e morrer. Se ele morrer então
irá produzir muitos grãos (John 12.24). Santos, árvores, rios e terra são usados
para o uso dos outros. De qualquer forma, não há obrigações para alguém
esclarecido, conforme explicado abaixo:
Para aquele que se regozija apenas com o Ser Supremo, que se satisfaz
com o Ser Supremo, e que está contente apenas com o Ser Supremo, para tal pessoa
auto-realizada não há obrigações. Para tal pessoa não há interesse, seja qual
for, no que fazer ou no que não fazer. Uma pessoa auto-realizada não depende de
ninguém, exceto Deus, para qualquer coisa. (3.17-18)
Todas as
responsabilidades, obrigações, proibições, regulações e injunções são meios que
conduzem à perfeição. Portanto, um yogi perfeito, que possui autoconhecimento, é
desapegado, não tem nada mais para ganhar deste mundo para realizar obrigações
materiais.
OS LÍDERES DEVEM SERVIR DE EXEMPLO
Execute sempre as
suas obrigações eficientemente, e sem qualquer apego egoísta, tendo em vista os
resultados, porque por fazer o trabalho sem apegos alcança-se a suprema meta da
vida. (3.19)
Não há outra escritura sagrada, escrita
antes do Bhagavad-gita, que contenha a filosofia do Karmayoga – a devoção
altruísta pelo bem estar da humanidade – sendo tão belamente exposta. O Senhor
Krishna levantou a idéia do altruísmo como a mais elevada forma de adoração e
prática espiritual. Pelo altruísmo, obtêm-se graça, e pela graça recebe-se fé, e
pela fé, a verdade última é revelada. Sente-se imediatamente melhor pela ajuda
aos outros, e chega-se a um passo mais perto da perfeição. Swami Vivekananda
disse: “O Trabalho feito para os outros desperta o sutil e dormente poder
divino, Kundalini, dentro do nosso corpo”. Um exemplo de alcance da
auto-realização pelas pessoas que fazem seus trabalhos obrigacionais é dado a
baixo:
O rei Janaka, e
muitos outros, alcançaram a perfeição da auto-realização apenas pelos serviço
sem egoísmo (Karmayoga). Você também deve executar suas obrigações com uma visão
para guiar as pessoas, e para o bem-estar da sociedade. (3.20)
Aqueles que realizam o serviço desapegado
não são atados pelo karma e alcançam a salvação (VP 1.22.52). Coisa alguma está
longe de alcançar àquela do que os que possuem os outros como interesse em sua
mente. Swami Harihar disse: “O serviço desapegado para a humanidade é o
verdadeiro serviço para Deus, e a mais elevada forma de adoração”.
Porque não importa o que uma pessoa nobre faz, os outros a seguem.
Quaisquer padrões normais que eles realizam o mundo acompanha. (3.21)
As pessoas seguem qualquer que seja uma
grande personalidade (BP 5.0412). Jesus disse: “Eu tenho dado um exemplo para
vós, então que vós fazeis o que Eu tenho feito para vós (João, 13.15). Um líder
está obrigado na elevada ética, moral, e padrão espiritual, para a população em
geral de seguidores. Se um líder falha neste cuidado, a qualidade de vida da
nação cai, e o progresso da sociedade é grandemente atrasado. Portanto, os
líderes possuem uma grande carga sob os seus ombros. A vida de um verdadeiro
líder é uma vida de serviço e sacrifício. Uma liderança não deve ser feita como
um empreendimento de tornar-se rico ou famoso.
Ó Arjuna, não há nada nos três mundos – o céu, a Terra, e as regiões
inferiores – que precisa ser feito por Mim, nem há qualquer coisa que Eu tenha
ou não tenha que obter; apesar disto Eu me ocupo em ação. (3.22)
Se eu não Me ocupasse em ação rigorosamente, Ó Arjuna, as pessoas iriam
seguir o mesmo caminho em todas as vias. Este mundo pereceria se Eu não
trabalhasse, e Eu seria causa de confusão e destruição.
(3.23-24)
O QUE
DISTINGUE O SÁBIO DO
IGNORANTE
O ignorante trabalha com apego aos frutos do resultado do trabalho, por
si próprio, e o sábio trabalha sem apego, pelo bem-estar do mundo. (3.25)
O sábio não se
preocupa, mas, inspira os outros pela realização eficiente de todos os
trabalhos, sem egoísmo e apego; a mente do ignorante está apegada aos frutos do
trabalho. (3.26; veja, também, 3.29)
Fazer as obrigações sem um motivo egoísta pessoal é um estado exaltado,
que é dado somente para alguém esclarecido. Isto, talvez, esteja além da
compreensão das pessoas comuns.
A marca do gênio descansa na habilidade de reconhecer as idéias opostas
e paradoxos, assim como em viver no mundo com desapego. A maioria das pessoas
trabalha arduamente quando possuem uma força motivante, como o desfrute dos
frutos do trabalho. Tais pessoas não devem ser desencorajadas ou condenadas.
Elas devem ser lentamente introduzidas nos estágios iniciais do serviço
desapegado. O excessivo apego por posses, não a possessão em si mesma, torna-se
a origem da miséria.
Assim como devemos rezar e adorar com atenção sincera, similarmente,
deve-se realizar as obrigações materiais com plena atenção, mesmo quando
conhecemos muito bem que o trabalho e seus negócios são transitórios. Deve-se
viver pensando somente em Deus, e não negligenciar as obrigações no mundo.
Yogananda disse: “Ser sério na meditação do mesmo modo como no conseguir
dinheiro. Não deve-se viver uma vida injusta”. A importância do controle dos
sentidos e o caminho para combater o ego é entregue a baixo:
TODOS OS TRABALHOS SÃO TRABALHOS DA NATUREZA
As forças da
natureza fazem todo o trabalho, mas devido a ilusão uma pessoa ignorante
supõem-se a si mesma como executora. (3.27; veja também 5.09; 13.29 e 14.19)
Indiretamente, Deus é o executor de tudo. O
poder e a vontade de Deus fazem tudo. Ninguém está livre, mesmo para matar a si
próprio. Não se pode sentir a presença de Deus como sentimento o tempo todo de
“Eu sou o executor” (a causa da ação). Se se concretiza que não somos causadores
de nenhuma ação – pela graça de Deus – mas, que somos apenas instrumentos,
tornamo-nos livres. Um cativeiro kármico é criado se nós nos consideramos nós
mesmos os executores e desfrutadores. O mesmo trabalho que é feito por um mestre
realizado e uma pessoa comum produz resultados diferentes. O trabalho que é
realizado por um mestre auto-realizado torna-se espiritualizado e não produz
cativeiro kármico, porque uma pessoa auto-realizada não considera a si mesma o
executor ou o desfrutador. O trabalho que é feito por uma pessoa comum produz
cativeiro kármico.
Aquele que conhece a verdade sobre as regras das forças da natureza, em
receber o trabalho feito, não se torna apegado ao trabalho. Tal pessoa percebe
que isso se deve às forças da natureza, adquiridas pelo trabalho dele, pelo uso
dos seus órgãos e instrumentos. (3.28)
Aqueles que estão iludidos pelo poder ilusório (Maya) da natureza,
tornam-se apegados ao trabalho, feito pelas forças da natureza. O sábio não de
perturba, como a mente do ignorante cujo conhecimento é imperfeito. (3.29)
A pessoa esclarecida não tenta dissuadir ou
difamar uma pessoa ignorante da realização das ações egoístas, feita por ele,
iludido pelas forças da natureza; porque o fazer o trabalho – e não a renúncia
do trabalho no estágio inicial – no final das contas irá conduzi-los a entender
a verdade de que ´nós não somos os executores’, mas apenas instrumentos divinos.
O trabalhar com apego, também, possui um lugar no desenvolvimento da sociedade e
na vida da pessoa comum. As pessoas podem facilmente transcender os desejos
egoístas por um trabalho por uma nobre meta a sua escolha.
Faças as suas
obrigações prescritas, dedicando todo o trabalho para Deus num estado espiritual
da mente, livre do desejo, apego e tristeza mental. (3.30)
Aqueles que sempre praticam este ensinamento Meu – com fé e
livres de críticas - tornam-se livre do cativeiro do Karma. Mas aqueles que
encontram defeito nestes ensinamentos, e que não praticam isto, são considerados
ignorantes, confusos e estúpidos. (3.31-32)
Todos os seres seguem sua natureza. Mesmo o sábio atua de acordo com a
sua própria natureza. Se nós somos a garantia de nossa natureza, qual, então, é
o mérito do sentido da contenção? (3.33)
Enquanto nós não conseguimos e não
suprimimos nossas natureza, nos não devemos nos tornar vítimas, mas
especialmente controladores e mestres dos sentidos, pela faculdade
descriminativa da vida humana para aprimoramento gradual. A maior via de
controle dos sentidos é o engajar de todos os nossos sentidos no serviço a Deus.
O MAIOR OBSTÁCULO NO CAMINHO DA PERFEIÇÃO
O apegos e aversões
pelos objetos dos sentidos permanecem nos sentidos. Não se deve ficar sobre o
controle destes dois, porque eles são os dois maiores obstáculos, sem dúvida, de
alguém no caminho da auto-realização. (3.34)
“Apegos” podem ser definidos como um forte
desejo para experimentar os prazeres sensuais repetidamente. “Aversão”, é uma
forte antipatia pelo que é desagradável. O caminho da paz da mente, conforto e
felicidade, é a base de todo o esforço humano, incluindo a aquisição e
propagação do conhecimento. Desejo – como qualquer outro poder dado pelo Senhor
– não é o problema. Nós podemos ter desejos com o estado de espírito adequado
que nos dará o controle sobre os apegos e aversões. Se nós podemos controlar
nossos desejos a maioria das coisas que possuímos tornam-se dispensáveis; nada
mais do que o essencial. Com uma atitude correta nós podemos obter o controle
sobre todos nossos apegos e aversões. A única coisa necessária é ter um estado
de espírito que torne mais coisas sem necessidade. Aqueles que possuem
conhecimento, desapego e devoção, não possuem qualquer gosto ou desgosto por
qualquer objeto mundano, pessoa, lugar, ou trabalho. Gostos e desgostos pessoais
perturbam a tranqüilidade da mente e tornam-se obstáculos no caminho do
progresso espiritual.
Deve-se atuar com o sentimento de
responsabilidade sem ser governado pelo gosto e desgosto pessoal. O serviço sem
egoísmo é a única austeridade e penitência nesta era, pelo qual qualquer um pode
alcançar Deus enquanto vive e trabalha na sociedade moderna, sem a necessidade
de ir para montanhas e florestas.
Todos se beneficiam se o trabalho é feito
para o Senhor, do mesmo modo como todas as partes de uma árvore recebem água
quando ela é colocada nas raízes, no local onde ela vive. Apegos e aversões são
destruídos numa pessoa nobre, no princípio do autoconhecimento e desapego. Os
amores e desafetos pessoais (gostos e desgostos) são os dois maiores obstáculos
no caminho da perfeição. Aquele que há conquistado os apegos e as aversões
torna-se uma pessoa livre, e alcança a salvação, por fazer suas obrigações
naturais, conforme abaixo:
O trabalho natural inferior é melhor que o trabalho superior não
natural. Mesmo a morte na realização da obrigação (natural) é proveitosa.
Trabalho não natural produz elevada tensão. (3.35 – veja também 18.47)
Aquele que realiza a sua obrigação ordenado
pela natureza (própria) é liberado dos laços do Karma e lentamente eleva-se do
plano mundano (BP 7.11.32). Aquele que assume uma responsabilidade de um
trabalho que não foi prescrito para ele certamente é um convite para o fracasso.
