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Bhagavad Gita in Portuguese Language
O Bhagavad-Gita, o
som de Deus.
Dr. Ramananda
Prasad
(American/
International Gita Society)
Translated in Portuguese
The above is translated in Portuguese from the English Gita of the IGS
and is Copyrighted © 2006 by
Swami Krishna Priya Ananda Saraswati (Dr. Olavo O. Desimon)
IGS Brasil - president
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Porto Alegre, RS
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Prefácio da edição
em português
A presente edição do Dr. Ramananda Prasad,
do Bhagavad-gita, (A canção do Senhor) a qual tenho o privilegio de
traduzir para o Português, trata-se de uma obra feita com o coração puro de um
devoto do Senhor. De fato, é uma verdadeira prasad (restos abençoados
pelo Senhor), carinhosamente posto em forma de palavras para todos nós. Antes de
ser um texto pura e simplesmente baseado numa visão particular, deste grande
clássico da literatura sagrada da Índia védica, trata-se de um “que fazer”, aqui
e agora, protagonizado por esta milenar maravilha que é o Bhagavad-gita.
As inquietantes perguntas que fazemos na maturidade, como bem se refere Sriman
Ramananda, sobre a vida e a morte, estão descritas neste belo texto com uma
simplicidade e profundidade ímpares. Não há dúvidas que o leitor irá se
beneficiar, e muito, com cada uma das instruções dadas pelo divino Mestre,
Bhagavan Shri Krishna, no belo serviço devocional de Sriman Ramananda adhikari.
A Suprema compreensão deste texto é que o
mundo, as coisas que nos rodeiam, nossa própria vida, só tem um destino: o de
amar a Deus sobre todas as coisas; Amor incondicional, sem ter em vista o gozo
dos sentidos e o resultado das nossas ações; trata-se da verdadeira renúncia. A
pessoa não precisa deixar de fazer seus afazeres do dia a dia para tornar-se um
devoto de Deus. O próprio Senhor Krishna diz no Bhagavad gita, 3.9,
yajñaarthaat
karmano ´nyatra
loko ´yam karma-bandhanah
tad-artham karma kaunteya
mukta-sangah samaacara
“A ação deve ser para Vishnu; de outro
modo, ficas cativeiro do
karma (da ação) neste mundo, ó Kauteya! A ação atenta, assim
associada, é perfeita, liberando-te”. Se todas as ações forem feitas tendo
em vista a satisfação do Supremo então não haverá mais sofrimento. Sriman
Ramananda traduziu este verso com o seguinte conteúdo: “O seres humanos ficam
atados ao cativeiro do Karma das suas ações, a não ser que aquelas sejam feitas
como um serviço desapegado (Seva, Yajña). Portanto, o Arjuna, torna-te
livre do apego egocêntrico dos frutos do trabalho, faças a tuas obrigações
eficientemente como um serviço para Mim”. Como se percebe, as ações
direcionadas para o Senhor estão livres da reação do karma, de modo que
não é muito difícil entender que a razão do sofrimento está em agir conforme
nossa vontade individual com finalidades egoísticas. Uma vez que entendemos que
o nascimento e a morte são cíclicos, e o resultado do nosso desejo de desfrutar
é a razão de todo o sofrimento, fica-nos muito claro que a livre vontade deve
compreender o amor de Deus como um amor puro e sem causa, deste modo, apenas a
misericórdia do Senhor permanece, e na Sua imensa bondade e beatitude nos
oportuniza o caminho de volta ao Seu aconchego. Viver a consciência pura de Deus
é algo muito prático e aprazível. E uma vez que experimentamos este doce
presente de Deus ficamos maravilhados, na realidade, ficamos embriagados pela
simplicidade em que Ele nos permite amá-lO.
Todos estamos muito felizes em poder
compartilhar este belo trabalho do Dr. Ramanda Prasad, que tem dedicado a sua
vida para o serviço devocional ao Senhor. Como uma prova do seu amor, ele nos
concedeu esta bênção, em poder, agora, divulgar para a comunidade da
língua portuguesa no mundo todo, a sua bela compreensão das palavras do nosso
divino mestre.
Todas as glórias ao divino mestre, Shri
Krishna, amor puro personificado, e aqui nestes versos desvelando-se como a
misericórdia e a justiça incarnada de Deus.
Hare Rama, Hare
Krsna
Sriman Ojasvi dasa vyasa (Prof. Dr. Olavo Orlando Desimon)
Presidente da Sociedade da Vida Divina, Brasil.
INTRODUÇÃO
O Gita é uma doutrina sobre a verdade
universal. Sua mensagem é universal, sublime e não-sectária, embora ele seja uma
parte da trindade escritural do Sanathana Dharma, normalmente conhecido como
Hinduísmo. O Gita é muito fácil de ser entendido em qualquer linguagem para uma
mente madura. Uma leitura repetida com fé irá revelar todas as idéias sublimes
que ele contém. Poucos são os aspectos abstrusos, intercalados aqui e ali, mas
estes não possuem influência no problema prático do tema central do Gira. O Gita
trata da mais sagrada ciência metafísica. Ele transmite o conhecimento do Ser e
responde a duas questões universais: Quem sou eu, e como eu posso conduzir uma
vida pacífica e feliz neste mundo de dualidades. Ele é um livro de Yoga,
de crescimento moral e espiritual, para a humanidade baseado nos princípios
cardeais da religião Hindu.
A mensagem do Gita chegou até a humanidade
por causa da má vontade de Arjuna, para cumprir para com o seu dever de
guerreiro, uma vez que luta envolve destruição e morte. Não violência ou
Ahimsa é o mais fundamental dos princípios do Hinduísmo. Toda a vida, humana
ou não humana, são sagradas. Este imortal discurso entre o Senhor Supremo,
Krishna, e Seu devoto, Arjuna, ocorreu não num templo, numa floresta reclusa, ou
no alto de uma montanha, mas num campo de batalha, nas vésperas da guerra, e
está escrito no grande épico Mahaabharata. No Gita, o Senhor Krishna avisa
Arjuna para erguer-se e lutar. Isto, provavelmente, gera um mal-entendido do
princípio do Ahimsa, se o fundo da guerra do Mahabharata não estiver na mente.
Portanto, uma breve descrição histórica está em ordem.
Nos tempos antigos houve um rei com dois
filhos, Dhritarashtra e Pandu. O mais velho nasceu cego, portanto, Pandu herdou
o reino. Pandu teve cinco filhos. Eles foram chamados de Pandavas. Dhritarashtra
teve cem filhos. Eles eram chamados de Kauravas. Duryodhana foi o primogênito
dos Kauravas.
Após a morte do rei Pandu, os Pandavas
tornaram-se os reis de direito. Duryodhana foi uma pessoa muito ciumenta. Ele
também queria o reino. O reino foi dividido em duas metades entre os Pandavas e
os Kauravas. Duryodhana não ficou satisfeito com a sua parte do reino. Ele
queria o reino inteiro para si próprio. Ele, de modo mal sucedido, planejou
vários crimes para matar os Pandavas e pegar o reino deles. Ilegalmente ele
apoderou-se do reino inteiro dos Pandavas e recusou-se a devolver mesmo um acre
da terra sem a guerra. Toda a mediação feita pelo Senhor Krishna, e pelos
outros, falharam. A grande guerra do Mahaabharata foi assim inevitável. Os
Pandavas foram participantes que não queriam a guerra. Eles tiveram apenas duas
escolhas: lutar pelo seus direitos conforme a matéria da responsabilidade, ou
fugir da guerra e aceitar a derrota em nome da paz e da não violência. Arjuna,
um dos cinco irmãos Pandavas, encarou o dilema no meio do campo de batalha para
lutar ou fugir da guerra pela segurança da paz.
O dilema de Arjuna é, na realidade, um
dilema universal. Cada ser humano encara dilemas, grandes ou pequenos, em suas
vidas diárias, quando realiza a suas obrigações. O dilema de Arjuna foi o mais
importante de todos. Ele tinha que fazer uma escolha entre lutar a guerra e
matar seus mais reverenciados gurus, seus mais queridos amigos, parentes
próximos, e muitos guerreiros inocentes, ou fugir do campo de batalhas com o
objetivo de preservar a paz e a não-violência. Os setecentos versos, inteiros,
do Gita tratam de um discurso entre o Senhor Krishna e o confuso Arjuna, no
campo de batalhas de Kurukshetra, local próximo a Nova Delhi, na Índia, cerca de
3.100 anos a.n.e. Este discurso foi narrado para o sábio rei Dhritarashtra pelo
seu cocheiro Sanjaya, como uma testemunha ocular da guerra.
O objetivo principal do Gita é ajudar as pessoas lutando na escuridão da
ignorância a cruzarem o oceano da reencarnação (nascimentos e mortes
repetidas), para atingirem a costa espiritual da liberação enquanto viventes e
atuantes na sociedade.
O ensinamento central do Gita é a obtenção
da liberdade ou da alegria, pelo cativeiro da ação da vida de cada um. Sempre se
lembrem da glória e da grandeza do criador e da ação eficiente de seus deveres,
sem estar apegados ou afetados pelos seus resultados, mesmo que a obrigação
demande, de vez em quando, na violência inevitável. Algumas pessoas negligenciam
ou desistem de suas responsabilidades na vida pela segurança de uma vida
espiritual enquanto outras desculpam-se a si mesmos de uma pratica espiritual
porque elas crêem que ela não possuem tempo. A mensagem do Senhor é para
purificar todo o processo da vida em si mesma. Não importa o que uma pessoa faz
ou pensa deverá realizar pensando na glória e na satisfação do Criador. Nenhum
esforço ou custo é necessário para este processo. Faça as suas obrigações como
um serviço para o Senhor e humanidade, e veja um único Deus em tudo, num estado
de espírito. É necessário purificar o corpo, a mente e o intelecto, para
conquistar um estado de espírito, disciplina pessoal, austeridade, penitência,
boa conduta, serviço desapegado, práticas yóguicas, meditação, adoração, oração,
rituais, e estudo das escrituras, assim como a companhia de pessoa santas,
peregrinação, canto dos santos nomes do Senhor, e auto-inquirição. Através
do intelecto purificado deve-se estudar para abandonar a luxúria, a ira, a
avareza, e estabelecer o controle sobre os seis sentidos (audição, tato, visão,
gustação, olfato e mente). Deve-se sempre lembrar de que todos os trabalhos são
feitos pela energia da natureza, e que ele o ela não são os agentes mas apenas
um instrumento. Deve-se aspirar o máximo de excelência em todas as tarefas, mas
mantendo-se a equanimidade no sucesso ou no fracasso, no ganho ou na perda, na
dor ou no prazer.
A ignorância do conhecimento metafísico é
para a humanidade um grande predicamento. Uma escritura, sendo a voz da
transcendência, não pode ser traduzida. A linguagem é incapaz e as traduções são
defeituosas para claramente transmitir o conhecimento do Absoluto. E nesta
tradução, uma tentativa foi feita para manter o estilo mais próximo possível
para a poesia original do Sânscrito, e com isso tornar fácil a leitura e o
entendimento. Uma tentativa há sido feita para aprimorar a claridade pela adição
de palavras ou frases, entre parênteses, na tradução dos versos. Um glossário e
índice há sido incluído. Cento e trinta e três (133) versos chaves estão
impressos em negrito para a comodidade dos iniciantes. Nós
sugerimos a todos os nossos leitores para refletirem, contemplarem, e agirem de
acordo com estes versos. Os principiantes e os ocupados executivos poderão
primeiro ler e entender o significado destes versos chaves antes de se
aprofundarem no profundo oceano do conhecimento transcendental do Gita.
De acordo com as escrituras, não tem
pecado, horrível que seja, que possa comover aquele que lê, pondera e pratica os
ensinamentos do Gita; por mais que a água atinja a pétala do lótus (isso porque
o lótus está por sobre o lodo; mesmo assim é belo e gracioso). O Senhor em Si
mesmo, reside onde o Gita está, é lido, cantado ou ensinado. O Gita é
conhecimento Supremo, e o som personificado do Eterno e Absoluto. Aquele que o
lê, pondera, e pratica os ensinamentos do Gita com fé e devoção irá obter
Moksha (ou Nirvana), pela graça de Deus.
Este livro é dedicado para todos os gurus
de quem as bênçãos, graça e ensinamentos são inestimáveis. Ele é oferecido ao
grande guru, Senhor Krishna, com amor e devoção. Que o Senhor aceite-o, e
abençoe aqueles que repetidamente lerem-no com paz, felicidade, e o verdadeiro
conhecimento do Ser.
OM TAT SAT
LISTA DE ABREVIAÇÕES
AiU
Aitareya Upanishad
AV
Atharvaveda
BP
Bhagavata Maha Purana
BrU
Brihadaranyaka Upanishad
BS
BrahmaSutra
ChU
Chaandogya Upanishad
DB
Devi Bhagavatam
IsU Ishavasya
Upanishad
KaU Katha Upanishad
KeU Kena Upanishad
MaU Mandukya Upanishad
MB Mahabharata
MS Manu Smriti
MuU Mundaka Upanishad
NBS Narada BhaktiSutra
PrU Prashna
Upanishad
PYS Patanjali YogaSutra
RV Rigveda
SBS Shandilya BhaktiSutra
ShU Shvetashvatara
Upanishad
SV Samaveda
TaU Taittiriya Upanishad
TR Tulasi
Ramayana
VP Vishnu
Purana
VR Valmiki
Ramayanam
YV Yajurveda, Vajasaneyi Samhita
Tradução de Sriman
Ojasvi dasa vyasa
Chapter 1
O DILEMA DE ARJUNA
“Deixe os nobres pensamentos virem até nós de todas as partes”.
Os Vedas
A Guerra do Mahaabhaarata teve início após todas as negociações feitas pelo
Senhor Krishna, e outros, para evitá-la, mas falharam. O rei cego,
Dhritaraashtra nunca teve muita certeza sobre a vitória dos seus filhos
(Kauravas),na superioridade da maldade do exército deles. O Sábio Vyasa, o autor
do Mahaavhaarata, procurou dar ao rei cego a bênção da visão, para que o rei,
assim, pudesse ver os horrores da guerra pela qual ele tinha, antes de mais
nada, responsabilidade. Mas o rei recusou esta oferta. Ele não quis ver os
horrores da guerra; mas ele preferiu receber os relatos através do seus
cocheiro, Sanjaya. O sábio Vyasa concedeu o poder da clarividência e clara visão
para Sanjaya. Com este poder, Sanjaya pode ver, ouvir e recordar os eventos do
passado, presente e futuro. Ele foi hábil em fornecer uma rápida repetição do
testemunho ocular da guerra, relatando-a para o rei cego, que estava sentado no
seu palácio.
Bhishma, o homem poderoso e comandante em chefe do exército dos
Kauravas, foi desabilitado por Arjuna, morrendo na batalha no décimo dia, dos
dezoito dias da guerra. Por escutar estas más notícias de Sanjaya o rei cego
perdeu toda a esperança da vitória dos seus filhos. Agora, o rei quer conhecer
os detalhes da guerra desde o começo, incluindo como o poderoso homem, o
comandante em chefe do seu superior exército – que tinha a vantagem de morrer
sob a sua própria vontade – fora derrotado na batalha. Os ensinamentos do
Gita iniciam com o questionamento do rei cego, após Sanjaya descrever como
Bhishma fora derrotado, como se segue:
“O rei inquiriu:
Sanjaya, por favor, agora diga-me, em detalhes, o que fizeram os meus (os
Kauravas) e os Pandavas no campo de batalha antes da guerra começar? (1.01)
Sanjaya disse: Ó
rei, após ver a batalha em formação o exército dos Pandavas, seu filho
aproximou-se do seu guru e falou as seguintes palavras: (1.02)
Ó Mestre, observe
este poderoso exército dos Pandavas, disposto em formação militar feito pelo
outro talentoso discípulo! Ali estão muitos grandes guerreiros, homens valentes,
heróis e poderosos arqueiros.
(1.03-06)
INTRODUÇÃO AOS COMANDATES DOS EXÉRCITOS
Também ali estão
muitos heróis do meu lado, que arriscam a suas vidas por mim. Eu nomearei alguns
poucos comandantes do meu exército para a sua informação. Ele nomeou todos os
oficiais de seu exército dizendo: Eles estão armados com muitas armas e são
hábeis na luta. (1.07-09)
A proteção do
exército de nosso comandante em chefe é insuficiente, enquanto que meu
arquiinimigo, no seu lado, está bem protegido. Portando, todos os seus ocupam-se
nas suas respectivas posições, protegendo seu comandante em chefe. (1.10-11)
A GUERRA INICIA COM O SOPRO DOS BÚZIOS
O poderoso
comandante em chefe, e o avô da dinastia, sopraram suas conchas ruidosamente,
fazendo-as rugir como leões, alegrando seu filho. (1.12).
Pouco tempo depois:
conchas, tambores, címbalos, tamboretes e trompetes foram tocados juntos. A
comoção foi tremenda.
(1.13)
Depois disto, o
Senhor Krishna e Arjuna, sentados na grande quadriga, emparelhada com seus
cavalos brancos, sopraram seus búzios celestiais. (1.14)
Krishna soprou o
Seu búzio; então Arjuna e todos os outros companheiros, das diversas divisões do
exército dos Pandavas, sopraram seus búzios respectivos. O turbulento ruído
ressoou através da Terra e do céu, rasgando o coração dos seus filhos.
(1.15-19).
ARJUNA DESEJA INSPECIONAR O EXÉRCITO CONTRA O QUAL ELE IRÁ LUTAR
Visto a guerra
aproximando-se do início, seus filhos de pé, e com arremesso das armas; Arjuna
pegou o seu arco-e-flecja e falou as seguintes palavras para Krishna: Ó Senhor,
por favor pare a quadriga entre os dois exércitos até que eu observe os que
estão de pé, ansiosos para a batalha e a quem eu devo ocupar-me neste ato de
guerra. (1.20-22)
Eu desejo ver
aquele que estão de bom grado para servir e que apaziguam a mente perversa dos
Kauravas, reunidos aqui no campo de batalha. (1.23)
Sanjaya disse: Ó
rei, o Senhor Krishna, assim foi requerido por Arjuna, colocando a melhor de
todas as quadrigas no meio dos dois exércitos, encarando seus avós, seu guru e
todos os outros reis, e disse para Arjuna: Observe estes soldados reunidos!
(1.24-25)
Arjuna viu seus
tios, avós, professores, tios paternos, irmãos, filhos, netos, e outros
camaradas no exército.
(1.26)
O DILEMA DE ARJUNA
Após ter visto seus
sogros, companheiros, e todos os seus parentes situados no posto dos dois
exércitos, Arjuna ficou com grande compaixão e pesar, dizendo as seguintes
palavras: Ó Krishna, vendo meus parentes, fixos com o desejo de lutar, meus
membros tremem, minha boca começa a secar. Meu corpo estremece e meus
cabelos se arrepiam. (1.27-29)
O arco escorrega de
minhas mãos e minha pele queima. Minha cabeça tonteia, e eu estou incapaz de
ficar de pé e, Ó Krishna, eu pressinto maus presságios. Não vejo nenhum proveito
em matar meus parentes na batalha. (1.30-31)
Eu não desejo
nenhuma vitória, prazer ou reino, Ó Krishna. Qual é o uso de um reino ou da
diversão, ou mesmo da vida, Ó Krishna?; por causa de tudo aquilo – por quem
deseja reinos, diversões, e prazeres – aqui se está sustentando para a batalha,
entregando suas vidas? (1.32-33)
Eu não desejo matar
meus professores, tios, filhos, avós, tios maternos, sogros, netos, cunhados, e
outros parentes que estão prestes a matar-nos, mesmo pela soberania dos três
mundos, sem falar neste reino terrestre, Ó Krishna. (1.34-35)
Ó Senhor Krishna,
que prazer há em matar nossos primos? Por matar nossos semelhantes nós iremos
incorrer em crime, portanto, em pecado. (1.36)
Portanto, nós não
mataremos nossos primos. Como pode alguém ser feliz após matar seus parentes, Ó
Krishna? (1.37)
De qualquer modo,
eles estão cegos pela ambição e não vêem a maldade na destruição da família, ou
pecado em serem traidores dos seus amigos; Por que nós, que claramente vemos o
mal na destruição da família, não deveríamos pensar em afastar este pecado, Ó
Krishna? (1.38-39)
ARJUNA DESCREVE A PERVERSIDADE DA GUERRA
A eterna tradição
familiar e o código da conduta moral é destruída com o desmantelamento da
(cabeça da) família, na guerra. E a imoralidade prevalece na família devido a
destruição das tradições familiares. (1.40)
A quando a
imoralidade prevalece, Ó Krishna, as pessoas tornam-se corruptas. E quando as
pessoas se tornam corruptas nasce progênie não desejada. (1.41)
Isto conduz a
família e os assassinos da família para o inferno, porque o espírito de seus
ancestrais são degradados quando são privados de cerimônias de oferendas de amor
e respeito, devido a progênie não desejada. (1.42)
As qualidades
eternas da ordem social e a tradição familiar, daqueles que destroem a suas
famílias, são arruinadas pelos atos pecaminosos da ilegitimidade. (1.43)
Nós sabemos, Ó
Krishna, que a pessoa cuja as tradições da família são destruídas,
necessariamente permanecem no inferno por um bom tempo. (1.44)
Ai de mim! Nós
estamos prestes a cometer um grande pecado por aspirar assassinar nossos
parentes, por causa da ambição da satisfação de um reino. (1.45)
Será melhor para
mim se meus primos matarem-me com suas armas em batalha, e que eu esteja
desarmado e sem resistir. (1.46)
QUANDO SE É TOCADO , MESMO O TOQUE DE ALGUÉM PODE ILUDIR
Sanjaya disse:
Tendo dito isso no campo de batalhas, e deixando de lado o seu arco e flechas,
Arjuna sentou-se na quadriga com sua mente confusa e com tristeza. (1.47)
Diz-se que Arjuna
foi iludido pelo Senhor Krishna, a Personalidade de Deus, com o propósito de
declarar os ensinamentos do Gita, com a intenção de esclarecer e consolar
as amas confusas.
Chapter 2
O
CONHECIMENTO TRANSCENDENTAL
Sanjaya disse: O Senhor
Krishna falou as seguintes palavras para o abatido Arjuna, cujos olhos estavam
lacrimosos, e que estava sob a compaixão e o desespero. (2.01)
O Senhor Krishna disse: Como
pode a tristeza chegar até você nesta conjuntura? Isto não é adequado para uma
pessoa de mente nobre e de ação. Isto é uma grande desgraça, e não fará nada
para conduzir ninguém aos céus, Ó Arjuna. (2.02)
Não se torne um covarde, Ó
Arjuna, porque isto não é adequado para você. Livre-se desta fraqueza trivial do
seu coração, e levante-se para a batalha, Ó Arjuna. (2.03)
ARJUNA CONTINUA SEU
RACIOCÍNIO
CONTRA A GUERRA
Arjuna disse: como poderei
golpear meu avô, meu guru, e todos os outros parentes - que são
merecedores de meu respeito – com flechas na batalha, Ó Krishna? (2.04)
Arjuna possui um ponto
válido. Na cultura védica, gurus, o idoso, pessoas ilustres, e todos os outros
superiores dever se respeitados. Ninguém deve lutar ou nem mesmo brincar, ou
dizer palavras de forma sarcástica para com os seus superiores, mesmo se ele o
ferir. Mas as escrituras também dizem que qualquer um que esteja engajado em
atividades abomináveis, ou apoiando o pecado contra seus semelhantes, está longe
de ser respeitado, devendo ser punido.
Realmente, será melhor viver
de esmolas neste mundo do que matar estas nobres personalidades, porque por
matá-los Eu obterei riquezas e prazeres manchados com seus sangues. (2.05)
Nós não conhecemos qual
alternativa – lutar ou abandonar – é melhor para nós. Além disto, nós não
sabemos se nós iremos conquistá-los ou se eles irão conquistar-nos. Nós nem
mesmo desejaremos viver após matar nossos primos que estão diante de nós. (2.06)
Arjuna está incapaz de decidir o que fazer. Diz-se que a experiente orientação
de um guru, o conselheiro espiritual, deve ser procurada durante um momento de
crise ou submeter-se as perplexidades da vida. Arjuna, agora, pede para Krishna
por direção:
Meus sentidos confundem-se
pela fraqueza da piedade, e minha mente está confusa sobre a obrigação (Dharma).
Por favor, diga-me o que é melhor para mim. Eu sou Seu discípulo, e abrigo-me em
Você. (2.07)
NOTA: “Dharma” pode ser definido como o governo da lei eterna,
sustentando, e suportando a criação e a ordem no mundo. Ele é o eterno
relacionamento entre o criador e Suas criaturas. Ele também significa o caminho
da vida, doutrina, princípio, dever prescrito, retidão, reta ação, integridade,
conduta ideal, hábito, virtude, natureza, qualidade essencial, mandamentos,
princípios morais, verdade espiritual, espiritualidade, valores espirituais, e
uma função dentro da ordem das escrituras ou da religião.
Eu não percebo que o ganho de
um incomparável e próspero reino por sobre esta Terra, ou mesmo por sobre a
nobreza de todos os controladores celestiais, removerão a aflição que está
esgotando os meus sentidos. (2.08)
Sanjaya disse: Ó rei, após
ter falado deste jeito para o Senhor Krishna, o poderoso Arjuna disse: “Eu não
irei lutar!”, e ficou em silêncio. (2.09)
Ó rei, o Senhor Krishna, como
se sorrisse, falou as seguintes palavras para o angustiado Arjuna no meio dos
dois exércitos. (2.10)
OS ENSINAMENTOS DO GITA INICIAM COM O VERDADEIRO CONHECIMENTO DO SER E DO CORPO FÍSICO
O Senhor
Krishna disse: dizendo sábias palavras, “Seu lamento por aqueles não merece o
seu pesar. O sábio nunca se lamenta nem pelos vivos e nem pelos mortos”. (2.11)
As pessoas se encontram e se
despedem deste mundo como duas peças de madeira flutuando rio abaixo,
reunindo-se e se separando uma das outras (MB 12.174.15). O sábio que conhece
que o corpo é mortal e que o espírito é imortal não tem nada do que se lamentar
(KaU 2.22).
NOTA: O Ser (ou Atma) é
também chamado alma ou consciência, e é a origem da vida e o poder cósmico por
detrás do complexo corpo-mente. Do mesmo modo como um corpo existe no espaço,
similarmente, nossos pensamentos, intelecto, emoções, e psique, existem no Ser,
o espaço da consciência. O Ser não pode ser percebido por nossos sentidos
físicos porque o Ser está além do domínio dos sentidos. Os sentidos foram
desenvolvidos para a compreensão dos objetos físicos.
A palavra “Atma” foi
usada também no “Gita” para, o ser inferior (corpo, mente e sentidos), psique,
intelecto, alma, espírito, sentidos sutis, si mesmo, ego, coração, seres
humanos, Ser Eterno (Brahman), Verdade Absoluta, alma individual, e super-alma,
ou o Supremo Ser, dependendo do contexto.
Nunca houve um tempo que
todos estes monarcas, você, ou Eu não tenhamos existido, e nem deixaremos de
existir no futuro. (2.12)
Da mesma forma que a alma
adquire um corpo na infância, um corpo na juventude, e um corpo na velhice,
durante a sua vida, similarmente, a alma adquire outro corpo após a morte. Isso
não deveria iludir um sábio (2.13 – veja também o verso 15.08)
Os contatos
dos sentidos com os objetos dos sentidos causam os sentimentos de calor e frio,
dor e prazer. Eles são transitórios e impermanentes.
Portanto, deve-se carregá-los corajosamente. (2.14)
Porque uma pessoa tranqüila –
que não se aflige por estes objetos dos sentidos e mantém-se firme na dor e no
prazer – torna-se adequada para a salvação. (2.15)
Nada pode ferir alguém se a mente for treinada para resistir o impulso
do par de opostos – alegria e tristeza; prazer e dor; perda e ganho. O mundo
fenomênico não pode existir sem o par de opostos. Bem e mal, dor e prazer
sempre irão existir. O universo é um playground designado por Deus para as
entidades vivas. Ele escolhe dois para jogar um jogo. O jogo não pode continuar
se os pares de opostos forem totalmente eliminados. Alguém pode sentir alegria
antes, mas conhecerá a tristeza depois. Ambas as experiências, positiva e
negativa, são necessárias para o nosso crescimento espiritual. A cessação
da dor traz o prazer, e a cessação do prazer resulta em dor. Deste modo, a
dor nasce do útero do prazer. A paz nasce do útero da guerra. A tristeza existe
por causa da existência do desejo de felicidade. Quando o desejo de felicidade
desaparece, desaparece a tristeza. Tristeza e somente o prelúdio para a
felicidade e vice e versa. Mesmo a alegria de ir para o Paraíso é seguida
pela tristeza de retornar para a Terra; portanto, os objetos materiais não devem
ser a meta da vida humana. Se alguém escolhe o prazer material é como abandonar
o néctar escolhendo o veneno.
A mudança é uma lei da natureza – mudança do verão para o inverno, da
primavera para o outono, da luz da Luz cheira para a escuridão da Lua nova.
Nenhuma dor ou prazer duram para sempre. O prazer vai em busca da dor, e a dor é
seguida de novo pelo prazer. Refletindo sobre isto, aprende-se a tolerar os
golpes do tempo com paciência, e não apenas se aprende a sofrer, mas também a
esperar, a receber, e alegrar-se com ambos, alegria bem como as tristezas da
vida. Semeando a semente da esperança no solo da tristeza. Procure seu caminho
na escuridão da noite da adversidade com a tocha das escrituras e a fé em Deus.
Ali não será oportuno se não existir problemas. Einstein disse: a
oportunidade descansa no meio das dificuldades.
O SER É ETERNO, O CORPO É TRANSITÓRIO
O Ser invisível (Atma, Atman,
a alma, o espírito, a força vital), é eterna. O corpo físico visível é
transitório, e passa por mudanças. A realidade destes dois, de fato, é realmente
vista pelos videntes da verdade, que conhecem que nós não somos estes corpos,
mas o Atma. (2.16)
O Ser existe em toda a parte
em todos os tempos – passado, presente e futuro. O corpo humano e o universo,
ambos, possuem uma existência temporária, mas aparecem como permanentes numa
primeira impressão. O dicionário Webster define o Atman ou Atma com a “Alma
Universo”, da qual todas as almas derivam-se, e a Suprema Morada para a qual
elas retornam. Atma é também chamado de “Jivatma”, ou “Jiva”, o qual é a origem
fundamental do toda a personalidade individual. Nós usamos as palavras inglesas:
Ser, espírito, alma, ou alma individual de modo possível de mudança para os
diferentes aspectos de Atma. (No Dicionário Aurélio, versão eletrônica, existe a
seguinte menção a palavra Atma: “Atmã, Do sânscrito: No hinduísmo, o eu ou a
alma individual, querendo significar, ou a totalidade das funções do organismo,
ou uma entidade supracorporal que só pode ser atingida quando superada a
realidade corpórea do indivíduo concreto, confundindo-se este com Brama [leia-se
Brahman]”, nota do tradutor para o Português).
Nosso corpo físico está sujeito ao
nascimento, crescimento, maturidade, reprodução, decadência e morte; enquanto
que o Ser é eterno, indestrutível, puro, único, todo conhecedor, substrato,
imutável, alto-luminoso, a causa de todas as causas, todo penetrante,
inafetável, imutável, e inexplicável.
O espírito, pelo qual o
universo todo está impregnado, é indestrutível. Ninguém pode destruir o Espírito
imperecível. (2.17)
O corpo físico do que é
eterno, imutável e incompreensível Espírito, é mortal. O Espírito (Atma) é
imortal. Portanto, enquanto guerreiro, você deve lutar, Ó Arjuna. (2.18)
Aquele que pensa que o
Espírito é morto, e aquele que pensa que o Espírito mata, ambos são ignorantes,
porque o Espírito nunca mata nem é morto. (2.19)
O Espírito nunca nasce e nem
morre em qualquer tempo; nunca vem a ser ou cessa de existir. Ele é não nascido,
eterno, permanente e originário. Ele não se extingue quando o corpo se extingue.
(2.20)
Ó Arjuna, como pode uma
pessoa que pensa que o Espírito é indestrutível, eterno, não nascido e imutável,
matar alguém ou fazer com que alguém seja morto? (2.21)
A MORTE E A TRANSMIGRAÇÃO DA ALMA
Assim como
uma pessoa coloca uma nova roupa após desfazer-se das velhas, similarmente, a
entidade viva, ou a alma individual, adquire um novo corpo após jogar fora o
velho corpo. (2.22)
De modo
semelhante a uma lagarta que abandona seu corpo por outro a entidade viva (a
alma) obtém um novo corpo após ter abandonado o antigo (BrU 4.4.03).
O corpo físico
também pode ser comparado com uma prisão, um veículo, uma residência, bem como
uma roupa corpórea sutil que necessita ser trocada freqüentemente. Morte é a
separação do corpo sutil do corpo físico. A entidade viva é um viajante. A morte
não é o final da jornada da entidade viva. A morte é como uma área de descanso
onde a alma individual troca seu veículo e a jornada continua. A vida é contínua
e infinita. A morte inevitável não é fim da vida; é somente o final de algo
perecível, o corpo físico.
As armas não podem cortar o
Espírito, o fogo não pode queimá-lo, a água não pode molhá-lo, e o vento não
pode secá-lo. O Espírito não pode ser cortado, queimado, molhado, ou seco. Ele é
eterno, todo penetrante, imutável, imóvel e original. O Atma está além do espaço
e do tempo. (2.23-24)
O Espírito é dito como imperecível, incompreensível, e imutável. Sabendo que o Espírito é
como tal você não deve lamentar-se pelo corpo físico. (2.25)
No verso anterior, Krishna
convidou-nos para não nos aborrecermos sobre o espírito indestrutível. Uma
questão pode ser levantada: Deverá alguém lamentar-se pela morte (do corpo
destrutível) dos seus familiares de alguma maneira? A resposta sucede-se:
Mesmo se você pensar que o
corpo físico nasce e morre perpetuamente, então, Ó Arjuna, você não deve
lamentar-se, porque a morte é certa para aquele que nasce, e o nascimento é
certo para aquele que morre. Portanto, você não deve lamentar-se sobre a morte
inevitável. (2.26-27)
Não se deve lamentar a
morte de qualquer um, em todos. A lamentação é devida ao apego, e o apego amarra
a alma individual na roda da transmigração. Portanto, as escrituras sugerem que
não se deve enlutar, mas orar por vários dias após a morte do corpo para a
salvação da alma que partiu.
A inevitabilidade da morte, e
a indestrutibilidade da alma, de qualquer forma, não justificam a permissão de
matar desnecessariamente numa guerra injusta, ou mesmo o suicídio. As escrituras
Védicas são muito claras neste ponto, a respeito em matar seres humanos ou
qualquer outra entidade viva. As escrituras dizem: Ninguém deve cometer
violência contra qualquer um. O matar não autorizado é punível em todas as
circunstâncias: uma vida por uma vida. O Senhor Krishna está encorajando Arjuna
para lutar – mas não para matar de forma libertina - para estabelecer a
paz, a lei e a ordem por sobre a Terra, de acordo com o dever de um guerreiro.
Todos os seres são
imanifestos, ou invisíveis, para os seus olhos físicos antes de nascer e depois
da morte. Eles são manifestos somente entre o nascimento e a morte. O quê tem
para se lamentar? (2.28)
O ESPÍRITO INDESTRUTÍVEL TRANSDENDE A MENTE E A PALAVRA
Alguns falam sobre este
Espírito como um enigma, outros o descrevem como uma maravilha, e outros ouviram
sobre ele como algo maravilhoso. Mesmo após ter ouvido sobre isto, muito poucas
pessoas conhecem sobre o que é o Espírito. (2.29) – (Veja, também, KaU 2.07)
Ó Arjuna, o Espírito que
reside no corpo de todos os seres é eterno e indestrutível. Portanto, você não
deve enlutar-se por ninguém. (2.30)
O SENHOR KRISHNA RELEMBRA ARJUNA DA SUA RESPONSABILIDADE ENQUANTO GUERREIRO
Considerando, também, a sua
condição enquanto guerreiro, você não deve hesitar, porque não há nada mais
auspicioso do que alguém realizar a sua responsabilidade na vida. (2.31)
Somente afortunados
guerreiros, Ó Arjuna, recebem semelhante oportunidade para uma guerra justa
contra o mal, que é como uma porta aberta para o céu. (2.32)
Uma guerra justa não é uma
guerra religiosa contra seguidores de outras religiões. Uma guerra justa pode
ser travada mesmo contra seus próprios agentes malvados adeptos e familiares (RV
6.75.19). A vida é uma contínua batalha entre as forças da maldade e da bondade.
Uma pessoa valente deve lutar com o espírito de um guerreiro – com vontade e
determinação para a vitória – e sem qualquer compromisso com as forças do mal e
dificuldades. Deus ajuda o valente que adere à oralidade. Dharma (justiça;
retidão) protege aqueles que protegem o Dharma (moralidade, justiça e retidão).
É mais vantajoso morrer por
uma reta causa, e ,adquirir a graça do sacrifício, do que morrer de uma morte
normal ou compulsória. Os portões do paraíso abrem-se totalmente para aqueles
que levantam-se para manter a justiça ou a retidão (Dharma). Nenhum mal pode
deter isso. Existem idéias muito similares expressas em outras escrituras do
mundo. O Corão diz: “Alá ama aqueles que lutam por Sua causa na ordem (Surah
61.04)”. A Bíblia diz: “Feliz aqueles que sofrem perseguição porque fazem o que
Deus exige. O reino dos céus será deles (Mateus, 5.10). Não há pecado em matar
um agressor. Quem quer
forma, todos aqueles que
apóiem os Kauravas são basicamente agressores e merecem ser eliminados.
Se você não lutar nesta
batalha do bem sobre o mal, você irá fracassar no seu dever, perderá a sua
reputação como um guerreiro, e incorrerá em pecado por não realizar a ação
correta. (2.33)
As pessoas irão falar sobre
sua desgraça por um longo tempo. Para o ilustre, a desonra é pior do que a
morte. (2.32)
Os grandes guerreiros irão
pensar que você fugiu do campo de batalha por medo. Aqueles que muito te estimam
irão perder o respeito por você. (2.35)
Seus inimigos irão falar muitas palavras com desdém sobre suas habilidades. O que poderá
ser mais doloroso para você do que isto? (2.36)
Você irá alcançar o paraíso
se matar no cumprimento de sua obrigação, ou você gozará o reino da Terra se
vitorioso. Nada acontecerá se você vencer. Portanto, erga-se com determinação
para lutar, Ó Arjuna. (2.37)
Engaje-se da
mesma forma, no manejo da luta, no prazer ou dor, ganho ou perda, vitória e
derrota, no seu dever. Por fazer sua obrigação deste jeito você não irá incorrer
em pecado. (2.38)
O Senhor Krishna diz, aqui,
que mesmo a violência realizada no cumprimento do dever, com um estado de
espírito apropriado, como no verso dito acima, é sem pecado. Isto é o verso
inicial da teoria do Karma-yoga, um dos temas do Gita.
“O sábio sinceramente deve
saudar o prazer e a dor, alegria e tristeza, sem desencorajar-se” (MB
12.174.39). “Dois tipos de pessoas são felizes neste mundo: Aqueles que são
completamente ignorantes e aqueles que são verdadeiramente sábios. Todos os
outros são infelizes” (MB 12.174.33)
A CIÊNCIA DO KARMA-YOGA, E A AÇÃO DESAPEGADA
A ciência do conhecimento
transcendental há sido dividida para você, Ó Arjuna. Agora ouça a ciência
dedicada de Deus, ação desapegada (Seva), por ela favorecida você irá tornar-se
livre do cativeiro kármico, ou pecado. (2.39)
Na há perda de tempo no
serviço desapegado, e nele não há efeitos adversos. Mesmo uma pequena prática
nesta disciplina protege alguém do repetido ciclo de nascimentos e mortes.
(2.40)
A ação desapegada é também
chamada de Seva, Karma-yoga, sacrifício, yoga ou trabalho, ciência da ação
própria, e yoga da tranqüilidade. Um Karma-yogi trabalha com amor para o Senhor
conforme a sua responsabilidade, sem o desejo egoísta pelos frutos do trabalho,
ou apego egoísta para com os resultados, e torna-se livre de todo o medo. A
palavra karma também significa obrigação, ação, feito, trabalho, esforço, ou o
resultado de ações passadas.
Um trabalhador desapegado
possui resoluta determinação somente na realização de Deus, mas os desejos de
quem trabalha para desfrutar os frutos do trabalho são infinitos os quais tornam
a mente inquieta. (2.41)
OS VEDAS TRATAM DE AMBOS ASPECTOS DA VIDA, MATERIAL E ESPIRITUAL
A pessoa enganada, que se
deleita nos melodiosos cantos dos Vedas – sem o entendimento do real propósito
dos Vedas – pensa, Ó Arjuna, que não há nada mais nos Vedas exceto rituais, com
o único propósito de obter o regozijo celeste. (2.42)
Eles estão dominados pelos
desejos materiais e consideram o alcançar do paraíso como a meta mais elevada da
vida. Eles ocupam-se em ritos específicos com o propósito de prosperidade
material e gratificação. O renascimento é o resultado destas ações (2.43)
A auto-realização – a real
meta da vida – não é possível para aqueles que estão apegados ao prazer e poder,
e para quem o juízo está obscurecido pelos rituais e atividades para a
satisfação dos desejos egoístas. (2.44)
A auto-realização é para que
se conheça o relacionamento com o Senhor Supremo e Sua verdadeira natureza
transcendental. A promessa de benefícios materiais nos rituais védicos são como
promessas de açúcar candy feitas pela mãe a criança para induzir, ele ou ela, a
tomarem remédios do desapego da vida material; esta é a principal instância. Os
rituais precisam ser trocados com o tempo e ser direcionados acima pela devoção
e boas ações. As pessoas podem rezar e meditar a qualquer hora, em qualquer
lugar, sem qualquer ritual. Os rituais tem representado uma importante
função na vida espiritual, mas neles também há enormes abusos. O Senhor Krishna
e o Senhor Buddha desaprovaram o uso impróprio dos rituais védicos, não os
rituais em si mesmos. O rituais criam uma sagrada e abençoada atmosfera. Eles
são respeitáveis como sendo um navio celestial (RV 10.63.10) e criticados como
uma frágil jangada (MuU 1.2.07).
A parte dos Vedas trata dos
três modos – bondade, paixão e ignorância – da natureza material. Eleve-se acima
destes três modos, e seja auto-consciente. Torne-se livre da tirania do par de
opostos. Fique tranqüilo e indiferente com os pensamentos de aquisição e
preservação de objetos materiais. (2.45)
Para a pessoa iluminada, que
está realizada na verdadeira natureza do Ser interior, os Vedas tornam-se
proveitosos como um pequeno reservatório de água, tornando-se disponível como a
água de um grande lago. (2.46)
As escrituras são como um
lago finito que flui suas águas para o infinito oceano da verdade. Portanto, as
escrituras tornam-se desnecessárias somente após o esclarecimento, do mesmo modo
que um reservatório de água não tem utilidade quando é cercado por um dilúvio.
Aquele que há realizado o Ser Supremo não desejará obter o paraíso por
intermédio da realização de rituais védicos. As escrituras, assim como os Vedas,
são meios necessários, não são o fim. As escrituras possuem a intenção de nos
conduzir e guiar-nos no caminho espiritual. Uma vez que a meta é alcançada, elas
serviram-nos com o seu propósito.
TEORIA E PRÁTICA DE
KARMA-YOGA
Você tem o
controle sobre os feitos apenas da sua responsabilidade, mas não controle ou
reclamação sobre os resultados. Os frutos do trabalho não devem ser seu motivo,
e você nunca deverá ser inativo. (2.47)
A reta
visão do mundo se desenvolve quando nós entendemos plenamente que nós possuímos
habilidade para colocar o melhor dos nossos esforços dentro de tudo; nós
não devemos escolher o resultado (da ação) do nosso trabalho. Absolutamente, nós
não temos o controle sobre todos os fatores que determinam o resultado. As
coisas do mundo não se desenrolariam se todos tivesse sido entregue o poder de
escolher os resultados das suas ações, ou para satisfazer os seus desejos.
A alguém é dado o poder e a habilidade de fazer a sua respectiva
responsabilidade na vida, mas ninguém está livre para escolher os resultados. O
trabalho sem a expectativa de sucesso, ou bons resultados, pode ser sem sentido,
mas para estar plenamente preparado para o inesperado será uma importante
posição para qualquer planejamento. Swami Karmananda disse: “A essência do
Karma-yoga é realizar o trabalho para a satisfação do Criador; mentalmente
renunciar os frutos de todas as ações; e deixe Deus tomar conta dos resultados.
Seu dever é viver – no melhor da sua habilidade – como um servo pessoal de Deus
sem qualquer recompensa para o gozo pessoal dos frutos do seu trabalho”.
O medo do
fracasso, causado por ser emocionalmente apegado aos frutos do trabalho, é o
grande impedimento para o sucesso, porque ele rouba a eficiência pelo distúrbio
constante do equilíbrio da mente. Portanto, as obrigações devem ser feitas com
desapego. O sucesso em qualquer tarefa torna-se fácil se o trabalho é feito sem
a perturbação do resultado. O trabalho é realizado mais eficientemente quando a
mente não está continuamente – consciente ou subconscientemente -
perturbada pelo resultado, bom o mal, de uma ação.
Deve-se
descobrir este fato pessoalmente na vida. Uma pessoa deve trabalhar sem o motivo
egoísta, conforme a sua responsabilidade, para uma grande causa, auxiliando a
humanidade particularmente, do mesmo modo que a si mesmo, a uma criança,
ou a pouco indivíduos. Tranqüilidade e progresso espiritual resultam do serviço
desapegado, enquanto que o trabalho motivado pelo egoísmo cria o cativeiro do
Karma, bem como uma grande decepção. O serviço desapegado e dedicado por uma
grande causa conduz para a paz eterna aqui e para o futuro.
O limite
da jurisdição de alguém termina com a realização da obrigação; ela jamais cruza
o jardim do fruto. Um caçador tem controle sobre a flecha apenas, nunca sobre o
veado. Harry Bhala disse: “um lavrador tem controle de seu trabalho sob suas
mãos, apesar disto ele não tem controle sobre a colheita. Mas ele não pode
esperar a colheita se não trabalhar em sua terra”.
Quando
alguém não deseja por prazer ou vitória ele não é afetado pela dor ou derrota.
Questões de prazer ou sucesso, ou de dor ou fracasso não são levantadas porque
um karmayogi está sempre no caminho servil sem esperar pelo gozo dos frutos da
ação, ou mesmo as flores do trabalho. Ele ou ela descobrem o prazer do serviço.
A miopia de curto prazo, ganho pessoal, causado pela ignorância da metafísica, é
a raiz de todos os males na sociedade e no mundo. O pássaro da retidão não pode
ser aprisionada na gaiola do ganho pessoal. Dharma e egoísmo não podem
permanecer juntos.
O desejo
pelos frutos aprisionam alguém no beco escuro do pecado e o impede do real
crescimento. A ação realizada apenas pelo interesse próprio é pecaminosa. O bem
estar individual repousa no bem estar da sociedade. O sábio trabalha para toda a
sociedade, enquanto o ignorante trabalha apenas para si mesmo ou seus filhos e
netos. O conhecedor da verdade não permite a sombra do ganho pessoal
atacar o caminho do dever. O segredo da arte de viver uma vida significante é
ser intensamente ativo sem qualquer motivo egoísta, como declarado a baixo:
Faça as suas
ações no melhor de suas habilidades, Ó Arjuna, com sua mente ligada ao Senhor,
abandonando a preocupação e o apego egoísta para os resultados, permanecendo
calmo tanto no sucesso como no fracasso. O serviço sem egoísmo traz paz e
tranqüilidade da mente, que conduz a união com Deus. (2.48)
O Karmayoga é definido como
“fazer as obrigações enquanto mantêm-se a tranqüilidade”, sob todas as
circunstâncias. Dor e prazer, nascimento e morte, perda e ganho, união e
separação são inevitáveis, estando sob o controle de alguma ação passada, ou
Karma, do modo como se sucedem o dia e a noite. O tolo se regozija na
prosperidade e se aborrece na adversidade, mas um karmayogi permanece tranqüilo
sob todas as circunstâncias (TR 2.149.03-04). A palavra “yoga” pode também ser
definida nos seguintes versos do Gita: 2.50, 2.53, 6.04, 6.08, 6.19, 6.23, 6.29,
6.31, 6.32, 6.47. Qualquer técnica prática de entendimento da Realidade Suprema,
e unindo-as com Ele (Krishna), é chamada prática espiritual ou Yoga.
O trabalho feito com motivo
egoísta é inferior e está longe do serviço desapegado. Portanto, seja um
trabalhador desapegado, Ó Arjuna. Aqueles que trabalham apenas para o gozo dos
frutos dos seus trabalhos são infelizes (porque não se tem controle sobre os
resultados). (2.49)
Um Karmayogi, ou uma pessoa
desapegada, torna-se livre tanto da virtude como do vício em sua vida.
Portanto, esforce-se por serviço desapegado. Trabalhar o melhor das suas
habilidades, sem apegar-se egoisticamente pelos frutos do trabalho, chama-se
Karmayoga ou Seva. (2.50)
Paz, compostura, e liberdade
do cativeiro kármico aguarda aquele que trabalha por uma nobre causa, com um
espírito de desapego e que não procura qualquer recompensa ou reconhecimento.
Tais pessoas regozijam-se no serviço desapegado que no final das contas os
conduz para a bem-aventurança da salvação. Karma yoga purifica a mente e é muito
poderosa e uma fácil disciplina espiritual que alguém pode praticar enquanto
vive e trabalha na sociedade. Não há melhor religião do que o serviço
desapegado. Os frutos do vício e da virtude crescem somente na árvore do
egoísmo, não na árvore do serviço desapegado. Geralmente, aquele pensamento
trabalha arduamente quando se está profundamente interessado neles, ou apegado a
eles, os frutos do trabalho. Portanto, Karmayoga ou serviço sem egoísmo
(desapegado) talvez não conduzam ao progresso material individual ou social.
Este dilema pode ser resolvido pelo desenvolvimento da atividade do serviço
desapegado por uma nobre causa de alguém escolha, jamais permitindo que a
ganância pelos frutos dilua o pureza da ação. Habilidade e experiência no
trabalho é não atar-se pela obrigações do karma de alguém ou a obrigações
mundanas.
Os Karma Yogis estão livres
do cativeiro do renascimento, devido a renúncia do serviço desapegado aos frutos
de todo trabalho, alcançando um divino estado de salvação ou Nirvana. (2.51)
Quando seu intelecto perfurar
completamente o véu da confusão a respeito do Ser e do não-Ser, então você irá
tornar-se indiferente para o que foi dito e o que é para ser escutado das
escrituras. (2.52)
As escrituras tornam-se
dispensáveis após o esclarecimento. De acordo com Shankara, este verso significa
alguém que teve arrancado em partes o véu da ignorância e realizado a Verdade,
tornando-se indiferente aos textos védicos que prescrevem em detalhes a
realização de rituais para o alcance dos frutos do desejo.
Quando o seu intelecto, que
está confuso pelo conflito de opiniões e pela doutrina ritualística dos Vedas,
ficar firme e sólido, centrando-se no Ser Supremo, então você irá ser iluminado
e irá se unir completamente com Deus em transe. (2.53)
Ler escrituras não sagradas ou a leitura de diferentes escritos
filosóficos é amarra para criar confusões. Ramakrishna disse: “Deve-se aprender
das escrituras que unicamente Deus é real e o mundo é ilusório”. Um iniciante
deveria conhecer que somente Deus é eterno e que tudo o mais é temporário. Após
a auto-anunciação, encontra-se o Deus único tendo transformado tudo. Tudo é Sua
manifestação. Ele é ostentado de várias formas. No transe, ou no estado de
superconsciência da mente, a confusão surgida do conflito de opostos cessa, e o
equilíbrio mental é alcançado.
Diferentes escolas de pensamento, cultos, sistemas de filosofia, meios
de adoração, e práticas espirituais encontrados na cultura védica são diferentes
degraus da escada do Yoga. Semelhante amplitude de escolhas d e métodos não
existe em qualquer outro sistema, religião, ou meio de vida. Pessoas de
diferentes temperamentos são diferentes devido as diferenças nos seus estágios
de desenvolvimento espiritual e entendimento. Portanto, diferentes escolas de
pensamento são necessárias para vestir as diferenças individuais assim como o
mesmo indivíduo, ele ou ela, crescem e se desenvolvem. A mais alta filosofia do
puro monismo é o degrau superior da escada. A vasta maioria não pode compreender
isso. Todas as escolas e cultos são necessários. Não se deve ficar confuso por
causa de diferentes métodos, mas deve-se escolher com sabedoria.
Arjuna disse: Ó Krishna,
quais são os sinais de uma pessoa iluminada, cujo o intelecto está firme? O que
pensa e fala uma pessoa de intelecto firme? Como se comporta semelhante pessoa
com os outros, e como vive neste mundo? (2.54)
As respostas para todas as
questões feitas acima são dadas pelo Senhor Krishna nos versos que ficam neste
capítulo, descritas a seguir:
MARCAS DE UMA PESSOA AUTO-REALIZADA
O Senhor Krishna disse:
quando alguém está completamente livre de todos os desejos da mente, e está
satisfeito com a bem-aventurança do Ser Supremo, então essa pessoa é chamada de
iluminada. Ó Arjuna. (2.55)
De acordo com mãe Sarda,
desejos por conhecimento, devoção e salvação não podem ser classificados como
desejos, porque eles são desejos elevados. Deve-se primeiro trocar o desejos
inferiores pelos superiores e então renunciar os desejos superiores também, e
tornar-se absolutamente livre. É dito que a maior liberdade é a liberdade de
tornar-se livre.
Uma pessoa é
chamada de sábio iluminado, de firme intelecto, cuja mente está imperturbável
pela adversidade, que não deseja prazer, e que está completamente livre de
apegos, medo ou ira. (2.5 6)
Apego para com pessoas,
locais e objetos retira o intelecto, e torna alguém míope. As pessoas estão sem
saída, amarradas com a corda do apego. Deve-se estudar para cortar a corda com o
espada do conhecimento do Absoluto, e tornar-se desapegado e livre.
A mente e o intelecto de uma
pessoa torna-se firme se não é apegada a qualquer coisa, que não se exalta pelo
desejo de lucro de resultado, nem se perturba pelos resultados indesejados.
(2.57)
O verdadeiro
espiritualista possui paz e o olhar alegre nas suas faces sob todas as
circunstâncias.
Quando alguém consegue
retirar completamente o sentimento dos objetos dos sentidos, assim como uma
tartaruga retrocede seus membros para dentro do seu casco, por proteger-se, no
mesmo modo faz o intelecto de uma pessoa considerada firme. (2.58)
Uma pessoa aprende a
controlar ou retrair os sentimentos dos objetos dos sentidos, como uma tartaruga
retrai seus membros para dentro do casco no tempo de perigo, e não pode ser
forçada a estender suas patas de novo até que esteja acabado; a lâmpada do
auto-conhecimento torna-se acesa, e se percebe a auto-efulgência do Ser Supremo
interiormente (MB 12.174.51). Uma pessoa auto-realizada regozija-se com a beleza
do mundo, mantendo seus sentidos sob completo controle como uma tartaruga. A
melhor via para a purificação dos sentidos e o controle deles, de modo perfeito
como uma tartaruga, é engajá-los no serviço a Deus o tempo todo.
O desejo por prazeres
sensuais desaparece se se abstém do gozo dos sentidos, mas o desejo pelo gozo
dos sentidos permanece em muitas formas sutis. Esta sutil forma desaparece por
completo também naquele que conhece o Ser Supremo. (2.59)
O desejo por prazer sensual
adormece quando se abstém do gozo dos sentidos, ou devida a limitações psíquicas
impostas por doenças ou velhice. Mas o desejo permanece como uma sutil impressão
mental. Aqueles que tem experimentado o néctar do sabor da união com o Ser
Supremo não procuram longamente pelo desfrute no baixo nível dos prazeres
sensuais. O desejos sutis escondem-se como um ladrão, pronto para roubar o
indivíduo na oportunidade apropriada, como explicado a baixo:
PERIGO DOS SENTIDOS DESENFREADOS
Os sentidos
impacientes, Ó Arjuna, forçosamente fascinam a mente mesmo de uma pessoa sábia
que aspire por perfeição. (2.60)
O sábio sempre mantém
vigilância sobre a mente. Não se pode confirmar plenamente na mente. Ela pode
enganar mesmo uma pessoa auto-realizada (BP 5.06.02-05). Deve-se estar muito
alerta prestando atenção nas excursões da mentes. Jamais relaxe a sua vigilância
até que a meta final de realização em Deus seja atingida. Mão Sarda diz: “É da
natureza da mente dirigir-se aos gozos dos objetos inferiores, assim como a
natureza da água em escorrer para baixo. A Grace de Deus pode fazer a mente
direciona aos elevados objetos, assim como os raios de Sol evaporam a água.
A mente humana está sempre
pronta para ludibriar e fazer boas ações. Portanto, disciplina, vigilância
constante, e prática espiritual honesta são necessárias. A mente é como um
cavalo xucro que precisa ser domado. Nunca deixe a mente vagar - sem vigilância
- no reino da sensualidade. O caminho da vida espiritual é muito escorregadio e
deve ser pisado com muito cuidado para evitar quedas. Não é uma alegre
travessia, e é muito difícil pisar na estreita margem do fio da espada. Muitos
obstáculos, distrações e falhas chegam no caminho para auxiliar o devoto a
tornar-se forte e avançar mais no caminho, assim como o ferro torna-se aço pela
alteração da temperatura, esfriamento e martelamento. Não se deve desencorajar
pelas falhas, mas continuar com determinação.
Aquele que
fixa a sua mente em Deus com amor contemplativo, após trazer os sentidos sob
controle; e de quem o os objetos dos sentidos estão sobre completo controle, o
intelecto torna-se firme. (2.61)
Desenvolve-se apego aos objetos dos sentidos pensando-se nos objetos dos
sentidos. O desejo pelos objetos dos sentidos advém do apego aos objetos dos
sentidos, e a ira advém dos desejos não realizados. (2.62)
A ilusão ou idéias
desordenadas surgem da ira. A mente é confundida pela ilusão. A razão é
destruída quando a mente está confusa. Cai-se do caminho da retidão quando a
razão é destruída, (2.63)
ALCANÇANDO A PAZ E A FELICIDADE ATRAVPES DO CONTROLE DOS SENTIDOS E CONHECIMENTO
Uma pessoa disciplinada,
regozija os objetos dos sentidos com os sentidos que estão sob controle, e
livres dos apegos e das aversões, obtendo a tranqüilidade. (2.64)
A verdadeira paz e felicidade
são alcançadas, não pela gratificação dos sentidos, mas pelo controle dos
sentidos.
Todos os sofrimentos são
destruídos sob o alcance da tranqüilidade. O intelecto de tal pessoa tranqüila
em breve torna-se completamente firme, e em união como Supremo. (2.65)
Não há auto-conhecimento nem auto-percepção naqueles que não estão em união como Supremo.
Sem auto-percepção não há paz, e sem paz não se pode ter felicidade.
(2.66)
A mente,
quando controlada pelo vaguear dos sentidos, rouba o intelecto, do mesmo modo
que uma tempestade desvia um barco no mar do seu destino - a praia espiritual da
paz e da felicidade. (2.67)
Uma pessoa sem o controle por
sobre a sua mente e cujos sentidos movimentam-se sem leme, torna-se um reagente
no lugar do agente, e desenvolve karma negativo.
A ambição por prazer ou gozo
é a inspiração virulenta que conduz a destruição; similarmente, o desejo por
prazeres sensuais deixa-nos fora do auto-conhecimento, e nos conduz para a rede
de transmigração (MB 3.02.69).
Portanto, Ó Arjuna, o
intelecto torna-se firme naquele em que os sentidos são completamente retirados
dos objetos dos sentidos. (2.68)
Um yogi, a pessoa
auto-controlada, permanece vigilante quando é noite para todos os outros. É
noite para o yogi, que vê quando todos estão acordados. (2.69)
O asceta mantém-se desperto
ou desapegado da noite da existência da vida mundana, porque ele está em busca
da mais elevada verdade. Considera-se alguém desperto quando está livre dos
desejos mundanos (TR 2.92.02). Um yogi está sempre consciente do espírito sob o
qual os outros estão inconscientes. A vida de um asceta é inteiramente diferente
da vida de uma pessoa materialista. O que é considerado real por um yogi não tem
valor para uma pessoa mundana. Enquanto a maioria das pessoas dormem e fazem
seus sonhos nos planos da noite ilusória do mundo, um yogi mantém-se desperto,
porque ele ou ela estão despegados do mundo enquanto vivem nele.
Obtêm-se a
paz quando todos os desejos dissipam-se dentro da mente sem criar qualquer
distúrbio mental, como as águas de um rio entram no oceano pleno sem criar
qualquer distúrbio. Aquele que deseja os objetos matérias jamais possui paz.
(2.70)
Torrentes do rio do desejo
carregam longe a mente de uma pessoa materialista assim como um rio carrega
longe a madeira e outros objetos no seu caminho. A mente tranqüila de um yogi é
como um oceano que recebe os rios do desejo sem ser perturbado por eles, porque
um yogi não pensa a respeito de ganho ou perda. Os desejos humanos são
infinitos. Para satisfazer o desejo é como beber água salgada que jamais saciará
a sede, mas irá aumentá-la. É como tentar apagar um fogo com gasolina.
Tentar realizar os desejos
materiais é como adicionar mais madeira no fogo. O fogo irá se apagar se não for
mais colocado madeira nele (MB 12.17.05). Se alguém morre sem ter conquistado o
grande inimigo - os desejos - terá de reencarnar para lutar com estes inimigos
de novo, e de novo, até a vitória (MB 12.16.24). Não se pode ver a face de
alguém num pode de água que está agitada pelo vento; similarmente, não se está
apto para realizar Deus quando a mente e os sentidos estão perturbados pelo
vento dos desejos materiais (MB 12.240.030).
Aquele que abandona todos os
desejos materiais torna-se livre da saudade dos sentimentos de “eu” e “meu”,
alcançando a paz. (2.71)
O Arjuna, este é o estado de
superconsciência da mente. Alcançando tal estão, não se é enganado. Conquistando
este estado, mesmo no fim da vida, uma pessoa alcança a verdadeira meta da vida
humana, tornando-se uno com Deus. (2.72)
O Ser Supremo é a verdade e
realidade final, conhecimento e consciência, e é ilimitado e feliz. (TaU
2.01.01). A alma individual torna-se bem-aventurada e cheira de júbilo após
conhecer Deus. A generosa felicidade não é nada mais que a bem-aventurança em si
mesma, como a generosidade da riqueza deve ter riqueza. Daquele da qual a
origem, sustento, e dissolução deste universo é derivada, é chamado o Absoluto
(BS 1.01.02; TaU 3.01.01). O conhecimento não e uma qualidade (Dharma)
natural do Absoluto; ele é a intrínseca natureza do Absoluto (DB 7.32.19). O
Absoluto é o substrato, ou assim como a material causa eficiente do universo. Em
ambos, a origem e o fim da energia, é única. Isto é também chamado o Campo
Unificado, Espírito Supremo, Pessoa Divina, e Consciência Total, que é
responsável pela percepção dos sentidos em todas as entidades vivas pelo
funcionamento da mente e do intelecto.
A palavra “salvação” no
Cristianismo, significa entrega do poder e penalidade do pecado. Pecado, no
Hinduísmo, não pé nada mais do que o cativeiro do Karma, responsável pela
reencarnação. Assim, salvação equivale a palavra sânscrita “Mukti” - a
libertação final das entidades vivas da reencarnação - no Hinduísmo. Mukti
significa a completa destruição das impressões dos desejos da causa corporal. É
a união da unidade individual com a Superalma. Alguns dizem que a todo
penetrante Superalma é a causa corporal que conduz tudo e que permanece
misericordiosamente desapegada. A palavra sânscrita “Nirvana” no Budismo, é
imaginada como sendo a cessação dos desejos materiais em ego. Isto é um estado
de ser no qual os desejos materiais e pessoais, amores e desafetos, devem
ser totalmente extintos. Eles saem do consciência corporal e alcançam o estado
de auto-consciência. Esta é a liberação do apego do corpo material e o
alcance do estado da bem-aventurança com Deus.
Chapter 3
CAMINHO DO SERVIÇO SEM EGOÍSMO
Nota do tradutor para o Português. O Terceiro canto
do Bhagavad-gita trata do serviço devocional prestado em ação, dito karmayoga. É
importante a sua compreensão para afastar as dúvidas que giram em torno deste
importante conceito védico, “karma”, e que tem causado uma certa confusão na
mente dos ocidentais. A palavra “karma”, do sânscrito, significa: “ação”;
“trabalho”; “envolvimento”, etc., e muitas vezes é confundida com uma lei física
de simples causa e efeito, dentro dos conceitos da lei da inércia. A maior parte
do Bhagavad-gita enfatiza a necessidade do envolvimento das ações conscientes do
Supremo – de Krishna – todo o tempo, realizando tudo para a Sua glória. Quando
Sri Krishna declara no final do B.Gita para que Arjuna deixe tudo por conta
d´Ele, compreende-se que toda a ação deve ser feita tendo em vista a satisfação
do Supremo: diz o verso 18.66: sarva-dharmam prarityajya/ mam ekam saranam vraja
– aham tvam sarva-papebhyo/ moksaysyami ma sucah; “Abandona todas as variedades
de dharma (obrigações) e simplesmente se renda a Mim. Eu libertarei você de
todas as reações pecaminosas; não temas”. Na medida em que Arjuna se rendeu a
Krishna, toda e qualquer ação que ele fizesse no campo de Kuruksetra seria
oferecida para Ele, de modo que não cairia em pecado. Krishna havia dito no
verso 11.55, que “mat-karma-krim mat-paramo/ mad-bhaktah sanga varjitah –
nirvairah sarva-bhutesu/ yah sa mam eti pandava”, “Meu estimado Arjuna, a pessoa
que se ocupa em Meu serviço devocional puro – karma-yoga – livre das
contaminações de atividades anteriores e da especulação mental, que é amigável
para com todas as entidades vivas, certamente vem a Mim”. Eis a máxima do
Senhor, que dá o provimento, assistência e proteção ao seu devoto, não
precisando deixar a sua vida de relação para poder amá-lO e servi-lO.
Sem nenhuma dúvida
os principais obstáculos do devoto são a luxúria, os desejos materiais, e os
apegos mundanos. Neste canto o Senhor Krishna instrui Arjuna como controlar e
dominar a mente irrequieta, e alcançar a meta suprema, a liberação do mundo
material.
-x-x-
Arjuna perguntou: se Você diz que adquirir conhecimento é melhor do que
agir, então por que quer que eu me ocupe nesta guerra horrível, Ó Krishna?