Deve-se envolver no trabalho melhor adaptado para a própria natureza ou
tendências inatas. Não há ocupação perfeita. Cada ocupação neste mundo possui
alguma falha. Devemos nos manter independentes da preocupação sobre as falhas
das obrigações na vida. Deve-se cuidadosamente estudar a natureza pessoal para
determinar uma ocupação apropriada. O trabalho conforme a própria natureza
não produz tensão e é feito criativamente. O caminhar árduo, voluntariamente,
feito contra as tendências naturais de cada um não é somente mais estressante
mas, também, menos produtivo, e ele não fornece a oportunidade e tempo livre
para o crescimento e desenvolvimento espiritual. Por outro lado, se alguém segue
o caminho fácil ou o caminho representativo, não será capaz de ganhar o
suficiente para satisfazer as necessidades básicas da (família) vida. Portanto,
leve uma vida simples, pela limitação luxuriosa desnecessária, e desenvolva um
hobby do serviço desapegado para equilibrar a balança material e espiritual
necessário na vida.
LUXÚRIA, A ORIGEM DO PECADO
Arjuna disse: Ó Krishna, o que impele alguém a cometer pecados ou ações
egoístas, mesmo contra a sua vontade, sendo forçada de novo a querê-los? (3.36)
O Senhor Krishna
disse: é a luxúria, nascida dentre a paixão, que se transforma em ira quando
insatisfeita. A luxúria é insaciável, e é um grande demônio. Conheça-a como o
inimigo. (3.37)
O modo da paixão é a ausência do equilíbrio
mental conduzido pela vigorosa atividade para alcançar os frutos do desejo.
Luxúria, o desejo passional e egoísta por todo o prazer sensual e material, é o
produto do modo da paixão. A luxúria torna-se ira se não satisfeita. Quando o
alcançar dos frutos é impedido ou interrompido, o intenso desejo por sua
realização transforma-se em ira feroz. Por conseguinte, o Senhor nos disse que a
luxúria e a ira são dois poderosos inimigos que podem conduzir alguém a cometer
pecados e retirar do caminho da auto-realização, a suprema meta da vida humana.
Atualmente, os desejos materiais compelem uma pessoa para ocupar-se em
atividades pecaminosas. Controle o seu querer, porque seja o que for o que você
quiser exigirá de você. O senhor Buddha disse: “O desejo egoísta é a raiz de
todos os males e misérias”.
Como o fogo é
encoberto pela fumaça, um espelho é encoberto pelo pó, e como um embrião está
encoberto pelo ventre, de forma similar, o autoconhecimento é encoberto pelos
diferentes degraus da luxúria insaciável, a inimiga eterna do sábio. (3.38-39)
A luxúria e o autoconhecimento são eternos
inimigos. A luxúria somente pode ser destruída pelo autoconhecimento. Onde mora
a luxúria, e como alguém deve controlar os sentidos para subjugar a luxúria, é
dado abaixo:
Os sentidos, a
mente e a inteligência diz-se que são o lugares da luxúria. A luxúria ilude uma
pessoa controlando-lhe os sentidos, a mente, a inteligência, e velando o
autoconhecimento. (3.40)
Portanto, pelo
controle dos sentidos, primeiro mate todos os maldosos desejos materiais (ou
luxúria), que destrói o autoconhecimento e a auto-realização. (3.41)
O poderoso inimigo, a luxúria, escraviza a
inteligência por usar a mente como seu amigo e os sentidos e os objetos dos
sentidos como seus soldados. Estes soldados mantém a alma individual iludida, e
obscurecem a Verdade Absoluta, como uma parte do drama da vida. O sucesso ou o
fracasso na nossa função, na ação, depende de como nós cuidamos nossas funções
individuais e alcançamos nosso destino.
Todos os desejos não podem – e não precisam
– ser eliminados, mas desejos egoístas, e motivos pessoais egoístas, precisam
ser eliminados para o progresso espiritual. Todas as nossas ações – pelos
pensamentos, palavras e obras – incluindo os desejos, devem ser direcionados
para glorificar a Deus, e para o bem da humanidade. As escrituras dizem: “O
mortal quando se libera do cativeiro dos desejos egoístas torna-se imortal, e
alcança a liberação, mesmo nesta vida (KaU 6.14, BrU 4.04.07).
COMO CONTROLAR A LUXÚRIA
Os sentidos são superiores ao corpo; a mente é superior aos sentidos; a
inteligência é superior à mente, e o Ser é superior ao intelecto. (3.42)
Assim, conhecendo o
Ser como o mais alto, e controlando a mente pela inteligência, que é purificada
pela prática espiritual, deve-se matar este poderoso inimigo, luxúria, Ó Arjuna,
com a espada do conhecimento verdadeiro do Ser. (3.43)
O descontrole dos desejos material irão
ruir a linda jornada espiritual da vida. As escrituras fornecem as vias e os
meios para afastar os desejos nascidos na mente, sobre próprio controle. O corpo
pode ser comparado a uma carruagem sob a qual a alma individual – como
passageiro, proprietário e desfrutador – é conduzida numa jornada espiritual em
direção a Morada Suprema do Senhor. Responsabilidade e autoconhecimento são as
duas rodas da carruagem, e, a devoção, o seu eixo. O serviço sem egoísmo é a
estrada; as qualidades divinas são os marcos. As escrituras são as luzes
orientadoras que dissipam a escuridão e a ignorância. Os cinco sentidos são os
cavalos desta carruagem. Os objetos dos sentidos são a grama verde na margem da
estrada; apegos e aversões são os obstáculos; e a luxúria, a ira e a ambição são
os assaltantes. Amigos e parentes são companheiros de viagem a quem nós,
temporariamente, encontramos durante a viagem. A Inteligência é o condutor desta
carruagem. Se a inteligência, o cocheiro da carruagem, não é tornada pura e
forte pelo autoconhecimento e deseja poder, então, fortes desejos sensuais e de
prazeres materiais – ou os sentidos – irão controlar a mente (veja 2.67) no
lugar da inteligência controlá-la. A mente e os sentidos irão atacar e tomar o
controle da inteligência, o fraco cocheiro, e conduzirão o passageiro fora da
meta da salvação, dentro da trincheira da transmigração.
Se a inteligência é bem treinada e
purificada pelo fogo do autoconhecimento e discernimento, ela estará apta para
controlar os cavalos dos sentidos, através da ajuda da prática espiritual e do
desapego, as duas rédeas da mente, e o chicote da conduta moral e das práticas
espirituais. O cocheiro deve manter as rédeas o tempo todo sob seu controle; de
outra maneira, os cavalos dos sentidos irão conduzi-lo para dentro da trincheira
da transmigração (reencarnação). Um único momento de descuido conduz a queda do
caminho. Finalmente, deve-se cruzar o caminho do rio da ilusão (Maya) e, pelo
uso da ponte da meditação, e do repetir silencioso do canto dos nomes do Senhor,
ou um maha mantra*, tranqüilizam as ondas da mente, alcançando a costa do
êxtase. Aqueles que não podem controlar os sentidos não estarão aptos para
alcançar a auto-realização, a meta do nascimento humano.
Não se deve estragar a si mesmo através dos
enganos temporários dos prazeres dos sentidos. Aquele que controla os sentidos
pode controlar o mundo todo, e alcançar o sucesso em todos os esforços. A paixão
não pode ser completamente eliminada, mas é subjugada pelo autoconhecimento. A
inteligência torna-se poluída durante os anos da juventude, assim como a água
clara de um rio torna-se turva durante a estação das chuvas. Mantenha boas
companhias, e coloque uma meta elevada na vida, prevenindo a mente e a
inteligência de serem tentadas pelas distrações dos prazeres sensuais.
* Nota do tradutor para o Português: É dito que nesta era de kali-yuga, o maha
mantra mais adequado é o cantar, segundo o Kali-shantarana upanishad,
verso 2: Hare Rama Hare Rama, Rama Rama Hare Hare/ Hare Krishna Hare Krishna,
Krishna Krishna Hare Hare.
Chapter 4
CAMINHO DA RENÚNCIA PELO CONHECIMENTO
KARMA-YOGA É UM ANTIGO MANDAMENTO ESQUECIDO
O Senhor Krishna disse: Eu ensinei este Karmayoga, a ciência eterna da
reta-ação, para o rei Visvavan; Visvasvan ensinou-o a Manu; Manu ensinou-o para
Ikshvaku. Deste modo, os santos reis conheceram esta ciência da ação própria
(Karmayoga), passando para as próximas gerações sucessivamente. Após um longo
tempo, esta ciência perdeu-se por sobre a Terra. Hoje, eu descrevi esta mesma
ciência antiga para você, porque você é meu devoto sincero e amigo. Esta ciência
é, realmente, um mistério supremo (4.01-03).
Karmayoga, discutido no capítulo anterior,
foi declarado pelo Senhor como a suprema ciência secreta da reta-ação. De acordo
com Swami Karmananda, ninguém pode praticar karmayoga, ou, mesmo entendê-la, a
menos que o Senhor em si mesmo revele Sua ciência secreta,
Arjuna disse: Você nasceu depois, mas Visvasvan nasceu nos tempos
antigos. Como posso eu entender que Você ensinou esta ciência no começo da
criação?
(4.04)
Arjuna questiona Krishna, um contemporâneo
seu, como é que ele pôde ensinar esta ciência de Karmayoga para o rei Visvavan,
que nasceu nos tempos da aurora do mundo, muito antes de Krishna. A doutrina do
Bhagavad-gita não possui mais do que cinco mil anos de idade; e aquilo é muito
antigo. O Senhor Krishna fala novamente no Gita para o benefício da humanidade,
com ele todos os grandes mestres recuperam-se, acendendo o fogo da verdade
esquecida. Pessoas diferentes tem dito: nós o ouvimos e o lemos em tempos
diferentes.
O PROPÓSITO DA INCARNAÇÃO DE DEUS
O Senhor Krishna disse: ambos, você e Eu, tivemos muitos nascimentos.
Eu me lembro de todos eles, Ó Arjuna, mas você não se lembra. (4.05)
Apesar de Eu ser eterno, imutável, e o Senhor de todos os seres, todavia, Eu me manifesto
pelo controle da natureza material, usando minha própria energia potencial.
(4.06 - veja, também, 10.14)
A divina energia cinética (Maya) é
sobrenatural; extraordinário e místico poder de Deus. A natureza material é
considerada o reflexo de Maya. Diz-se que o Senhor criou Maya que nos engana e
nos controla. A palavra “Maya”, também significa o irreal, ilusório, ou
enganadora imagem da realidade. Devido ao poder de Maya, alguém considera o
universo existente e distinto do Ser Supremo. A luz eterna é invisível energia
potencial; Maya é energia ciência, a força de ação do Senhor. Eles são
inseparáveis como o fogo e o calor. Maya é também usada como sendo uma metáfora
para explicar o mundo visível para as pessoas.
Toda a vez que há
um declínio do Dharma (reto-agir; Justiça) e a predominância de Adharma
(injustiça), Ó Arjuna, Eu Me manifesto. Eu apareço de tempos em tempos para
proteger os bons, para mudar os malvados, e restabelecer a ordem no mundo
(Dharma). (4.07-08)
O Ser Supremo é tanto divino como humano
(AV 4;16;08). Os profetas aparecem de tempos em tempos como revelação divina
preocupando-se com o bem-estar da sociedade. A toda hora nascem canalhas para
destruir a ordem do mundo (Dharma), e o Bom Senhor incarna-se para colocar as
coisas no seu devido equilíbrio (VR 7.08.27). Sua compaixão é a principal razão
para as Suas incarnações (SBS 49). Existem outras razões, além da proteção da
justiça (Dharma), para as incarnações do Senhor. O Ser Supremo, o qual está além
do nascimento e da morte, incarna-se na forma humana através de uma grande alma
para satisfazer as saudades dos devotos que querem vê-lO, e estar na sua
presença pessoal. O santo Tulasidasa disse: “Apesar de ser destituído de
atributos materiais, independente, e imutável, mesmo assim, pelo amor de Seus
devotos, o Senhor assume a forma com atributos (TR 2.218.030).