Parece que Você quer confundir a minha mente, aparentemente, por palavras
conflitantes. Diga-me, decisivamente, uma coisa pela qual eu possa alcançar o
Supremo. (3.01-02)
Arjuna estava no modo da ilusão; ele
acreditava que o Senhor Krishna pensava numa vida contemplativa melhor do que
uma vida de obrigações normais. Algumas pessoas ficam freqüentemente confusas, e
que a salvação é possível somente por uma vida devotada ao estudo das
escrituras, contemplação, e aquisição de autoconhecimento. O Senhor Krishna
esclarece isto pela menção dos dois maiores caminhos da prática espiritual -
dependendo da natureza individual - no seguinte verso:
O Senhor Krishna
disse: neste mundo, através do tempo, Eu tenho declarado um duplo caminho de
disciplina espiritual: o caminho do autoconhecimento para os contemplativos, e o
caminho do trabalho não-egoísta (desapegado) (Seva, Karmayoga) para todos os
outros. (3.03)
“Seva” ou “Karmayoga”, significa
sacrifício, serviço abnegado, trabalho altruísta, ação meritosa, entregar-se, de
algum modo, para os outros. Algumas pessoas, freqüentemente, ficam
confusas como Arjuna, e pensam que levar uma vida devotada aos estudos das
escrituras, e contemplação, para aquisição de conhecimento transcendental,
talvez seja melhor para o progresso espiritual do que fazer alguma obrigação
materialmente.
A pessoa realizada em Deus não a considera
a si própria como a fazedora de qualquer ação, mas somente um instrumento nas
mãos do divino, para Seu uso. Isso favorecerá apontando que ambos conhecimentos,
metafísico e serviço abnegado, possuem a intenção de alcançar o Ser Supremo.
Estes dois caminhos não são separados, mas complementares. Na vida, a combinação
destes dois modos é considerada o melhor. Leve ambos, o serviço abnegado e uma
disciplina espiritual de aquisição de autoconhecimento com você, como citado nos
seguintes versos:
Não se alcança a liberdade do cativeiro do karma pela simples abstenção
do trabalho. Ninguém alcança a perfeição meramente abandonando o trabalho,
porque ninguém pode ficar sem ação, mesmo por um momento. Tudo no universo é
dirigido pela ação – realmente não tem saída – pelas forças da natureza.
(3.043-05)
Não é possível, para qualquer um, abandonar
por completo as ações por pensamento, palavras e obras. Portanto, deve-se sempre
estar ativo em serviço ao Senhor, pelos vários meios que se escolher, e jamais
ficar sem trabalho, porque a mente vazia é a fábrica do diabo. Executar as ações
até a morte, sem o desejo da mente é melhor que abandonar o trabalho e conduzir
a vida como um asceta, mesmo após a realização em Deus, porque mesmo um asceta
não pode fugir da pulsação da ação.
Qualquer um que refreie os sentidos, mas, que mentalmente pensa nos
prazeres sensoriais é chamado de embusteiro. (3.06)
O crescimento de uma pessoa provém do
trabalho generoso, mais que da existência desse trabalho ou da prática do
controle dos sentidos, antes dessa pessoa estar naturalmente pronta para isso.
Trazer a mente sob controle é difícil, e a vida espiritual transforma-se numa
zombaria sem comando sobre os sentidos. Os desejos podem tornar-se dormentes e,
então, voltarem à tona trazendo problemas, como uma pessoa dormindo que acorda
devido ao passar to tempo.
As quarto metas da vida humana – fazer as
obrigações, acumular riquezas, gozo material e sensual, e alcance da salvação –
foram designadas na tradição Védica, para o natural e sistemático crescimento
individual e do progresso da sociedade. O sucesso na vida espiritual não chega
prematuramente vestindo roupas açafrão, por manter um Ashrama ou meio de vida,
sem primeiro conquistar os seis inimigos: luxúria, ira, ambição, orgulho, apego
e inveja. É dito que semelhante embusteiro (que pelo gozo dos sentidos diz os
controlar) faz um grande desserviço para Deus, sociedade e para si mesmo, e
tornar-se privado de felicidade neste e no outro mundo (BP 11.18.40-41). Um
monge fingido é considerado pecaminoso e um destruidor da ordem de vida
ascética.
POR QUE ALGUÉM DEVE SERVIR OS OUTROS?
Aquele que controla
os sentidos – pela educação e purificação da mente e intelecto – e que ocupa os
órgão e ações ao serviço abnegado é considerado superior. (3.07)
Execute suas
obrigações porque o trabalhar é, deveras, melhor do que cruzar os braços. Mesmo
a manutenção do seu corpo seria impossível sem trabalho. (3.08)
Os seres humanos são limitados pelo trabalho (Karma) que não é
realizado como serviço abnegado (Seva, Yajña). Portanto, torne-se livre do apego
egoísta aos frutos do trabalho, fazendo suas obrigações eficientemente como um
serviço para Deus, para o bem da humanidade. (3.09)
AJUDAR O OUTRO É O PRIMEIRO MANDAMENTO DO CRIADOR
No começo o criador criou os seres humanos junto com o serviço privado
de egoísmo (serviço generoso ou Seva, Yajna, sacrifício) e disse: “Pelo serviço
de uns aos outros você irá prosperar, e o serviço sacrifical irá realizar todos
os seus desejos.
(3.10)
Satisfaça os controladores celestes com serviço desapegado, e eles irão
satisfazer você. Deste modo, um satisfaz o outro, e você irá alcançar a meta
Suprema. (3.11)
Um controlador celeste, ou anjo guardião,
significa um rei sobrenatural, uma pessoa celeste, um anjo, um agente de Deus,
as forças cósmicas que controla, protege e satisfaz os desejos. Mesmo os portões
dos céus estarão fechados para aqueles que tentarem entrar sozinhos. De acordo
com as antigas escrituras a ajuda aos outros é a mais meritosa das ações que
alguém pode fazer. O sábio vê como um serviço a si mesmo o serviço feito aos
outros, enquanto o ignorante serve a si mesmo a custa dos outros. Servir uns aos
outros é o primeiro mandamento do criador, que novamente foi falado pelo Senhor
Krishna no Bhagavad-gita. Deus nos deu dons para ajudar os outros, e servindo
aos outros nós crescemos espiritualmente. Nós nascemos para servir uns aos
outros, para entender, cuidar, amar, dar, e perdoar uns aos outros. De acordo
com Munijii, “Doar é Viver”. Doar torna o mundo um lugar melhor para toda a
humanidade.
Crê-se que o serviço egoísta mina nossa
saúde natural e nosso sistema nervoso também. Quando nós tomamos providência
para nos movermos por nós mesmos a pensar sobre os que precisam dos outros a
como podemos servi-los, a saúde coloca-se em movimento. Isto é especialmente
verdadeiro se nós pessoalmente ajudarmos uma pessoa que talvez jamais a
encontremos de novo na vida.
Os controladores celestes, sendo atendidos e satisfeitos pelo serviço
abnegado, darão a você todos os objetos desejados. Aquele que goza com os
presentes dos controladores celestes sem compartilhar com os outros é,
realmente, um ladrão. (3.12)
Aquele que não realiza sacrifícios, mas que
agarra tudo sem ajudar os outros, é como um ladrão. É dito que os seres celestes
são agradados quando as pessoas ajudam-se uns aos outros. A posição de dar
aumenta a graça de Deus, realizando e concedendo todos os desejos. O espírito de
cooperação – não confrontação ou competição – entre seres humanos, entre nações,
e entre organizações é a dica aqui (neste verso) do Senhor. Todas as
necessidades da vida são sanadas pela dedicação e o sacrifício das outras
pessoas. Nós fomos criados para sermos dependentes uns dos outros. O mundo foi
chamado de uma roda cósmica de ações cooperativas por Swami Chinmaynanda.
Cooperação, não competição, é a causa mais abrangente do progresso individual,
como um bem na sociedade. Nada vale a pena se quer ser alcançado sem a
cooperação e ajuda dos outros. O mundo será um lugar muito melhor se todos os
habitantes cooperarem e se ajudarem uns aos outros. É motivado egoisticamente o
que impede a cooperação, mesmo entre organizações espirituais. Aquele que pode
dizer verdadeiramente: “Todas organizações, templos, mesquitas, e igrejas são
nossas”, é um verdadeiro lidere e um verdadeiro santo.
O justo, que come após compartilhar com os outros, está livres de todos
os pecados, mas, o ímpio, que cozinha o alimento apenas para si mesmo (sem
primeiro oferecer para Deus ou distribuir com os outros), na verdade, come
pecado. (3.13)
Os alimentos devem ser cozidos para o Senhor e
ser primeiro oferecidos para Ele com amor, antes e durante o consumo. As
crianças devem ser educadas a rezar antes de comerem. A regra do lar deve ser:
não comer antes de rezar e agradecer a Deus. O Senhor promove o estado divino
que ajuda aos outros:
Os seres vivos são sustentados pelos alimentos dos grãos; os grãos são
resultados do sacrifício do trabalho ou da obrigação realizada pelos lavradores
e outros trabalhadores do campo. A responsabilidade está prescrita nas
escrituras. As escrituras vêm do Ser Supremo. Assim, o Ser Supremo, que a tudo
penetra, ou Deus, está sempre presente no serviço livre de egoísmo. (.3.14-15)
Aquele que não
auxilia para manter o movimento circular da criação em movimento, pela obrigação
sacrificial (Seva), e se regozija nos prazeres dos sentidos, tal pecaminosa
pessoa, vive em vão. (3.16)
Um grão de trigo será um simples grão a
menos que ele seja deixado cair dentro da terra e morrer. Se ele morrer então
irá produzir muitos grãos (John 12.24). Santos, árvores, rios e terra são usados
para o uso dos outros. De qualquer forma, não há obrigações para alguém
esclarecido, conforme explicado abaixo:
Para aquele que se regozija apenas com o Ser Supremo, que se satisfaz
com o Ser Supremo, e que está contente apenas com o Ser Supremo, para tal pessoa
auto-realizada não há obrigações. Para tal pessoa não há interesse, seja qual
for, no que fazer ou no que não fazer. Uma pessoa auto-realizada não depende de
ninguém, exceto Deus, para qualquer coisa. (3.17-18)
Todas as
responsabilidades, obrigações, proibições, regulações e injunções são meios que
conduzem à perfeição. Portanto, um yogi perfeito, que possui autoconhecimento, é
desapegado, não tem nada mais para ganhar deste mundo para realizar obrigações
materiais.
OS LÍDERES DEVEM SERVIR DE EXEMPLO
Execute sempre as
suas obrigações eficientemente, e sem qualquer apego egoísta, tendo em vista os
resultados, porque por fazer o trabalho sem apegos alcança-se a suprema meta da
vida. (3.19)
Não há outra escritura sagrada, escrita
antes do Bhagavad-gita, que contenha a filosofia do Karmayoga – a devoção
altruísta pelo bem estar da humanidade – sendo tão belamente exposta. O Senhor
Krishna levantou a idéia do altruísmo como a mais elevada forma de adoração e
prática espiritual. Pelo altruísmo, obtêm-se graça, e pela graça recebe-se fé, e
pela fé, a verdade última é revelada. Sente-se imediatamente melhor pela ajuda
aos outros, e chega-se a um passo mais perto da perfeição. Swami Vivekananda
disse: “O Trabalho feito para os outros desperta o sutil e dormente poder
divino, Kundalini, dentro do nosso corpo”. Um exemplo de alcance da
auto-realização pelas pessoas que fazem seus trabalhos obrigacionais é dado a
baixo:
O rei Janaka, e
muitos outros, alcançaram a perfeição da auto-realização apenas pelos serviço
sem egoísmo (Karmayoga). Você também deve executar suas obrigações com uma visão
para guiar as pessoas, e para o bem-estar da sociedade. (3.20)
Aqueles que realizam o serviço desapegado
não são atados pelo karma e alcançam a salvação (VP 1.22.52). Coisa alguma está
longe de alcançar àquela do que os que possuem os outros como interesse em sua
mente. Swami Harihar disse: “O serviço desapegado para a humanidade é o
verdadeiro serviço para Deus, e a mais elevada forma de adoração”.
Porque não importa o que uma pessoa nobre faz, os outros a seguem.
Quaisquer padrões normais que eles realizam o mundo acompanha. (3.21)
As pessoas seguem qualquer que seja uma
grande personalidade (BP 5.0412). Jesus disse: “Eu tenho dado um exemplo para
vós, então que vós fazeis o que Eu tenho feito para vós (João, 13.15). Um líder
está obrigado na elevada ética, moral, e padrão espiritual, para a população em
geral de seguidores. Se um líder falha neste cuidado, a qualidade de vida da
nação cai, e o progresso da sociedade é grandemente atrasado. Portanto, os
líderes possuem uma grande carga sob os seus ombros. A vida de um verdadeiro
líder é uma vida de serviço e sacrifício. Uma liderança não deve ser feita como
um empreendimento de tornar-se rico ou famoso.
Ó Arjuna, não há nada nos três mundos – o céu, a Terra, e as regiões
inferiores – que precisa ser feito por Mim, nem há qualquer coisa que Eu tenha
ou não tenha que obter; apesar disto Eu me ocupo em ação. (3.22)
Se eu não Me ocupasse em ação rigorosamente, Ó Arjuna, as pessoas iriam
seguir o mesmo caminho em todas as vias. Este mundo pereceria se Eu não
trabalhasse, e Eu seria causa de confusão e destruição.
(3.23-24)
O QUE
DISTINGUE O SÁBIO DO
IGNORANTE
O ignorante trabalha com apego aos frutos do resultado do trabalho, por
si próprio, e o sábio trabalha sem apego, pelo bem-estar do mundo. (3.25)
O sábio não se
preocupa, mas, inspira os outros pela realização eficiente de todos os
trabalhos, sem egoísmo e apego; a mente do ignorante está apegada aos frutos do
trabalho. (3.26; veja, também, 3.29)
Fazer as obrigações sem um motivo egoísta pessoal é um estado exaltado,
que é dado somente para alguém esclarecido. Isto, talvez, esteja além da
compreensão das pessoas comuns.
A marca do gênio descansa na habilidade de reconhecer as idéias opostas
e paradoxos, assim como em viver no mundo com desapego. A maioria das pessoas
trabalha arduamente quando possuem uma força motivante, como o desfrute dos
frutos do trabalho. Tais pessoas não devem ser desencorajadas ou condenadas.
Elas devem ser lentamente introduzidas nos estágios iniciais do serviço
desapegado. O excessivo apego por posses, não a possessão em si mesma, torna-se
a origem da miséria.
Assim como devemos rezar e adorar com atenção sincera, similarmente,
deve-se realizar as obrigações materiais com plena atenção, mesmo quando
conhecemos muito bem que o trabalho e seus negócios são transitórios. Deve-se
viver pensando somente em Deus, e não negligenciar as obrigações no mundo.
Yogananda disse: “Ser sério na meditação do mesmo modo como no conseguir
dinheiro. Não deve-se viver uma vida injusta”. A importância do controle dos
sentidos e o caminho para combater o ego é entregue a baixo:
TODOS OS TRABALHOS SÃO TRABALHOS DA NATUREZA
As forças da
natureza fazem todo o trabalho, mas devido a ilusão uma pessoa ignorante
supõem-se a si mesma como executora. (3.27; veja também 5.09; 13.29 e 14.19)
Indiretamente, Deus é o executor de tudo. O
poder e a vontade de Deus fazem tudo. Ninguém está livre, mesmo para matar a si
próprio. Não se pode sentir a presença de Deus como sentimento o tempo todo de
“Eu sou o executor” (a causa da ação). Se se concretiza que não somos causadores
de nenhuma ação – pela graça de Deus – mas, que somos apenas instrumentos,
tornamo-nos livres. Um cativeiro kármico é criado se nós nos consideramos nós
mesmos os executores e desfrutadores. O mesmo trabalho que é feito por um mestre
realizado e uma pessoa comum produz resultados diferentes. O trabalho que é
realizado por um mestre auto-realizado torna-se espiritualizado e não produz
cativeiro kármico, porque uma pessoa auto-realizada não considera a si mesma o
executor ou o desfrutador. O trabalho que é feito por uma pessoa comum produz
cativeiro kármico.
Aquele que conhece a verdade sobre as regras das forças da natureza, em
receber o trabalho feito, não se torna apegado ao trabalho. Tal pessoa percebe
que isso se deve às forças da natureza, adquiridas pelo trabalho dele, pelo uso
dos seus órgãos e instrumentos. (3.28)
Aqueles que estão iludidos pelo poder ilusório (Maya) da natureza,
tornam-se apegados ao trabalho, feito pelas forças da natureza. O sábio não de
perturba, como a mente do ignorante cujo conhecimento é imperfeito. (3.29)
A pessoa esclarecida não tenta dissuadir ou
difamar uma pessoa ignorante da realização das ações egoístas, feita por ele,
iludido pelas forças da natureza; porque o fazer o trabalho – e não a renúncia
do trabalho no estágio inicial – no final das contas irá conduzi-los a entender
a verdade de que ´nós não somos os executores’, mas apenas instrumentos divinos.
O trabalhar com apego, também, possui um lugar no desenvolvimento da sociedade e
na vida da pessoa comum. As pessoas podem facilmente transcender os desejos
egoístas por um trabalho por uma nobre meta a sua escolha.
Faças as suas
obrigações prescritas, dedicando todo o trabalho para Deus num estado espiritual
da mente, livre do desejo, apego e tristeza mental. (3.30)
Aqueles que sempre praticam este ensinamento Meu – com fé e
livres de críticas - tornam-se livre do cativeiro do Karma. Mas aqueles que
encontram defeito nestes ensinamentos, e que não praticam isto, são considerados
ignorantes, confusos e estúpidos. (3.31-32)
Todos os seres seguem sua natureza. Mesmo o sábio atua de acordo com a
sua própria natureza. Se nós somos a garantia de nossa natureza, qual, então, é
o mérito do sentido da contenção? (3.33)
Enquanto nós não conseguimos e não
suprimimos nossas natureza, nos não devemos nos tornar vítimas, mas
especialmente controladores e mestres dos sentidos, pela faculdade
descriminativa da vida humana para aprimoramento gradual. A maior via de
controle dos sentidos é o engajar de todos os nossos sentidos no serviço a Deus.
O MAIOR OBSTÁCULO NO CAMINHO DA PERFEIÇÃO
O apegos e aversões
pelos objetos dos sentidos permanecem nos sentidos. Não se deve ficar sobre o
controle destes dois, porque eles são os dois maiores obstáculos, sem dúvida, de
alguém no caminho da auto-realização. (3.34)
“Apegos” podem ser definidos como um forte
desejo para experimentar os prazeres sensuais repetidamente. “Aversão”, é uma
forte antipatia pelo que é desagradável. O caminho da paz da mente, conforto e
felicidade, é a base de todo o esforço humano, incluindo a aquisição e
propagação do conhecimento. Desejo – como qualquer outro poder dado pelo Senhor
– não é o problema. Nós podemos ter desejos com o estado de espírito adequado
que nos dará o controle sobre os apegos e aversões. Se nós podemos controlar
nossos desejos a maioria das coisas que possuímos tornam-se dispensáveis; nada
mais do que o essencial. Com uma atitude correta nós podemos obter o controle
sobre todos nossos apegos e aversões. A única coisa necessária é ter um estado
de espírito que torne mais coisas sem necessidade. Aqueles que possuem
conhecimento, desapego e devoção, não possuem qualquer gosto ou desgosto por
qualquer objeto mundano, pessoa, lugar, ou trabalho. Gostos e desgostos pessoais
perturbam a tranqüilidade da mente e tornam-se obstáculos no caminho do
progresso espiritual.
Deve-se atuar com o sentimento de
responsabilidade sem ser governado pelo gosto e desgosto pessoal. O serviço sem
egoísmo é a única austeridade e penitência nesta era, pelo qual qualquer um pode
alcançar Deus enquanto vive e trabalha na sociedade moderna, sem a necessidade
de ir para montanhas e florestas.
Todos se beneficiam se o trabalho é feito
para o Senhor, do mesmo modo como todas as partes de uma árvore recebem água
quando ela é colocada nas raízes, no local onde ela vive. Apegos e aversões são
destruídos numa pessoa nobre, no princípio do autoconhecimento e desapego. Os
amores e desafetos pessoais (gostos e desgostos) são os dois maiores obstáculos
no caminho da perfeição. Aquele que há conquistado os apegos e as aversões
torna-se uma pessoa livre, e alcança a salvação, por fazer suas obrigações
naturais, conforme abaixo:
O trabalho natural inferior é melhor que o trabalho superior não
natural. Mesmo a morte na realização da obrigação (natural) é proveitosa.
Trabalho não natural produz elevada tensão. (3.35 – veja também 18.47)
Aquele que realiza a sua obrigação ordenado
pela natureza (própria) é liberado dos laços do Karma e lentamente eleva-se do
plano mundano (BP 7.11.32). Aquele que assume uma responsabilidade de um
trabalho que não foi prescrito para ele certamente é um convite para o fracasso.
Deve-se envolver no trabalho melhor adaptado para a própria natureza ou
tendências inatas. Não há ocupação perfeita. Cada ocupação neste mundo possui
alguma falha. Devemos nos manter independentes da preocupação sobre as falhas
das obrigações na vida. Deve-se cuidadosamente estudar a natureza pessoal para
determinar uma ocupação apropriada. O trabalho conforme a própria natureza
não produz tensão e é feito criativamente. O caminhar árduo, voluntariamente,
feito contra as tendências naturais de cada um não é somente mais estressante
mas, também, menos produtivo, e ele não fornece a oportunidade e tempo livre
para o crescimento e desenvolvimento espiritual. Por outro lado, se alguém segue
o caminho fácil ou o caminho representativo, não será capaz de ganhar o
suficiente para satisfazer as necessidades básicas da (família) vida. Portanto,
leve uma vida simples, pela limitação luxuriosa desnecessária, e desenvolva um
hobby do serviço desapegado para equilibrar a balança material e espiritual
necessário na vida.
LUXÚRIA, A ORIGEM DO PECADO
Arjuna disse: Ó Krishna, o que impele alguém a cometer pecados ou ações
egoístas, mesmo contra a sua vontade, sendo forçada de novo a querê-los? (3.36)
O Senhor Krishna
disse: é a luxúria, nascida dentre a paixão, que se transforma em ira quando
insatisfeita. A luxúria é insaciável, e é um grande demônio. Conheça-a como o
inimigo. (3.37)
O modo da paixão é a ausência do equilíbrio
mental conduzido pela vigorosa atividade para alcançar os frutos do desejo.
Luxúria, o desejo passional e egoísta por todo o prazer sensual e material, é o
produto do modo da paixão. A luxúria torna-se ira se não satisfeita. Quando o
alcançar dos frutos é impedido ou interrompido, o intenso desejo por sua
realização transforma-se em ira feroz. Por conseguinte, o Senhor nos disse que a
luxúria e a ira são dois poderosos inimigos que podem conduzir alguém a cometer
pecados e retirar do caminho da auto-realização, a suprema meta da vida humana.
Atualmente, os desejos materiais compelem uma pessoa para ocupar-se em
atividades pecaminosas. Controle o seu querer, porque seja o que for o que você
quiser exigirá de você. O senhor Buddha disse: “O desejo egoísta é a raiz de
todos os males e misérias”.
Como o fogo é
encoberto pela fumaça, um espelho é encoberto pelo pó, e como um embrião está
encoberto pelo ventre, de forma similar, o autoconhecimento é encoberto pelos
diferentes degraus da luxúria insaciável, a inimiga eterna do sábio. (3.38-39)
A luxúria e o autoconhecimento são eternos
inimigos. A luxúria somente pode ser destruída pelo autoconhecimento. Onde mora
a luxúria, e como alguém deve controlar os sentidos para subjugar a luxúria, é
dado abaixo:
Os sentidos, a
mente e a inteligência diz-se que são o lugares da luxúria. A luxúria ilude uma
pessoa controlando-lhe os sentidos, a mente, a inteligência, e velando o
autoconhecimento. (3.40)
Portanto, pelo
controle dos sentidos, primeiro mate todos os maldosos desejos materiais (ou
luxúria), que destrói o autoconhecimento e a auto-realização. (3.41)
O poderoso inimigo, a luxúria, escraviza a
inteligência por usar a mente como seu amigo e os sentidos e os objetos dos
sentidos como seus soldados. Estes soldados mantém a alma individual iludida, e
obscurecem a Verdade Absoluta, como uma parte do drama da vida. O sucesso ou o
fracasso na nossa função, na ação, depende de como nós cuidamos nossas funções
individuais e alcançamos nosso destino.
Todos os desejos não podem – e não precisam
– ser eliminados, mas desejos egoístas, e motivos pessoais egoístas, precisam
ser eliminados para o progresso espiritual. Todas as nossas ações – pelos
pensamentos, palavras e obras – incluindo os desejos, devem ser direcionados
para glorificar a Deus, e para o bem da humanidade. As escrituras dizem: “O
mortal quando se libera do cativeiro dos desejos egoístas torna-se imortal, e
alcança a liberação, mesmo nesta vida (KaU 6.14, BrU 4.04.07).
COMO CONTROLAR A LUXÚRIA
Os sentidos são superiores ao corpo; a mente é superior aos sentidos; a
inteligência é superior à mente, e o Ser é superior ao intelecto. (3.42)
Assim, conhecendo o
Ser como o mais alto, e controlando a mente pela inteligência, que é purificada
pela prática espiritual, deve-se matar este poderoso inimigo, luxúria, Ó Arjuna,
com a espada do conhecimento verdadeiro do Ser. (3.43)
O descontrole dos desejos material irão
ruir a linda jornada espiritual da vida. As escrituras fornecem as vias e os
meios para afastar os desejos nascidos na mente, sobre próprio controle. O corpo
pode ser comparado a uma carruagem sob a qual a alma individual – como
passageiro, proprietário e desfrutador – é conduzida numa jornada espiritual em
direção a Morada Suprema do Senhor. Responsabilidade e autoconhecimento são as
duas rodas da carruagem, e, a devoção, o seu eixo. O serviço sem egoísmo é a
estrada; as qualidades divinas são os marcos. As escrituras são as luzes
orientadoras que dissipam a escuridão e a ignorância. Os cinco sentidos são os
cavalos desta carruagem. Os objetos dos sentidos são a grama verde na margem da
estrada; apegos e aversões são os obstáculos; e a luxúria, a ira e a ambição são
os assaltantes. Amigos e parentes são companheiros de viagem a quem nós,
temporariamente, encontramos durante a viagem. A Inteligência é o condutor desta
carruagem. Se a inteligência, o cocheiro da carruagem, não é tornada pura e
forte pelo autoconhecimento e deseja poder, então, fortes desejos sensuais e de
prazeres materiais – ou os sentidos – irão controlar a mente (veja 2.67) no
lugar da inteligência controlá-la. A mente e os sentidos irão atacar e tomar o
controle da inteligência, o fraco cocheiro, e conduzirão o passageiro fora da
meta da salvação, dentro da trincheira da transmigração.
Se a inteligência é bem treinada e
purificada pelo fogo do autoconhecimento e discernimento, ela estará apta para
controlar os cavalos dos sentidos, através da ajuda da prática espiritual e do
desapego, as duas rédeas da mente, e o chicote da conduta moral e das práticas
espirituais. O cocheiro deve manter as rédeas o tempo todo sob seu controle; de
outra maneira, os cavalos dos sentidos irão conduzi-lo para dentro da trincheira
da transmigração (reencarnação). Um único momento de descuido conduz a queda do
caminho. Finalmente, deve-se cruzar o caminho do rio da ilusão (Maya) e, pelo
uso da ponte da meditação, e do repetir silencioso do canto dos nomes do Senhor,
ou um maha mantra*, tranqüilizam as ondas da mente, alcançando a costa do
êxtase. Aqueles que não podem controlar os sentidos não estarão aptos para
alcançar a auto-realização, a meta do nascimento humano.
Não se deve estragar a si mesmo através dos
enganos temporários dos prazeres dos sentidos. Aquele que controla os sentidos
pode controlar o mundo todo, e alcançar o sucesso em todos os esforços. A paixão
não pode ser completamente eliminada, mas é subjugada pelo autoconhecimento. A
inteligência torna-se poluída durante os anos da juventude, assim como a água
clara de um rio torna-se turva durante a estação das chuvas. Mantenha boas
companhias, e coloque uma meta elevada na vida, prevenindo a mente e a
inteligência de serem tentadas pelas distrações dos prazeres sensuais.
* Nota do tradutor para o Português: É dito que nesta era de kali-yuga, o maha
mantra mais adequado é o cantar, segundo o Kali-shantarana upanishad,
verso 2: Hare Rama Hare Rama, Rama Rama Hare Hare/ Hare Krishna Hare Krishna,
Krishna Krishna Hare Hare.
Chapter 4
CAMINHO DA RENÚNCIA PELO CONHECIMENTO
KARMA-YOGA É UM ANTIGO MANDAMENTO ESQUECIDO
O Senhor Krishna disse: Eu ensinei este Karmayoga, a ciência eterna da
reta-ação, para o rei Visvavan; Visvasvan ensinou-o a Manu; Manu ensinou-o para
Ikshvaku. Deste modo, os santos reis conheceram esta ciência da ação própria
(Karmayoga), passando para as próximas gerações sucessivamente. Após um longo
tempo, esta ciência perdeu-se por sobre a Terra. Hoje, eu descrevi esta mesma
ciência antiga para você, porque você é meu devoto sincero e amigo. Esta ciência
é, realmente, um mistério supremo (4.01-03).
Karmayoga, discutido no capítulo anterior,
foi declarado pelo Senhor como a suprema ciência secreta da reta-ação. De acordo
com Swami Karmananda, ninguém pode praticar karmayoga, ou, mesmo entendê-la, a
menos que o Senhor em si mesmo revele Sua ciência secreta,
Arjuna disse: Você nasceu depois, mas Visvasvan nasceu nos tempos
antigos. Como posso eu entender que Você ensinou esta ciência no começo da
criação?
(4.04)
Arjuna questiona Krishna, um contemporâneo
seu, como é que ele pôde ensinar esta ciência de Karmayoga para o rei Visvavan,
que nasceu nos tempos da aurora do mundo, muito antes de Krishna. A doutrina do
Bhagavad-gita não possui mais do que cinco mil anos de idade; e aquilo é muito
antigo. O Senhor Krishna fala novamente no Gita para o benefício da humanidade,
com ele todos os grandes mestres recuperam-se, acendendo o fogo da verdade
esquecida. Pessoas diferentes tem dito: nós o ouvimos e o lemos em tempos
diferentes.
O PROPÓSITO DA INCARNAÇÃO DE DEUS
O Senhor Krishna disse: ambos, você e Eu, tivemos muitos nascimentos.
Eu me lembro de todos eles, Ó Arjuna, mas você não se lembra. (4.05)
Apesar de Eu ser eterno, imutável, e o Senhor de todos os seres, todavia, Eu me manifesto
pelo controle da natureza material, usando minha própria energia potencial.
(4.06 - veja, também, 10.14)
A divina energia cinética (Maya) é
sobrenatural; extraordinário e místico poder de Deus. A natureza material é
considerada o reflexo de Maya. Diz-se que o Senhor criou Maya que nos engana e
nos controla. A palavra “Maya”, também significa o irreal, ilusório, ou
enganadora imagem da realidade. Devido ao poder de Maya, alguém considera o
universo existente e distinto do Ser Supremo. A luz eterna é invisível energia
potencial; Maya é energia ciência, a força de ação do Senhor. Eles são
inseparáveis como o fogo e o calor. Maya é também usada como sendo uma metáfora
para explicar o mundo visível para as pessoas.
Toda a vez que há
um declínio do Dharma (reto-agir; Justiça) e a predominância de Adharma
(injustiça), Ó Arjuna, Eu Me manifesto. Eu apareço de tempos em tempos para
proteger os bons, para mudar os malvados, e restabelecer a ordem no mundo
(Dharma). (4.07-08)
O Ser Supremo é tanto divino como humano
(AV 4;16;08). Os profetas aparecem de tempos em tempos como revelação divina
preocupando-se com o bem-estar da sociedade. A toda hora nascem canalhas para
destruir a ordem do mundo (Dharma), e o Bom Senhor incarna-se para colocar as
coisas no seu devido equilíbrio (VR 7.08.27). Sua compaixão é a principal razão
para as Suas incarnações (SBS 49). Existem outras razões, além da proteção da
justiça (Dharma), para as incarnações do Senhor. O Ser Supremo, o qual está além
do nascimento e da morte, incarna-se na forma humana através de uma grande alma
para satisfazer as saudades dos devotos que querem vê-lO, e estar na sua
presença pessoal. O santo Tulasidasa disse: “Apesar de ser destituído de
atributos materiais, independente, e imutável, mesmo assim, pelo amor de Seus
devotos, o Senhor assume a forma com atributos (TR 2.218.030).
O senhor executa muitas coisas comuns,
humanas, e também incomuns e passatempos controversos, justamente para agradar
Seus devotos ou para acertar as coisas. O seres humanos comuns não podem
entender as razões por detrás destes passatempos e, portanto, apressam-se no
julgamento das atividades do Senhor quando Ele incarna. Grandes personalidades e
encarnações são algumas vezes percebidas como tendo ações contrárias às regras
escriturais, assim como um rei possui a liberdade de quebrar certas regras.
Estes atos são realizados por um propósito muito bom, com uma razão além da
compreensão humana. Não se deve criticar e nem seguir tais atos.
Ramakrishna disse que viveria num corpo
sutil por trezentos anos nos corações e nas mentes dos seus devotos. Yogananda
disse: “Enquanto as pessoas neste mundo estão chorando por ajuda, eu retornarei
para ocupar meu barco e oferecê-lo para guiá-los para a margem celeste”.