O senhor executa muitas coisas comuns,
humanas, e também incomuns e passatempos controversos, justamente para agradar
Seus devotos ou para acertar as coisas. O seres humanos comuns não podem
entender as razões por detrás destes passatempos e, portanto, apressam-se no
julgamento das atividades do Senhor quando Ele incarna. Grandes personalidades e
encarnações são algumas vezes percebidas como tendo ações contrárias às regras
escriturais, assim como um rei possui a liberdade de quebrar certas regras.
Estes atos são realizados por um propósito muito bom, com uma razão além da
compreensão humana. Não se deve criticar e nem seguir tais atos.
Ramakrishna disse que viveria num corpo
sutil por trezentos anos nos corações e nas mentes dos seus devotos. Yogananda
disse: “Enquanto as pessoas neste mundo estão chorando por ajuda, eu retornarei
para ocupar meu barco e oferecê-lo para guiá-los para a margem celeste”.
Aquele que verdadeiramente entende Minha aparência transcendental, e
atividades da criação, manutenção, e dissolução, alcança Minha Suprema Morada, e
não volta a nascer após abandonar este corpo, Ó Arjuna (4.09).
Desenvolve-se amor a Deus por estudar e
ouvir o nascimento transcendental e os atos travessos do Senhor, como é narrado
pelos santos e sábios nas escrituras. O verdadeiro entendimento da natureza
transcendental das formas do Senhor, Sua incarnação e Suas atividades, é o
auto-conhecimento que conduz à salvação.
Muitos têm se tornado livres do apego, medo, ira e alcançam a salvação
por refugiarem-se em Mim, tornando-se completamente absorvidos em pensamentos em
Mim, e por receber a purificação do fogo do auto-conhecimento (4.10)
CAMINHO DA ADORAÇÃO E ORAÇÃO
Não importa o motivo que as pessoas Me adoram, Eu,
conseqüentemente, realizo os seus desejos. As pessoas Me adoram com diferentes
motivos (4.11)
Peça e você irá receber; procure e você irá
encontrar; bata, e a porta será aberta para você (Lucas, 11.09). É devido
a divina ilusão (Maya) que a maioria das pessoas procuram, temporariamente,
ganhos materiais como saúde, riqueza e sucesso, e não auto-conhecimento e
devoção aos pés de lótus do Senhor..
Aqueles que estão ansiosos por sucesso em seu trabalho neste mundo
adoram os controladores celestes. O sucesso no trabalho chega rapidamente neste
mundo humano (4.12).
Você daria uma pedra ao seu filho quando
ele lhe pedisse um pão? (...) O Pai no céu dará boas coisas para aqueles que
pedirem para Ele (Mateus, 7.09-11). Quando você pedir por alguma coisa em oração
tenha fé, e acredite que você recebeu isto, e isso será dado para você (Marcos,
11.24). Em oração pede-se ajuda ao Senhor e recebe-se o se que necessita; com
devoção adora-se, glorifica-se e se agradece a Ele pelo que se tem.
Primeiramente seja consciente e observe o seu empenho, sinta-se auxiliado em
sair da dificuldade, então procure ajuda divina – pela oração – num estado de
ajuda com fé intensa. O Senhor dará os primeiros passos se você conhecer sua
dificuldade, e tentará auxiliá-lo na transformação. Descubra-se a si mesmo –
abra-se, confesse – para o Senhor enquanto você está rezando, seja específico no
que você pedir, e clame por Sua ajuda.
Todos os que rezam são
respondidos; mas o rezar para o benefício dos outros é concedido como primeira
prioridade. O Senhor realmente conhece nossas necessidades o tempo todo, e
simplesmente espera para ser convidado para ajudar-nos, devido ao nosso livre
arbítrio. Meditação é o escutar de Deus pela tranqüilidade da mente, e assumindo
uma postura receptiva para ouvir as instruções do Senhor, percepções e
revelações. Por exemplo, abrace a atitude: Obrigado por atender minhas preces e
por tudo que Você deu para mim, mas agora o que Você quer que eu faça com o que
Você tem me dado? Então, tendo dito isto, estando sempre alerta, tente escutar.
Reze de forma que você possa falar com Deus e contar a Ele como você está e o
que você fez. Medite então que Deus pode, efetivamente, dizer a você o que você
necessita fazer.
A DIVISÃO DO TRABALHO ESTÁ BASEADA NA APTIDÃO DA PESSOA
Eu criei as quatro
divisões da sociedade humana baseado na aptidão e na vocação. De qualquer forma,
Eu sou o autor deste sistema de divisão do trabalho; deve-se saber que Eu não
faço nada diretamente, e que Eu sou eterno (4.13). Veja-se, também, 18.41.
O trabalho, ou Karma, não prendem a Mim, porque Eu não possuo desejo
pelos frutos do trabalho. Aquele que plenamente entende, e pratica esta verdade,
também não fica atado pelo Karma (4.14).
Aqueles que querem ser os primeiros deverão
ser o servo de todos (Marcos 10.44). Todos os trabalhos, incluindo orações,
devem ser direcionados para uma causa justa, e, de preferência, para um ganho
pessoal honesto.
Os antigos buscadores da salvação, também, realizaram suas obrigações
sem interesse pelos frutos. Portanto, você deve realizar as suas obrigações como
os antigos fizeram (4.15).
APEGO, DESAPEGO, E AÇÕES PROIBIDAS
Mesmo um sábio confunde-se sobre o que é ação e o que é inação.
Portanto, Eu explicarei claramente o que é ação; conhecendo isto se é liberado
do mal do nascimento e da morte (4.16).
A verdadeira natureza da ação é muito difícil de ser entendida.
Portanto, deve-se conhecer a natureza da ação apegada, a natureza da ação
desapegada, e, também, a natureza da ação proibida (4.17).
A ação apegada é o trabalho egoísta, feito
no modo da paixão, que produz o cativeiro kármico e conduz a reencarnação. A
ação desapegada é o serviço altruísta, feito no modo da bondade, que conduz à
salvação. A ação desapegada é considerada inação porque, pelo ponto de vista
kármico, não há execução de ação. A ação proibida pelas escrituras, feita no
modo da ignorância, é a que causa danos, tanto para sociedade como para o
fazedor da ação; ela gera desgraça no presente e no futuro.
UM KARMA-YOGI NÃO ESTÁ SUJEITO ÀS LEIS KÁRMICAS
Aquele que vê a
inação na ação e a ação na inação, é uma pessoa sábia. Tal pessoa é um yogi e
possui tudo por completo (4.18). Veja, também, 3.05; 3.27; 5.28 e 13.29
Todos os atos são atos do Ser Supremo, o
ator inativo. A Bíblia diz: “As palavras que você fala não são suas; elas vêm do
Espírito do seu Pai (Mateus, 10.20). O sábio percebe o inativo, infinito e
invisível reservatório da energia potencial do Supremo como a origem última de
toda a energia cinética no cosmos, da mesma forma que a eletricidade invisível
faz girar um ventilador. O motivo e o poder da ação vêm do Ser Supremo.
Portanto, deve-se espiritualizar todo o trabalho pela percepção de que nada se
faz em nada, e que tudo comporta-se de acordo com a energia do Ser Supremo,
usando-nos somente como um instrumento.
Aquele cujos desejos tenham se tornado livres do egoísmo, tendo sido
tostado pelo fogo do auto-conhecimento, é chamado de sábio pelo sábio (4.19)
Aquele que
abandonou ao apego egoísta pelos frutos do trabalho, e que permanece sempre
contente, dependente do Deus único, tal pessoa – apesar de ocupada em atividade
– nada faz que incorra em reação kármica (4.20)
Aquele que está livre dos desejos, cuja mente e sentidos estão sob
controle, e que tem renunciado todo o direito de propriedade, não incorre em
pecado – a reação kármica – por realizar ação material (4.21).
Um Karmayogi – que está contente com qualquer ganho advindo
naturalmente da Sua vontade; que não se afeta pelo par de opostos; que está
livre da inveja; que é tranqüilo no sucesso e no fracasso – não é atado pelo
Karma (4.22).
Todas as obrigações
de um Karmayogi – que está livre do apego, em que a mente está fixa no
auto-conhecimento, e que faz o trabalho como um serviço para o Senhor –
desfazem-se (4.23).
O divino espírito é
a causa transformadora de tudo. A Divindade (Brahman, o Ser, o Espírito) será
realizada por aqueles que consideram tudo como uma manifestação (ou um ato) do
Divino (4.24). Veja, também, 9.16.
A vida, em si mesma, é um eterno queimar do
fogo onde a cerimônia de sacrifício é fixa e continuada. Cada ação deve ser
pensada como sendo um sagrado sacrifício; um ato sagrado. Tudo não é o Ser
Supremo, mas o Ser Supremo é a raiz ou base de tudo. Alcança-se a salvação e nos
tornamos uno com o Ser Supremo quando percebe-se que o Ser Supremo em toda a
ação; percebe-se as coisas que se usa como transformação do Ser Supremo e
entende que o completo processo de toda a ação é também o Ser Supremo.
DIFERENTES TIPOS DE PRÁTICAS ESPIRITUAIS OU SACRIFÍCIOS
Alguns yogis realizam o serviço de adoração aos controladores
celestiais, enquanto outros estudam as escrituras para o auto-conhecimento.
Alguns controlam os seus sentidos e abandonam seus prazeres sensuais. Outros,
realizam respiratórios, e outros oferecem sua riqueza como um sacrifício
(4.25-28)
Há os que se ocupam
nas práticas yóguicas, alcançando o estado de transe do cessar do movimento do
alento, pelo oferecer a inalação dentro da exalação, e da exalação dentro da
inalação, como um sacrifício (pelo uso da respiração curta, nas técnicas de
Kriya yoga) (4.29).
O profundo significado espiritual e a
interpretação de práticas yóguicas nos versos: 4.29, 4.30, 5.27, 6.13, 8.10,
8.12, 8.13, 8.24, e 8.25, não podem ser explicados aqui. Eles devem ser
adquiridos de um mestre auto-realizado em Kriyayoga.
O processo de respiração
pode ser resumido a seguir por: (1) Vigiar a respiração no movimento de ir e vir
do diafragma, prestando atenção como as ondas do mar, sobem e descem; (2)
Praticando a respiração diafragmática (ou respiração profunda yóguica), e (3)
Usando as técnicas yóguicas e o Kriyayoga. A meta da prática yóguica é alcançar
a superconsciência ou estado de transe respiratório pelo controle gradual do
processo respiratório.
Outros restringem suas dietas e oferecem suas inalações como um
sacrifício dentro de suas inspirações respiratórias. Todas estas pessoas são
conhecedoras do sacrifício e suas mentes tornam-se purificadas pelos seus
sacrifícios (4.30).
Aqueles que
realizam o serviço desapegado obtém o néctar do auto-conhecimento, como um
resultado de seus sacrifícios, e alcançam o Ser Supremo. Ò Arjuna, se este mundo
não é um lugar feliz para o que não realiza sacrifícios, como querer que o outro
mundo seja? (4.31) Veja, também, 4.38 e 5.06.
Muitos tipos de disciplinas espirituais
estão descritas nos Vedas. Saiba que todas elas são a ação do corpo, mente e
sentidos, movimentadas pelas forças da natureza.
Compreendendo isto,
se alcançará o Nirvana, ou salvação (4.32) Veja, também, 3.14.
Para alcançar a salvação a disciplina
espiritual ou sacrifício devem ser realizados como um obrigação, sem apego, e
com pleno entendimento que não se é, por si próprio, o fazedor,
ADQUIRIR O CONHECIMENTO TRANSCENDENTAL É UMA PRÁTICA
ESPIRITUAL SUPERIOR
A aquisição e a
propagação do auto-conhecimento é superior a qualquer ganho material ou
presente, porque a purificação da mente e a inteligência, no final das contas,
conduz para a aparição do conhecimento transcendental e auto-realização – o
único propósito de qualquer prática espiritual (4.33).
Adquire-se este
conhecimento transcendental de um mestre auto-realizado, pela humilde
reverência, pela investigação sincera, e pelo serviço. Alguém autorizado, que
possua a verdade realizada, irá ensinar você (4.34).
O contato com grandes almas, que têm
realizado a verdade, auxilia muito. Ler as escrituras, dar caridade, e fazer
praticas espirituais, por si só, não dão a realização em Deus. Somente uma alma
realizada em Deus pode despertar e acender outra alma. Mas um guru não pode dar
a fórmula secreta para a auto-realização sem a graça do Senhor. Os Vedas dizem:
“Aquele que conhece a terra dá a direção para aquele que não conhece e pergunta”
(RV 9.7009). Diz-se, também, que os preceitos da verdade são essencialmente
processo individual. As pessoas descobrem a verdade através dos seus próprios
esforços; têm que remar o seu barco através das águas turbulentas deste mundo
material.
Os Vedas proíbem a venda de Deus de
qualquer forma. Eles dizem: “Ó poderoso Senhor de incontável riqueza, eu não
venderei a vós por qualquer preço” (RV 8.01.05). A função de um guru é a de um
guia e filantropo, não um tomador. Antes de aceitar um guru humano, deve-se
primeiro possuir – ou desenvolver – plena fé no guru e desconsiderar as suas
fraquezas humanas, pegando as pérolas do conhecimento com sabedoria e jogar fora
as cascas das ostras. Se isto não é possível, deve-se lembrar que a palavra
“guru” também significa luz ou auto-conhecimento, que dissipa a ignorância
e a ilusão; e a luz chega – de forma automática – do Ser Supremo, o guru
interno, quando a mente de alguém está purificada pelo serviço altruísta, pela
prática espiritual e pela rendição.
Existe quatro categorias
de gurus: o falso guru, o guru, o guru realizado, e o guru divino. Nesta era,
muitos falsos gurus estão vindo para ensinar ou entregar um mantra por um preço.
Estes falsos gurus são comerciantes de mantra. Eles pegam o dinheiro de seus
discípulos para satisfazer as suas necessidades materiais sem dar o verdadeiro
conhecimento do Ser Supremo. Jesus disse: “Tome cuidado com os falsos profetas;
eles chegam até você parecendo como cordeiros por fora, mas eles realmente são
como lobos por dentro (Mateus, 7.15). O Santo Tulasidasa disse que um guru que
pega dinheiro dos seus discípulos, e nada faz para remover a sua ignorância, vai
para o inferno (TR 7.98.04). Um guru é alguém que transmite conhecimento
verdadeiro, e completo entendimento sobre o Absoluto quanto leigo. Um guru
realizado é um mestre auto-realizado mencionado aqui neste verso. Um guru
realizado auxilia o devoto a manter a consciência em Deus todo o tempo, por seu
próprio e garantido poder espiritual.
Quando a mente e a inteligência são
purificadas, o Senhor Supremo, o guru divino, reflete-se em si mesmo na psique
interior de um devoto e envia um guru ou um guru realizado para ele. Um guru
real é um filantropo. Ele nunca pede qualquer dinheiro ou um pagamento de um
discípulo, porque ele somente depende de Deus. Um guru real não pedirá qualquer
coisa de um discípulo para um ganho para si ou mesmo para a sua organização. De
qualquer modo, um discípulo está obrigado a fazer o melhor que pode para
auxiliar a causa do guru. Diz-se que não se deve aceitar qualquer pagamento de
um aluno sem entregar plena instrução e entendimento do Absoluto, energia
cinética divina (Maya), natureza material temporária, e a vivência da realidade
(BrU 4.01.02).
Nosso próprio espírito interior é nosso
guru divino. Os professores externos somente nos auxiliam no começo da jornada
espiritual. Nossa própria mente – quando purificada pelo serviço desapegado,
oração, meditação, adoração, canto silencioso dos nomes do Senhor, canto
congregacional dos sagrados nomes, e estudo das escrituras – torna-se o melhor
canal e guia para a corrente do conhecimento divino (Veja também os versos do
Bhagavad-gita, 4.38 e 13.22). O Ser divino dentro de todos nós é o nosso guru
real, e deve-se estudar como afinar-se com Ele. Diz-se que não há guru maior do
que a sua própria mente. A mente pura torna-se um guia espiritual e o divino
guru interno conduz a um guru real e a auto-realização. É dito comumente que um
guru aparece quando a pessoa está pronta. A palavra “guru” também significa
“vasto”, e é usado para descrever o Ser Supremo – o guru divino e o guia
interno.
O mestre espiritual sábio desaprova a idéia
de um serviço pessoal cego, ou o culto ao guru, o qual é muito comum na Índia.
Um mestre auto-realizado diz apenas que Deus é guru, e que todos são discípulos
d´Ele. O discípulo deve ser como uma abelha procurando mel nas flores. Se uma
abelha não obtém mel de uma flor, ela vai imediatamente para outra flor e
permanece nela todo o tempo que recebe néctar. Idolatria e adoração cega por um
guru humano causa danos tanto para o discípulo como para o guru.
Após conhecer a
ciência transcendental, Ó Arjuna, você não tornará a iludir-se deste jeito. Com
este conhecimento você verá a criação inteira dentro do seu Ser Superior, e,
assim, dentro de Mim (4.35).
Veja, também, 6.29-30. 11.07; 13.
A mesma força vital do Ser Supremo
reflete-se em todos os seres vivos, sustentando a atividade deles. Portanto,
todos estamos conectados com uns aos outros como parte ou parcela do Ser. Na
aparição da iluminação ligamo-nos com o Absoluto (Bgita 18.55), e todas as
diversidades aparecem como nada mais que a expansão da unidade do Ser supremo.
Mesmo se alguém for o maior pecador de todos os pecadores, poderá
cruzar o rio do pecado pela balsa do auto-conhecimento (4.36).
O fogo do
auto-conhecimento reduz todas as amarras do Karma a cinzas, Ó Arjuna, como a
chama do fogo reduz a madeira a cinzas (4.37).
A Bíblia, também, diz: “Você conhecerá a
verdade e a verdade irá libertá-lo (João, 8.32). O fogo do auto-conhecimento
queima todo o Karma passado – a causa raiz da reencarnação das almas – de modo
como o fogo queima instantaneamente uma montanha de algodão. As ações presentes
não produzem qualquer karma novo, porque o sábio conhece que todo o mundo é
feito pelas forças da natureza; portanto, eles não são os executores. Dessa
forma, quando surge o auto-conhecimento, somente uma parte do karma passado,
conhecida como destino, que é responsável pelo nascimento presente, foi exaurida
diante da liberdade da transmigração, alcançada pela pessoa iluminada.
O corpo físico e a mente geram novo Karma.
O corpo sutil carrega o destino; e o corpo causal é o repositório do Karma
passado. O Karma produz o corpo, e o corpo gera Karma. Deste modo, o ciclo de
nascimentos e mortes continua indefinidamente. Apenas o serviço sem egoísmo pode
quebrar este ciclo, e o serviço sem egoísmo não é possível sem o
auto-conhecimento. Assim, o conhecimento transcendental quebra as amarras do
Karma e conduz a salvação. Este conhecimento não pode manifestar-se numa pessoa
pecaminosa – ou em qualquer pessoa cujo tempo de receber o conhecimento
espiritual não chegou.
Perda e ganho, vida e morte, fama e
infâmia, deitam-se nas mãos do seu Karma. O destino é todo-poderoso. Assim
sendo, você não deve odiar nem culpar a ninguém (TR 2.171.01). As pessoas
conhecem virtude e vício, mas a sua escolha é ordenada pelo destino ou pegadas
kármicas, porque a mente e a inteligência são controlados pelo destino. Quando o
sucesso não vem, apesar dos melhores esforços, pode-se concluir que o destino
precede o esforço.
OCONHECIMENTO TRANSCENDENTAL É AUTOMATICAMENTE REVELADO
PARA O KARMA-YOGI
Verdadeiramente,
não há nada mais puro neste mundo do que o conhecimento do Ser Supremo.
Aquele que descobre este conhecimento interiormente, de forma natural, no curso
do tempo, quando suas mentes estão limpas e livres do egoísmo pelo KarmaYoga
(veja, também, 4.31; 5.06 e 18.768) (4.38).
O fogointenso da devoção por Deus queima todos os karmas, purifica e
ilumina a mente e o intelecto, como a luz do sol ilumina a Terra (BP 11.03.40).
O serviço sem egoísmo deve ser realizado na melhor de nossas habilidades, até
que a purificação da mente seja alcançada (DB 7.34.15). O verdadeiro
conhecimento do Ser é reflete-se automaticamente numa mente sem egoísmo, e
apronta para receber o auto-conhecimento. O serviço sem egoísmo (KarmaYoga) e o
auto-conhecimento são, assim, as duas asas para alcançar a salvação.
Aquele que possui
fé em Deus, e é sincero na prática yóguica e por sobre o controle da mente e dos
sentidos, recebe este conhecimento transcendental. Tendo recebido este
conhecimento, rapidamente alcança-se paz Suprema ou liberação (4.39).
As chamas da tristeza mental e do sofrimento, nascidos dos apegos,
podem ser completamente extintos pela água do auto-conhecimento (MB 3.02.26).
Não há fundamento para pensamentos e ações sem o auto-conhecimento.
O irracional, o sem
fé, e o incrédulo (ateísta), perecem . não há nada neste mundo nem no mundo
vindouro, nem alegrias, para um incrédulo (4.40).
TANTO O CONHECIMENTO TRANSCENDENTAL COMO O KARMA YOGA SÃO
NECESSÁRIOS PARA O NIRVANA
O trabalho não ata
uma pessoa que o renunciou – renunciando os frutos do trabalho – através do
KarmaYoga e cuja confusão a respeito do corpo e do espírito é completamente
destruída pelo auto-conhecimento, Ó Arjuna (4.41).
Portanto, corte a ignorância nascida da
confusão a respeito do corpo e do Espírito pela tesoura do auto-conhecimento,
refugiando-se no KarmaYoga, e levante-se para a guerra, Ó Arjuna (4.42).
Chapter 5
CAMINHO DA RENÚNCIA
Arjuna disse: Ó Krishna, Você enalteceu o caminho do conhecimento
transcendental, e também o caminho do serviço altruísta (Karmayoga). Diga-me,
definitivamente, qual é o melhor entre os dois caminhos? (5.01). Veja, também,
5.05.
Renúncia significa o completo afastamento
do fazer conduzido (tendo em vista os resultados fruitivos), da posse e de
motivos egoístas por detrás de uma ação; não à renúncia do trabalho ou dos
objetos mundanos. A renúncia surge somente após o auto-conhecimento. Portanto,
as palavras “renúncia” e “auto-conhecimento”, são usadas intercaladamente
no Bhagavad-gita. A renúncia e considerada a meta da vida. O serviço sem egoísmo
(Seva, Karmayoga), e auto-conhecimento, são necessários apenas para atingir a
meta. A verdadeira renúncia é juntar todas as ações e posses – incluindo o
corpo, a mente e o pensamento – para o serviço do Supremo.
O Senhor Krishna disse: Tanto o caminho do auto-conhecimento como o
caminho do serviço sem egoísmo conduzem a meta suprema. Mas dos dois, o caminho
do serviço sem egoísmo é superior ao caminho do auto-conhecimento, porque ele é
mais fácil de praticar para a maioria das pessoas (5.02).