Aquele que verdadeiramente entende Minha aparência transcendental, e
atividades da criação, manutenção, e dissolução, alcança Minha Suprema Morada, e
não volta a nascer após abandonar este corpo, Ó Arjuna (4.09).
Desenvolve-se amor a Deus por estudar e
ouvir o nascimento transcendental e os atos travessos do Senhor, como é narrado
pelos santos e sábios nas escrituras. O verdadeiro entendimento da natureza
transcendental das formas do Senhor, Sua incarnação e Suas atividades, é o
auto-conhecimento que conduz à salvação.
Muitos têm se tornado livres do apego, medo, ira e alcançam a salvação
por refugiarem-se em Mim, tornando-se completamente absorvidos em pensamentos em
Mim, e por receber a purificação do fogo do auto-conhecimento (4.10)
CAMINHO DA ADORAÇÃO E ORAÇÃO
Não importa o motivo que as pessoas Me adoram, Eu,
conseqüentemente, realizo os seus desejos. As pessoas Me adoram com diferentes
motivos (4.11)
Peça e você irá receber; procure e você irá
encontrar; bata, e a porta será aberta para você (Lucas, 11.09). É devido
a divina ilusão (Maya) que a maioria das pessoas procuram, temporariamente,
ganhos materiais como saúde, riqueza e sucesso, e não auto-conhecimento e
devoção aos pés de lótus do Senhor..
Aqueles que estão ansiosos por sucesso em seu trabalho neste mundo
adoram os controladores celestes. O sucesso no trabalho chega rapidamente neste
mundo humano (4.12).
Você daria uma pedra ao seu filho quando
ele lhe pedisse um pão? (...) O Pai no céu dará boas coisas para aqueles que
pedirem para Ele (Mateus, 7.09-11). Quando você pedir por alguma coisa em oração
tenha fé, e acredite que você recebeu isto, e isso será dado para você (Marcos,
11.24). Em oração pede-se ajuda ao Senhor e recebe-se o se que necessita; com
devoção adora-se, glorifica-se e se agradece a Ele pelo que se tem.
Primeiramente seja consciente e observe o seu empenho, sinta-se auxiliado em
sair da dificuldade, então procure ajuda divina – pela oração – num estado de
ajuda com fé intensa. O Senhor dará os primeiros passos se você conhecer sua
dificuldade, e tentará auxiliá-lo na transformação. Descubra-se a si mesmo –
abra-se, confesse – para o Senhor enquanto você está rezando, seja específico no
que você pedir, e clame por Sua ajuda.
Todos os que rezam são
respondidos; mas o rezar para o benefício dos outros é concedido como primeira
prioridade. O Senhor realmente conhece nossas necessidades o tempo todo, e
simplesmente espera para ser convidado para ajudar-nos, devido ao nosso livre
arbítrio. Meditação é o escutar de Deus pela tranqüilidade da mente, e assumindo
uma postura receptiva para ouvir as instruções do Senhor, percepções e
revelações. Por exemplo, abrace a atitude: Obrigado por atender minhas preces e
por tudo que Você deu para mim, mas agora o que Você quer que eu faça com o que
Você tem me dado? Então, tendo dito isto, estando sempre alerta, tente escutar.
Reze de forma que você possa falar com Deus e contar a Ele como você está e o
que você fez. Medite então que Deus pode, efetivamente, dizer a você o que você
necessita fazer.
A DIVISÃO DO TRABALHO ESTÁ BASEADA NA APTIDÃO DA PESSOA
Eu criei as quatro
divisões da sociedade humana baseado na aptidão e na vocação. De qualquer forma,
Eu sou o autor deste sistema de divisão do trabalho; deve-se saber que Eu não
faço nada diretamente, e que Eu sou eterno (4.13). Veja-se, também, 18.41.
O trabalho, ou Karma, não prendem a Mim, porque Eu não possuo desejo
pelos frutos do trabalho. Aquele que plenamente entende, e pratica esta verdade,
também não fica atado pelo Karma (4.14).
Aqueles que querem ser os primeiros deverão
ser o servo de todos (Marcos 10.44). Todos os trabalhos, incluindo orações,
devem ser direcionados para uma causa justa, e, de preferência, para um ganho
pessoal honesto.
Os antigos buscadores da salvação, também, realizaram suas obrigações
sem interesse pelos frutos. Portanto, você deve realizar as suas obrigações como
os antigos fizeram (4.15).
APEGO, DESAPEGO, E AÇÕES PROIBIDAS
Mesmo um sábio confunde-se sobre o que é ação e o que é inação.
Portanto, Eu explicarei claramente o que é ação; conhecendo isto se é liberado
do mal do nascimento e da morte (4.16).
A verdadeira natureza da ação é muito difícil de ser entendida.
Portanto, deve-se conhecer a natureza da ação apegada, a natureza da ação
desapegada, e, também, a natureza da ação proibida (4.17).
A ação apegada é o trabalho egoísta, feito
no modo da paixão, que produz o cativeiro kármico e conduz a reencarnação. A
ação desapegada é o serviço altruísta, feito no modo da bondade, que conduz à
salvação. A ação desapegada é considerada inação porque, pelo ponto de vista
kármico, não há execução de ação. A ação proibida pelas escrituras, feita no
modo da ignorância, é a que causa danos, tanto para sociedade como para o
fazedor da ação; ela gera desgraça no presente e no futuro.
UM KARMA-YOGI NÃO ESTÁ SUJEITO ÀS LEIS KÁRMICAS
Aquele que vê a
inação na ação e a ação na inação, é uma pessoa sábia. Tal pessoa é um yogi e
possui tudo por completo (4.18). Veja, também, 3.05; 3.27; 5.28 e 13.29
Todos os atos são atos do Ser Supremo, o
ator inativo. A Bíblia diz: “As palavras que você fala não são suas; elas vêm do
Espírito do seu Pai (Mateus, 10.20). O sábio percebe o inativo, infinito e
invisível reservatório da energia potencial do Supremo como a origem última de
toda a energia cinética no cosmos, da mesma forma que a eletricidade invisível
faz girar um ventilador. O motivo e o poder da ação vêm do Ser Supremo.
Portanto, deve-se espiritualizar todo o trabalho pela percepção de que nada se
faz em nada, e que tudo comporta-se de acordo com a energia do Ser Supremo,
usando-nos somente como um instrumento.
Aquele cujos desejos tenham se tornado livres do egoísmo, tendo sido
tostado pelo fogo do auto-conhecimento, é chamado de sábio pelo sábio (4.19)
Aquele que
abandonou ao apego egoísta pelos frutos do trabalho, e que permanece sempre
contente, dependente do Deus único, tal pessoa – apesar de ocupada em atividade
– nada faz que incorra em reação kármica (4.20)
Aquele que está livre dos desejos, cuja mente e sentidos estão sob
controle, e que tem renunciado todo o direito de propriedade, não incorre em
pecado – a reação kármica – por realizar ação material (4.21).
Um Karmayogi – que está contente com qualquer ganho advindo
naturalmente da Sua vontade; que não se afeta pelo par de opostos; que está
livre da inveja; que é tranqüilo no sucesso e no fracasso – não é atado pelo
Karma (4.22).
Todas as obrigações
de um Karmayogi – que está livre do apego, em que a mente está fixa no
auto-conhecimento, e que faz o trabalho como um serviço para o Senhor –
desfazem-se (4.23).
O divino espírito é
a causa transformadora de tudo. A Divindade (Brahman, o Ser, o Espírito) será
realizada por aqueles que consideram tudo como uma manifestação (ou um ato) do
Divino (4.24). Veja, também, 9.16.
A vida, em si mesma, é um eterno queimar do
fogo onde a cerimônia de sacrifício é fixa e continuada. Cada ação deve ser
pensada como sendo um sagrado sacrifício; um ato sagrado. Tudo não é o Ser
Supremo, mas o Ser Supremo é a raiz ou base de tudo. Alcança-se a salvação e nos
tornamos uno com o Ser Supremo quando percebe-se que o Ser Supremo em toda a
ação; percebe-se as coisas que se usa como transformação do Ser Supremo e
entende que o completo processo de toda a ação é também o Ser Supremo.
DIFERENTES TIPOS DE PRÁTICAS ESPIRITUAIS OU SACRIFÍCIOS
Alguns yogis realizam o serviço de adoração aos controladores
celestiais, enquanto outros estudam as escrituras para o auto-conhecimento.
Alguns controlam os seus sentidos e abandonam seus prazeres sensuais. Outros,
realizam respiratórios, e outros oferecem sua riqueza como um sacrifício
(4.25-28)
Há os que se ocupam
nas práticas yóguicas, alcançando o estado de transe do cessar do movimento do
alento, pelo oferecer a inalação dentro da exalação, e da exalação dentro da
inalação, como um sacrifício (pelo uso da respiração curta, nas técnicas de
Kriya yoga) (4.29).
O profundo significado espiritual e a
interpretação de práticas yóguicas nos versos: 4.29, 4.30, 5.27, 6.13, 8.10,
8.12, 8.13, 8.24, e 8.25, não podem ser explicados aqui. Eles devem ser
adquiridos de um mestre auto-realizado em Kriyayoga.
O processo de respiração
pode ser resumido a seguir por: (1) Vigiar a respiração no movimento de ir e vir
do diafragma, prestando atenção como as ondas do mar, sobem e descem; (2)
Praticando a respiração diafragmática (ou respiração profunda yóguica), e (3)
Usando as técnicas yóguicas e o Kriyayoga. A meta da prática yóguica é alcançar
a superconsciência ou estado de transe respiratório pelo controle gradual do
processo respiratório.
Outros restringem suas dietas e oferecem suas inalações como um
sacrifício dentro de suas inspirações respiratórias. Todas estas pessoas são
conhecedoras do sacrifício e suas mentes tornam-se purificadas pelos seus
sacrifícios (4.30).
Aqueles que
realizam o serviço desapegado obtém o néctar do auto-conhecimento, como um
resultado de seus sacrifícios, e alcançam o Ser Supremo. Ò Arjuna, se este mundo
não é um lugar feliz para o que não realiza sacrifícios, como querer que o outro
mundo seja? (4.31) Veja, também, 4.38 e 5.06.
Muitos tipos de disciplinas espirituais
estão descritas nos Vedas. Saiba que todas elas são a ação do corpo, mente e
sentidos, movimentadas pelas forças da natureza.
Compreendendo isto,
se alcançará o Nirvana, ou salvação (4.32) Veja, também, 3.14.
Para alcançar a salvação a disciplina
espiritual ou sacrifício devem ser realizados como um obrigação, sem apego, e
com pleno entendimento que não se é, por si próprio, o fazedor,
ADQUIRIR O CONHECIMENTO TRANSCENDENTAL É UMA PRÁTICA
ESPIRITUAL SUPERIOR
A aquisição e a
propagação do auto-conhecimento é superior a qualquer ganho material ou
presente, porque a purificação da mente e a inteligência, no final das contas,
conduz para a aparição do conhecimento transcendental e auto-realização – o
único propósito de qualquer prática espiritual (4.33).
Adquire-se este
conhecimento transcendental de um mestre auto-realizado, pela humilde
reverência, pela investigação sincera, e pelo serviço. Alguém autorizado, que
possua a verdade realizada, irá ensinar você (4.34).
O contato com grandes almas, que têm
realizado a verdade, auxilia muito. Ler as escrituras, dar caridade, e fazer
praticas espirituais, por si só, não dão a realização em Deus. Somente uma alma
realizada em Deus pode despertar e acender outra alma. Mas um guru não pode dar
a fórmula secreta para a auto-realização sem a graça do Senhor. Os Vedas dizem:
“Aquele que conhece a terra dá a direção para aquele que não conhece e pergunta”
(RV 9.7009). Diz-se, também, que os preceitos da verdade são essencialmente
processo individual. As pessoas descobrem a verdade através dos seus próprios
esforços; têm que remar o seu barco através das águas turbulentas deste mundo
material.
Os Vedas proíbem a venda de Deus de
qualquer forma. Eles dizem: “Ó poderoso Senhor de incontável riqueza, eu não
venderei a vós por qualquer preço” (RV 8.01.05). A função de um guru é a de um
guia e filantropo, não um tomador. Antes de aceitar um guru humano, deve-se
primeiro possuir – ou desenvolver – plena fé no guru e desconsiderar as suas
fraquezas humanas, pegando as pérolas do conhecimento com sabedoria e jogar fora
as cascas das ostras. Se isto não é possível, deve-se lembrar que a palavra
“guru” também significa luz ou auto-conhecimento, que dissipa a ignorância
e a ilusão; e a luz chega – de forma automática – do Ser Supremo, o guru
interno, quando a mente de alguém está purificada pelo serviço altruísta, pela
prática espiritual e pela rendição.
Existe quatro categorias
de gurus: o falso guru, o guru, o guru realizado, e o guru divino. Nesta era,
muitos falsos gurus estão vindo para ensinar ou entregar um mantra por um preço.
Estes falsos gurus são comerciantes de mantra. Eles pegam o dinheiro de seus
discípulos para satisfazer as suas necessidades materiais sem dar o verdadeiro
conhecimento do Ser Supremo. Jesus disse: “Tome cuidado com os falsos profetas;
eles chegam até você parecendo como cordeiros por fora, mas eles realmente são
como lobos por dentro (Mateus, 7.15). O Santo Tulasidasa disse que um guru que
pega dinheiro dos seus discípulos, e nada faz para remover a sua ignorância, vai
para o inferno (TR 7.98.04). Um guru é alguém que transmite conhecimento
verdadeiro, e completo entendimento sobre o Absoluto quanto leigo. Um guru
realizado é um mestre auto-realizado mencionado aqui neste verso. Um guru
realizado auxilia o devoto a manter a consciência em Deus todo o tempo, por seu
próprio e garantido poder espiritual.
Quando a mente e a inteligência são
purificadas, o Senhor Supremo, o guru divino, reflete-se em si mesmo na psique
interior de um devoto e envia um guru ou um guru realizado para ele. Um guru
real é um filantropo. Ele nunca pede qualquer dinheiro ou um pagamento de um
discípulo, porque ele somente depende de Deus. Um guru real não pedirá qualquer
coisa de um discípulo para um ganho para si ou mesmo para a sua organização. De
qualquer modo, um discípulo está obrigado a fazer o melhor que pode para
auxiliar a causa do guru. Diz-se que não se deve aceitar qualquer pagamento de
um aluno sem entregar plena instrução e entendimento do Absoluto, energia
cinética divina (Maya), natureza material temporária, e a vivência da realidade
(BrU 4.01.02).
Nosso próprio espírito interior é nosso
guru divino. Os professores externos somente nos auxiliam no começo da jornada
espiritual. Nossa própria mente – quando purificada pelo serviço desapegado,
oração, meditação, adoração, canto silencioso dos nomes do Senhor, canto
congregacional dos sagrados nomes, e estudo das escrituras – torna-se o melhor
canal e guia para a corrente do conhecimento divino (Veja também os versos do
Bhagavad-gita, 4.38 e 13.22). O Ser divino dentro de todos nós é o nosso guru
real, e deve-se estudar como afinar-se com Ele. Diz-se que não há guru maior do
que a sua própria mente. A mente pura torna-se um guia espiritual e o divino
guru interno conduz a um guru real e a auto-realização. É dito comumente que um
guru aparece quando a pessoa está pronta. A palavra “guru” também significa
“vasto”, e é usado para descrever o Ser Supremo – o guru divino e o guia
interno.
O mestre espiritual sábio desaprova a idéia
de um serviço pessoal cego, ou o culto ao guru, o qual é muito comum na Índia.
Um mestre auto-realizado diz apenas que Deus é guru, e que todos são discípulos
d´Ele. O discípulo deve ser como uma abelha procurando mel nas flores. Se uma
abelha não obtém mel de uma flor, ela vai imediatamente para outra flor e
permanece nela todo o tempo que recebe néctar. Idolatria e adoração cega por um
guru humano causa danos tanto para o discípulo como para o guru.
Após conhecer a
ciência transcendental, Ó Arjuna, você não tornará a iludir-se deste jeito. Com
este conhecimento você verá a criação inteira dentro do seu Ser Superior, e,
assim, dentro de Mim (4.35).
Veja, também, 6.29-30. 11.07; 13.
A mesma força vital do Ser Supremo
reflete-se em todos os seres vivos, sustentando a atividade deles. Portanto,
todos estamos conectados com uns aos outros como parte ou parcela do Ser. Na
aparição da iluminação ligamo-nos com o Absoluto (Bgita 18.55), e todas as
diversidades aparecem como nada mais que a expansão da unidade do Ser supremo.
Mesmo se alguém for o maior pecador de todos os pecadores, poderá
cruzar o rio do pecado pela balsa do auto-conhecimento (4.36).
O fogo do
auto-conhecimento reduz todas as amarras do Karma a cinzas, Ó Arjuna, como a
chama do fogo reduz a madeira a cinzas (4.37).
A Bíblia, também, diz: “Você conhecerá a
verdade e a verdade irá libertá-lo (João, 8.32). O fogo do auto-conhecimento
queima todo o Karma passado – a causa raiz da reencarnação das almas – de modo
como o fogo queima instantaneamente uma montanha de algodão. As ações presentes
não produzem qualquer karma novo, porque o sábio conhece que todo o mundo é
feito pelas forças da natureza; portanto, eles não são os executores. Dessa
forma, quando surge o auto-conhecimento, somente uma parte do karma passado,
conhecida como destino, que é responsável pelo nascimento presente, foi exaurida
diante da liberdade da transmigração, alcançada pela pessoa iluminada.
O corpo físico e a mente geram novo Karma.
O corpo sutil carrega o destino; e o corpo causal é o repositório do Karma
passado. O Karma produz o corpo, e o corpo gera Karma. Deste modo, o ciclo de
nascimentos e mortes continua indefinidamente. Apenas o serviço sem egoísmo pode
quebrar este ciclo, e o serviço sem egoísmo não é possível sem o
auto-conhecimento. Assim, o conhecimento transcendental quebra as amarras do
Karma e conduz a salvação. Este conhecimento não pode manifestar-se numa pessoa
pecaminosa – ou em qualquer pessoa cujo tempo de receber o conhecimento
espiritual não chegou.
Perda e ganho, vida e morte, fama e
infâmia, deitam-se nas mãos do seu Karma. O destino é todo-poderoso. Assim
sendo, você não deve odiar nem culpar a ninguém (TR 2.171.01). As pessoas
conhecem virtude e vício, mas a sua escolha é ordenada pelo destino ou pegadas
kármicas, porque a mente e a inteligência são controlados pelo destino. Quando o
sucesso não vem, apesar dos melhores esforços, pode-se concluir que o destino
precede o esforço.
OCONHECIMENTO TRANSCENDENTAL É AUTOMATICAMENTE REVELADO
PARA O KARMA-YOGI
Verdadeiramente,
não há nada mais puro neste mundo do que o conhecimento do Ser Supremo.
Aquele que descobre este conhecimento interiormente, de forma natural, no curso
do tempo, quando suas mentes estão limpas e livres do egoísmo pelo KarmaYoga
(veja, também, 4.31; 5.06 e 18.768) (4.38).
O fogointenso da devoção por Deus queima todos os karmas, purifica e
ilumina a mente e o intelecto, como a luz do sol ilumina a Terra (BP 11.03.40).
O serviço sem egoísmo deve ser realizado na melhor de nossas habilidades, até
que a purificação da mente seja alcançada (DB 7.34.15). O verdadeiro
conhecimento do Ser é reflete-se automaticamente numa mente sem egoísmo, e
apronta para receber o auto-conhecimento. O serviço sem egoísmo (KarmaYoga) e o
auto-conhecimento são, assim, as duas asas para alcançar a salvação.
Aquele que possui
fé em Deus, e é sincero na prática yóguica e por sobre o controle da mente e dos
sentidos, recebe este conhecimento transcendental. Tendo recebido este
conhecimento, rapidamente alcança-se paz Suprema ou liberação (4.39).
As chamas da tristeza mental e do sofrimento, nascidos dos apegos,
podem ser completamente extintos pela água do auto-conhecimento (MB 3.02.26).
Não há fundamento para pensamentos e ações sem o auto-conhecimento.
O irracional, o sem
fé, e o incrédulo (ateísta), perecem . não há nada neste mundo nem no mundo
vindouro, nem alegrias, para um incrédulo (4.40).
TANTO O CONHECIMENTO TRANSCENDENTAL COMO O KARMA YOGA SÃO
NECESSÁRIOS PARA O NIRVANA
O trabalho não ata
uma pessoa que o renunciou – renunciando os frutos do trabalho – através do
KarmaYoga e cuja confusão a respeito do corpo e do espírito é completamente
destruída pelo auto-conhecimento, Ó Arjuna (4.41).
Portanto, corte a ignorância nascida da
confusão a respeito do corpo e do Espírito pela tesoura do auto-conhecimento,
refugiando-se no KarmaYoga, e levante-se para a guerra, Ó Arjuna (4.42).
Chapter 5
CAMINHO DA RENÚNCIA
Arjuna disse: Ó Krishna, Você enalteceu o caminho do conhecimento
transcendental, e também o caminho do serviço altruísta (Karmayoga). Diga-me,
definitivamente, qual é o melhor entre os dois caminhos? (5.01). Veja, também,
5.05.
Renúncia significa o completo afastamento
do fazer conduzido (tendo em vista os resultados fruitivos), da posse e de
motivos egoístas por detrás de uma ação; não à renúncia do trabalho ou dos
objetos mundanos. A renúncia surge somente após o auto-conhecimento. Portanto,
as palavras “renúncia” e “auto-conhecimento”, são usadas intercaladamente
no Bhagavad-gita. A renúncia e considerada a meta da vida. O serviço sem egoísmo
(Seva, Karmayoga), e auto-conhecimento, são necessários apenas para atingir a
meta. A verdadeira renúncia é juntar todas as ações e posses – incluindo o
corpo, a mente e o pensamento – para o serviço do Supremo.
O Senhor Krishna disse: Tanto o caminho do auto-conhecimento como o
caminho do serviço sem egoísmo conduzem a meta suprema. Mas dos dois, o caminho
do serviço sem egoísmo é superior ao caminho do auto-conhecimento, porque ele é
mais fácil de praticar para a maioria das pessoas (5.02).
Uma pessoa será considerada um verdadeiro renunciante se não possui nem
apego ou aversão por qualquer coisa. Libera-se facilmente das amarras do karma
sendo-se livre do apego e da aversão (5.03).
AMBOS OS CAMINHOS CONDUZEM AO SUPREMO
O ignorante – não o
sábio – considera o caminho do auto-conhecimento, e o caminho do serviço sem
egoísmo, (karmayoga) como sendo diferentes um do outro. A pessoa, de alguém
verdadeiramente controlado, recebe o benefício de ambos (5.04).
Qualquer que seja a
meta que um renunciante alcance, um karmayogi também alcança. Portanto, quem vê
o caminho da renúncia, e o caminho do trabalho altruísta como uma mesma coisa,
vê realmente (5.05) Veja, também, 6.01-02.
Mas a verdadeira
renúncia (a renúncia da possessão e do fazer com vistas aos resultados), Ó
Arjuna, é difícil de alcançar sem o Karmayoga. Um sábio equipado com o
karmayoga, rapidamente alcança o Nirvana (5.06). Veja, também, 4.31;38 e 5.08.
O serviço abnegado (karmayoga) fornece a
preparação, a disciplina, e a purificação necessária para a renúncia. O
auto-conhecimento está acima do limite do karmayoga, bem como a renúncia do
fazedor e do possuidor está além do limite do auto-conhecimento.
Um Karmayogi, cuja mente é pura, cuja mente e os sentidos estão sob
controle, que vê com igualdade o Espírito em todos os seres, não é atado pelo
Karma, apesar das ocupações no trabalho (5.07).
UM TRANSCENDENTALISTA NÃO CONSIDERA A SI MESMO UMAGNET
CAUSADOR
Um sábio que conhece a verdade pensa: “eu não sou fazedor de nada”. E
vendo, ouvindo, tocando, cheirando, comendo, caminhado, dormindo, respirando,
falando, concedendo, pegando, bem como abrindo e fechando os olhos, o sábio
acredita que os sentidos são operados pelos seus objetos (5.08-09). Veja,
também, 3.27 e 13.29.
O sentidos não necessitam ser subjugados se
as atividades dos sentidos são espiritualizadas, pela percepção que todo o
trabalho, bom ou mau, é feito pelos poderes de Deus.
UM KARMAYOGI TRABALHA PARA DEUS
Aquele que faz todo
o trabalho como uma oferenda para Deus – abandonando o apego egoísta aos
resultados – fica intocado pelas reações kármicas, ou pecados, exatamente como
uma flor de lótus jamais é molhada pela água (5.10)
Um karmayogi não age com motivos egoístas
e, portanto, não incorre em nenhum pecado. O serviço sem egoísmo é sempre sem
pecado. O egoísmo é a mãe do pecado. Tornamo-nos felizes, em paz, purificados e
iluminados, pela realização da obrigações prescritas, e como um oferenda para
Deus, quando ficamos interiormente desapegados.
Os Karmiyogis realizam suas ações – sem apego egoísta – com seus
corpos, mentes, intelectos, e sentidos, somente para a purificação das suas
mentes e intelectos (5.11).
Um Karmayigi
alcança a Bênção Suprema por abandonar o apego aos frutos do trabalho, enquanto
os outros, que estão apegados aos frutos do trabalho, tornam-se amarrados pelo
trabalho egoísta (5.12).
O CAMINHO DO CONHECIMENTO
Uma pessoa que renunciou por completo os frutos de todo o trabalho
reside alegremente na cidade de nove portões; nem dirigindo ou controlando ações
(5.13)..
O corpo humano foi chamado de “cidade dos
nove portões” (ou aberturas) nas escrituras. Os nove portões são: as duas
aberturas para os olhos, os ouvidos, e o nariz; e uma abertura para a boca, o
anus, e a uretra. O Senhor de todos os seres no universo, que reside nesta
cidade como alma individual, ou entidade viva (Jiva), chama-se o Ser Espiritual
(Pususha).
O Senhor não gera o motivo para ação, nem o sentimento de executor, nem
mesmo o apego aos resultados da ação na pessoa. Os poderes da natureza material
é que fazem isto (5.14).
O Senhor não se responsabiliza pelas boas e más ações feitas por
qualquer um. O véu da ignorância cobre o auto-conhecimento; através disto, as
pessoas tornam-se iludidas e realizam más ações (5.15).
Deus não pune ou recompensa ninguém. Nós,
por nós mesmos, fazemos as coisas, pelo uso próprio ou impróprio do nosso
poder de raciocínio e livre arbítrio. Más ações acontecem para boas pessoas que
fazem o bem.
O conhecimento transcendental destrói a ignorância do ser e revela o
Ser Supremo, exatamente como o sol revela a beleza dos objetos no mundo (5.16).
Pessoas cujas
mentes e inteligência estão totalmente mergulhadas no Ser Supremo, que são
firmemente devotadas ao Supremo, que possuem Deus como sua meta suprema e único
refúgio, e cujas impurezas estão destruídas pelo conhecimento do Ser, não tornam
a nascer novamente (5.17).
MARCAS ADICIONAIS DE UMA PESSOA ILUMINADA
Uma pessoa
iluminada – por observar Deus em tudo – vê a um sábio, um sem casta, mesmo uma
vaca, um elefante, ou um cão, com uma visão igual (5.18). Veja, também, 6.29
Do mesmo modo como uma pessoa não considera as partes do seu corpo,
como braços e pernas, diferentes do seu corpo em si mesma, de forma similar, uma
pessoa auto-realizada não considera qualquer entidade viva diferente do Senhor
(BP 4.07.53). Tal pessoa vê Deus em todo o lugar, em tudo, e em cada ser. Após
descobrir a verdadeira metafísica vê-se tudo com reverência, compaixão, e
bondade, porque tudo é parte e parcela do corpo cósmico do Senhor Supremo.
Tudo é perfeito nesta vida para aquele cuja mente está colocada na
igualdade. Tal pessoa tem realizado o Ser Supremo, porque o Ser Supremo é
completo e imparcial (5.19). Veja, também, 18.55
Para se ter um sentimento de igualdade para
com todos é importante a adoração de Deus (BP 7.08.10). Aqueles que não possuem
semelhante sentimento, discriminam. Portanto, as vítimas da injustiça e da
discriminação deveriam sentir pena dos discriminadores e rezar para Deus por uma
mudança nos corações dos que discriminam, do que se preocupar, irar-se ou se
vingar.
Aquele que nunca se regozija na obtenção do que é prazeroso, e nem
sofre na obtenção do desagradável, que possui uma mente firme, que não se deixa
enganar, e que é conhecedor do Ser Supremo, tal pessoa permanece eternamente com
o Ser Supremo (5.20).
Do mesmo modo, uma
pessoa que está em união com o Ser Supremo torna-se desapegada dos prazeres
sexuais externos, pela descoberta da alegria do ser, por intermédio da
contemplação e da bem-aventurança transcendentais (5.21).
Os prazeres sexuais são, de fato, a origem da miséria, e têm um começo
e um fim. Portanto, o Sábio, Ó Arjuna, não se regozija com os prazeres sexuais
(5.22). Veja, também, 18.38.
O sábio reflete constantemente na
futilidade dos prazeres sexuais, que inevitavelmente tornam-se a causa da
miséria; portanto, eles não se tornam vítimas da paixão sexual.
Aquele que é capaz de resistir os impulsos da luxúria e da ira, antes
de morrer, é um yogi, e uma pessoa feliz (5.23).
Aquele que procura felicidade no Ser Supremo, que se regozija no
interior do Ser Supremo, e que está iluminado pelo auto-conhecimento, tal a um
elevado yogi, alcança o Nirvana, e chega ao Ser Supremo (5.24).
Os videntes, cujos
pecados (ou imperfeições) são destruídos; cujas dúvidas sobre a existência do
Ser universal são dissipadas pelo auto-conhecimento; cujas mentes estão
disciplinadas e que estão ocupados no bem-estar de todos os seres, alcançam o
Ser Supremo (5.25).
Aqueles que estão livres da luxúria e da ira, que possuem a mente e os
sentidos sob controle, e que realizaram a existência no Ser, facilmente alcançam
o Nirvana (5.26).
O TERCEIRO CAINNO: O CAMINHO DA MEDITAÇÃO DEVOCIONAL E
CONTEMPLAÇÃO
Um sábio é, na verdade, liberado pelo renunciar de todos os prazeres
dos sentidos, tendo fixos seus olhos, e a mente, num ponto preto entre as
sobrancelhas, igualando o movimento da respiração pelas narinas, pelo uso de
técnicas yógicas; mantendo os sentidos, a mente e a inteligência sob controle;
tendo a salvação como a meta principal, e tornando-se livre da luxúria, ira e
medo (5.27-28).
Os invisíveis canais astrais da corrente de
energia no corpo humano são chamados Nadis. Quando a energia cósmica se processa
– correndo através dos Nadis na corda astral e espinhal da medula – é
diferenciada pela abertura do nadi principal Sushumna Nadi; isto se dá pela
prática de técnicas de yoga, na respiração que corre através de ambas as
narinas, com igual pressão. Assim, a mente se acalma, e a área fica preparada
para a meditação profunda, conduzindo para o transe (samadhi).
Meu devoto alcança a paz eterna pelo conhecimento do Ser Supremo como
sendo o desfrutador dos sacrifícios e das austeridades; como o mais importante
Senhor do universo inteiro, e o amigo de todas os seres (5.29).
Chapter 6
CAMINHO DA MEDITAÇÃO
UM KARMAYOGI É UM RENUNCIANTE
O Senhor Krishna disse: aquele que realiza as obrigações prescritas,
sem procurar os seus frutos para o gozo pessoal, é tanto um renunciante como um
Karmayogi. Não nos tornamos renunciantes pela luz artificial do fogo (de
sacrifícios), bem como não nos tornamos um yogi simplesmente abstendo-nos
do trabalho (6.01).
Ó Arjuna, renúncia (Sannyasa) é o mesmo que Karmayoga.
Porque, não se torna um Karmayogi quem não renunciou ao motivo egoísta
por detrás de uma ação (6.02). Veja, também, 5.01, 05; 6.01 e 18.02.
UMA DEFINIÇÃO DE YOGA
Para o sábio que
procura alcançar o yoga da meditação, ou equilíbrio da mente, diz-se que
Karmayoga é o meio. Para aquele que realizou o yoga, o equilíbrio
torna-se um meio da auto-realização. Diz-se que uma pessoa alcançou a perfeição
yóguica quando ela não deseja prazeres sexuais ou apegos pelos frutos do
trabalho, e renunciou a todos os motivos pessoais egoístas (6.03-04).
A perfeição do Yoga pode ser alcançada
somente quando alguém faz todas as atividades para a satisfação de Deus.
Karmayoga, ou trabalho desapegado, sem egoísmo, produz a quietude da mente.
Quando se realiza a ação, como um assunto de responsabilidade sem qualquer
motivo egoísmo, a mente não é perturbada pelo medo do fracasso; ela torna-se
tranqüila, e se alcança a perfeição yógica, por intermédio da meditação. A
tranqüilidade da mente, necessária para a auto-realização, chega depois de se
abandonar os desejos pessoais e os motivos egoístas. O egoísmo é a causa-raiz de
outros desejos impuros da mente. A mente sem desejo torna-se pacífica. Deste
modo, o Karmayoga é recomendado para as pessoas que desejam o sucesso no yoga da
meditação. A perfeição na meditação resulta em controle sobre os sentidos,
trazendo tranqüilidade da mente que, no final das contas, conduz para a
realização de Deus.