Uma pessoa será considerada um verdadeiro renunciante se não possui nem
apego ou aversão por qualquer coisa. Libera-se facilmente das amarras do karma
sendo-se livre do apego e da aversão (5.03).
AMBOS OS CAMINHOS CONDUZEM AO SUPREMO
O ignorante – não o
sábio – considera o caminho do auto-conhecimento, e o caminho do serviço sem
egoísmo, (karmayoga) como sendo diferentes um do outro. A pessoa, de alguém
verdadeiramente controlado, recebe o benefício de ambos (5.04).
Qualquer que seja a
meta que um renunciante alcance, um karmayogi também alcança. Portanto, quem vê
o caminho da renúncia, e o caminho do trabalho altruísta como uma mesma coisa,
vê realmente (5.05) Veja, também, 6.01-02.
Mas a verdadeira
renúncia (a renúncia da possessão e do fazer com vistas aos resultados), Ó
Arjuna, é difícil de alcançar sem o Karmayoga. Um sábio equipado com o
karmayoga, rapidamente alcança o Nirvana (5.06). Veja, também, 4.31;38 e 5.08.
O serviço abnegado (karmayoga) fornece a
preparação, a disciplina, e a purificação necessária para a renúncia. O
auto-conhecimento está acima do limite do karmayoga, bem como a renúncia do
fazedor e do possuidor está além do limite do auto-conhecimento.
Um Karmayogi, cuja mente é pura, cuja mente e os sentidos estão sob
controle, que vê com igualdade o Espírito em todos os seres, não é atado pelo
Karma, apesar das ocupações no trabalho (5.07).
UM TRANSCENDENTALISTA NÃO CONSIDERA A SI MESMO UMAGNET
CAUSADOR
Um sábio que conhece a verdade pensa: “eu não sou fazedor de nada”. E
vendo, ouvindo, tocando, cheirando, comendo, caminhado, dormindo, respirando,
falando, concedendo, pegando, bem como abrindo e fechando os olhos, o sábio
acredita que os sentidos são operados pelos seus objetos (5.08-09). Veja,
também, 3.27 e 13.29.
O sentidos não necessitam ser subjugados se
as atividades dos sentidos são espiritualizadas, pela percepção que todo o
trabalho, bom ou mau, é feito pelos poderes de Deus.
UM KARMAYOGI TRABALHA PARA DEUS
Aquele que faz todo
o trabalho como uma oferenda para Deus – abandonando o apego egoísta aos
resultados – fica intocado pelas reações kármicas, ou pecados, exatamente como
uma flor de lótus jamais é molhada pela água (5.10)
Um karmayogi não age com motivos egoístas
e, portanto, não incorre em nenhum pecado. O serviço sem egoísmo é sempre sem
pecado. O egoísmo é a mãe do pecado. Tornamo-nos felizes, em paz, purificados e
iluminados, pela realização da obrigações prescritas, e como um oferenda para
Deus, quando ficamos interiormente desapegados.
Os Karmiyogis realizam suas ações – sem apego egoísta – com seus
corpos, mentes, intelectos, e sentidos, somente para a purificação das suas
mentes e intelectos (5.11).
Um Karmayigi
alcança a Bênção Suprema por abandonar o apego aos frutos do trabalho, enquanto
os outros, que estão apegados aos frutos do trabalho, tornam-se amarrados pelo
trabalho egoísta (5.12).
O CAMINHO DO CONHECIMENTO
Uma pessoa que renunciou por completo os frutos de todo o trabalho
reside alegremente na cidade de nove portões; nem dirigindo ou controlando ações
(5.13)..
O corpo humano foi chamado de “cidade dos
nove portões” (ou aberturas) nas escrituras. Os nove portões são: as duas
aberturas para os olhos, os ouvidos, e o nariz; e uma abertura para a boca, o
anus, e a uretra. O Senhor de todos os seres no universo, que reside nesta
cidade como alma individual, ou entidade viva (Jiva), chama-se o Ser Espiritual
(Pususha).
O Senhor não gera o motivo para ação, nem o sentimento de executor, nem
mesmo o apego aos resultados da ação na pessoa. Os poderes da natureza material
é que fazem isto (5.14).
O Senhor não se responsabiliza pelas boas e más ações feitas por
qualquer um. O véu da ignorância cobre o auto-conhecimento; através disto, as
pessoas tornam-se iludidas e realizam más ações (5.15).
Deus não pune ou recompensa ninguém. Nós,
por nós mesmos, fazemos as coisas, pelo uso próprio ou impróprio do nosso
poder de raciocínio e livre arbítrio. Más ações acontecem para boas pessoas que
fazem o bem.
O conhecimento transcendental destrói a ignorância do ser e revela o
Ser Supremo, exatamente como o sol revela a beleza dos objetos no mundo (5.16).
Pessoas cujas
mentes e inteligência estão totalmente mergulhadas no Ser Supremo, que são
firmemente devotadas ao Supremo, que possuem Deus como sua meta suprema e único
refúgio, e cujas impurezas estão destruídas pelo conhecimento do Ser, não tornam
a nascer novamente (5.17).
MARCAS ADICIONAIS DE UMA PESSOA ILUMINADA
Uma pessoa
iluminada – por observar Deus em tudo – vê a um sábio, um sem casta, mesmo uma
vaca, um elefante, ou um cão, com uma visão igual (5.18). Veja, também, 6.29
Do mesmo modo como uma pessoa não considera as partes do seu corpo,
como braços e pernas, diferentes do seu corpo em si mesma, de forma similar, uma
pessoa auto-realizada não considera qualquer entidade viva diferente do Senhor
(BP 4.07.53). Tal pessoa vê Deus em todo o lugar, em tudo, e em cada ser. Após
descobrir a verdadeira metafísica vê-se tudo com reverência, compaixão, e
bondade, porque tudo é parte e parcela do corpo cósmico do Senhor Supremo.
Tudo é perfeito nesta vida para aquele cuja mente está colocada na
igualdade. Tal pessoa tem realizado o Ser Supremo, porque o Ser Supremo é
completo e imparcial (5.19). Veja, também, 18.55
Para se ter um sentimento de igualdade para
com todos é importante a adoração de Deus (BP 7.08.10). Aqueles que não possuem
semelhante sentimento, discriminam. Portanto, as vítimas da injustiça e da
discriminação deveriam sentir pena dos discriminadores e rezar para Deus por uma
mudança nos corações dos que discriminam, do que se preocupar, irar-se ou se
vingar.
Aquele que nunca se regozija na obtenção do que é prazeroso, e nem
sofre na obtenção do desagradável, que possui uma mente firme, que não se deixa
enganar, e que é conhecedor do Ser Supremo, tal pessoa permanece eternamente com
o Ser Supremo (5.20).
Do mesmo modo, uma
pessoa que está em união com o Ser Supremo torna-se desapegada dos prazeres
sexuais externos, pela descoberta da alegria do ser, por intermédio da
contemplação e da bem-aventurança transcendentais (5.21).
Os prazeres sexuais são, de fato, a origem da miséria, e têm um começo
e um fim. Portanto, o Sábio, Ó Arjuna, não se regozija com os prazeres sexuais
(5.22). Veja, também, 18.38.
O sábio reflete constantemente na
futilidade dos prazeres sexuais, que inevitavelmente tornam-se a causa da
miséria; portanto, eles não se tornam vítimas da paixão sexual.
Aquele que é capaz de resistir os impulsos da luxúria e da ira, antes
de morrer, é um yogi, e uma pessoa feliz (5.23).
Aquele que procura felicidade no Ser Supremo, que se regozija no
interior do Ser Supremo, e que está iluminado pelo auto-conhecimento, tal a um
elevado yogi, alcança o Nirvana, e chega ao Ser Supremo (5.24).
Os videntes, cujos
pecados (ou imperfeições) são destruídos; cujas dúvidas sobre a existência do
Ser universal são dissipadas pelo auto-conhecimento; cujas mentes estão
disciplinadas e que estão ocupados no bem-estar de todos os seres, alcançam o
Ser Supremo (5.25).
Aqueles que estão livres da luxúria e da ira, que possuem a mente e os
sentidos sob controle, e que realizaram a existência no Ser, facilmente alcançam
o Nirvana (5.26).
O TERCEIRO CAINNO: O CAMINHO DA MEDITAÇÃO DEVOCIONAL E
CONTEMPLAÇÃO
Um sábio é, na verdade, liberado pelo renunciar de todos os prazeres
dos sentidos, tendo fixos seus olhos, e a mente, num ponto preto entre as
sobrancelhas, igualando o movimento da respiração pelas narinas, pelo uso de
técnicas yógicas; mantendo os sentidos, a mente e a inteligência sob controle;
tendo a salvação como a meta principal, e tornando-se livre da luxúria, ira e
medo (5.27-28).
Os invisíveis canais astrais da corrente de
energia no corpo humano são chamados Nadis. Quando a energia cósmica se processa
– correndo através dos Nadis na corda astral e espinhal da medula – é
diferenciada pela abertura do nadi principal Sushumna Nadi; isto se dá pela
prática de técnicas de yoga, na respiração que corre através de ambas as
narinas, com igual pressão. Assim, a mente se acalma, e a área fica preparada
para a meditação profunda, conduzindo para o transe (samadhi).
Meu devoto alcança a paz eterna pelo conhecimento do Ser Supremo como
sendo o desfrutador dos sacrifícios e das austeridades; como o mais importante
Senhor do universo inteiro, e o amigo de todas os seres (5.29).
Chapter 6
CAMINHO DA MEDITAÇÃO
UM KARMAYOGI É UM RENUNCIANTE
O Senhor Krishna disse: aquele que realiza as obrigações prescritas,
sem procurar os seus frutos para o gozo pessoal, é tanto um renunciante como um
Karmayogi. Não nos tornamos renunciantes pela luz artificial do fogo (de
sacrifícios), bem como não nos tornamos um yogi simplesmente abstendo-nos
do trabalho (6.01).
Ó Arjuna, renúncia (Sannyasa) é o mesmo que Karmayoga.
Porque, não se torna um Karmayogi quem não renunciou ao motivo egoísta
por detrás de uma ação (6.02). Veja, também, 5.01, 05; 6.01 e 18.02.
UMA DEFINIÇÃO DE YOGA
Para o sábio que
procura alcançar o yoga da meditação, ou equilíbrio da mente, diz-se que
Karmayoga é o meio. Para aquele que realizou o yoga, o equilíbrio
torna-se um meio da auto-realização. Diz-se que uma pessoa alcançou a perfeição
yóguica quando ela não deseja prazeres sexuais ou apegos pelos frutos do
trabalho, e renunciou a todos os motivos pessoais egoístas (6.03-04).
A perfeição do Yoga pode ser alcançada
somente quando alguém faz todas as atividades para a satisfação de Deus.
Karmayoga, ou trabalho desapegado, sem egoísmo, produz a quietude da mente.
Quando se realiza a ação, como um assunto de responsabilidade sem qualquer
motivo egoísmo, a mente não é perturbada pelo medo do fracasso; ela torna-se
tranqüila, e se alcança a perfeição yógica, por intermédio da meditação. A
tranqüilidade da mente, necessária para a auto-realização, chega depois de se
abandonar os desejos pessoais e os motivos egoístas. O egoísmo é a causa-raiz de
outros desejos impuros da mente. A mente sem desejo torna-se pacífica. Deste
modo, o Karmayoga é recomendado para as pessoas que desejam o sucesso no yoga da
meditação. A perfeição na meditação resulta em controle sobre os sentidos,
trazendo tranqüilidade da mente que, no final das contas, conduz para a
realização de Deus.