A MENTE É O MELHOR AMIGO ASSIM COMO O MAIS PERVERSO
INIMIGO
Alguém deve
elevar-se – não degradar-se – através de sua própria mente. A mente é amiga ou
inimiga de alguém. A mente é amiga para aqueles que possuem controle por sobre
ela, e a mente atua como um inimigo para aqueles não a controlam (6.050-06).
Não há inimigo outro do que uma mente
descontrolada neste mundo (BP 7.08.10). Portanto, deve-se primeiro tentar
controlar e conquistar este inimigo pela prática regular da mediação, com firme
determinação e esforço. Todas as práticas espirituais são dirigidas por
intermédio da conquista da mente. Guru Nanak disse: “Controle a mente e você
controlará o mundo”. O Sábio Patañjali define o yoga como o controle das
atividades (ou das ondas de pensamento) da mente e do intelecto (PYS 1.020). “O
firme controle da mente e dos sentidos é conhecido como yoga (KaU 6.11). O
controle da mente e dos sentidos é chamado de austeridade e yoga (MB 3.209.53).
O propósito de toda a meditação é o de controlar a mente, e que se possa focar
em Deus e viver de acordo com Suas instruções e vontade. A mente de um yogi está
sob controle, e um yogi não está sob o controle da mente. A meditação é o
controle sem esforço da natural tendência da mente para se desviar, e
sintonizá-la com o Supremo. O yogi Bhajan disse: “Um único ponto, na mente
relaxada, é a mais poderosa e criativa mente – podendo fazer qualquer coisa”.
Realmente, a mente é a causa do cativeiro
como da liberação da entidade viva. A mente torna-se a causa do cativeiro quando
é controlada pelos modos da natureza material; e a mesma mente, quando liga-se
ao Supremo, torna-se a causa da salvação (Bp 3.2515). A mente, por si só, é a
causa da salvação bem como do cativeiro dos seres humanos. A mente torna-se a
causa do cativeiro quando é controlada pelos objetos dos sentidos, e torna-se a
causa da salvação quando é controlada pelo intelecto (VP 6.0728). O absoluto
controle, por sobre a mente e os sentidos, é o pré-requisito para qualquer
prática espiritual de auto-realização. Aquele que não se torna o mestre dos
sentidos não pode progredir através da meta da auto-realização. Portanto, após
estabelecer o controle sobre as atividades da mente, se deve segurá-la longe dos
prazeres sexuais, e fixá-la em Deus. Quando a mente desliga-se dos prazeres dos
sentidos, e se liga em Deus, os impulsos dos sentidos tornam-se ineficazes,
porque os sentidos recebem seu poder da mente. Aquele que se torna mestre da
mente se torna mestre de todos os sentidos.
Aquele que possui o controle sobre o ser inferior – a mente e os
sentidos – fica calmo no frio e no calor; no prazer e na dor; na honra e na
desonra; e permanece sempre constante, com o Ser Supremo (6.07).
Pode-se realizar Deus somente quando a
mente torna-se calma e completamente livre dos desejos, e das dualidades, tais
como a dor e o prazer. De qualquer forma, as pessoas raramente são livres dos
desejos e de dualidades. Mas alguém pode se tornar livre das amarras do desejo e
da dualidade se os usa para o serviço do Senhor. Aqueles que são mestres de suas
mentes recebem a riqueza espiritual do conhecimento e bem-aventurança. O Ser
somente é realizado quando o lago da mente torna-se sereno, do modo como o
reflexo da lua é visto num lago quando a água está tranqüila. (veja 2.70);
Chama-se de yogi a pessoa que tanto possui auto-conhecimento
como auto-realização; que é tranqüila; que possui controle sobre a mente e os
sentidos, e para quem um montinho de terra, uma pedra e o ouro são a mesma coisa
(6.08).
Considera-se uma
pessoa superior quem é imparcial em relação aos companheiros, amigos, inimigos,
pessoa neutra, árbitros, inimigos, parentes, santos e pecadores (6.09).
TECNICAS DE MEDITAÇÃO
Um yogi, fixa-se num lugar ermo e solitário, e deve
constantemente contemplar uma imagem mental, ou a magnificência do Ser Supremo,
após trazer a mente e os sentidos sob controle, e tornando-se livre dos desejos
e propriedades (6.10).
O lugar de meditação deve ter serenidade,
ser solitário, e possuir uma atmosfera espiritual sem odores, ruídos ou
luzes, na simplicidade de uma caverna do Himalaia. Prédios robustos e
brilhantes, com imagens de mármore sofisticadas, não é o suficiente. Estes
locais, com freqüência, em vez de espiritualidade, levam em conta somente o
comércio religioso.
Os oito passos da meditação, baseados nos
Yogasutras de Patañjali são (PYS 2.29): (1) conduta moral; (2) prática
espiritual; (3) postura correta e exercícios de yoga; (4) respiração yóguica;
(5) abstenção dos sentidos; (6) concentração; (7) meditação e (8) transe ou
estado de superconsciência da mente.
Devemos seguir estes oito passos, um por
um, sob própria guia, para progredirmos na meditação. O uso da respiração, e das
técnicas de concentração, sem a necessária purificação da mente, e sem a
sublimação dos sentimentos e desejos pela conduta moral e prática espiritual
(veja 16.23), poderá conduzir ao danoso estado neurótico da mente. Patañjali
disse: “A postura sentada para a meditação deve ser estável, relaxada, e
confortável, individualmente, para o corpo físico (PYS 2.46).
A respiração yóguica não deve ser forçada –
e freqüentemente causa dano – com a retenção da respiração nos pulmões, como
equivocadamente é feita, e é uma prática inadequada. Patañjali define como sendo
o controle do Prana – os bioimpulsos da força vital astral – o que causa o
processo respiratório (PYS 2.49). É um processo gradual de trazer sob controle,
ou diminuição de velocidade – pelo uso padrão das técnicas yóguicas, como as
posturas do yoga, exercícios respiratórios, represamento, e gestos – os
bioimpulsos que ativam os nervos sensitivos e motores, que regulam a respiração,
e sobre os quais normalmente não se têm controle. Quando corpo está
sobrecarregado com o gigantesco reservatório da corrente cósmica onipresente,
correndo pela coluna oblonga, a necessidade pela respiração é reduzida ou
eliminada, e o yogi alcança o estado de transe típico, o marco último da jornada
espiritual. Os Upanishads dizem: “nem um mortal vive eternamente pelo respirar
apenas o oxigênio do ar. Os mortais dependem de outras coisas (KaU 5.05). Jesus
disse: Não se vive só de pão (comida, água e ar), mas por toda a palavra (ou a
energia cósmica) que sai da boca de Deus (Mateus. 4.04). O fio da respiração ata
a entidade viva (alma) no complexo mente e corpo. Um yogi desata a alma do corpo
e amarra-a com a superalma, durante o estado de transe respiratório.
A retirada dos sentidos é o maior obstáculo
na realização da meta de um yogi. Quando os sentidos retiram-se completamente a
concentração, a meditação, e o Samadhi, tornam-se muito fáceis de controlar. A
mente deve ser controlada e treinada para ir atrás do intelecto, especialmente
por se deixar atrair, e ser controlada, pelos sentidos grosseiros, como a
audição, o tato, a visão, o paladar e a olfação. A mente é inquieta por
natureza. Vigiando-se a corrente natural da respiração, que entra e que sai nos
pulmões, e a respiração alternada, auxilia-se a mente a tornar-se estável.
As duas técnicas mais comuns da retirada
dos sentidos são as seguintes: (1) focar com plena atenção num ponto entre as
duas sobrancelhas (no entrecenho). Perceber e expandir uma esfera de luz branca
rodando ali; (2) cantar mentalmente um mantra, ou qualquer santo nome do Senhor,
o mais rapidamente possível, por um longo tempo, e deixando a mente
completamente absorta dentro do som do canto mental, até que você não escute o
tique-taque de um relógio próximo. A velocidade e o barulho do canto
mental serão incrementados com a inquietação da mente, e vice e versa.
A concentração numa parte particular de uma
deidade, sob o som de um mantra, sob a corrente da respiração, em vários centros
energéticos do corpo, na região entre as sobrancelhas, sob a ponta do nariz, ou
numa imaginária flor de lótus carmesim, no centro do peito, tranqüiliza a mente,
e pára com seus desvios.
Deve-se sentar firmemente por sobre um assento, que não seja nem muito
alto e nem muito baixo; coberto com grama, e com uma pele de cervo, e um tecido,
um sobre o outro, num local limpo. Deve-se sentar nele numa posição confortável,
e concentrar a mente em Deus; controlando os pensamentos e as atividades dos
sentidos; deve-se praticar a meditação para purificar a mente e os sentidos
(6.11-12).
Um yogi deve contemplar qualquer bela forma
de Deus até que ela se torne presente em sua mente. Uma meditação curta, com
plena concentração, é melhor do que uma longa meditação sem concentração.
Fixando a mente num objeto simples de concentração por doze (12) segundos, dois
e meio minutos (2,5), e meia hora, é conhecido como concentração, meditação, e
transe, respectivamente. Meditação e transe são resultados espontâneos da
concentração. A meditação ocorre quando a mente pára de oscilar fora do ponto de
concentração.
No estado inferior do transe, a mente
torna-se, assim, centrada numa parte particular da deidade – como a face ou os
pés – deste modo, esquecendo-se de tudo. Este estado é como um estado de sonho
acordado, onde a mente, os pensamentos, e as coisas ao redor, permanecem na
consciência. No estágio elevado de transe, o corpo torna-se ainda mais sem
movimento, e a mente experimenta vários aspectos da verdade; a mente perde sua
identidade individual e nos tornamos unos com a mente cósmica.
O estado de superconsciência da mente é o
mais elevado estado de transe. Neste estado da mente, a consciência normal
humana conecta-se com (ou é superada por) a consciência cósmica; se
alcança o não-pensar, diminuição da pulsação, e suspensão do alento, não se
sentindo qualquer coisa exceto paz, bem estar, e suprema bem-aventurança. No
elevado estado de transe, o centro de energia (Chakra) no alto da cabeça
abre-se, e a mente mergulha dentro do infinito; e aqui não há mais mente ou
pensamento, mas apenas o sentimento da transcendental existência de Deus,
consciência pura e bem-aventurança. A pessoa que alcança este estado é chamada
de sábia.
Alcançar o estado de felicidade do transe é
visto com dificuldades para a maioria das pessoas. Munijii nos dá um método
simples. Ele diz: “quando você está imerso em Deus e o Seu reino flui através de
você, você torna-se muito feliz, sempre alegre e feliz”.
Deve-se manter a cintura, a coluna, o peito, o pesco e a cabeça eretos,
firmes e sem movimento; fixar os olhos e a mente firmemente na ponta do nariz,
sem olhar ao redor; tornando a mente serena e sem medo; praticando o celibato;
tendo a mente sob controle, pensando em Mim, e tendo a Mim como a meta Suprema
(6.13-14). Veja, também, 4.29; 5.27. 8;10;12.
Hariharananda
sugere manter a atenção num ponto localizado a 10 cm entre as duas sobrancelhas,
próximo a glândula mestre, a pituitária. A Bíblia diz: “a lâmpada do corpo é o
olho. Se o olho é sadio, o corpo inteiro fica iluminado” (Mateus 6.22). Fixar a
concentração na ponta do nariz é um gesto de Kriyayoga, recomendado por Swami
Sivananda para despertar o Kundalini, a energia potencial localizada na base da
coluna vertebral. Após uma pequena prática diária os olhos irão se acostumar, e
levemente se convergerão, e vê-se os dois lados do nariz. Enquanto você se
concentra na ponta do nariz, observe o movimento da respiração através das
narinas. Após dez minutos, feche seus olhos e olhe o espaço escuro na testa (com
os olhos fechados, interiormente). Se você ver uma luz, concentre-se nela,
porque esta luz poderá absorver por completo a sua consciência e levar você ao
transe, de acordo com as escrituras yóguicas. Os iniciantes podem,
primeiramente, praticar fixando a contemplação entre as duas sobrancelhas, como
mencionado no verso 5.27, ou no centro do peito, como aconselhado no verso 8.12,
antes de experimentar fixar-se na concentração na ponta do nariz. A ajuda de um
professor, e o uso de um mantra, são altamente recomendáveis.
O celibato é necessário para tranqüilizar a
mente e despertar o Kundalini adormecido. Celibato e o exercício de respiração
certa são necessários para limpeza do corpo sutil. O corpo sutil é alimentado
pela energia seminal ou ovariana, assim como o corpo grosseiro necessita de
alimento para alimentar-se. Sarada Ma previne aos seus discípulos para não se
relacionarem com pessoas de gêneros opostos mesmo que Deus tenha feito desta
forma. A regra do celibato, no Ocidente, na vida espiritual é
negligenciada, porque não é tarefa fácil para a maioria das pessoas. O indivíduo
deve escolher o companheiro de vida certo, para o sucesso da jornada espiritual,
se a prática de celibato não é possível. É muito danoso forçar o celibato aos
discípulos. As escrituras dizem:“Assim como um rei vence o inimigo invisível,
protegido pelas muralhas do castelo, de modo semelhante, aquele que quer a
vitória sobre a mente e os sentidos, deve tentar subjugá-los vivendo como um
chefe de família (BP. 5.01.18). A sublimação dos impulsos sexuais antecede a
iluminação (AV. 11.05.05). Um dos sentidos, apegado ao seu objeto, pode drenar a
mente, do mesmo modo que um buraco num pote d´água pode esvaziá-lo (MS 2.99).
Comete-se pecado pelo engajar os sentidos aos objetos dos sentidos, e obtém-se o
poder yóguico pelo controle dos sentidos (MS 2.93). a transmutação da força
vital da energia procriativa conduz ao yoga. Pode-se transcender ao sexo por
contemplar a presença divina no corpo de todos os seres humanos e mentalmente
reverenciá-lO.
Desta forma, pela prática de sempre manter a mente fixa em Mim, o
yogi, cuja mente está subjugada, alcança a paz do Nirvana, e vem a Mim
(6.15).
Este yoga não é possível, Ó Arjuna, para aquele que come muito,
ou que não come de nenhuma maneira; que dorme muito, ou, também, muito pouco
(6.16).
O yoga da meditação destrói toda a aflição, naqueles que são
moderados no comer, na recreação, no trabalhando, tanto dormindo como acordados
(6.17).
O Bhagavad-gita ensina que os extremos
devem ser evitados a qualquer custo em todas as esferas da vida. Esta moderação
do Gita é elogiada pelo Senhor Budda, que chamou-a de “Caminhodo Meio”, a reta
via, ou o nobre caminho. Uma mente e corpo saudáveis são requeridos para o
sucesso de uma realização de qualquer pratica espiritual. Portanto, requer-se
que um yogi deva ser regulado na suas funções corpóreas diárias, como no ato de
comer, dormir, banhar-se, descansar e na recreação. Aqueles que comem muito, ou
pouco, podem tornar-se doentes ou fracos. Recomenda-se preencher o estômago pela
metade com alimentos, outra quarta parte com água, e deixar o resto com ar. Se
alguém dorme mais do que seis horas, a preguiça, a paixão e a bile podem
aumentar. Um yogi deve evitar a gratificação extrema no controle dos desejos bem
como a oposição extrema da disciplina, torturando o corpo e a mente.
Diz-se que uma pessoa alcançou o yoga, a união com o Ser, quando
a sua mente, perfeitamente disciplinada, torna-se livre de todos os desejos e
obtém completamente a união como Ser no transe (6.18).
Uma lâmpada num lugar protegido pelo Ser, do vento dos desejos, não
tremula. Semelhante a isto é usado para subjugar a mente num yogi
praticante da meditação no Ser (6.19).
O sinal da perfeição yóguica é de que a
mente fica sempre despreocupada, tal como a chama de uma lamparina num lugar sem
vento.
Quando a mente é disciplinada pela prática de meditação, torna-se firme
e quieta; alguém torna-se contente com o Ser por contemplá-lO com o intelecto
purificado (6.20).
O Ser está presente em todos seres vivos
com o fogo está presente na madeira. A fricção faz o fogo tornar-se presente na
madeira visível para os olhos; de modo semelhante, a meditação faz o Ser, que
reside no corpo, perceptível (MB 12.210.42). Uma transformação psicofísica (ou
estado de superconsciência) da mente em transe é necessária para à realização em
Deus. Cada um de nós pode ter acesso à mente superconsciente, que não é limitada
pelo tempo e pelo espaço.
O infinito não pode ser compreendido pela
razão. A razão é incapaz de compreender a natureza dos princípios Absoluto. A
mais elevada faculdade não é a razão mas a intuição, a compreensão do
conhecimento que vem do Ser e não dos sentidos falíveis ou raciocínio. O Ser
pode ser entendido somente pela experiência intuitiva, no mais elevado estado de
transe, e não por outros meios. Yogananda disse: “a meditação pode aumentar o
copo mágico da intuição para guardar o oceano de inteligência infinita.
Somente pela percepção inteligente, além do alcance dos sentidos,
sentimos infinita bem-aventurança. Após percebermos a Realidade Absoluta, jamais
se é separado dela (6.21).
Após a auto-realização não se estima qualquer outro ganho superior a
ela. Uma vez estabelecidos na auto-realização, não se é comovido nem mesmo por
grandes calamidades (6.22).
O estado de desligamento de união com o sofrimento é chamado de yoga.
O yoga deve ser praticado com firme determinação, e sem qualquer reserva
mental (6.23).
Alcança-se o yoga após longa, constante, e
vigorosa prática de meditação com fé firme (PYS, 1.14).
Obtém-se gradualmente a tranqüilidade da mente pelo total abandono dos
desejos egoístas; na restrição completa dos sentidos pela inteligência, e no
manter a mente plenamente absorvida no Ser, por meio de um treinamento saudável,
e de um intelecto purificado, não pensando em nada mais (6.24-25).
Quando a mente está liberta – com o auxílio
das práticas espirituais – das impurezas da luxúria e ambição nascidas do
sentimento de “Eu, para mim, e meu”, ela fica tranqüila na alegria e no
sofrimento material (BP 3.25.16).
Sempre que esta
inquieta e instável mente desviar-se durante a meditação, deve-se, neste
momento, mantê-la sob o olhar vigilante (ou controle e supervisão) do Ser
(6.26).
A mente joga e engana desviando-se e
vagando no mundo da sensualidade. O praticante de meditação deve manter a mente
fixa no Ser, pela permanente ponderação de que somos almas, e não o corpo.
Deve-se ter o cuidado e rir-se das excursões da mente, e conduzi-la gentilmente
de volta à supervisão do Ser. A tendência natural da mente é vagar. Nós
conhecemos a experiência de que a mente é muito difícil de controlar. O controle
da mente é uma tarefa impossível como o controlar do vento. A mente humana
somente pode ser subjugada por uma prática sincera de meditação e desapego
(Gita. 6.34-35). A maioria dos comentaristas, declaram que a mente ou o ser deve
ser trazida de volta sob a supervisão do Ser quando ela inicia a desviar-se
durante a meditação.
O Atma é considerado superior ao corpo,
sentidos, mente, e o intelecto (Gita, 3.42). Desta forma nós podemos usar os
na~uncios do Atman para subjugar a mente. Swami Vishas desenvolveu uma técnica
de meditação baseada num sentido ligeiramente diferente, dado no verso 6.26,
acima. Este método de meditação, baseia-se na teoria: “Nunca deixe a mente vagar
sem supervisionamento”, sendo descrito a seguir: assuma a postura de meditação
dada no verso 6.13. Ela é uma prática muito boa, antes de iniciar qualquer
trabalho; evoque a graça de um deus pessoal a sua escolha, que você acredita. O
Senhor Ganesha, e o Guru devem também ser evocados pelos Hindus.
O principal objetivo da meditação, ou de
qualquer prática espiritual, é para conseguir o afastamento do mundo
externo e de suas atividades, e iniciar a jornada interna, tornando-se um
introspectivo. Sempre manter em mente que você não é o corpo nem a mente, mas o
Ser (Atma) que é separado se superior ao complexo mente-corpo. Desapegue-se do
complexo mente-corpo e torne o seu Ser testemunha durante a meditação. Retire a
sua mente do mundo exterior e fixe-se contemplando qualquer que seja um dos seus
centros (glândula pituitária, o sexto chakra localizado entre as sobrancelhas, a
ponta do nariz, o centro cardíaco, etc) onde você se sinta mais confortável.
Observe as atividades da mente sem julgar – bem ou mal – os pensamentos
que chegam a mente. Apenas relaxe, passeie no banco de trás do veículo da mente,
e vigie as excursões da mente no mundo do pensamento. A mente desvia-se por
causa da sua natureza. Ela não fica quieta no começo. Não seja apressado,
controle ou tente ocupar a mente em qualquer outra via, como pelo canto de um
mantra, concentração em qualquer objeto ou pensamento.
Desapegue-se em si mesmo por completo de
sua mente e vigia a brincadeira de Maya, a mente. Não esqueça que seu trabalho é
ver seu ser inferior, a mente, com o Ser superior, o Atma. Não se apegue ou
fascine pelas ondas de pensamento (Vritti) da mente; apenas contemple ou
siga-os. Após série sincera prática, a mente irá diminuir a velocidade quando
ela descobrir que está sendo constantemente vigiada e acompanhada. Não
acrescente qualquer coisa no processo de vigiar o mundo interno do processo de
pensamentos (Chitta-vritti). Lentamente, seu poder de concentração irá aumentar;
a mente irá juntar-se como uma jornada interior como uma amiga (Gita, 6.05-06);
e um estado de bem-aventurança irá irradiar-se ao redor de você. Você irá além
do pensamento, para o mundo impensado do Nirvikalpa Samadhi. Prati]que isto mpor
meia ou uma hora, pela manhã e pela tarde, ou qualquer outra hora conveniente,
mas fixe-se, num tempo a sua escolha. O progresso dependerá de vários fatores
diante do seu controle, mas persista sem adiar. Sempre finalize o processo de
meditação com a vibração de AUM por três vezes e agradeça a Deus.
QUEM É UM YOGI
A suprema bem-aventurança chega para um yogi auto-realizado cuja
mente é calma, cujos desejos estão sob controle, e que está livre de faltas ou
pecado (6.27).
Tal impoluto yogi, que possui a sua mente e o intelecto
engajados no Ser, regozija-se na eterna bem-aventurança de estar em contato com
o Ser (6.28).
Yogananda disse: na ausência de uma alegria interior, as pessoas tornam-se más.
A meditação no bem aventurado Deus permeia-nos com bondade.
Um yogi, que
está em união com o Ser Supremo, vê a cada ser com uma visão de igualdade, por
causa da percepção da permanente onipresença do Ser Supremo (ou o Ser) em todos
os seres, e todos permanecendo no Ser Supremo (6.29) Veja, também, 4.35 e 5.18.
A percepção da unidade do Ser em todos os
seres é a elevada perfeição espiritual. O sábio Yajnavalkya disse: “Uma esposa
não ama seu esposo por causa da satisfação dele ou dela. Ela ama a seu esposo
porque ela sente a unidade da sua alma com a alma dele. Ela une-se a seu marido
e se torna uma com ele (BrU 2.04-05). O fundamento védico do casamento é baseado
nesta nobre e sólida rocha da cultura da alma, e é inquebrável. Tentar
desenvolver qualquer relacionamento humano significativo, sem o firme
entendimento das bases espirituais de que todos eles é como tentar regar as
folhas de uma árvore do que a sua raiz.
Quando percebemos o Ser superior em todas
as pessoas no seus próprios Ser Superior, então não há odeia e nem se ofende a
ninguém (IsU 060). A paz eterna faz parte daqueles que percebem a existência de
Deus dentro de todos, como espírito (KaU 5.13). deve-se amar aos outros,
incluindo aos inimigos, porque todos são nosso próprio ser. “Amar os seus
inimigos e rezar por aqueles que perseguem a você”, não é apenas um dos
nobres ensinamentos da Bíblia, mas uma idéia elementar comum a todos os caminhos
que levam a Deus. Quando se entende que o Ser dele ou dela está em todos, a quem
se odiará ou castigará? Quebra-se o dente ao morder a língua. Quando não se
percebe outra coisa que não o próprio Senhor permanente no universo inteiro, com
quem se lutará? Deve-se não apenas amar as rosas, mas seus espinhos também.
Aquele que vê o Uno em tudo e tudo em
Um, que o Uno em todos os lugares. O pleno entendimento nisto e a experiência da
unidade da alma individual e a Superalma, é a mais elevada realização e a única
meta do nascimento humano (BP. 6.16.63). na plenitude do desenvolvimento
espiritual, encontra-se que o Senhor, que reside próprio coração, reside no
coração de todos os outros: no rico, no pobre, nos Hindus, nos Muçulmanos, nos
Cristãos, no perseguido, no perseguidor, no santo e no pecador. Portanto, odiar
a uma única pessoa é odiar a si mesmo e a Ele. A concretização disto torna
alguém um verdadeiro santo humilde. Aquele que realiza que a Superalma como
sendo que a tudo penetra, e que não é outra, a não o seu próprio ser individual,
despoja-se de todas as impurezas acumuladas através de várias reencarnações,
alcançando a imortalidade e bem-aventurança.
Aquele que Me vê em
Tudo, e vê tudo em Mim, não se desliga de Mim, e Eu não me desligo dele (6.30).
Krishna ratifica que: “Uma pessoa
auto-realizada vê a Mim no universo inteiro, e em si mesmo, e vê o universo
inteiro e a si mesmo em Mim. Quando se vê que Eu a tudo impregno, assim como o
fogo consome a madeira, imediatamente se fica livre da ilusão. Obtêm-se a
salvação quando vemos a nós mesmos como diferentes do corpo e da mente, e dos
modos da natureza material, e estes como não sendo diferentes de Mim (BP.
3.09.31-33). O sábio percebe a seu próprio Ser superior presente no
universo inteiro, e o universo inteiro presente no seu próprio Ser superior. Os
verdadeiros devotos jamais temem qualquer condição da vida, como a reencarnação,
viver no paraíso ou no inferno, porque eles vêem a Deus em todo o lugar (BP
6.17.28). Se você quer ver, lembrar-se e estar com Deus todo o tempo, então você
deverá praticar e estudar para ver Deus em tudo e em toda a parte.
O não-dualista, que Me adora como permanente em todos os seres,
permanece em Mim, independentemente do modo de dele viver (6.31).
O melhor dos yogis
é aquele que observa cada ser como a si mesmo e que pode sentir a dor e o prazer
dos outros como sendo seus, Ó Arjuna (6.32).
Deve-se considerar todas as criaturas como
sendo nossos filhos (7.14.09). Esta é uma das qualidades de um verdadeiro
devoto. Os sábios consideram todas as mulheres como sua mãe; outros, um montinho
de terra como riqueza, e todos os seres como seu próprio ser. Rara é a pessoa
cujo o coração se enternece pelo ardor da tristeza dos outros, e que se regozija
ao escutar o mérito dos outros.
DOIS MÉTODOS PARA CONTROLAR A MENTE IMPACIENTE
Arjuna disse: Ó Krishna, Você disse que o yoga da meditação
caracteriza-se pela tranqüilidade da mente, mas devido a inquietação da mente eu
não vejo como estabilizá-la. Porque a mente, realmente, é muito instável,
turbulenta, poderosa e obstinada, Ó Krishna, eu penso que controlar a mente é
mais difícil do que controlar o vento (6.33-34).
O Senhor Krishna
disse: sem dúvida, Ó Arjuna, a mente é impaciente e difícil de controlar, mas
ela é subjugada pela constante e vigorosa prática espiritual de alguém – como a
meditação – com perseverança e por desapego, Ó Arjuna (6.35).
O desapego é proporcional al entendimento
da inconsistência do mundo, e de seus objetos (MB 12.174.040). contemplação sem
desapego é como uma jóia sobre um corpo sem roupas (TR 2.177.020).
O Yoga é difícil para aquele cuja mente não é controlada. De
qualquer modo, o yoga é atingido pela pessoa com a mente controlada, que
se esforça por seus próprios meios ((6.36).
O DESTINO DE UM YOGI FRACASSADO
Arjuna disse: qual é o destino do fiel que se desvia do caminho da
meditação e da fé, necessário para alcançar a perfeição yóguica, devido a uma
mente desenfreada, Ó Krishna? (6.37)
Eles não perecem como uma nuvem que se dissipa, Ó Krishna, perdendo-se
tanto nos prazeres mundanos como do paraíso, privando-se do apoio, e
afastando-se do caminho da auto-realização? (6.38).
Ó Krishna, somente Você está apto para dissipar por completo esta minha
dúvida, porque não há outro como Você que possa dissipar semelhante dúvida
(6.39). Veja, também, 15.15.
Arjuna fez uma boa pergunta. Porque a mente
é muito difícil de ser controlada, e talvez não seja possível adquirir a
perfeição durante o tempo de uma vida. Todo o esforço é desperdiçado? A resposta
segue:
O Senhor Krishna disse: a prática espiritual realizada por um yogi
nunca é desperdiçada, nem aqui ou no futuro. Um transcendentalista nunca é
colocado para sofrer, Meu querido amigo (6.40).
O yogi sem sucesso nasce na casa de uma pessoa piedosa e
próspera, após ter vivido por muitos anos nos planetas celestes. O yogi
que muito fracassou muito não vai aos planetas celestiais, mas nasce numa
família espiritualmente avançada. Um nascimento como este, realmente, é muito
difícil de ser obtido neste mundo (6.41-42).
O yogi mal sucedido recupera o conhecimento adquirido numa vida
anterior e novamente se esforça em adquirir a perfeição, Ó Arjuna (6.43).
O yogi
fracassado é naturalmente levado em direção a Deus, pela virtude das impressões
das práticas yóguicas das vidas anteriores. Mesmo o perguntar sobre yoga
– união com Deus – sobrepuja aos que realizam rituais védicos (6.44).
O yogi, que diligentemente se esforça, torna-se completamente
livre de todas as imperfeições, após tornar-se gradualmente perfeito, através de
muitas reincarnações, alcançando a Morada Suprema (6.45).
Deve-se ser muito cuidadoso na vida
espiritual; há a possibilidade de sermos fascinados pelo poderoso sopro das más
associações criadas por Maya, e talvez se abandone o caminho espiritual. Jamais
devemos desencorajar-nos. O yogi fracassado recebe outra chance para começar
novamente onde ele parou. A jornada espiritual é longa e lenta, mas nenhum
esforço sincero será desperdiçado. Normalmente pega-se muitos, muitos
nascimentos, para alcançar a perfeição da salvação. Todas as entidades vivas
(almas) são eventualmente redimidas após elas alcançarem o zênite da evolução
espiritual.
QUEM É O MELHOR YOGI
O yogi é superior ao asceta. O yogi é superior ao
acadêmico védico. O yogi é superior aos ritualistas. Portanto, ó Arjuna,
seja um yogi. (6.46).
E Eu considero o
yogi-devoto – que de todo o coração Me contempla com fé suprema, e cuja a
mente está sempre absorta em Mim – como sendo o melhor de todos os yogis (6.47).
Veja, também, 12.02 e 18.66).
A meditação ou
qualquer outra ação torna-se mais poderosa e eficiente se é feita com
conhecimento, fé e devoção a Deus. Meditação é uma condição necessária mas não
uma condição suficiente para o progresso espiritual. A mente deve estar sempre
absorta em pensamentos de Deus. O temperamento meditativo é para ser contínuo
durante outras vezes, através do estudo das escrituras, auto-análise, e serviço.
Diz-se que não há um único yoga completo, sem a presença de outros yogas. Do
modo como a correta combinação de todos os ingredientes é essencial para
preparar uma boa refeição, de modo semelhante, o serviço sem egoísmo, cantando
os Santos Nomes do Senhor, a meditação, o estudo das escrituras, a contemplação,
e o amor devocional são essenciais para alcançar a meta suprema. Alguns
buscadores preferem apenas fixar-se num só caminho. Eles tentam todos outros
maiores caminhos e vêem se uma combinação é melhor para eles ou não. Qualquer
caminho pode tornar-se o caminho certo se nos rendermos completamente a Deus. A
pessoa que metida com profundo amor devocional a Deus é chamado de yogi-devoto,
e é considerado o melhor de todos os yogis.
Antes de alguém purificar a sua psique por um mantra ou meditação deverá alcançar o
nível, segundo o qual, o sistema da consciência torna-se sensível a um mantra.
Isto significa que os desejos mundanos deverão ser primeiro eliminados – ou
satisfeitos – pelo desapego, devendo-se praticar os primeiros quatro passos dos
Yogasutras de Patañjali. Isto é como lapidar uma jóia, antes de colocar-lhe
ouro.
Chapter 7
O AUTO-CONHECIMENTO E A ILUMINAÇÃO
O Senhor Krishna disse: Ó Arjuna, ouça como você deverá conhecer-Me por
completo, sem qualquer dúvida, com a sua mente totalmente absorvida em Mim,
refugiando-se em Mim, e realizando práticas yóguicas. (7.01)
O
CONHECIMENTO METAFÍSICO É O CONHECIMENTO ÚLTIMO
Eu transmitirei para você tanto o conhecimento transcendental como a
experiência transcendental, ou uma visão; após conhecer isto, nada mais restará
para ser conhecido neste mundo. (7.02)
Aqueles que têm uma experiência
transcendental tornam-se perfeitos (RV 1.164.39). Tudo se torna conhecido quando
o Ser Supremo é escutado, refletido, meditado, visto e sabido (BrU 4.05.06). A
necessidade de conhecer todas as outras coisas torna-se irrelevante com o
alvorecer do conhecimento do Absoluto, o Espírito Supremo. Todos os artigos
feitos de ouro tornam-se conhecidos após conhecer-se o ouro. De modo similar,
após conhecer-se o Espírito Supremo, todas as manifestações do Espírito
tornam-se conhecidas. Aquele que conhece o Espírito Supremo é considerado o
possuidor de todo o conhecimento, mas aquele que conhece tudo, mas que não
conhece o Espírito Supremo, ou Deus, não conhece nada. A intenção dos versos
acima é de que o conhecimento de todos os outros assuntos ficam incompletos sem
o entendimentos de “Quem sou eu”?