A MENTE É O MELHOR AMIGO ASSIM COMO O MAIS PERVERSO
INIMIGO
Alguém deve
elevar-se – não degradar-se – através de sua própria mente. A mente é amiga ou
inimiga de alguém. A mente é amiga para aqueles que possuem controle por sobre
ela, e a mente atua como um inimigo para aqueles não a controlam (6.050-06).
Não há inimigo outro do que uma mente
descontrolada neste mundo (BP 7.08.10). Portanto, deve-se primeiro tentar
controlar e conquistar este inimigo pela prática regular da mediação, com firme
determinação e esforço. Todas as práticas espirituais são dirigidas por
intermédio da conquista da mente. Guru Nanak disse: “Controle a mente e você
controlará o mundo”. O Sábio Patañjali define o yoga como o controle das
atividades (ou das ondas de pensamento) da mente e do intelecto (PYS 1.020). “O
firme controle da mente e dos sentidos é conhecido como yoga (KaU 6.11). O
controle da mente e dos sentidos é chamado de austeridade e yoga (MB 3.209.53).
O propósito de toda a meditação é o de controlar a mente, e que se possa focar
em Deus e viver de acordo com Suas instruções e vontade. A mente de um yogi está
sob controle, e um yogi não está sob o controle da mente. A meditação é o
controle sem esforço da natural tendência da mente para se desviar, e
sintonizá-la com o Supremo. O yogi Bhajan disse: “Um único ponto, na mente
relaxada, é a mais poderosa e criativa mente – podendo fazer qualquer coisa”.
Realmente, a mente é a causa do cativeiro
como da liberação da entidade viva. A mente torna-se a causa do cativeiro quando
é controlada pelos modos da natureza material; e a mesma mente, quando liga-se
ao Supremo, torna-se a causa da salvação (Bp 3.2515). A mente, por si só, é a
causa da salvação bem como do cativeiro dos seres humanos. A mente torna-se a
causa do cativeiro quando é controlada pelos objetos dos sentidos, e torna-se a
causa da salvação quando é controlada pelo intelecto (VP 6.0728). O absoluto
controle, por sobre a mente e os sentidos, é o pré-requisito para qualquer
prática espiritual de auto-realização. Aquele que não se torna o mestre dos
sentidos não pode progredir através da meta da auto-realização. Portanto, após
estabelecer o controle sobre as atividades da mente, se deve segurá-la longe dos
prazeres sexuais, e fixá-la em Deus. Quando a mente desliga-se dos prazeres dos
sentidos, e se liga em Deus, os impulsos dos sentidos tornam-se ineficazes,
porque os sentidos recebem seu poder da mente. Aquele que se torna mestre da
mente se torna mestre de todos os sentidos.
Aquele que possui o controle sobre o ser inferior – a mente e os
sentidos – fica calmo no frio e no calor; no prazer e na dor; na honra e na
desonra; e permanece sempre constante, com o Ser Supremo (6.07).
Pode-se realizar Deus somente quando a
mente torna-se calma e completamente livre dos desejos, e das dualidades, tais
como a dor e o prazer. De qualquer forma, as pessoas raramente são livres dos
desejos e de dualidades. Mas alguém pode se tornar livre das amarras do desejo e
da dualidade se os usa para o serviço do Senhor. Aqueles que são mestres de suas
mentes recebem a riqueza espiritual do conhecimento e bem-aventurança. O Ser
somente é realizado quando o lago da mente torna-se sereno, do modo como o
reflexo da lua é visto num lago quando a água está tranqüila. (veja 2.70);
Chama-se de yogi a pessoa que tanto possui auto-conhecimento
como auto-realização; que é tranqüila; que possui controle sobre a mente e os
sentidos, e para quem um montinho de terra, uma pedra e o ouro são a mesma coisa
(6.08).
Considera-se uma
pessoa superior quem é imparcial em relação aos companheiros, amigos, inimigos,
pessoa neutra, árbitros, inimigos, parentes, santos e pecadores (6.09).
TECNICAS DE MEDITAÇÃO
Um yogi, fixa-se num lugar ermo e solitário, e deve
constantemente contemplar uma imagem mental, ou a magnificência do Ser Supremo,
após trazer a mente e os sentidos sob controle, e tornando-se livre dos desejos
e propriedades (6.10).
O lugar de meditação deve ter serenidade,
ser solitário, e possuir uma atmosfera espiritual sem odores, ruídos ou
luzes, na simplicidade de uma caverna do Himalaia. Prédios robustos e
brilhantes, com imagens de mármore sofisticadas, não é o suficiente. Estes
locais, com freqüência, em vez de espiritualidade, levam em conta somente o
comércio religioso.
Os oito passos da meditação, baseados nos
Yogasutras de Patañjali são (PYS 2.29): (1) conduta moral; (2) prática
espiritual; (3) postura correta e exercícios de yoga; (4) respiração yóguica;
(5) abstenção dos sentidos; (6) concentração; (7) meditação e (8) transe ou
estado de superconsciência da mente.
Devemos seguir estes oito passos, um por
um, sob própria guia, para progredirmos na meditação. O uso da respiração, e das
técnicas de concentração, sem a necessária purificação da mente, e sem a
sublimação dos sentimentos e desejos pela conduta moral e prática espiritual
(veja 16.23), poderá conduzir ao danoso estado neurótico da mente. Patañjali
disse: “A postura sentada para a meditação deve ser estável, relaxada, e
confortável, individualmente, para o corpo físico (PYS 2.46).
A respiração yóguica não deve ser forçada –
e freqüentemente causa dano – com a retenção da respiração nos pulmões, como
equivocadamente é feita, e é uma prática inadequada. Patañjali define como sendo
o controle do Prana – os bioimpulsos da força vital astral – o que causa o
processo respiratório (PYS 2.49). É um processo gradual de trazer sob controle,
ou diminuição de velocidade – pelo uso padrão das técnicas yóguicas, como as
posturas do yoga, exercícios respiratórios, represamento, e gestos – os
bioimpulsos que ativam os nervos sensitivos e motores, que regulam a respiração,
e sobre os quais normalmente não se têm controle. Quando corpo está
sobrecarregado com o gigantesco reservatório da corrente cósmica onipresente,
correndo pela coluna oblonga, a necessidade pela respiração é reduzida ou
eliminada, e o yogi alcança o estado de transe típico, o marco último da jornada
espiritual. Os Upanishads dizem: “nem um mortal vive eternamente pelo respirar
apenas o oxigênio do ar. Os mortais dependem de outras coisas (KaU 5.05). Jesus
disse: Não se vive só de pão (comida, água e ar), mas por toda a palavra (ou a
energia cósmica) que sai da boca de Deus (Mateus. 4.04). O fio da respiração ata
a entidade viva (alma) no complexo mente e corpo. Um yogi desata a alma do corpo
e amarra-a com a superalma, durante o estado de transe respiratório.
A retirada dos sentidos é o maior obstáculo
na realização da meta de um yogi. Quando os sentidos retiram-se completamente a
concentração, a meditação, e o Samadhi, tornam-se muito fáceis de controlar. A
mente deve ser controlada e treinada para ir atrás do intelecto, especialmente
por se deixar atrair, e ser controlada, pelos sentidos grosseiros, como a
audição, o tato, a visão, o paladar e a olfação. A mente é inquieta por
natureza. Vigiando-se a corrente natural da respiração, que entra e que sai nos
pulmões, e a respiração alternada, auxilia-se a mente a tornar-se estável.
As duas técnicas mais comuns da retirada
dos sentidos são as seguintes: (1) focar com plena atenção num ponto entre as
duas sobrancelhas (no entrecenho). Perceber e expandir uma esfera de luz branca
rodando ali; (2) cantar mentalmente um mantra, ou qualquer santo nome do Senhor,
o mais rapidamente possível, por um longo tempo, e deixando a mente
completamente absorta dentro do som do canto mental, até que você não escute o
tique-taque de um relógio próximo. A velocidade e o barulho do canto
mental serão incrementados com a inquietação da mente, e vice e versa.
A concentração numa parte particular de uma
deidade, sob o som de um mantra, sob a corrente da respiração, em vários centros
energéticos do corpo, na região entre as sobrancelhas, sob a ponta do nariz, ou
numa imaginária flor de lótus carmesim, no centro do peito, tranqüiliza a mente,
e pára com seus desvios.
Deve-se sentar firmemente por sobre um assento, que não seja nem muito
alto e nem muito baixo; coberto com grama, e com uma pele de cervo, e um tecido,
um sobre o outro, num local limpo. Deve-se sentar nele numa posição confortável,
e concentrar a mente em Deus; controlando os pensamentos e as atividades dos
sentidos; deve-se praticar a meditação para purificar a mente e os sentidos
(6.11-12).
Um yogi deve contemplar qualquer bela forma
de Deus até que ela se torne presente em sua mente. Uma meditação curta, com
plena concentração, é melhor do que uma longa meditação sem concentração.
Fixando a mente num objeto simples de concentração por doze (12) segundos, dois
e meio minutos (2,5), e meia hora, é conhecido como concentração, meditação, e
transe, respectivamente. Meditação e transe são resultados espontâneos da
concentração. A meditação ocorre quando a mente pára de oscilar fora do ponto de
concentração.
No estado inferior do transe, a mente
torna-se, assim, centrada numa parte particular da deidade – como a face ou os
pés – deste modo, esquecendo-se de tudo. Este estado é como um estado de sonho
acordado, onde a mente, os pensamentos, e as coisas ao redor, permanecem na
consciência. No estágio elevado de transe, o corpo torna-se ainda mais sem
movimento, e a mente experimenta vários aspectos da verdade; a mente perde sua
identidade individual e nos tornamos unos com a mente cósmica.
O estado de superconsciência da mente é o
mais elevado estado de transe. Neste estado da mente, a consciência normal
humana conecta-se com (ou é superada por) a consciência cósmica; se
alcança o não-pensar, diminuição da pulsação, e suspensão do alento, não se
sentindo qualquer coisa exceto paz, bem estar, e suprema bem-aventurança. No
elevado estado de transe, o centro de energia (Chakra) no alto da cabeça
abre-se, e a mente mergulha dentro do infinito; e aqui não há mais mente ou
pensamento, mas apenas o sentimento da transcendental existência de Deus,
consciência pura e bem-aventurança. A pessoa que alcança este estado é chamada
de sábia.
Alcançar o estado de felicidade do transe é
visto com dificuldades para a maioria das pessoas. Munijii nos dá um método
simples. Ele diz: “quando você está imerso em Deus e o Seu reino flui através de
você, você torna-se muito feliz, sempre alegre e feliz”.
Deve-se manter a cintura, a coluna, o peito, o pesco e a cabeça eretos,
firmes e sem movimento; fixar os olhos e a mente firmemente na ponta do nariz,
sem olhar ao redor; tornando a mente serena e sem medo; praticando o celibato;
tendo a mente sob controle, pensando em Mim, e tendo a Mim como a meta Suprema
(6.13-14). Veja, também, 4.29; 5.27. 8;10;12.
Hariharananda
sugere manter a atenção num ponto localizado a 10 cm entre as duas sobrancelhas,
próximo a glândula mestre, a pituitária. A Bíblia diz: “a lâmpada do corpo é o
olho. Se o olho é sadio, o corpo inteiro fica iluminado” (Mateus 6.22). Fixar a
concentração na ponta do nariz é um gesto de Kriyayoga, recomendado por Swami
Sivananda para despertar o Kundalini, a energia potencial localizada na base da
coluna vertebral. Após uma pequena prática diária os olhos irão se acostumar, e
levemente se convergerão, e vê-se os dois lados do nariz. Enquanto você se
concentra na ponta do nariz, observe o movimento da respiração através das
narinas. Após dez minutos, feche seus olhos e olhe o espaço escuro na testa (com
os olhos fechados, interiormente). Se você ver uma luz, concentre-se nela,
porque esta luz poderá absorver por completo a sua consciência e levar você ao
transe, de acordo com as escrituras yóguicas. Os iniciantes podem,
primeiramente, praticar fixando a contemplação entre as duas sobrancelhas, como
mencionado no verso 5.27, ou no centro do peito, como aconselhado no verso 8.12,
antes de experimentar fixar-se na concentração na ponta do nariz. A ajuda de um
professor, e o uso de um mantra, são altamente recomendáveis.