OS BUSCADORES SÃO POUCOS
Dificilmente uma dentre mil pessoas aspiram pela perfeição da
auto-realização. Dificilmente uma entre estas pessoas Me entende de verdade.
Muitos são os chamados, mas poucos são os
escolhidos (Mateus, 22.14). Poucos são os afortunados que obtém o conhecimento
de, e de devoção pelo Ser Supremo.
DEFINIÇÃO DE ESPÍRITO E
MATÉRIA
A mente, intelecto, ego, éter, ar, fogo, água e terra, são as oito
dobras de divisão de Minha energia material ( 7.04). Veja, também, 13.05.
A “Natureza material” é definida como a
causa material ou a matéria externa, do qual tudo é feito. A Natureza Material é
o início original do mundo material, consistindo em três modos da natureza
material, e oito elementos básicos externos nos quais todo o universo está
envolvido, de acordo com a doutrina Sankhya. A Natureza Material é uma das
transformações do poder divino (Maya), e é a causa material da criação do
universo inteiro. A matéria é, deste modo, uma parte da energia ilusória do
Senhor, Maya. A Natureza Material refere-se, também, ao que é perecível, o
corpo, a matéria, a Natureza, Maya, o campo, a criação, e o estado manifesto. Os
quais criam a diversidade, bem como a é diversidade em si mesma; e tudo o que
pode ser visto ou conhecido, incluindo a mente, é chamado de Natureza Material.
A natureza
material, ou a matéria, é Minha natureza inferior. Minha outra elevada natureza
é o espírito, pelo qual este universo inteiro é sustentado, Ó Arjuna (7.05).
Dois tipos de natureza material são
descritos nos versos 7.04 e 7.05. As oitos dobras da natureza material, descrita
no verso 7.04, são chamadas de “energia inferior” ou “energia material”. Isto é
comumente conhecido como a “natureza material”. Ela cria o mundo material. A
outra elevada natureza, mencionada no verso 7.05, é também chamada de “energia
superior” ou “energia espiritual”. Ela é também chamada de consciência, Ser,
espírito, ou Ser Espiritual. O espírito é imutável, e a Natureza Material,
onde nasce o espírito, é mutável. O espírito observa, testemunha, bem como
supervisiona a Natureza Material.
O Espírito Supremo é a causa eficiente da
criação do universo. A Natureza Material e o Espírito não são duas identidades
independentes, mas dois aspectos do Espírito Supremo. O Espírito Supremo, o
espírito, e a Natureza Material, são a mesma coisa, e, apesar disto, são
diferentes como o Sol, a sua luz, e o seu calor; eles são iguais bem como
diferentes dele.
A água, e o peixe que
nela nasce, que é por ela sustentada, não são a mesma coisa. De modo semelhante,
o Espírito e a Natureza Material, onde nasce o espírito, não são a mesma coisa.
(MB 12.315.14). A alma é também chamada de espírito quando a alma desfruta os
modos da Natureza Material, associada aos sentidos. O espírito e a alma são
também diferentes, porque o Espírito sustenta a alma, mas o sábio não vê
diferenças entre os dois (BP 4.28.62).
Alguns termos, assim como: Espírito
Supremo, Espírito, Natureza Material, e Alma, possuem diferentes definições em
diferentes doutrinas, e, também, possuem diferente significados, dependendo do
contexto. Nesta tradução, a palavra não sectária “Deus” significa para alguns
somente o Senhor do Universo - o Ser Supremo – enquanto que os Hindus
preferem chamar por vários nomes pessoais como Rama, Krishna, Shiva, e Mãe.
Diferentes terminologias confundem um leitor que tem estudado – de preferência
deve contar com a ajuda de um professor – a plena conotação, o uso e a
hierarquia, relacionada entre estas várias outras expressões, servindo como um
progresso no caminho da jornada espiritual.
O ESPÍRITO SUPREMO É A BASE DE TUDO
Saiba que todas as
criaturas desenvolvem-se a partir desta dupla energia, e que Espírito Supremo é
a origem, bem como a dissolução, do universo inteiro (7.06). Veja, também,
13.26.
Não há nada
superior ao Ser Supremo, Ó Arjuna. Todo o universo está atado ao Ser Supremo,
como diferentes jóias estão amarradas no cordão de um colar (7.07).
O espírito Uno está presente nas vacas, nos
cavalos, nos seres humanos, pássaros, e em todos os outros seres vivos, do mesmo
modo que um cordão está presente num colar feito de diamantes, ouro, pérola, ou
madeira (MB 12.206.02-03). A criação inteira está permeada por Ele (YV 32.08).
Ó Arjuna, Eu sou o sabor da água; Eu sou a irradiação do Sol e da Lua,
a sagrada sílaba “AUM” em todos os Vedas, o som no éter, e a potência nos
seres humanos. Eu sou a doce fragrância da Terra. Eu sou o calor do fogo, a vida
nos seres vivos, e a austeridade dos ascetas (7.08-09).
Ó Arjuna, saiba que Eu sou a semente eterna em todas as criaturas. Eu
sou a inteligência do inteligente e o brilho do que é brilhante (Veja, também,
9.18 e 10.39). Eu sou a força do forte, que é desprovido do apego egoísta. Eu
sou o desejo, ou o Cupido, nos seres humanos que estão desprovidos da
gratificação dos sentidos, e são de acordo com o Dharma (para o sagrado
propósito da procriação após o casamento, Ó Arjuna (7.10-11);
Saiba que os três modos da Natureza Material - bondade, paixão e
ignorância – também emanam indiretamente de Mim. Eu não dependo deles, nem sou
afetado pelos modos da natureza matéria; mas os modos da Natureza material
dependem de Mim (7.12). Veja, também, 9.04-05).
Os seres humanos adquirem ilusão pelos vários aspectos destes três
modos na Natureza Material; então, eles não conhecem que Sou eterno e que estou
acima destes modos (7.13).
COMO SUPERAR O DIVINO PODER ILUSÓRIO (MAYA)
Este Meu poder
divino é chamado de Maya, que consiste nos três modos da matéria ou mente, é
muito difícil de ser superado. Apenas aqueles que se rendem a Mim perfuram o véu
de Maya, e conhecem a Realidade Absoluta (7.14). Veja, também, 14.26; 15.19 e
18.66.
Quando alguém se dedica sua vida plenamente
ao poder supremo, e depende d´Ele em todas as circunstancias, assim como uma
criança depende de seus pais, então o Senhor, pessoalmente, encarrega-se de tal
devoto. E quando Ele toma conta de você, não há necessidade de ter medo de
qualquer coisa ou depender de qualquer um para qualquer coisa – seja material ou
espiritual – na vida.
QUEM PROCURA DEUS?
O pecador, o ignorante, o canalha, que estão apegados à natureza
demoníaca, e cujo poder de discriminação está retirado pelo poder da ilusão
divina (Maya), não Me adoram ou Me procuram (7.15).
Quarto tipo de
pessoas virtuosos adoram-Me ou Me procuram, Ó Arjuna; são eles: o aflito; o que
busca por auto-conhecimento; o que procura riqueza, e o iluminado que
experimentou o Ser Supremo (7.16).
Não importa o que a pessoa faz, é produto
do desejo. Ninguém pode fazer qualquer coisa sem desejar por isso (MS 2.04). Os
desejos não podem ser completamente eliminados. O desejo por salvação é um
desejo elevado ou uma nobre forma de desejo. O desejo por amor devocional ou por
Deus é considerado como elevado, e uma forma pura de desejo humano. É dito que
um devoto avançado nem mesmo deseja salvação por Deus. Ele pedem por serviço
devocional, vida após vida.
Os desejos inferiores dos devotos, para
aproximarem-se d´Ele por simples satisfação pessoal, torna-os como sementes
torradas que não germinam, e crescem dentro da grande árvore dos desejos
egoístas. O que realmente importa é a profunda concentração da mente em Deus,
por intermédio dos sentimentos de devoção, amor, respeito, ou por ganho material
vindo d´Ele (BP 10.22.26).
Entre os devotos iluminados, o que está sempre unido a Mim, e cuja
devoção é sincera, é o melhor, porque Eu sou muito querido para ele e ele é
muito querido por Mim (7.17).
O conhecimento de Deus sem devoção – o amor
por Deus – é uma especulação árida; e devoção sem conhecimento de Deus, é uma fé
cega. Os frutos da iluminação germinam na árvore do auto-conhecimento apenas
quando a árvore recebe a água pura da devoção.
Todos aqueles que buscam a Mim são realmente nobres, mas Eu estimo o
devoto esclarecido como Meu verdadeiro Ser; porque aquele que é leal torna-se
uno Comigo, e permanece em Minha Suprema morada (7.18). Veja, também, 9.29;
Após muitos
nascimentos o devoto esclarecido recorre a Mim, entendendo que todas as coisas
são, na realidade, Minha manifestação. Semelhante alma é muito rara (7.19).
Tudo é, sem dúvida, Espírito, porque tudo é
nascido d´Ele, e n´Ele descansa, e se une dentro do Espírito (ChU 3.14.01). Tudo
é espírito. O Espírito está em todo o lugar. Todo este universo é, realmente,
Espírito (MuU 2.02.11). A Bíblia diz: vocês são deuses (João, 10.34). Os Vedas e
os Upanishads declaram: Consciência é Espírito (AiU 3.03, no Rig-vea). Eu Sou
espírito (BrU 1.04010, no Yajurveda). Você é Espírito (ChU 6.08.07, no
Samaveda). O Espírito também é chamado de Atman (ou Brahman, Brahm, Brahma) (MaU
02, no Atharvaveda). Este que é o Uno assenta-se em todos aqueles (RV 8.58.02).
S criação inteira, e cada regra da realidade nada mais são do que divindade.
O veadinho almiscareiro, após procurar em
vão pela causa do seu perfume, finalmente irá encontrá-la em si mesmo. Após a
auto-realização, vê-se que somos espírito de Deus (ou Consciência) que há criado
o universo inteiro e todos os seres vivos. Tudo é consciência. A criação é
como incontáveis ondas que aparecem no oceano da consciência pela brisa do
divino poder (Maya). Tudo, incluindo a energia divina primordial, chamada de
Maya, nada mais é do que uma parcela do Absoluto.
As pessoas cujo discernimento há se tornado fascinado pelos desejos,
estimulados por suas impressões kármicas, fazem uso dos controladores celestes,
e praticam vários ritos religiosos para a realização de seus desejos materiais
(7.20).
A ADORAÇÃO DA DEIDADE É TAMBÉM UMA ADORAÇÃO DE DEUS
Quem quer que seja,
desejando adorar alguma deidade – usando qualquer nome, forma e método – com fé,
Eu torno a fé deles firme nesta verdadeira deidade. Favorecidos com fé
firme, eles adoram aquela deidade, e obtém seus desejos através dela. Todos os
seus desejos, são, realmente, concedidos por Mim (7.21-22).
O poder das deidades vêm do Senhor Supremo,
como o aroma das flores vêm com o vento (BP 6.04.34). Deus é quem concede os
frutos do trabalho (BS 3.02.38). Deus realiza todos os desejos de Seus
adoradores (BP 4.13.34). Não se deve qualquer método de adoração como inferior,
porque todos eles são adoração de um mesmo Deus. Ele realiza a todas as orações
sinceras e benfeitoras de um devoto se Ele é adorado com fé e amor. O sábio
compreende que todos os nomes e formas são d´Ele, enquanto que um ignorante joga
com o jogo da guerra santa no nome da religião, a procura de ganhos pessoais e a
custa dos outros.
Diz-se que qualquer que seja a deidade uma
pessoa pode adora, todos referências e rezas alcançam o Ser Supremo, assim como
toda a água que cai como a chuva, no final das contas alcança o oceano. Qualquer
que seja o nome e a forma da divindade, que alguém adora, referencia o mesmo Ser
Supremo, e se é retribuído da adoração da deidade realizada com fé. A realização
dos desejos resultantes da adoração são dados, indiretamente, pelo Senhor, por
intermédio da deidade favorita. Os seres humanos vivem na escuridão das celas
dos pares de opostos. As deidades são como ícones que podem abrir a janela,
através da qual o Supremo pode ser percebido. De qualquer forma, a adoração de
deidades sem o pleno entendimento da natureza do Ser Supremo é considerada como
sendo no modo da ignorância.
Semelhantes ganhos materiais nestes seres humanos pouco inteligentes
são temporários. Os adoradores dos controladores celestes vão até eles, mas os
Meus devotos, com certeza, vêm até a Mim (7.23).
Aqueles que adoram os controladores
celestes estão sob o modo da paixão; e aqueles que praticam outras adorações, no
grau mais baixo de adoração, como adorar espíritos malignos, fantasmas, magia
negra e Tantra – também conhecido como idolatria – para conseguir prole, fama,
ou para destruir seus inimigos, estão sob o modo da ignorância. O Senhor Krishna
aconselha contra semelhantes graus inferiores de adoração, e recomenda adorar-se
apenas o Ser Supremo, usando qualquer que seja o Seu nome e forma. Os devotos de
Krishna podem, algumas vezes, adorar a Krishna em outras formas também. No
Mahabharata, o Senhor Krishna, em Si mesmo, aconselha a Arjuna para adorar a
gentil forma materna de Deus, conhecida como Mãe Durga, antes de dar início a
guerra, para a vitória. Isto é como uma criança ir e perguntar alguma coisa para
a mãe no lugar do pai. O Senor é, de fato, tanto mãe como pai de todas as
criaturas.
GOD CAN BE SEEN IN AN IMAGE
OF ANY DESIRED FORM OF WORSHIP
O ignorante –
incapaz de entender Minha forma imutável, incomparável, incompreensível e
transcendental – supõe que Eu, o Ser Supremo, sou sem forma e pego uma forma ou
encarnação. Oculto pelo Meu poder divino (Maya), Eu não Me revelo para
semelhante ignorante que não conhece e não entende Minha forma e personalidade
não nascida, eterna e transcendental (7.24-25).
A palavra sânscrita “aviakta”, é também
utilizada nos versos 2.25, 2.28, 7.24, 8.18, 8.20, 8.21, 9.04, 12.01, 12.03,
12.05, e 13.05. Ela fornece diferentes significados, de acordo com o contexto.
Ela é usada como “imanifesto”, Natureza Material, e também com o sentido de
Espírito. O Ser Supremo – a Consciência Absoluta – é mais elevado do a
Natureza imanifesta e o espírito juntos. “Aviakta” não significa “sem-forma”;
significa imanifesto ou uma forma transcendental, que está invisível para os
nossos olhos físicos, e não pode ser compreendida pela mente humana, ou descrita
em palavras. Tudo possui uma forma. Nada no cosmos, incluindo o Ser Supremo, é
sem forma. Cada forma é Sua forma. O Ser Supremo possui uma forma
transcendental, e uma Personalidade Suprema. Ele é eterno, sem qualquer origem e
fim. O Absoluto invisível é a base do mundo visível.
O significado do verso 7.24 também aparenta
contradizer o credo comum de que o Senhor incarna, como mencionado nos versos
4.06-08, e 9.11. É dito ali que o Ser Supremo é sempre imanifesto, e, como tal,
Ele jamais torna-se manifesto. No verdadeiro sentido, o Ser Supremo ou Absoluto
não incarna. Ele, realmente, jamais sai da Sua Morada Suprema! É o intelecto do
Ser Supremo que faz o trabalho da criação, manutenção, incarnação e destruição
pelo uso do Seu enorme poder. A profundidade do significado deste verso pode ser
entendida se se estuda seriamente a invocação de paz do Ishopanishad que
declara: “O invisível é o Infinito; o visível também é infinito. Do Infinito, os
universos finitos se manifestam. O Infinito (Absoluto) permanece infinito ou
imutável, apesar dos universos finitos saírem dele”. As pessoas não conhecem a
transcendental e imperecível natureza de Deus, e erroneamente pensam que Deus
também se incarna como uma pessoa comum. Ele não se incarna, mas manifesta-Se
usando Sua própria potência divina.
O Ser transcendental está longe da
concepção humana da forma e sem-forma. Aqueles que consideram Deus como sendo
sem-forma são considerados errados por aqueles que dizem que Deus possui forma.
A discussão de Deus com ou sem forma não levará a nada na nossa adoração e
prática espiritual. Nós podemos adorar a Deus de qualquer modo ou forma que
escolhermos. Um nome, uma forma e uma descrição do imperceptível, que a tudo
penetra, do indescritível Senhor, nos é dada pelos santos e sábios, para o
cultivar o amor por Deus nos corações dos devotos comuns. Um nome e uma forma
são, absolutamente, necessários com a intenção de adorar e alimentar a devoção –
um amor profundo por Deus. Deus aparece para um devoto numa forma, com o
propósito de tornar a sua fé firme. Portanto, é necessário respeitar-se todas as
formas de Deus (ou deidade), mas devemos estabelecer a adoração com uma forma
somente.,
Eu conheço, Ó Arjuna, os seres do passado, do presente, e aqueles do
futuro, mas ninguém Me conhece (7.26).
Todos os seres neste mundo estão na absoluta ignorância, devido à
ilusão dos pares de opostos, dos gostos e desgostos, Ó Arjuna. Mas as pessoas
purificadas pelas ações não egoístas, cujo karma há terminado, torna-se
livre da ilusão do par de opostos, e adora-Me com firme resolução (7.27-28)
Só quando o karma de uma pessoa termina,
então, alguém pode entender a ciência transcendental, e desenvolver amor e
devoção por Deus.
Aqueles que aspiram pela libertação do ciclo de nascimentos, velhice e
morte – por pegar refúgio em Deus – compreende plenamente a verdadeira natureza
e os poderes do Supremo (7.29).
A pessoa decidida, que Me conhece como a única base de tudo – os seres
mortais, Seres Divinos, e o Ser Eterno – mesmo na hora da morte, Me alcançam
(7.30). Veja, também, 8.04).
Aqueles que entendem Deus como governante do princípio de toda a criação, entendem a base
de todos os Seres Temporários, o sustentador de todas as entidades, e o
desfrutador de todos os sacrifícios e prazeres, sendo abençoados com a liberação
do ciclo de nascimentos e mortes, alcançando a salvação.
Chapter 8
O ESPIRITO ETERNO
Arjuna disse: Ó
Krishma, quem é o Ser Eterno ou o Espírito? Qual a natureza do Ser Eterno? O que
é karma? O que são os seres imortais? E quem são os Seres Divinos? Quem é o Ser
Supremo, e de que modo Ele reside no corpo? Como pode Você, o Ser Supremo, ser
lembrado na ocasião da morte, por aqueles que possuem o controle sobre suas
mentes, Ó Krishna? (8.01-02).
DEFINIÇÃO DE ESPÍRITO SUPREMO, ESPÍRITO, ALMA INDIVIDUAL
E KARMA
O Senhor Krishna
disse: o eterno e imutável Espírito do Ser Supremo é chamado de Ser Supremo ou o
Espírito. O poder inerente da cognição, e desejo do Ser Eterno, é chamado de
natureza ou Ser Eterno. O poder criativo do Ser Eterno que causa a manifestação
das entidades vivas é chamado de karma (8.03).
O Espírito é também chamado de Espírito Eterno, Ser Espiritual, Ser
Eterno, e Deus em Português; e Brahm, ou Brahm Eterno (nota: Brahm é também
escrito como Brahma e Brahman) em sânscrito. O Espírito é a causa de todas as
causas. A palavra “Deus” é geralmente usada tanto para Espírito como Espírito
Supremo (ou o Ser Supremo), ou base do Espírito. Nós usamos a palavra “Ser
Eterno” para Espírito; e Ser Supremo. Absoluto e Krishna para o Espírito
Supremo nesta tradução.
O corpo sutil consiste em seis faculdades sensórias, intelecto, ego e
cinco forças vitais chamadas de bioimpulsos (Força vital, Prana). A alma
individual é definida como o corpo sutil sustentado pelo Espírito. A alma
individual é guardada como uma relíquia no corpo físico. O corpo sutil sustenta
o corpo físico ativo e vivo, pelo funcionamento dos órgão de percepção e ação.
Diferentes
expansões do Ser Supremo são também chamadas de Seres Divinos. O Ser Supremo
também mora dentro dos corpos físicos como o Controlador Divino (Ishvara)
(8.04).
TEORIA DA REINCARNAÇÃO E KARMA
Aquele que
relembra-se exclusivamente do Ser Supremo, mesmo no momento de deixar o corpo,
na hora da morte, alcança a Morada Suprema; não há dúvida sobre isto (8.05).
Qualquer que seja a coisa que alguém relembrar-se quando deixa o corpo
no final da vida, ele a alcança. O pensar em qualquer que seja a coisa permanece
durante uma vida inteira em alguém; a lembrança em apenas uma coisa no final da
vida será alcançada (8.06).
O destino de alguém é determinado pelo pensamento predominante na hora
da sua morte. Mesmo que alguém tenha praticado devoção e consciência em Deus
durante a sua vida, o pensamento de Deus poderá ser ou não prevalecente na ora
da sua morte. Portanto, a consciência de Deus deve ser continuada até a morte
(BS. 1.1.12). Os sábios continuam os seus esforços, nas suas sucessivas vidas,
e, mesmo assim, no momento da morte, eles poderão falhar na lembrança de Deus.
Não se pode supor ter bons pensamentos na hora da morte se mantivermos más
companhias. Manter a associação com devotos perfeitos, e evitando a companhia de
pessoas com a mente mundana, é o critério para o sucesso na vida espiritual. Não
importa o pensamento que alguém nutra durante a vida, o mesmo pensamento virá na
hora da morte, e determinará o destino futuro. Portanto, a vida deverá ser
moldada semelhante a um estilo que se possa lembrar-se de Deus no tempo da
morte. Deve-se praticar a consciência de Deus em todos os dias da nossa vida,
desde a infância, através do hábito de lembrar-se de Deus, antes de pegar
qualquer alimento, antes de ir dormir, e antes de iniciar qualquer trabalho ou
estudo.
UM MÉTODO SIMPLES DE REALIZAR DE DEUS
Portanto, sempre
lembre-se de Mim, e faça a suas obrigações. Com certeza, você irá alcançar-Me,
se a sua mente, e o seu intelecto, estiverem sempre focados em Mim (8.07).
O propósito supremo da vida é lembrar-se todo o tempo da Personalidade
de Deus, do qual se crê, e iremos nos lembrar na hora da morte. Lembrar-se do
Absoluto ou de Deus impessoal, talvez não seja possível para a maioria dos seres
humanos. Um devoto puro é capaz de experimentar o êxtase da presença pessoal e
interior do Senhor, e alcançar a Sua Morada Suprema, através de sempre
lembrar-se d´Ele; vive num constante estado de anúncio espiritual.
Através da
contemplação em Mim, com uma mente resoluta, a qual é disciplinada pela prática
de meditação, alcança-se o Ser Supremo, Ó Arjuna (8.08).
Conseguimos o despertar espiritual, e a visão de Deus, por
constantemente pensar Nele na meditação, no silencioso repetir dos Seus Santos
Nomes, e na contemplação. O esforço em toda a nossa vida modelará nosso destino.
A prática espiritual é o meio de manter a mente absorta nos pensamentos em Deus,
e fixar-se nos Seus pés de lótus. Ramakrishna disse que quando desejarmos
qualquer coisa, reze-se para o aspecto Deus-Mãe num local solitário, com
lágrimas de sinceridade nos nossos olhos, e os nossos desejos serão realizados.
Ele também disse que deste modo talvez seja possível de se alcançar a libertação
dentro de três dias. Quanto mais intensamente se pratica uma disciplina
espiritual, mais rapidamente alcança-se a perfeição. A intensidade da convicção
e da crença, combinada com profundas lembranças, inquietações, saudade intensa,
e persistência, determina a velocidade do progresso espiritual. A verdadeira
prática do Hatha-Yoga não se trata apenas de exercícios ensinados nos modernos
centros de yoga, mas, também, da consistência, da persistência, e da insistência
na procura da Verdade Suprema.
A auto-realização não é um simples ato, mas um processo de crescimento
gradual, iniciado com determinação, progredindo gradualmente para o juramento,
graça divina, fé, e, finalmente, a realização da Verdade (YV 19.30). O Ser
Supremo não é realizado através de discursos, intelecto ou estudo. Ele é
realizado somente quando, sinceramente, se espera por Ele com esforço vigoroso.
A súplica sincera traz a graça divina que desvela o Ser Supremo (MuU 3.02.03).
Aquele que meditar
no momento da morte, com a mente firme, e com devoção, no Ser Supremo, como o
onisciente, o mais antigo, o controlador, o menor do mais pequeno, o maior dos
maiores, o sustentador de tudo, o inconcebível, auto-luminoso com o sol, e
transcendental (ou o que está além da realidade material) por trabalhar a
corrente de bioimpulsos (força vital; Prana) elevando-a na região entre as duas
sobrancelhas, através do domínio das práticas de yoga, e segurá-lo ali,
alcança-Me, o Ser Supremo (veja-se, também, os versos 4.29; 5.27; 6.13)
(8.09-10).
Agora eu explanarei
brevemente o processo de alcançar a Morada Suprema, que os conhecedores dos
Vedas chamam de Imutável; dentro da qual os ascetas, livres do apego,
penetram; e a qual e as pessoas que praticam o celibato desejam.
(8.11).
ALCANÇA-SE A SALVAÇÃO PELA MEDITAÇÃO EM DEUS NA HORA DA MORTE.
Quando se deixa o
corpo físico através do controle de todos os sentidos, focando a mente em Deus,
e os bioimpulsos (força vital; Prana), no cérebro, empregando uma prática
yóguica, meditando em Mim, e emitindo o mantra AUM – o sagrado som monossilábico
do poder do Espírito – alcança-se a Morada Suprema (8.12-13).
As escrituras dão conhecimento deste lugar, mas é através da realização
direta que o coração interior pode ser alcançado, e a concha externa (o corpo
físico) descartada. A meditação é a via para a realização interior, e deve ser
aprendida, pessoalmente, de um professor competente. A realização da verdadeira
natureza da mente conduz à meditação.
Uma técnica simples de meditação é descrita aqui: (1) lave suas faces,
olhos, mãos, e os pés, e sente-se num lugar limpo, quieto, sem muita luz,
utilizando-se de qualquer posição confortável, com a cabeça, pescoço e coluna
mantidos na vertical. Recomenda-se não usar incenso ou música durante a
meditação. O horário e o local da meditação devem ser fixos. Siga os bons
princípios da vida por pensamentos, palavras e ações. Alguns exercícios de yoga
são necessários. À meia-noite, pela manhã, e ao entardecer, são os melhores
horários para meditar, entre 15 e 25 minutos todos os dias; (2) lembre-se de
qualquer nome ou forma de Deus personificado de que você crê, e peça a Ele ou
Ela por Suas bênçãos; (3) feche seus olhos, incline levemente a sua cabeça para
frente, e faça 5 ou 10 respirações profundas e lentas; (4) fixe a sua
contemplação, mente e sentimentos, no centro do peito, o assento do coração
causal, e respire lentamente. Mentalmente cante: “So” quando você inspirar e
“Hum”, quando você expirar. Pense como que a respiração em si mesma fizesse
estes sons “So” e “Hum” (Eu sou este Espírito). Visualize mentalmente, e siga o
roteiro da respiração indo através das narinas, subindo em direção a região das
duas sobrancelhas, e descendo para o centro do peito ou pulmões. Fique alerta, e
sinta a sensação criada pela respiração no corpo, enquanto você acompanha a
respiração. Não tente controlar ou conduzir a sua respiração; apenas acompanhe a
respiração natural; (5) direcione a vontade em direção ao pensamento de unir a
si mesmo dentro do espaço infinito do ar que você está respirando. Se a sua
mente desviar-se do acompanhamento da respiração, reinicie do passo 4. Seja
regular, e persista sem adiamentos.
O som do “OM” ou “AUM” é uma combinação de três sons primários: A, U, e
M. Ele é a origem de todos os sons que se pode expressar; portanto, Ele é o som
adequado do símbolo do espírito. Ele é, também, o impulso primevo que move
nossos cinco centros nervosos que controlam as funções corporais. O som
produzido devido ao rápido movimento da Terra, dos planetas e das galáxias é
AUM. Yogananda conclama: “´OM´ o som da vibração do motor cósmico”. A Bíblia
diz: no começo era o verbo (OM, Amen, Allah), e o verbo estava com Deus, e o
verbo era Deus (João, 1.01). Esta vibração de som cósmico é escutada pelos yogis
como um som, ou uma mistura de sons, de várias freqüências.
A meditação no OM (Omnica), mencionada aqui pelo Senhor Krishna, é
muito poderosa; é uma técnica sagrada usada pelos santos e sábios de todas as
religiões. Resumidamente, o método omnico induz a mente penetrando-a, pela
contínuo reverberar do som AUM; quando a mente fica totalmente absorvida na
repetição deste som divino, a consciência individual une-se dentro da
Consciência Cósmica.
Um método simples de contemplação é dado a seguir pelo Senhor Krishna,
para aqueles que não conseguem o caminho convencional de meditação discutido
acima:
Eu sou facilmente
alcançado, Ó Arjuna, por aquele que é sempre leal, devotado, e que sempre pensa
em Mim, e cuja mente não vai para outro lugar (8.14).
Não é uma tarefa fácil lembrar-se sempre de Deus. É necessário possuir
uma base para lembrar de Deus o tempo todo. Esta base pode ser um intenso amor
por Deus ou uma paixão por servi-lO, por intermédio do serviço humanitário.
Após alcançar-Me,
as grandes almas não mais voltam a nascer neste transitório mundo miserável,
porque elas alcançaram a mais elevada perfeição (8.15).
O nascimento humano está repleto de sofrimento. Mesmo os santos,
sábios, e Deus na forma humana, não podem escapar dos sofrimentos do corpo e da
mente humana. Têm-se que aprender a sofrer e trabalhar em direção a salvação.
Os habitantes de
todos os mundos – inclusive o mundo do criador (Senhor Brahma) – esta sujeito às
misérias de repetidos nascimentos e mortes. Mas após alcançar-Me, Ó Arjuna, não
mais se volta a nascer (veja, também, 9.25) (8.16).
TUDO NA CRIAÇÃO É CÍCLICO
Aquele que conhecer
que a duração da criação é de 4.32 bilhões de anos, e que a duração da
destruição é, também, de 4.32 bilhões de anos, eles saberão dos ciclos de
criação e destruição (8.17).
Desta forma, um ciclo criativo completo é de 8.64 bilhões de anos
solares. A duração parcial da dissolução, durante a qual todos os planetas
celestiais, a Terra, e os planetas inferiores são aniquilados, e descansam
dentro do abdome do Brahman, é de 4,32 bilhões de anos. A destruição completa
realiza-se no final do Brahmaa (ou ciclo criativo) a duração da vida de 100 anos
solares, ou 8.64 bilhões de anos x 30 x 12 x 100 = cerca de 311 trilhões de anos
solares chamados de Kalpa (veja o verso 9.07), de acordo com a Astrologia
védica. Neste tempo, a criação material completa entra dentro da terceira
essência da manifestação parcial do Absoluto – chamada de MahaaVishnu (ou a
origem e o fim total da energia material) – e é aniquilada. Durante a dissolução
completa, diz-se que todas as coisas descansam no ventre do Senhor (MahaaVishnu)
até o começo do próximo ciclo da criação. Na segunda manifestação, as energia do
Senhor penetram dentro de todo o universo para criar e dar suporte para toda a
diversidade. E na terceira manifestação, o Absoluto espalha-se como a superalma
que a tudo penetra nos universos, e fica presente no interior dos átomos em cada
uma das células, em tudo, visível ou invisível.
Todas as
manifestações saem da Natureza material primária durante o ciclo criativo; e
elas mergulham dentro da Natureza material primária durante o ciclo destrutivo
(8.18).
A mesma multidão de
seres envolve-se dentro da existência repetidademente com a chegada do ciclo
criativo, e são aniquiladas, inevitavelmente, com a chegada do ciclo destrutivo
(8.19).
De acordo com os Vedas, a criação é um começo sem fim e infinito ciclo,
e não há coisa semelhante com a primeira criação.
Há outra existência
transcendental eterna – superior a natureza material inconstante – chamada de
“Ser Eterno” ou Espírito, que fez tanto o imperecível como os seres perecíveis.
Esta existência é, também, chamada de Morada Suprema. Aqueles que alcançam a
Morada Suprema não voltam a nascer novamente (8.20-21).
DOIS
CAMINHOS BÁSICOS DE PARTIDA DO MUNDO.
Esta Morada
Suprema, Ó Arjuna, é alcançada por inabalável devoção a Mim; dentro da qual
todos os seres existem, e pela qual o universo inteiro é penetrado (veja,
também, 9.04 e 11.55) (8.22).
Ó Arjuna, agora Eu
irei descrever os diferentes caminhos de partida pelos quais, durante a morte,
os yogis tornam ou não tornam a voltar (8.23).
Fogo, luz, as horas
do dia, o brilho da lua cheia, e os seis meses do solstício de verão no
Chapter 9
O SUPREMO CONHECIMENTO E O GRANDE MISTÉRIO
O Senhor Krishna disse: visto que você possui fé em Minhas palavras, Eu
revelarei para você o mais profundo, secreto, e transcendental conhecimento,
junto com a experiência transcendental. Conhecendo isto, você será livre das
misérias mundanas da existência (9.01).
O CONHECIMENTO DA NATUREZA DO SUPREMO É O MAIS ELEVADO
MISTÉRIO
Este auto-conhecimento é o rei de todos os conhecimentos, é o mais
secreto; o mais sagrado; ele pode ser percebido pelo instinto, conforme o
reto-agir (Dharma); ele é eterno e muito fácil de ser praticado (9.02).
Ó Arjuna, aqueles que não possuem fé neste conhecimento não podem Me
alcançar, e seguem os ciclos de nascimentos e mortes (9.03).
Tudo é possível para aquele que tem fé em
Deus (Marcos, 9.23). A fé é o Supremo Poder que sustenta a chave que abre as
portas da salvação.
Este universo
inteiro é uma expansão Minha. Todos os seres dependem de Mim (assim como uma
corrente de outro depende do ouro e os produtos do leite dependem do leite). Eu
não dependo deles – ou sou afetado por eles; porque Eu sou o mais elevado de
todos (veja-se, também, 7.12) (9.04).
Pelo ponto de vista dualista, as ondas
dependem do oceano; o oceano não depende das ondas. Mas pelo ponto de vista
monista, como citado no verso 9.05 abaixo, a questão da onda permanecer no
oceano ou do oceano permanecer na onda, sequer é levantada, porque não há onda
ou oceano. Há somente água. Similarmente, tudo é apenas manifestação do Espírito
(B.Gita, 7.19).
Veja o poder do Meu
mistério divino; na realidade, Eu – o sustentador e criador de todos os seres –
não dependo deles, e eles também não dependem de Mim. (de fato, a corrente de
ouro não depende do outro; a corrente de ouro não é nada mais do que ouro.
Também, matéria e energia são diferentes, bem como não são diferentes) (9.05).
A onda é água, mas a água não é onda. A
água torna-se vapor, a nuvem, a chuva, o gelo, bem como a bolha, o lago, o rio,
a onda, e o oceano. Estes nada mais são do que diferentes formas (ou
transformações) da água. Pelo ponto de vista monista, não há oceano, onda, e
lagos, mas apenas água. De qualquer forma, uma onda é uma onda enquanto ela não
realizar a sua verdadeira natureza – que é não ser onda, mas água. Quando a onda
concretizar que ela é água, a onda não mais permanece onda, mas torna-se água.
De modo similar, quando realizamos que ele ou ela não são seus corpos físicos –
mais o Ser Eterno residente na forma de Espírito dentro do corpo físico –
transcende-se o corpo físico imediatamente, tornando-se uno com o Espírito, sem
submeter-se a qualquer troca psíquica; enquanto um corpo físico é mortal,
limitado pela forma, com cor, gênero masculino ou feminino, e temperamento. Mas
como parte do Espírito, se é livre, imortal, e sem limites. Isto é chamado de
Nirvana ou salvação.
Entenda que todos
os seres ficam em Mim – sem qualquer contato ou sem produzir qualquer efeito –
como um poderoso vento, movendo-se por toda a parte, ficando eternamente no
espaço (9.06).
Os objetos grosseiros, como os planetas e
as estrelas, ficam no espaço sutil sem qualquer conexão visível, de nenhum modo.
De modo similar, o universo inteiro, incluindo o espaço em si mesmo, obedece a
lei da área especial chamada de Consciência. O tempo não afeta ao espaço;
semelhante como a Consciência é eterna, indivisível, e não é afetada por
qualquer coisa que anda neste campo, do mesmo modo como as nuvens não molham o
céu.
A TEORIA DA EVOLUÇÃO E DA INVOLUÇÃO
Todos os seres se fundem dentro da Minha natureza material primária no
final de um ciclo de cerca de 311 trilhões de anos solares, Ó Arjuna; e Eu crio
eles novamente, no início do próximo ciclo (veja, também, 8.17) (9.07).
Como uma aranha estende a sua teia a partir
de dentro, divertindo-se nela, extrai a teia dentro de si mesma; de forma
similar, o Ser Eterno (ou Espírito) cria o mundo material a partir de Si mesmo,
recriando-os enquanto entidades vias, e novamente recebendo-os em Seu interior
durante a completa destruição (BP 11.09.21). Todas as manifestações nascem, são
sustentadas, e, finalmente, fundem-se no Espírito, como as bolhas de água
surgem, são sustentadas, e se fundem de novo na água. O espírito manifesta-se em
Si mesmo dentro do universo através do uso do Seu poder interno, sem qualquer
ajuda de agente externo. Isso é possível para o Espírito uno – através da
virtude de possuir poderes diversos – para ser transformado dentro da
multiplicidade sem qualquer ajuda externa. O Espírito (ou Ser Eterno), deste
modo, é tanto causa eficiente como material da criação.
Eu crio a inteira multiplicidade dos seres, repetidamente, com o
auxílio de Minha Natureza material. Estes seres estão sob o controle dos modos
da Natureza material (9.08).
Estes atos de criação não Me atam, Ó Arjuna, porque Eu permaneço
indiferente e desapegado a todos estes atos (9.09).
A divina energia cinética (Maya) – com a ajuda da natureza material –
gera todos os objetos animados ou inanimados sob Minha supervisão; desta forma,
a criação mantém-se em movimento, Ó Arjuna (veja, também, 14.030 (9.10).
OS CAMINHOS DO SÁBIO E DO IGNORANTE SÃO DIFERENTES
As pessoas ignorantes desprezam-Me quando Eu apareço na forma humana,
porque eles não conhecem a Minha natureza transcendental, como sendo o grande
Senhor de todos os seres (tomam-Me por um ser humano comum), e porque eles têm
falsas expectativas, falsas ações, falso conhecimento, e estão iludidos pelas
qualidades tamásicas dos maldosos e demônios; eles são incapazes de Me
reconhecer (veja, também, 16.04-18) (9.11-12).
Quando o Senhor Krishna esteve aqui nesta
Terra, a respeito de ter executado muitos feitos extraordinários e transcendais,
apenas umas poucas pessoas estavam aptas para reconhê-lO como sendo uma
incarnação do Ser Supremo. Mesmo uma alma altamente desenvolvida como a do rei
Yudhishthira, ficou absolutamente surpreso ao ouvir do sábio Narada que no seu
reino, o seu primo irmão, Shri Krishna era o Ser Supremo na forma humana (BP
7.15.79). A moral da história é que o Supremo não pode ser conhecido sem que se
tenha um bom Karma, e a Sua graça pessoal.
Mas grandes almas, Ó Arjuna, que possuem as qualidades divinas (ver
16.01-03), conhecem-Me como o imutável – como sendo a causa material e eficiente
da criação – e, simplesmente, Me adoram com amor e devoção (9.13).
As pessoas de resolução firme Me adoram com eterna lealdade e devoção,
através de cantarem sempre Minhas glórias, e aspirarem alcançar-Me, e
prostrando-se diante de Mim com devoção (9.14).
Alguns adoram-Me pelo propagar e o adquirir do auto-conhecimento.
Outros adoram o infinito como o uno em tudo (ou não-dual), ou como o mestre de
tudo (ou dual), e de várias outras maneiras (9.15).
TUDO É UMA MANIFESTÇÃO DO ABSOLUTO
Eu sou o ritual; Eu sou o sacrifício; Eu sou a oferenda; Eu sou a erva;
Eu sou o mantra; Eu sou a manteiga clarificada; eu sou o fogo; e Eu sou a
oblação (ver 4.24). Eu sou aquele que sustenta o universo; o pai; a mãe e o avô.
Eu sou o objeto do conhecimento; a sílaba sagrada “AUM”, e os Vedas. Eu sou a
meta; o sustentador; o Senhor; a testemunha; a morada; o refúgio; o amigo; a
origem; a dissolução; a fundação; o substrato, e a semente imutável (veja,
também, 7.10 e 10.39) (9.16-18).
Eu forneço o calor; Eu envio, assim como contenho, a chuva. Eu sou a
imortalidade, bem como a morte. Eu sou, também, tanto a eternidade quanto o
temporário, Ó Arjuna (o Ser Supremo transforma tudo. Ver 13.12) (9.19).
ALCANÇA-SE A SALVAÇÃO PELO AMOR DEVOCIONAL
O executor dos rituais prescritos nos Vedas; os bebedores do néctar da
devoção, e os limpos de pecados, adoram-Me fazendo boas ações para conquistar o
paraíso. Como um resultado de suas meritosas ações, eles vêm para o céu e
regozijam-se com a satisfação dos sentidos celestiais (9.20).
Eles retornam ao mundo mortal – após terem desfrutado amplamente dos
prazeres dos mundos celestiais por exaustão dos frutos de seus bons karmas.
Deste modo, seguindo as injunções dos Vedas, as pessoas adoradoras dos frutos de
suas ações adquirem repetidos nascimentos e mortes (veja, 8.25) (9.21).
Eu, pessoalmente,
tomo conta tanto do bem-estar material como do espiritual dos devotos sempre
leais, que sempre se lembram e Me adoram com contemplação sincera (9.22).
Riqueza e felicidade chegam de
forma automática para as pessoas de reta ação, sem que a pessoa peça por isso,
como um rio deságua automaticamente no oceano (TR 1.293.02). A riqueza material
vem naturalmente para a pessoa virtuoso, como as águas do rio naturalmente flui
corrente abaixo (VP 1.11.24). O Senhor Rama disse: “Eu sempre tomo conta
daqueles que adoram-Me com devoção inabalável, assim como um mãe toma cuidado do
filho dela (TR 3.42.03). A forma da Mãe do Senhor é encorajada para os
buscadores de saúde, riqueza e conhecimento. Aqueles que sempre pensam em Deus
são considerados como sendo conscientes de Deus, estando em Consciência de
Krishna, ou auto-realizados. O Senhor, pessoalmente, toma conta daqueles que se
lembram d´Ele com mentalidade simples. Sua natureza de reciprocidade de amor por
Seus devotos puros é pela satisfação de seus desejos.
O Pai do céu conhece tudo o que você
precisa. “Conceda o primeiro lugar para o Seu reino, e o que ele exige; ele irá
prover você de tudo (Mateus, 6.32.33)”. “Nada será difícil de ser obtido quando
Eu sou agradado, mas um devoto puro, cuja mente está exclusivamente fixada em
Mim não pede nata, nem mesmo a salvação, mas a oportunidade de servir-Me (BP
6.09.48)”. O Senhor escolhe as melhores coisas para você, se você deixar que Ele
seja o seu guia, pela rendição para com o Seu querer.
Ó Arjuna, mesmo aqueles devotos que adoram deidades com fé, eles,
também, Me adoram, mas num jeito impróprio (9.23).
Há apenas um único Absoluto; o sábio
chama-O e adora-O por vários nomes (RV 1.164.46). A adoração da Mãe divina é
também encontrada nos Vedas, onde o sábio deseja ser como um filho desta Mãe
divina (RV 7.81.04). O Absoluto também se manifesta como controlador celeste –
por sustentar a criação – que é uno com muitos nomes e formas (RV
3.55.01). O Ser Supremo é uma mulher, um homem, um menino, uma menina, e
uma pessoa velha. Ele existe em todas as formas (AV 10.08.27). Todas as
deidades, masculinas ou femininas, são representações do uno divino. Ele é Um em
muitos, e muitos em Um. Não devemos adorar objetos materiais na criação, como a
família, amigos, e posses; mas pode-se adorar o Criador em objetos materiais,
porque Deus está em todas as pedras. O princípio Védico dos controladores
celestes não diversificam a unidade, mas unificam a diversidade. As deidades são
apenas nomes e formas, ou representações simbólicas, das energias da natureza.
A deidade é um conduto, através do qual a
água da divina graça pode por fluir pelo poder da convicção – expressado através
da adoração e da prece – do reservatório da consciência infinita. De qualquer
forma, a muda da fé torna-se o fruto da árvore da convicção apenas quando ela
brotar da terra do auto-conhecimento, e sobreviver à frieza da lógica. Nós
evocamos a força da energia cósmica potencial pela contemplação das deidades com
fé. A fé, realmente, trabalha. O poder da fé nos rituais ou da ciência do
espírito trabalha da mesma maneira que um placebo age, através do poder da fé na
ciência médica. De qualquer modo, não é muito fácil para os intelectuais
desenvolver uma fé profunda no poder dos rituais. Joseph Campbell disse: “As
imagens do mito são reflexos da potencialidade espirituais de cada um de nós, e
as deidades estimula o amor divino”.
Todos os diferentes tipos de adoração
alcançam o Uno e o mesmo Senhor, como as águas de diferentes rios alcançam o
mesmo oceano. A adoração externa com a ajuda de imagens ou uma representação
simbólica de Deus é necessária para os principiantes. Ela é de muita ajuda para
desenvolver um relacionamento pessoal com a deidade da escolha de alguém, que
pode ser consultada, e que se pode contar com a sua ajuda durante os momentos de
crise na vida. Aqueles que são contra a adoração da deidade não entendem que
Deus a tudo penetra, podendo, também, existir dentro de uma deidade. Tais
pessoas limitam a Sua supremacia.
As antigas escrituras védicas têm
autorizado a forma da deidade de adoração de Deus, porque ela limpa o coração, a
mente, e os sentidos grosseiros e sutis do adorador, e incremente, bem como
mantém, a fé de alguém em Deus.
O passo seguinte é o canto de hinos e a
repetição (japa) dos Nomes Divinos. O próximo estágio é a meditação. A visão do
Espírito-consciência, ou a observação do Espírito, manifesta-se através de cada
indivíduo, sendo o mais elevado desenvolvimento espiritual.
Porque Eu – o Ser Supremo – sou o único desfrutador de todos os
serviços de sacrifício, e o Senhor do universo. Mas as pessoas não conhecem a
Minha verdadeira natureza transcendental. Portanto, eles caem dentro do ciclo
repetitivo de nascimentos e mortes (9.24).
Os adoradores dos controladores celeste vão até os controladores
celestes; os adoradores dos ancestrais, vão até os ancestrais, e os adoradores
de fantasmas vão até os fantasmas; mas Meus devotos vêm até a Mim, e não voltam
a nascer novamente (veja 8.16) (9.25).
É dito que não importa o que se adora, este
será o destinação que se alcançará; ou, nos tornamos no que regularmente
pensamos.
O SENHOR ACEITA E DESFRUTA DA OFERENDA DE AMOR E DEVOÇÃO
Ofereça-Me uma
folha, uma flor, um fruto ou água com devoção, Eu aceitarei e provarei a
oferenda da devoção pelo coração puro (9.26).
O Senhor é faminto de amor e do sentimento
de devoção. Um coração dedicado, não rituais complicados, são necessários para o
favor de Deus e para obter a Sua graça. Só devemos consumir alimentos somente
após ter primeiro oferecido para Deus. Deus come os alimentos oferecidos em
favor dos Seus devotos. A mente se torna purificada quando se come alimentos que
primeiro foram oferecidos para Deus.
Ó Arjuna, qualquer
coisa que faça; qualquer que seja o que você coma; qualquer que seja a caridade
que você ofereça como sacrifício; qualquer que seja a austeridade que você
realizar, dedica tudo como uma oferenda para Mim (ver, também, 12.10, 18.46)
(9.27).
Nada é suficiente ou mesmo necessário para
seguir certa rotina, de dar oferendas ritualísticas de adoração todo o dia para
agradar a Deus. Qualquer coisa que alguém, através de sua natureza, faça com o
corpo, mente, sentidos, pensamentos, intelecto, ação, palavra, pode ser feita
com a consciência de que tudo é somente para Deus (BP 11.02.36). As pessoas têm
alcançado a libertação pela realização de apenas um tipo de serviço devocional,
como cantar, ouvir, lembrar-se, servir, meditar, renunciar ou render-se. O apego
pela fama é como um fogo que pode destruir todo o yoga e austeridades. O poder
ilusório da energia cinética divina (maya) é formidável. Ele seduz a qualquer
um, incluindo os yogis, a menos que façam tudo para Deus.
Você se tornará livre do cativeiro – do bem e do mal – do Karma e virá
até a Mim, pela atitude de completa dedicação a Mim (9.28).
O Ser está presente igualitariamente em todos os seres. Não há alguém que seja detestável
ou caro para Mim. Mas aqueles que adoram-Me com amor e devoção são muito
queridos para Mim, e Eu também estou muito junto deles (veja, também, 7.18) (9.29).
O Senhor Krishna diz aqui que não devemos
ser parciais, mas trabalharmos como fiéis ou auxiliar melhor as pessoas. O
Senhor nunca é imparcial ou parcial com qualquer um. O Senhor não ama um e odeio
outro, mas dá especial preferência para Seus devotos. Ele disse: “Meus devotos
não conhecem qualquer coisa senão a Mim, e Eu não conheço qualquer outro senão
eles (BP 9.4.68)”. Proteger os Seus devotos é Sua natureza. O Senhor vem de
longe para auxiliar e satisfazer os desejos dos Seus devotos sinceros. Ele
também retribui pensando sempre em Seus devotos que sempre estão pensando n´Ele,
salvando tais devotos de todas as calamidades e de grandes problemas. O melhor
caminho para a perfeição – adequado à natureza individual – é apontado para os
Seus devotos sinceros.
Eu estou no Pai, e o Pai está em Mim (João,
10.38, e 14.11). Pedi e vos será dado. Procurais e encontrareis (Mateus, 7.07).
A graça do Pai está para que a pede. As portas da devoção estão abertas para
todos, mas os fiéis e aqueles que se dedicam a queimar o incenso da devoção nos
templos dos seus corações tornam-se unos com o Senhor. Um pai ama de forma
igualitária a todos os seus filhos, mas os filhos que são devotados ao pai é
mais querido, embora ele ou ela não sejam muito ricos, inteligentes ou
poderosos. De modo similar, um devoto é muito querido para o Senhor. O Senhor
não concede tudo – assim como a riqueza material ou espiritual – para todo
mundo. Deve-se alcançar a perfeição – pela graça de Deus – por intermédio da
prática da disciplina espiritual. Tanto o auto-esforço como a graça são
necessários. De acordo com os Vedas, os semideuses auxiliam aqueles que ajudam a
si mesmos (RV 4.33.11). Yogananda disse: “Deus escolhe aqueles que O escolhem”.
A graça de Deus, como os raios do sol, está
igualitariamente disponível para todos, mas devido a liberdade alguns abram mais
a janela do seu coração para a luz do sol entrar. É dito que a divindade é um
direito inato; de qualquer forma, o auto-empenho na reta direção é também
necessário para remover os obstáculos por nós mesmo produzidos por nossas ações
passadas. A graça de Deus chega até nós rapidamente por intermédio de nossos
esforços próprios. Se crê, também, que a graça divina e o auto-esforço são uma
só coisa. O auto-empenho promove o processo de realização em Deus, do mesmo modo
como o adubo auxilia o crescimento das plantas.
NÃO HÁ UM PECADOR IMPERDOÁVEL
Se mesmo a mais
pecaminosa das pessoas decidir adorar-Me com sincero amor devocional, do mesmo
modo como faz uma pessoa santa, ela será considerada como um santo, porque age
de forma correta (9.30).
Não há um pecado ou pecador imperdoável. O
fogo do arrependimento sincero queima todos os pecados. O Corão diz: “Aqueles
que acreditam em Allah e fazem as suas ações corretamente, eles serão perdoados
de suas más ações (Surah 64.09)”. Yogananda costumava dizer: “Um santo é um
pecador que jamais desiste. Cada santo tem um passado, e cada pecador tem um
futuro”. A Bíblia diz: “Todos que acreditam n´Ele terão a vida eterna (João
3.15). Ações de austeridades, serviço, e caridade, feitos sem qualquer motivo
egoísta podem reparar os atos pecaminosos, assim como a escuridão dissipa-se
após o nascer do sol (MB 3.207.57). Se um devoto ou devota mantêm as suas mentes
focalizadas em Deus, eles não terão espaço para os desejos amadurecerem, e uma
pessoa pecaminosa em pouco tempo torna-se justa, assim como é mencionado abaixo:
Semelhante pessoa em pouco tempo se torna justa, e alcança a paz
eterna. Saiba, Ó Arjuna, que Meu devoto jamais falha para alcançar a meta
(9.31).
O CAMINO DO AMOR DEVOCIONAL É FÁCIL
Qualquer um pode alcançar a Morada Suprema, simplesmente por render-se
a Mim com vontade e amor devocional, Ó Arjuna (veja, também, 18.66) (9.32).
Uma disciplina espiritual deve ser
realizada com fé, interesse, e habilidade pessoal. Pode ser que alguns sejam
desqualificados ou não estejam prontos para receber o conhecimento do Supremo,
mas o caminho da devoção está aberto para todos. Não se é desqualificado devido
a casta, credo, por ser homem ou mulher, por ter ou não capacidade mental para
receber devoção. Os mais santos e sábios consideram o caminho da devoção
confortável, e o melhor de todos os caminhos.
É muito fácil para os sábios e os devotos inteligentes alcançarem o Ser
Supremo. Portanto, tendo obtido esta aflita e transitória vida humana, deve-se
sempre adorar-Me com amor devocional (9.33).
A entidade viva, sob o encanto do poder
ilusório da divina energia cinética (Maya), passa por repetidos ciclos de
nascimento e morte. O bom Senhor, como resultado de Sua graça, dá a entidade
viva humana um corpo que é muito difícil de ser obtido. O corpo humano, criado a
imagem de Deus, é uma jóia da criação, e possui a capacidade de entregar a alma
na rede de transmigração nos elevados níveis de existência. Todas as outras
formas de vida sobre a Terra, exceto a vida humana, são destituídas do intelecto
superior e da qualidade de discriminação.
Como um tigre, repentinamente, vem e pega
um carneiro do rebanho, similarmente, a morte leva uma pessoa inesperadamente.
Portanto, a disciplina espiritual e as ações corretas, devem ser realizadas sem
esperar-se por um tempo próprio (MB 12.175.13). A meta e obrigação de um
nascimento humano é para procurá-lO. A procura por Deus não pode esperar.
Deve-se continuar nesta procura, paralelamente com as outras obrigações da vida;
de outra forma, será muito tarde. O Senhor Krishna conclui este capítulo
entregando a via prática para as pessoas se engajarem no Seu serviço devocional,
abaixo:
Pense sempre em Mim; seja devotado a Mim;
adore-Me, e faça reverências para Mim. Assim, unindo o seu ser Comigo,
colocando-Me como meta suprema e único refúgio, você certamente chegará até a
Mim (9.34).
Chapter 10
A MANIFESTAÇÃO DO ABSOLUTO
O Senhor Krishna disse: Ó Arjuna, escute mais uma vez estas palavras
supremas que Eu irei falar para você, que é muito querido para Mim, para o seu
bem (10.01).
DEUS É A ORIGEM DE TODAS AS COISAS
Nem os controladores celestes, nem os grandes sábios, conhecem a Minha
origem, porque Eu sou a origem dos controladores celestes, bem como dos grandes
sábios também (10.02).
Aquele que Me conhece como não-nascido, o princípio original, e o
Supremo Senhor do universo, é considerado sábio entre os mortais, e se torna
liberado do cativeiro do karma (10.03).
Diferenciação, auto-conhecimento, não ilusão, perdão, honestidade,
controle sobre a mente e os sentidos, tranqüilidade, prazer, dor, nascimento,
morte, medo, destemor, não-violência, equanimidade, contentamento, austeridade,
caridade, fama, má fama – todas estas diversas qualidades humanas surgem
unicamente de alguma coisa Minha (10.04-05).
Se você perdoar os outros, o Pai que está
nos céus irá também perdoar você (Mateus, 6.14). Não afronte o mal com o mal
(Mateus, 5.39). Ame aos seus inimigos, e reze por aqueles que o maltratam
(Mateus, 5.44). Deve-se controlar a ira direcionada aos outros. O controle da
ira, por si mesmo, pune quem faz mas ações, se quem faz más ações não pede
perdão (MB 5.36.05). Aquele que comete erro é destruído pelo mesmo ato que fez,
se não pede perdão por ele (MS 2.163). Aquele que, de fato, perdoa é
transpassado pela felicidade, porque a ira de quem perdoa é exterminada. O
progresso na disciplina espiritual é impedido se os relacionamentos
inter-pessoais estão cheios de mágoas, e sentimentos negativos, mesmo que por
uma simples entidade viva. Portanto, devemos aprender a perdoar e a pedir
perdão. Na virtude está seu próprio vício. O perdão é muitas vezes interpretado
como sendo um sinal de fraqueza; deste modo, o perdão é a resistência da força,
e uma virtude para o fraco.
Os grandes santos, sábios e todas as criaturas do mundo, nascem da
Minha energia potencial (10.06).
Aquele que, verdadeiramente, entende Meus poderes yóguicos e
manifestações, une-se a Mim, pela devoção inabalável. Sobre isto não há dúvidas
(10.07).
Eu sou a origem de
tudo. Tudo emana de Mim. O sábio que entende isto, Me adora com amor e devoção
(10.08).
Este que é o Uno traz tudo isso (RV
8.58.02).
Meus devotos permanecem sempre contentes e satisfeitos, e suas mente
ficam totalmente absorvidas em Mim, rendendo suas vidas a Mim. Eles sempre
esclarecem os outros por falar sobre Mim (10.09).
Os devotos são os benfazejos de todos, e
ajudam aos outros avançarem no caminho espiritual.
O SENHOR DÁ O CONHECIMENTO PARA SEUS DEVOTOS
Eu concedo o poder de análise e de raciocínio para o entendimento da
ciência metafísica – para aqueles que sempre estão unidos a Mim, e Me adoram de
todo o coração – e pelos quais eles vêm a Mim (10.10).
Nos é dado o poder de raciocínio e análise
(viveka), que pode ser usado para entender a ciência metafísica do
auto-conhecimento. Aqueles que recebem Ele e acreditam n´Ele, eles tornam a casa
do Pai, que está nos céus (João, 1.12). Não se pode receber o reinado de Deus
sem sermos como crianças, para podermos entrar nele (Lucas, 18.17).
Eu – que resido dentro da alma interior deles como consciência –
destruo a escuridão nascida da ignorância, pelo brilho da lâmpada do
conhecimento transcendental, como um ato de compaixão para com eles (10.11).
Podemos alcançar o Senhor Supremo somente
pelo amor exclusivo e pela devoção. A lâmpada do conhecimento espiritual é da
realização em Deus, por ser facilmente acesa pela intensa faísca da devoção, mas
nunca apenas pelo intelecto e pela lógica sozinhos.
Arjuna disse: Você é o Ser Supremo; a suprema Morada, o Purificador
Supremo, o Ser Eterno, o Deus primordial, o não-nascido, e o Onipotente. Todos
os santos e sábios têm aclamado Você, e agora Você está me dizendo isto
(10.12-13).
NINGUÉM PODE CONHECER A VERDADEIRA NATUREZA DA REALIZADE
Ó Krishna, eu acredito que tudo o que Você disse para mim é verdade. Ó
Senhor, nenhum controlador celeste, nem os demônios, podem entender a Sua
verdadeira natureza (veja, também, 4.06) (10.14).
Ó Criador, e Senhor
de todos os seres; Deus de toda administração celestial; a pessoa Suprema, e
Senhor do universo, somente Você conhece a Você mesmo, pelo Seu próprio Ser
(10.15).
Os Vedas deixam a questão final, da origem
última da realidade inconteste, declarando que ninguém conhece a origem última
de onde a criação veio. Os sábios foram favorecidos pelo entendimento que eles
nada sabem (RV 10.129.06-07). Os que dizem que “eu conheço Deus”, não sabem;
aqueles que conhecem a verdade dizem que nada sabem. Para uma pessoa de
verdadeiro conhecimento, Deus não é possível de ser conhecido; somente um
ignorante declara conhecer Deus (KeU 2.01-03). A origem última da energia
cósmica ficará sendo um grande mistério. Qualquer descrição específica de Deus,
incluindo uma descrição do paraíso ou do inferno, nada mais será do que uma
especulação mental.
Portanto, unicamente Você é capaz de descrever plenamente Suas
próprias glórias e manifestações, pelas quais Você existe, penetrando todo o
universo (10.16).
Como posso eu conhecer Você, Ó Senhor, por uma contemplação constante?
Em qual forma de manifestação Você pode ser pensado por mim, Ó Senhor? (10.17).
Ó Senhor, explique para mim novamente, em detalhes, Seu poder yóguico e
Sua glória; porque eu não me sacio de ouvir de Você estas nectárias palavras
(10.18).
TUDO É UMA MANIFESTAÇÃO DO ABSOLUTO
O Senhor Krishna disse: Ó Arjuna, agora Eu explanarei para você Minha
manifestação divina proeminente, porque as Minhas manifestações são ilimitadas
(10.19).
Ó Arjuna, Eu sou o Espírito supremo (ou superalma), que reside na
psique interior de todos como alma (Atma). Eu, também, sou o criador, mantenedor
e destruidor – ou o começo, o meio e o fim – de todos os seres (10.20).
O Espírito não tem origem, e isto é uma
propriedade do Ser Supremo, assim como a luz do sol é uma propriedade do sol (BS
2.030.17). O Ser Supremo e o Espírito são como o sol e a sua luz, sendo
diferentes bem como iguais (BS 3.02.28). Dentro das entidades vivas o Espírito é
o controlador. O Espírito é diferente do corpo físico, como o fogo é diferente
da madeira.
Os sentidos, a mente e o intelecto não
podem conhecer o Espírito ou a consciência universal, porque os sentidos, a
mente e o intelecto recebem seu poder para funcionar somente do Espírito (KeU
1.06). O Espírito fornece poder e dá suporte aos sentidos, assim como o ar
queima e dá suporte ao fogo (MB 12.203.03). O Espírito é a base e o suporte por
detrás de cada poder, movimento, intelecto e vida neste universo. Ele é poder do
qual se vê, ouve, sente, pensamos, amamos, odiamos, e os objetos dos desejos.
Eu sou o sustentador. Entre as luminárias Eu sou o sol radiante; Eu sou
o controlador do vento; entre as estrelas Eu sou a lua (10.21).
Eu sou os Vedas. Eu sou o controlador celeste. Entre os sentidos Eu sou
a mente; Eu sou a consciência nas entidades vivas (10.22).
Eu sou o Senhor Shiva. Eu sou o deus da riqueza; Eu sou o deus do fogo
e as montanhas (10.23).
Eu sou o sacerdote,
e o general do exército dos controladores celestes, Ó Arjuna. Eu sou o oceano
entre os copos da água (10.24).
Eu sou o grande sábio Bhrigu. Eu sou a monossílaba cósmica “AUM” por
entre as palavras; Eu sou a repetição silenciosa do mantra (japa) por entre as
disciplinas espirituais, e, entre as montanhas, Eu sou o Himalaia (10.25).
O canto constante de um mantra ou de
qualquer nome sagrado do Senhor é considerado pelos santos e sábios, de todas as
religiões, como o mais fácil e mais poderoso método de auto-realização na
presente era (kali-yuga). A prática desta disciplina espiritual dirigirá as
vibrações sonoras profundamente nas camadas da mente, trabalhando como um
amortecedor na prevenção do aumento das ondas de pensamentos negativos, e idéias
impuras, conduzindo pelo caminho do despertar interior, no devido decurso de
tempo. A meditação é uma extensão e o elevado estado deste processo. Devemos
primeiro praticar isto antes de empreender a meditação transcendental interna.
Swami Harihar disse: Não devemos desejar ganhar quaisquer objetos mundanos, na
troca da repetição dos santos nomes. A força espiritual do nome divino não deve
ser aplicada nem mesmo para a destruição dos pecados. Devemos utilizar desta
prática apenas para a realização divina.
A forma do Senhor não pode ser conhecida e
nem compreendida pela mente humana sem que tenha um nome. Se alguém canta ou
medita no nome sem ver forma, ela brilhará na tela da mente como um objeto de
amor. Um grande sábio disse: posicione a lâmpada do nome do Senhor perto da
porta da sua língua, se você quer iluminar tanto internamente como externamente.
O nome de Deus é grande, tanto no aspecto impessoal como pessoal, devido ao
poder dos nomes ter controle sobre ambos aspectos de Deus.
UMA BREVE DESCRIÇÃO DA MANIFESTAÇÃO DIVINA
Entre as árvores, eu sou a sagrada figueira; entre os sábios Eu sou
Narada, e Eu sou o celestial regulador (10.26).
Conheça-Me como o animal celestial entre os animais, e o Rei entre os
homens. Eu sou o raio entre as armas, e Eu sou o cupido para a procriação
(10.27.28).
Eu sou o deus da água e das serpentes. Eu sou o controlador da morte.
Eu sou o tempo ou a mortalidade entre os remédios; o leão entre os animais, e o
rei dos pássaros entre os pássaros (10.29-30).
Entre os purificadores Eu sou o vento, e entre os guerreiros Eu sou o
Senhor Rama. Eu sou o crocodilo entre os peixes, e o sagrado rio Ganges entre os
rios (10.31).
Eu sou o começo, o meio e o fim de toda a criação, Ó Arjuna. Entre o
conhecimento, Eu sou o conhecimento do Ser Supremo. Eu sou a lógica dos lógicos
(10.32).
Eu sou a letra “A” dos alfabetos. Eu sou o composto dual entre as
palavras compostas. Eu sou o tempo sem fim. Eu sou o sustentador, e Eu sou
onisciente (10.33).
Eu sou a morte a que tudo devora, e também a origem dos futuros seres.
Eu sou as sete deusas ou anjos guardiões que presidem as sete qualidades: fama,
prosperidade, fala, memória, intelecto, decisão e perdão (10.34).
Eu sou os védicos e outros hinos. Eu sou os mantras; Eu sou os meses de
Novembro e Dezembro entre os meses; e entre as estações Eu sou a primavera
(10.35).
Eu sou a aposta dos
apostadores; a resplandecência do esplendor; a vitória dos vitoriosos; a decisão
das decisões; e o bom da bondade (10.36).