O celibato é necessário para tranqüilizar a
mente e despertar o Kundalini adormecido. Celibato e o exercício de respiração
certa são necessários para limpeza do corpo sutil. O corpo sutil é alimentado
pela energia seminal ou ovariana, assim como o corpo grosseiro necessita de
alimento para alimentar-se. Sarada Ma previne aos seus discípulos para não se
relacionarem com pessoas de gêneros opostos mesmo que Deus tenha feito desta
forma. A regra do celibato, no Ocidente, na vida espiritual é
negligenciada, porque não é tarefa fácil para a maioria das pessoas. O indivíduo
deve escolher o companheiro de vida certo, para o sucesso da jornada espiritual,
se a prática de celibato não é possível. É muito danoso forçar o celibato aos
discípulos. As escrituras dizem:“Assim como um rei vence o inimigo invisível,
protegido pelas muralhas do castelo, de modo semelhante, aquele que quer a
vitória sobre a mente e os sentidos, deve tentar subjugá-los vivendo como um
chefe de família (BP. 5.01.18). A sublimação dos impulsos sexuais antecede a
iluminação (AV. 11.05.05). Um dos sentidos, apegado ao seu objeto, pode drenar a
mente, do mesmo modo que um buraco num pote d´água pode esvaziá-lo (MS 2.99).
Comete-se pecado pelo engajar os sentidos aos objetos dos sentidos, e obtém-se o
poder yóguico pelo controle dos sentidos (MS 2.93). a transmutação da força
vital da energia procriativa conduz ao yoga. Pode-se transcender ao sexo por
contemplar a presença divina no corpo de todos os seres humanos e mentalmente
reverenciá-lO.
Desta forma, pela prática de sempre manter a mente fixa em Mim, o
yogi, cuja mente está subjugada, alcança a paz do Nirvana, e vem a Mim
(6.15).
Este yoga não é possível, Ó Arjuna, para aquele que come muito,
ou que não come de nenhuma maneira; que dorme muito, ou, também, muito pouco
(6.16).
O yoga da meditação destrói toda a aflição, naqueles que são
moderados no comer, na recreação, no trabalhando, tanto dormindo como acordados
(6.17).
O Bhagavad-gita ensina que os extremos
devem ser evitados a qualquer custo em todas as esferas da vida. Esta moderação
do Gita é elogiada pelo Senhor Budda, que chamou-a de “Caminhodo Meio”, a reta
via, ou o nobre caminho. Uma mente e corpo saudáveis são requeridos para o
sucesso de uma realização de qualquer pratica espiritual. Portanto, requer-se
que um yogi deva ser regulado na suas funções corpóreas diárias, como no ato de
comer, dormir, banhar-se, descansar e na recreação. Aqueles que comem muito, ou
pouco, podem tornar-se doentes ou fracos. Recomenda-se preencher o estômago pela
metade com alimentos, outra quarta parte com água, e deixar o resto com ar. Se
alguém dorme mais do que seis horas, a preguiça, a paixão e a bile podem
aumentar. Um yogi deve evitar a gratificação extrema no controle dos desejos bem
como a oposição extrema da disciplina, torturando o corpo e a mente.
Diz-se que uma pessoa alcançou o yoga, a união com o Ser, quando
a sua mente, perfeitamente disciplinada, torna-se livre de todos os desejos e
obtém completamente a união como Ser no transe (6.18).
Uma lâmpada num lugar protegido pelo Ser, do vento dos desejos, não
tremula. Semelhante a isto é usado para subjugar a mente num yogi
praticante da meditação no Ser (6.19).
O sinal da perfeição yóguica é de que a
mente fica sempre despreocupada, tal como a chama de uma lamparina num lugar sem
vento.
Quando a mente é disciplinada pela prática de meditação, torna-se firme
e quieta; alguém torna-se contente com o Ser por contemplá-lO com o intelecto
purificado (6.20).
O Ser está presente em todos seres vivos
com o fogo está presente na madeira. A fricção faz o fogo tornar-se presente na
madeira visível para os olhos; de modo semelhante, a meditação faz o Ser, que
reside no corpo, perceptível (MB 12.210.42). Uma transformação psicofísica (ou
estado de superconsciência) da mente em transe é necessária para à realização em
Deus. Cada um de nós pode ter acesso à mente superconsciente, que não é limitada
pelo tempo e pelo espaço.
O infinito não pode ser compreendido pela
razão. A razão é incapaz de compreender a natureza dos princípios Absoluto. A
mais elevada faculdade não é a razão mas a intuição, a compreensão do
conhecimento que vem do Ser e não dos sentidos falíveis ou raciocínio. O Ser
pode ser entendido somente pela experiência intuitiva, no mais elevado estado de
transe, e não por outros meios. Yogananda disse: “a meditação pode aumentar o
copo mágico da intuição para guardar o oceano de inteligência infinita.
Somente pela percepção inteligente, além do alcance dos sentidos,
sentimos infinita bem-aventurança. Após percebermos a Realidade Absoluta, jamais
se é separado dela (6.21).
Após a auto-realização não se estima qualquer outro ganho superior a
ela. Uma vez estabelecidos na auto-realização, não se é comovido nem mesmo por
grandes calamidades (6.22).
O estado de desligamento de união com o sofrimento é chamado de yoga.
O yoga deve ser praticado com firme determinação, e sem qualquer reserva
mental (6.23).
Alcança-se o yoga após longa, constante, e
vigorosa prática de meditação com fé firme (PYS, 1.14).
Obtém-se gradualmente a tranqüilidade da mente pelo total abandono dos
desejos egoístas; na restrição completa dos sentidos pela inteligência, e no
manter a mente plenamente absorvida no Ser, por meio de um treinamento saudável,
e de um intelecto purificado, não pensando em nada mais (6.24-25).
Quando a mente está liberta – com o auxílio
das práticas espirituais – das impurezas da luxúria e ambição nascidas do
sentimento de “Eu, para mim, e meu”, ela fica tranqüila na alegria e no
sofrimento material (BP 3.25.16).
Sempre que esta
inquieta e instável mente desviar-se durante a meditação, deve-se, neste
momento, mantê-la sob o olhar vigilante (ou controle e supervisão) do Ser
(6.26).
A mente joga e engana desviando-se e
vagando no mundo da sensualidade. O praticante de meditação deve manter a mente
fixa no Ser, pela permanente ponderação de que somos almas, e não o corpo.
Deve-se ter o cuidado e rir-se das excursões da mente, e conduzi-la gentilmente
de volta à supervisão do Ser. A tendência natural da mente é vagar. Nós
conhecemos a experiência de que a mente é muito difícil de controlar. O controle
da mente é uma tarefa impossível como o controlar do vento. A mente humana
somente pode ser subjugada por uma prática sincera de meditação e desapego
(Gita. 6.34-35). A maioria dos comentaristas, declaram que a mente ou o ser deve
ser trazida de volta sob a supervisão do Ser quando ela inicia a desviar-se
durante a meditação.
O Atma é considerado superior ao corpo,
sentidos, mente, e o intelecto (Gita, 3.42). Desta forma nós podemos usar os
na~uncios do Atman para subjugar a mente. Swami Vishas desenvolveu uma técnica
de meditação baseada num sentido ligeiramente diferente, dado no verso 6.26,
acima. Este método de meditação, baseia-se na teoria: “Nunca deixe a mente vagar
sem supervisionamento”, sendo descrito a seguir: assuma a postura de meditação
dada no verso 6.13. Ela é uma prática muito boa, antes de iniciar qualquer
trabalho; evoque a graça de um deus pessoal a sua escolha, que você acredita. O
Senhor Ganesha, e o Guru devem também ser evocados pelos Hindus.
O principal objetivo da meditação, ou de
qualquer prática espiritual, é para conseguir o afastamento do mundo
externo e de suas atividades, e iniciar a jornada interna, tornando-se um
introspectivo. Sempre manter em mente que você não é o corpo nem a mente, mas o
Ser (Atma) que é separado se superior ao complexo mente-corpo. Desapegue-se do
complexo mente-corpo e torne o seu Ser testemunha durante a meditação. Retire a
sua mente do mundo exterior e fixe-se contemplando qualquer que seja um dos seus
centros (glândula pituitária, o sexto chakra localizado entre as sobrancelhas, a
ponta do nariz, o centro cardíaco, etc) onde você se sinta mais confortável.
Observe as atividades da mente sem julgar – bem ou mal – os pensamentos
que chegam a mente. Apenas relaxe, passeie no banco de trás do veículo da mente,
e vigie as excursões da mente no mundo do pensamento. A mente desvia-se por
causa da sua natureza. Ela não fica quieta no começo. Não seja apressado,
controle ou tente ocupar a mente em qualquer outra via, como pelo canto de um
mantra, concentração em qualquer objeto ou pensamento.
Desapegue-se em si mesmo por completo de
sua mente e vigia a brincadeira de Maya, a mente. Não esqueça que seu trabalho é
ver seu ser inferior, a mente, com o Ser superior, o Atma. Não se apegue ou
fascine pelas ondas de pensamento (Vritti) da mente; apenas contemple ou
siga-os. Após série sincera prática, a mente irá diminuir a velocidade quando
ela descobrir que está sendo constantemente vigiada e acompanhada. Não
acrescente qualquer coisa no processo de vigiar o mundo interno do processo de
pensamentos (Chitta-vritti). Lentamente, seu poder de concentração irá aumentar;
a mente irá juntar-se como uma jornada interior como uma amiga (Gita, 6.05-06);
e um estado de bem-aventurança irá irradiar-se ao redor de você. Você irá além
do pensamento, para o mundo impensado do Nirvikalpa Samadhi. Prati]que isto mpor
meia ou uma hora, pela manhã e pela tarde, ou qualquer outra hora conveniente,
mas fixe-se, num tempo a sua escolha. O progresso dependerá de vários fatores
diante do seu controle, mas persista sem adiar. Sempre finalize o processo de
meditação com a vibração de AUM por três vezes e agradeça a Deus.
QUEM É UM YOGI
A suprema bem-aventurança chega para um yogi auto-realizado cuja
mente é calma, cujos desejos estão sob controle, e que está livre de faltas ou
pecado (6.27).
Tal impoluto yogi, que possui a sua mente e o intelecto
engajados no Ser, regozija-se na eterna bem-aventurança de estar em contato com
o Ser (6.28).
Yogananda disse: na ausência de uma alegria interior, as pessoas tornam-se más.
A meditação no bem aventurado Deus permeia-nos com bondade.
Um yogi, que
está em união com o Ser Supremo, vê a cada ser com uma visão de igualdade, por
causa da percepção da permanente onipresença do Ser Supremo (ou o Ser) em todos
os seres, e todos permanecendo no Ser Supremo (6.29) Veja, também, 4.35 e 5.18.
A percepção da unidade do Ser em todos os
seres é a elevada perfeição espiritual. O sábio Yajnavalkya disse: “Uma esposa
não ama seu esposo por causa da satisfação dele ou dela. Ela ama a seu esposo
porque ela sente a unidade da sua alma com a alma dele. Ela une-se a seu marido
e se torna uma com ele (BrU 2.04-05). O fundamento védico do casamento é baseado
nesta nobre e sólida rocha da cultura da alma, e é inquebrável. Tentar
desenvolver qualquer relacionamento humano significativo, sem o firme
entendimento das bases espirituais de que todos eles é como tentar regar as
folhas de uma árvore do que a sua raiz.
Quando percebemos o Ser superior em todas
as pessoas no seus próprios Ser Superior, então não há odeia e nem se ofende a
ninguém (IsU 060). A paz eterna faz parte daqueles que percebem a existência de
Deus dentro de todos, como espírito (KaU 5.13). deve-se amar aos outros,
incluindo aos inimigos, porque todos são nosso próprio ser. “Amar os seus
inimigos e rezar por aqueles que perseguem a você”, não é apenas um dos
nobres ensinamentos da Bíblia, mas uma idéia elementar comum a todos os caminhos
que levam a Deus. Quando se entende que o Ser dele ou dela está em todos, a quem
se odiará ou castigará? Quebra-se o dente ao morder a língua. Quando não se
percebe outra coisa que não o próprio Senhor permanente no universo inteiro, com
quem se lutará? Deve-se não apenas amar as rosas, mas seus espinhos também.
Aquele que vê o Uno em tudo e tudo em
Um, que o Uno em todos os lugares. O pleno entendimento nisto e a experiência da
unidade da alma individual e a Superalma, é a mais elevada realização e a única
meta do nascimento humano (BP. 6.16.63). na plenitude do desenvolvimento
espiritual, encontra-se que o Senhor, que reside próprio coração, reside no
coração de todos os outros: no rico, no pobre, nos Hindus, nos Muçulmanos, nos
Cristãos, no perseguido, no perseguidor, no santo e no pecador. Portanto, odiar
a uma única pessoa é odiar a si mesmo e a Ele. A concretização disto torna
alguém um verdadeiro santo humilde. Aquele que realiza que a Superalma como
sendo que a tudo penetra, e que não é outra, a não o seu próprio ser individual,
despoja-se de todas as impurezas acumuladas através de várias reencarnações,
alcançando a imortalidade e bem-aventurança.
Aquele que Me vê em
Tudo, e vê tudo em Mim, não se desliga de Mim, e Eu não me desligo dele (6.30).
Krishna ratifica que: “Uma pessoa
auto-realizada vê a Mim no universo inteiro, e em si mesmo, e vê o universo
inteiro e a si mesmo em Mim. Quando se vê que Eu a tudo impregno, assim como o
fogo consome a madeira, imediatamente se fica livre da ilusão. Obtêm-se a
salvação quando vemos a nós mesmos como diferentes do corpo e da mente, e dos
modos da natureza material, e estes como não sendo diferentes de Mim (BP.
3.09.31-33). O sábio percebe a seu próprio Ser superior presente no
universo inteiro, e o universo inteiro presente no seu próprio Ser superior. Os
verdadeiros devotos jamais temem qualquer condição da vida, como a reencarnação,
viver no paraíso ou no inferno, porque eles vêem a Deus em todo o lugar (BP
6.17.28). Se você quer ver, lembrar-se e estar com Deus todo o tempo, então você
deverá praticar e estudar para ver Deus em tudo e em toda a parte.
O não-dualista, que Me adora como permanente em todos os seres,
permanece em Mim, independentemente do modo de dele viver (6.31).
O melhor dos yogis
é aquele que observa cada ser como a si mesmo e que pode sentir a dor e o prazer
dos outros como sendo seus, Ó Arjuna (6.32).
Deve-se considerar todas as criaturas como
sendo nossos filhos (7.14.09). Esta é uma das qualidades de um verdadeiro
devoto. Os sábios consideram todas as mulheres como sua mãe; outros, um montinho
de terra como riqueza, e todos os seres como seu próprio ser. Rara é a pessoa
cujo o coração se enternece pelo ardor da tristeza dos outros, e que se regozija
ao escutar o mérito dos outros.
DOIS MÉTODOS PARA CONTROLAR A MENTE IMPACIENTE
Arjuna disse: Ó Krishna, Você disse que o yoga da meditação
caracteriza-se pela tranqüilidade da mente, mas devido a inquietação da mente eu
não vejo como estabilizá-la. Porque a mente, realmente, é muito instável,
turbulenta, poderosa e obstinada, Ó Krishna, eu penso que controlar a mente é
mais difícil do que controlar o vento (6.33-34).
O Senhor Krishna
disse: sem dúvida, Ó Arjuna, a mente é impaciente e difícil de controlar, mas
ela é subjugada pela constante e vigorosa prática espiritual de alguém – como a
meditação – com perseverança e por desapego, Ó Arjuna (6.35).
O desapego é proporcional al entendimento
da inconsistência do mundo, e de seus objetos (MB 12.174.040). contemplação sem
desapego é como uma jóia sobre um corpo sem roupas (TR 2.177.020).
O Yoga é difícil para aquele cuja mente não é controlada. De
qualquer modo, o yoga é atingido pela pessoa com a mente controlada, que
se esforça por seus próprios meios ((6.36).
O DESTINO DE UM YOGI FRACASSADO
Arjuna disse: qual é o destino do fiel que se desvia do caminho da
meditação e da fé, necessário para alcançar a perfeição yóguica, devido a uma
mente desenfreada, Ó Krishna? (6.37)
Eles não perecem como uma nuvem que se dissipa, Ó Krishna, perdendo-se
tanto nos prazeres mundanos como do paraíso, privando-se do apoio, e
afastando-se do caminho da auto-realização? (6.38).
Ó Krishna, somente Você está apto para dissipar por completo esta minha
dúvida, porque não há outro como Você que possa dissipar semelhante dúvida
(6.39). Veja, também, 15.15.
Arjuna fez uma boa pergunta. Porque a mente
é muito difícil de ser controlada, e talvez não seja possível adquirir a
perfeição durante o tempo de uma vida. Todo o esforço é desperdiçado? A resposta
segue:
O Senhor Krishna disse: a prática espiritual realizada por um yogi
nunca é desperdiçada, nem aqui ou no futuro. Um transcendentalista nunca é
colocado para sofrer, Meu querido amigo (6.40).
O yogi sem sucesso nasce na casa de uma pessoa piedosa e
próspera, após ter vivido por muitos anos nos planetas celestes. O yogi
que muito fracassou muito não vai aos planetas celestiais, mas nasce numa
família espiritualmente avançada. Um nascimento como este, realmente, é muito
difícil de ser obtido neste mundo (6.41-42).
O yogi mal sucedido recupera o conhecimento adquirido numa vida
anterior e novamente se esforça em adquirir a perfeição, Ó Arjuna (6.43).
O yogi
fracassado é naturalmente levado em direção a Deus, pela virtude das impressões
das práticas yóguicas das vidas anteriores. Mesmo o perguntar sobre yoga
– união com Deus – sobrepuja aos que realizam rituais védicos (6.44).
O yogi, que diligentemente se esforça, torna-se completamente
livre de todas as imperfeições, após tornar-se gradualmente perfeito, através de
muitas reincarnações, alcançando a Morada Suprema (6.45).
Deve-se ser muito cuidadoso na vida
espiritual; há a possibilidade de sermos fascinados pelo poderoso sopro das más
associações criadas por Maya, e talvez se abandone o caminho espiritual. Jamais
devemos desencorajar-nos. O yogi fracassado recebe outra chance para começar
novamente onde ele parou. A jornada espiritual é longa e lenta, mas nenhum
esforço sincero será desperdiçado. Normalmente pega-se muitos, muitos
nascimentos, para alcançar a perfeição da salvação. Todas as entidades vivas
(almas) são eventualmente redimidas após elas alcançarem o zênite da evolução
espiritual.
QUEM É O MELHOR YOGI
O yogi é superior ao asceta. O yogi é superior ao
acadêmico védico. O yogi é superior aos ritualistas. Portanto, ó Arjuna,
seja um yogi. (6.46).
E Eu considero o
yogi-devoto – que de todo o coração Me contempla com fé suprema, e cuja a
mente está sempre absorta em Mim – como sendo o melhor de todos os yogis (6.47).
Veja, também, 12.02 e 18.66).
A meditação ou
qualquer outra ação torna-se mais poderosa e eficiente se é feita com
conhecimento, fé e devoção a Deus. Meditação é uma condição necessária mas não
uma condição suficiente para o progresso espiritual. A mente deve estar sempre
absorta em pensamentos de Deus. O temperamento meditativo é para ser contínuo
durante outras vezes, através do estudo das escrituras, auto-análise, e serviço.
Diz-se que não há um único yoga completo, sem a presença de outros yogas. Do
modo como a correta combinação de todos os ingredientes é essencial para
preparar uma boa refeição, de modo semelhante, o serviço sem egoísmo, cantando
os Santos Nomes do Senhor, a meditação, o estudo das escrituras, a contemplação,
e o amor devocional são essenciais para alcançar a meta suprema. Alguns
buscadores preferem apenas fixar-se num só caminho. Eles tentam todos outros
maiores caminhos e vêem se uma combinação é melhor para eles ou não. Qualquer
caminho pode tornar-se o caminho certo se nos rendermos completamente a Deus. A
pessoa que metida com profundo amor devocional a Deus é chamado de yogi-devoto,
e é considerado o melhor de todos os yogis.
Antes de alguém purificar a sua psique por um mantra ou meditação deverá alcançar o
nível, segundo o qual, o sistema da consciência torna-se sensível a um mantra.
Isto significa que os desejos mundanos deverão ser primeiro eliminados – ou
satisfeitos – pelo desapego, devendo-se praticar os primeiros quatro passos dos
Yogasutras de Patañjali. Isto é como lapidar uma jóia, antes de colocar-lhe
ouro.
Chapter 7
O AUTO-CONHECIMENTO E A ILUMINAÇÃO
O Senhor Krishna disse: Ó Arjuna, ouça como você deverá conhecer-Me por
completo, sem qualquer dúvida, com a sua mente totalmente absorvida em Mim,
refugiando-se em Mim, e realizando práticas yóguicas. (7.01)
O
CONHECIMENTO METAFÍSICO É O CONHECIMENTO ÚLTIMO
Eu transmitirei para você tanto o conhecimento transcendental como a
experiência transcendental, ou uma visão; após conhecer isto, nada mais restará
para ser conhecido neste mundo. (7.02)
Aqueles que têm uma experiência
transcendental tornam-se perfeitos (RV 1.164.39). Tudo se torna conhecido quando
o Ser Supremo é escutado, refletido, meditado, visto e sabido (BrU 4.05.06). A
necessidade de conhecer todas as outras coisas torna-se irrelevante com o
alvorecer do conhecimento do Absoluto, o Espírito Supremo. Todos os artigos
feitos de ouro tornam-se conhecidos após conhecer-se o ouro. De modo similar,
após conhecer-se o Espírito Supremo, todas as manifestações do Espírito
tornam-se conhecidas. Aquele que conhece o Espírito Supremo é considerado o
possuidor de todo o conhecimento, mas aquele que conhece tudo, mas que não
conhece o Espírito Supremo, ou Deus, não conhece nada. A intenção dos versos
acima é de que o conhecimento de todos os outros assuntos ficam incompletos sem
o entendimentos de “Quem sou eu”?
OS BUSCADORES SÃO POUCOS
Dificilmente uma dentre mil pessoas aspiram pela perfeição da
auto-realização. Dificilmente uma entre estas pessoas Me entende de verdade.
Muitos são os chamados, mas poucos são os
escolhidos (Mateus, 22.14). Poucos são os afortunados que obtém o conhecimento
de, e de devoção pelo Ser Supremo.
DEFINIÇÃO DE ESPÍRITO E
MATÉRIA
A mente, intelecto, ego, éter, ar, fogo, água e terra, são as oito
dobras de divisão de Minha energia material ( 7.04). Veja, também, 13.05.
|