Tanto o bem como o mal são produtos do poder divino (Maya). Maya cria
uma multiplicidade de méritos e deméritos, que não possuem existência real. O
sábio não dá muita importância para isso. Devemos desenvolver boas qualidades e
livrarmo-nos das ruins. Após a iluminação, tanto o bem como o mal, a virtude e o
vício são transcendidos, assim como a escuridão desaparece após o nascer do sol.
Vício e virtude não são duas coisas, mas uma só, a diferença está apenas num
degrau de manifestação. É verdade que Deus também reside nos mais pecadores
seres, mas não é adequado odiá-los ou associar-se com eles. Gandhi disse: odeie
o pecado, e não o pecador.
Devemos ver o maravilhoso drama cósmico, pleno de pares de opostos na
vida, com o coração sempre alegre, porque não há bem e mal, apenas diferentes
máscaras do ator cósmico. As escrituras anunciam a idéia de enriquecimento por
meios injustos, como o das apostas, presentes e subornos. Elas recomendam o
trabalho honesto, suar a testa, assim como o do cultivar o campo, que é bom para
a sociedade e para o indivíduo (RV 10.34.13).
Eu sou Krishna, Vyasa, Arjuna, e o poder dos reguladores; a política
dos que buscam a vitória. Entre os segredos Eu sou o silêncio, e do
auto-conhecimento Eu sou o conhecível (10.37-38).
Eu sou a origem de todos os seres, Ó Arjuna. Não há nada, animado ou
não, que pode existir sem Mim (veja,também, 7.10 e 9.18) (10.39).
Uma grande árvore – com muitos galhos,
folhas, flores, frutos e sementes – fica dentro do resguardo de uma semente na
sua forma imanifesta, e torna-se manifesta como um árvore. A árvore sempre fica
imanifesta dentro da semente. De modo semelhante, todas as manifestações
permanecem no Absoluto na sua forma imanifesta, e tornam a se manifestar durante
a criação, e não manifestarem-se durante a dissolução, sempre e sempre. Os
frutos permanecem escondidos na semente e a semente no fruto, semelhante a Deus
nos seres humanos e os seres humanos em Deus.
A CRIAÇÃO MANIFESTADA É UMA DIMINUTA FRAÇÃO DO ABSOLUTO
Não há fim na Minha divina manifestação, Ó Arjuna. Isto é apenas uma
breve descrição por Mim da extensão das Minhas manifestações divinas (10.40).
A variedade no universo, do mais elevado
controlador celeste ao mais pequenino inseto, mesmo o pó inerte, é nada mais do
que uma manifestação do Uno e mesmo Absoluto.
Não importa o que seja doado com glória, fulgor e poder – saiba que
isto é uma manifestação de uma diminuta fração do Meu esplendor (10.41).
Através da palavra, Sua vibração cósmica,
Deus faz todas as coisas; não existe uma coisa na criação que foi feita sem Sua
energia cósmica (João, 1.03). Esta manifestação cósmica não é separada do
Absoluto, do mesmo modo como o amanhecer não se separa do sol (BP 4.31.16). A
criação inteira é uma revelação parcial e parte e parcela do Infinito. O Divino
manifesta Suas glorias através da criação. A beleza e o esplendor do universo
visível é apenas uma pequenina fração de Sua glória.
O que é necessário para este conhecimento detalhado, Ó Arjuna? Eu
continuamente sustento o universo inteiro, com uma fração muito pequena do meu
poder divino (10.42).
Quantitativamente, a criação manifestada
uma pequena fração do Absoluto. O universo reflete o esplendor divino para os
seres humanos, para verem o Senhor invisível. Devemos aprender a perceber Deus,
não apenas como uma pessoa ou visão, mas também através do Seu esplendor
enquanto manifestação no universo, e pensando em suas leis que governam e
controlam a natureza e a vida. Ele é existência, bondade e beleza.
Chapter 11
A VISÃO DA FORMA CÓSMICA
Arjuna disse: minha ilusão foi dissipada pelas profundas palavras de
sabedoria e compaixão, que Você claramente falou para mim, sobre o supremo
segredo do Ser (11.01).
Ó Krishna, em detalhes, eu ouvi de Você sobre a origem e a dissolução
dos seres, e da Sua glória imutável (11.02).
A VISÃO DE DEUS É A META ÚLTIMA DE QUEM BUSCA A LIBERAÇÃO
Ó Senhor, Você é
tal como Você disse; apesar disto, eu gostaria de ver a sua forma divina, Ó Ser
Supremo (11.03).
Ó Senhor, se Você acha que é possível para mim ver a Sua forma
universal, então, Ó Senhor dos yogis, mostre-me a Sua forma transcendental
(11.04).
Não há outro meio para conhecer Deus antes
de experiência-lO. A fé em Deus repousa por sobre um chão instável sem a visão
do objeto da devoção. Toda nossa disciplina espiritual é dirigida para esta
visão. A visão é essencial para submeter o último pedaço de impureza emocional,
e alguma dúvida hesitante na mente do crente, porque, para uma mente humana, é
vendo que se acredita. Portanto, Arjuna, como qualquer outro devoto, lembre-se
de observar a forma transcendental do Senhor.
O Senhor Krishna disse: Ó Arjuna, contemple Minhas centenas de milhares de vários tipos
de formas divinas, de diferentes cores e aspectos. Contemple todos os seres
celestes, e as várias maravilhas nunca antes vistas. Contemple, também, a
criação inteira – o animado e o inanimado, e além do que você gostaria de ver –
tudo tem lugar no Meu corpo (11.05-07).
Mas você não pode
Me ver com seus olhos físicos; portanto, Eu darei a você o olho divino para que
veja o Meu majestoso poder e glória (11.08).
Ninguém pode ver Deus com seus olhos
físicos. Sua forma transcendental está além do campo de visão comum. Ele se
revela através da faculdade de intuição do intelecto, que residindo dentro da
psique interior, controla a mente. Aqueles que conhecem a Deus se tornam
imortais (KaU 6.09). Nós, cegos às cores, não estamos aptos para ver a plenitude
de escala de cores cósmicas, bem como a luz com os olhos humanos. A visão
divina, a qual é um presente de Deus, é necessária para ver a beatitude e a
glória da Suprema Personalidade de Deus.
O SENHOR MOSTRA SUA FORMA CÓSMICA PARA ARJUNA
Sañjaya said: Ó Rei, tendo disso isso, o Senhor Krishna, o grande
Senhor do místico poder do Yoga, revelou a Sua forma majestosa e suprema para
Arjuna (11.09).
Arjuna viu a Forma Universal do Senhor com muitas mãos e olhos,
infinitas e maravilhosas imagens; com inúmeros ornamentos; segurando muitas
armas divinas; vestindo guirlandas e roupas divinas, untadas com perfumes e
óleos celestes; pleno de todas as maravilhas; Deus de ilimitadas faces por todos
os lados (11.10-11).
Se o esplendor de milhares de sóis surgisse como chamas, todos de uma
só vez no céu, não se pareceriam com a magnificência deste Ser elevado (11.12).
Ele vem para falar a respeito da luz. Esta
é a verdadeira luz, a luz que veio ao mundo e que tudo sustenta (João 1.09). Ó
Senhor, nem mesmo um milhão de sóis é comparável a Você (RV 8.70.05). Robert
Oppenheimer falou este verso quando ele testemunhou a explosão da primeira bomba
atômica.
Arjuna viu o universo inteiro, dividido de muitos modos, mas estando
todos eles em Um só, e todo o Uno no corpo transcendental de Krishna, o Senhor
dos controladores celestes (veja, também, 13.16 e 18.20) (11.13).
TALVEZ NÃO ESTEJAMOS PREPARADOS OU QUALIFICADOS PARA VER
O SENHOR
Tendo visto a forma cósmica do Senhor, Arjuna ficou cheio de espanto; e
seus cabelos se arrepiaram; abaixou a cabeça para o Senhor, e pediu-lhe com as
mãos postas (11.14).
Arjuna disse: Ó Senhor, Eu vejo no Seu corpo todos os controladores
sobrenaturais, e uma multidão de seres celestes e sábios (11.15).
Ó Senhor do
universo, eu vejo Você em todos os lugares com infinitas formas, com muitas
armas, ventres, faces e olhos. Ó universal forma, eu não vejo nenhum começo,
meio ou fim Seu (11.16).
O Ser é onipresente, que a tudo penetra,
sem começo, meio e nem fim.
Eu vejo Você com suas cabeças, claves, disco, e brilho radiante difícil
de ser contemplado; tudo ao Seu redor cintila com um imensurável brilho e como
flamejantes chamas do sol (11.17).
Eu acredito que Você é o Ser Supremo para ser realizado. Você é o
último refúgio do universo. Você é o Espírito e protetor da ordem eterna
(Dharma) (11.18).
Eu vejo Você com poder infinito, sem começo, meio ou fim; com muitas
armas; com o sol e a lua em seus olhos; com Suas bocas, como que com línguas de
fogo queimando todo o universo, com a Sua irradiação (11.19).
Ó Senhor, Você penetra o espaço inteiro entre o Céu e a Terra em todas
as direções. Vendo Sua maravilhosa e terrível forma, os três mundos tremem de
medo (11.20).
O anfitrião dos controladores sobrenaturais entra dentro de Você.
Alguns com as mãos postas cantam Seus nomes e glórias com medo. Uma multidão de
seres perfeitos saúdam e adoram Você com louvores em abundância (11.21).
Todos os seres celestes contemplam a Você com assombro. Vendo Suas
infinitas formas com muitas bocas, olhos, armas, cochas, pés, ventres, e dentes
pontiagudos, os mundos tremem de medo, e assim faço eu, Ó magnífico Senhor
(11.22-23).
O Uno a tudo transforma. Todas a bocas,
cabeças, pescoços e olhos são Seus.
ARJUNA FICA ATERRORIZADO COM A FORMA CÓSMICA
Eu estou amedrontado, e não encontro nem a paz nem a coragem, Ó
Krishna, após ver a Sua refulgente forma multicolorida tocando o Céu, e Suas
bocas escancaradas, com um grande brilho nos olhos (11.24).
Eu perco meus sentidos de direção, e não me sinto confortável após ver
Sua bocas, com terríveis dentes brilhantes, como o fogo cósmico da dissolução.
Tenha piedade de Mim, Ó Senhor dos governadores celestes, e protetor do
universo! (11.25).
Todos os meus primos irmãos, junto com os anfitriões dos outros reis e
guerreiros do outro lado, junto com os chefes guerreiros do outro exército,
estão sendo rapidamente entrando para dentro de Suas bocas terríveis, com
terríveis dentes. Alguns estão presos entre os dentes caninos, com suas cabeças
esmagadas (11.26-27).
Estes guerreiros do mundo mortal estão entrando nas Suas bocas
ardentes, assim como a corrente de muitos rios entram no oceano (11.28).
Todas estas pessoas correm, rapidamente, para dentro de Suas bocas para
a destruição; como as mariposas se precipitam para dentro de uma chama para a
destruição (11.29).
Você está lambendo, de pé, todos estes mundos com Suas línguas de fogo,
engolindo-os por todos os lados. Sua poderosa irradiação preenche o universo
inteiro com refulgência, e queima tudo, Ó Krishna (11.30).
Diga-me, quem é Você em semelhante forma feroz? Eu saúdo a Você, Ó
melhor de todos os controladores celestes. Seja misericordioso! Que eu possa
entender Você, Ó Ser primordial, porque eu não conheço a Sua missão (11.31).
O SENHOR DESCREVE O SEU PODER
O Senhor disse: Eu sou a morte, o poderoso destróier do mundo. Eu vim
aqui para destruir a todas estas pessoas. Mesmo sem a sua participação na
guerra, todos estes guerreiros, sustentando a ordem no exército inimigo, irão
deixar de existir (11.32).
Portanto, levante-se e alcance a glória. Conquiste os seus inimigos, e
compraze-se com um reino próspero. Eu já tenho destruído todos estes guerreiros.
Você é meramente um instrumento, Ó Arjuna (11.33).
Esta é Minha batalha, não as suas. Eu uso
você, Ó Arjuna, apenas como um instrumento. Eu faço tudo através do seu corpo!
Deve-se sempre lembrar, o tempo todo, que todas as batalhas são d´Ele, e não
nossas. O Corão, também, diz: Você é apenas um instrumento, e Allah o
responsável por todas as coisas (Surah 11.12). A vontade e o poder de Deus é que
faz tudo. Ninguém pode fazer nada sem o poder de Deus e Sua vontade. É apenas
Deus que faz alguém ficar impaciente por vida material ou espiritual. Aqueles
que não são auto-realizados enganam-se tendo suas coisas como sendo as coisas de
Deus, fazendo coisas erradas.
Mate todos estes grande guerreiros, que estão prontos, agora mesmo,
para serem mortos por Mim. Não tema. Você, com certeza, irá conquistar os
inimigos na batalha; portanto, lute! (11.34).
AS
PRECES DE ARJUNA PARA A FORMA CÓSMICA
Sañjaya disse: tendo escutado estas palavras de Krishna, o coroado
Arjuna tremeu com as mãos postas, prostrou-se com medo, e falou para Krishna com
a voz sufocada (11.35).
Arjuna disse: com justiça, Ó Krishna, o mundo se deleita e regozija em
glorificar Você. Demônios terríveis fogem em todas as direções. O anfitrião dos
sábios curva-se em adoração a Você (11.36).
Por que eles não se
curvariam para Você, Ó grande alma – o criador original – que é maior do que
Brahmaa, o criador dos mundos materiais? Ó infinito Senhor; Ó Deus de todos os
controladores celestiais; Ó morada do universo, Você é tanto o Eterno como
o Temporário, e o Ser Supremo que está além do Eterno e Temporário (veja,
também, 13;12 para um comentário) (11.37).
Você é o Deus primordial, a pessoa mais antiga. Você é o último refúgio
do universo inteiro. Você é o conhecedor, o objeto do conhecimento, e a Morada
Suprema. Ó Senhor de forma infinita, Você penetra no universo inteiro (11.38).
Você é o fogo, o vento, a água, a lua, o criador, bem como o pai do
criador, e o controlador da morte. Eu saúdo a Você, milhares de vezes, e sempre
saudarei a Você (11.39).
Minhas saudações diante e detrás de Você. Ó Senhor, presto minhas
reverências para Você por todos os lados. Você é a coragem infinita e a força
ilimitada. Você preenche tudo, e, portanto, Você está em tudo e em toda a parte
(11.40).
Considerando Você meramente como a um amigo, e não sabendo da Sua
grandiosidade, eu tenho inadvertidamente me dirigido a Você como “Ó Krishna”, “Ó
Yadava”, e meramente “Ó amigo”, sem o devido afeto ou desatentamente (11.41).
Não importando o jeito que eu talvez tenha insultado a Você nas
brincadeiras; quando jogava, repousava na cama, sentado ou nas refeições; quando
só ou na frente dos outros, Ó Krishna, Ó Uno imensurável, eu imploro a Você por
perdão (11.42).
Você é o pai deste mundo animado e inanimado, o guru maioral para ser
adorado. Não há mesmo ninguém igual a Você nestes três mundos; como poderia
existir alguém tão grande como Você, Ó Ser de incomparável glória (11.43).
Portanto, Ó adorável Senhor, eu peço por Sua misericórdia ajoelhando-me
e prostrando-me diante de Você. Seja paciente comigo como um pai é com seu
filho; como um amigo é para com seu amigo, e como o esposo é para com sua
esposa, Ó Senhor (11.44).
Contemplando isso, nada mais há para o meu prazer, e, apesar disto,
minha mente está atormentada e com medo. Portanto, Ó Deus dos controladores
celestes, refúgio do universo, tenha misericórdia de mim, e mostra-me a Sua
forma de quatro braços (11.45).
DEVEMOS VER A DEUS EM QUALQUER QUE SEJA A FORMA QUE
ESCOLHERMOS
Eu gostaria de Vê-lo com a coroa, segurando a maça e o disco em Suas
mãos. Portanto, Ó Senhor, com milhares de armas e forma universal, por favor,
mostre-Se na sua forma de quatro braços (11.46).
O Senhor Krishna disse: Ó Arjuna, estando satisfeito com você Eu
mostrei para você, através do meu próprio poder yóguico, Minha suprema,
particular, brilhante, universal, infinita, e primordial forma, que jamais foi
vista diante de qualquer outro que não você (11.47).
Ó Arjuna, ninguém pelos estudos dos Vedas, nem pelos sacrifícios, nem
pela caridade, nem pelos rituais, nem por severas austeridades, pode ver-Me
nesta forma cósmica, neste mundo humano, além de você (11.48).
O SENHOR MOSTRA PARA ARJUNA A SUA FORMA DE QUATRO BRAÇOS
E SUA FORMA HUMANA
Não fique perturbado, e nem confuso, por ver Minha semelhante e
terrível forma como esta. Sem medo, e com a mente alegre, agora contemple a
Minha forma de quatro braços (11.49).
Sañjaya disse: Após dizer desse jeito para Arjuna, Krishna revelou a
Sua forma de quatro braços. E, então, assumindo a Sua agradável forma humana, o
Grande Uno, consolou Arjuna, que estava aterrorizado (11.50).
Arjuna disse: Ó Krishna, vendo esta amável forma Sua, eu agora fiquei
tranqüilo, e novamente me sinto normal (11.51).
O SENHOR PODE SER ENTENDIDO PELO AMOR DEVOCIONAL
O Senhor Krishna disse: esta Minha forma de quarto braços que você vê é
muito difícil, realmente, de ser vista. Mesmo os controladores celestes estão
sempre desejosos de ver Esta forma (11.52).
Esta Minha forma de
quatro braços, que você vê, não pode ser vista mesmo pelo estudo dos Vedas,
pelas austeridades ou por atos de caridade, ou pela realização de rituais
(11.53).
Ninguém alcança o todo poderoso Senhor
apenas por boas ações (RV 8.70.030. AV 20.92..18). A forma onipresente do Senhor
não pode ser vista pelos órgãos, mas pelos olhos da intuição e da fé. A vi~são e
os poderes yóguicos são um presente especial e graça de Deus que podem ser
conseguidos, mesmo sem que se peça, quando se encontra o ajuste pelo Senhor,
para usar no Seu serviço. De acordo com o santo Ramdas, todas as visões de luzes
e forma devem ser transcendidas diante da realização da verdade última. As
visões apenas apontam o caminho mas não são a meta. Não se apegue a elas. Os
poderes yóguicos podem se transformar num obstáculo no caminho da jornada
espiritual.
De qualquer
maneira, por intermédio de uma devoção sincera, Eu posso ser visto nesta forma,
podendo ser conhecido em essência, e, também, posso ser alcançado, Ó Arjuna
(11.54).
Aquele que dedica todos seus trabalhos para Mim, e para quem Eu sou a
meta suprema; que é meu devoto; que não possui apegos ou desejos egoístas; que
está livre da maldade para com todas as criaturas, alcança-Me, Ó Arjuna (veja,
também, 8.22) (11.55).
Chapter 12
CAMINHO DA DEVOÇÃO
DEVE-SE ADORAR A UM DEUS PESSOAL OU IMPESSOAL?
Arjuna perguntou:
“Quais destes é o melhor conhecimento do Yoga: daqueles que sempre devotam e que
adoram o Seu aspecto pessoal, ou daqueles que adoram o Seu aspecto impessoal, o
Absoluto sem forma?” (12.01)
O Senhor Krishna explicou a superioridade do caminho do conhecimento espiritual no quarto
capítulo 4.33 e 4.34). Ele explicou a importância de adorar a Supremo
“sem-forma” (ou o Ser) nos versos 5.24-25; 6.24-28, e 8.11-13. Ele também
enfatizou a adoração de Deus com forma, ou Krishna, em 7.16-18; 9.34, e
11.54-55. É de modo natural para Arjuna questionar qual caminho é o melhor para
a maioria das pessoas em geral.
O Senhor Krishna
disse: “Eu considero o melhor dos Yogis aquele que é sempre constante e
devotado, que Me adora com suprema fé, por fixar a sua mente em Mim como seu
Deus Pessoal. (12.02) (veja, também, 6.47)
A devoção é definida como o mais elevado amor por Deus (SBS 02). A verdadeira
devoção é desmotivada, e de intenso amor por Deus para alcançá-lO (NBS 020).
A real devoção é observar a graça de Deus e servir com amor para o Seu prazer.
Assim, devoção é cada um fazer as suas obrigações como uma oferenda ao Senhor,
com amor por Deus no coração.
Diz-se, também, que devoção é concedida pela graça de Deus. Uma relação amorosa com Deus
é facilmente desenvolvida através de um Deus personificado.* Os fiéis
seguidores do caminho da devoção, para Deus personalizado, numa forma humana,
considerados os melhores, são como: Rama, Krishna, Moisés, Buddha, Cristo e
Maomé. A Bíblia diz: “Eu Sou o caminho; ninguém vai ao Pai a não ser por Mim
(João, 14.06). Alguns santos consideram a devoção como o autoconhecimento o mais
superior (SBS 05).
Toda a prática espiritual é imprestável na
ausência de devoção, o profundo amor por Deus. A pérola do autoconhecimento
nasce somente do núcleo da fé e da devoção. O Santo Ramanuja disse que aqueles
que adoram O manifesto alcançam a sua meta em pouco tempo e sem dificuldades.
Amar a Deus e a todas as Suas criaturas é a essência de todas as religiões.
Jesus, também, disse: “Amarás teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua
alma, e com toda a tua mente...; e amais a todos como a ti mesmo (Mateus,
22.37-39)
Também Me alcança quem devota o imutável, o inexplicável, o invisível,
o onipotente, o inconcebível, o imóvel, o sem forma – Meu aspecto impessoal –
controlando todos os sentidos, mesmo em meio a todas as circunstâncias, e se
ocupam no bem-estar de todas as criaturas. (12.03-04)
Uma pessoa é que competente para adorar o
aspecto sem forma de Deus deve ter um completo domínio sobre os sentidos, sendo
tranqüilo em todas as circunstâncias, e ocupando-se no bem-estar de todas as
criaturas. O caminho do “personalismo” permite a alguém o contentamento do nome,
forma e passatempos do Senhor como eles se sucederam quando Ele manifestou-SE na
Terra. O caminho do “impersonalismo”é seco, cheio de dificuldades, e o avanço
neste caminho é muito lento, como discutido nos versos seguintes:
RAZÕES PARA ADORAR A FORMA PESSOAL DE DEUS
A auto-realização é
mais difícil para aqueles que fixam a sua mente no impessoal, imanifesto e no
Absoluto sem forma, porque a compreensão nesta forma imanifesta, pelos seres
incorporados, é alcançada com grande dificuldade. (12.05)
Deve-se ser livre dos sentimentos do corpo
e estabelecer-se no sentimento apenas na existência do Ser, se alguém quer ter
sucesso na adoração Absoluta sem-forma. Torna-se livre da concepção corpórea da
vida, estando-se plenamente purificado, e atuando somente para o Senhor Supremo.
O alcance de tal estágio não é possível para a média dos seres humanos, mas
somente para almas muito avançadas. Portanto, o natural curso para o adorador
normal é adorar a Deus com uma forma. Mas o método de adoração depende do
indivíduo. Deve-se procurar qual o método que melhor se-nos adapta. É totalmente
estéril convidar a uma criança para adorar um Deus sem forma, enquanto que um
sábio vê Deus em todas as formas e não precisa de uma estátua ou mesmo de uma
pintura de Deus para adorar.
O amor contemplativo e a adoração à
deidade, de um Deus personificado, é o primeiro passo necessário para a
realização do Absoluto impessoal. Diz-se, também, que a devoção para o aspecto
pessoal de Deus conduz para o aspecto transcendental. Deus não é somente um
“suprimento cósmico”, um ser todo-poderoso, mas o verdadeiro Ser em todos os
seres. A adoração a Deus na Sua forma pessoal, na forma pessoal da deidade
favorita de alguém, estimula o amor divino que desperta a autoconsciência e a
experiência de unidade do devido curso do tempo. Deus, o transcendente,
revela-SE naquela psique interna pura, após a contemplação amorosa de Deus, o
imanente.
Não há uma diferença real entre os dois caminhos – o caminho da devoção para um
Deus pessoal e o caminho do autoconhecimento de Deus impessoal – na sua mais
elevada extensão. No elevado estágio de realização eles fundem-se e se tornam um
só. Os sábios consideram o caminho da devoção mais fácil para a maioria das
pessoas, particularmente para os principiantes. De acordo com Tulasidasa, o
caminho do autoconhecimento é difícil de ser compreendido, explicado e seguido,
É, também, muito fácil cair do caminho do conhecimento ou retrair-se para o
plano do amor sensual da consciência (TR 7.118.00). Nos próximos dois versos, o
Senhor dirá que o caminho da devoção não é somente fácil, mas também que é o
caminho mais rápido do que o caminho do conhecimento.
O pessoal e o impessoal, a forma física ou
transcendental, são os dois lados da moeda da realidade última. Ramakrishna
disse: “A imagem de adoração é necessária no começo, mas não mais tarde, assim
como um andaime é necessário durante a construção de um prédio”. A pessoa
deve, primeiro, fixar os pensamentos e a mente na forma pessoal de Deus, após
isto, fixar-se na forma transcendental. “A mais elevada liberação é possível
somente pela realização de que Deus é igual em todos os seres” (BS 4.3.15; ShU
3.07) e advinda somente através da maturidade da devoção para Deus personalizado
e Sua graça. Esta realização é o segundo (ou espiritual) nascimento, ou a
segundo vinda de Cristo. Jesus disse: “O reino do Pai espalha-se por sobre
aTerra, e as pessoas não vêem”. Outros grandes sábios dizem: “É como um peixe na
água ficar com sede, e procurar por água”.
De acordo com as escrituras antigas,
qualquer prática espiritual tornar-se mais poderosa se é feita com conhecimento,
fé e contemplação, por uma deidade personificada (ChU 1.01.10). A prática
ascética, oração, caridade, penitência, realização de sacrifício, promessa e
outras observâncias religiosas, caem por terra, na mesma proporção do
degrau desprovido de fé. O imã da devoção atrai facilmente o Senhor (TR
6.117.00)
Mas para aqueles que Me adoram com inabalável devoção como Seu Deus
Peersonificado, em quem os pensamentos estão postos na Minha forma pessoal, e
que oferecem todas as ações para Mim, os objetivos para Mim com o Supremo, e
meditam em Mim – Eu ligeiro Me torno redentor deles, do mundo que é um oceano de
mortes e reencarnações, Ó Arjuna. (12.06-07)
Cruza-se facilmente o oceano da
reencarnação através da ajuda do barco inabalável do amor e da devoção por um
Deus pessoal com forma (TR 7.122.000). Os seguintes versos explicam quatro
diferentes métodos para adorar a Deus, com ou sem a ajuda de uma forma de Deus
ou deidade.
QUATRO CAMINHOS PARA DEUS
As pessoas nascem diferentes. Qualquer um
que prescreve um só método para todos está, certamente, iludindo, porque não há
uma panacéia. Um só método ou sistema não pode adequar-se as necessidades
espirituais de todos. O Hinduísmo, com seus muitos ramos e sub-ramos, oferece
uma amplitude de escolhas de práticas espirituais para adaptar-se as pessoas em
qualquer estágio de desenvolvimento pessoal. Todos os caminhos conduzem a
salvação, porque eles todos culminam em devoção: intenso amor por Deus.
Portanto, focalize
a sua mente em Mim e deixe a sua inteligência residir apenas em Mim, através da
meditação e da contemplação. Desde então, você certamente Me alcançará. (12.08)
Este é o caminho para a meditação (veja o
capítulo 6 para mais detalhes) para a mente contemplativa. Pensar sobre uma
forma escolhida de Deus, o tempo todo, é diferente de adorar a forma, mas ambas
as práticas possuem as mesmas qualidades e efeitos. Em outras palavras,
contemplação é também uma forma de adoração.
Se você é incapaz de focalizar firmemente a sua mente em Mim poderá
alcançar-Me por longa prática de qualquer outra disciplina espiritual, assim
como um ritual, ou adoração de deidade que você escolher. (12.09)
Este é o caminho do ritual, oração, e
adoração devocional, recomendado para pessoas que são emocionais, e possuem
muita fé, mas pouca tendência para o raciocínio (Veja, também, 9.32).
Constantemente contemple e concentre a sua mente em Deus, usando símbolos ou
gravuras mentais de uma forma pessoal de Deus como uma ajuda no desenvolvimento
da devoção.
Mesmo se você for inapto para qualquer disciplina espiritual, então
dedique todo o teu trabalho para Mim, ou faça todas as obrigações para Mim. Você
alcançará a perfeição por fazer as suas obrigações prescritas para Mim – sem
qualquer motivo egoísta – da mesma forma que um instrumento, para servir e
agradar-Me. (12.10)
Este é o caminho para o
conhecimento transcendental ou renunciação, adquirido através da contemplação, e
dos estudos das escrituras, por pessoas que realizaram a verdade, de que nós
somos somente instrumentos divinos (Veja, também, 9.27, 18.46). O Senhor, em Si
mesmo, guia cada esforço da pessoa que trabalha para o bem da humanidade, e o
sucesso chega para a pessoa que dedica sua vida para servir a Deus.
Se você for incapaz de dedicar o seu trabalho para Mim, então
simplesmente renda-se a Minha vontade, e renuncie aos apegos, e a inquietação,
para os frutos de todo o trabalho, através do aprendizado em aceitar todos os
resultados, com equanimidade, como um graça de Deus. (12.11)
Este é o caminho do Karmayoga, o serviço
desapegado para a humanidade, discutido no capítulo 3, para o chefe de família
que não pode renunciar as atividades do mundo e trabalha o tempo todo para Deus,
assim como é discutido no verso 12.10, acima. A principal verdade dos versos
12.08-11 é que deve-se estabelecer algum relacionamento com o Senhor – assim
como um criador, pai, mãe, amado, criança, salvador, guru, mestre, ajudante,
convidado, amigo e mesmo um inimigo.
Karmayoga, ou renúncia ao apego egoísta aos
frutos do trabalho, não é um método de última instância – como possivelmente
aparece no verso 12.11. Ele é explicado no verso seguinte:
KARMA-YOGA É O MELHOR COMEÇO
O conhecimento
transcendental das escrituras é melhor do que a mera prática ritualística; a
meditação é melhor do que o conhecimento das escrituras; a renúncia ao apego
egoísta aos frutos do trabalho (Karmayoga), é melhor que meditação; porque a paz
advém imediatamente pela renúncia das causas egoístas. (12.12) (veja mais sobre
renúncia em 18.02, e 18.09)
Quando cresce em alguém o conhecimento de
Deus, todo o Karma é gradualmente eliminado, porque aquele que situa-se no
conhecimento sabe que não é o fazedor, mas um instrumento de trabalho para o
prazer do criador. Tal uma ação em consciência de Deus torna-se devoção – livre
de qualquer obrigação kármica.Desta forma, não há uma rígida demarcação entre os
caminhos do serviço sem egoísmo, o conhecimento espiritual e a devoção.
OS ATRIBUTOS DE UM DEVOTO
Aquele que não odeia nenhuma criatura, que é amigável e misericordioso,
livre da idéia de “eu” e “meu”, sendo o mesmo na dor e no prazer, perdoando, e
que está sempre contente, que há subjugado a mente, e cuja resolução está firme,
cuja mente e inteligência estão ocupadas em juntar-se a Mim, e que é muito
devotado a Mim, Me é muito querido. (12.13-14)
Para alcançar a união com Deus deve-se
possuir a perfeita dignidade como Ele, através do cultivo das virtudes morais. A
Bíblia, também, diz: “Sede perfeitos em vós mesmos, assim como vosso Pai é
perfeito no céu (Mateus 5.48). o Santo Tulasidasa disse: “Ó Senhor, que cada um
em quem Você banhe com Sua generosidade torne-se um oceano de perfeição. O
monstruoso pelotão da luxúria, ira, avareza, paixão cega, e orgulho, assombram a
mente enquanto o Senhor não permanece no interior da psique. Virtude e
disciplina são os dois meios certos de devoção. Uma lista de quarenta (40)
virtudes e valores são dados nos versos 12.13 e 12.19, pela descrição das
qualidades de um devoto ideal, ou uma pessoa auto-realizada. Todas estas nobres
qualidades tornam-se manifestas num devoto.
Aquele que é muito querido por Mim não agita os outros e não é agitado
por eles, que é livre do prazer, inveja, medo, e ansiedade, também é muito
querido por Mim (12.15)
Aquele que é desapegado, puro, sábio, imparcial, e livre da ansiedade,
que há renunciado a adoração do fazer em todas as obrigações, semelhante a um
devoto, é querido para Mim. (12.16)
Aquele que nunca se
regozija e nem sente pesar, nem na satisfação ou no desgosto, que há renunciado
o bem e o mal, e está pleno de devoção, também é querido por Mim.
(12.17)
Aquele que é o mesmo em relação aos amigos ou inimigos, na honra ou na
desgraça, no calor e no frio, no prazer e na dor; que está livre do apego; que é
indiferente na crítica ou no louvor; que é quieto, e contente com o que possui;
que é despegado em relação a lugar, país, ou ao lar; que está tranqüilo, e pleno
de devoção, tal pessoa é querida por Mim. (12.18-19)
Diz-se que os controladores divinos, com
suas qualidades exaltadas, como o conhecimento de Deus, sabedoria, renúncia,
desapego, e equanimidade, sempre residem no interior da psique de um devoto
puro. Assim, o devoto perfeito que renuncia a atração pelo mundo e seus objetos
e tem amor por Deus é recompensado pelo Senhor, com as divinas qualidades
discutidas acima, e em outros lugares do Bhagavad-Gita, e são muito queridos
pelo Senhor. Mas e aqueles que são imperfeitos, mas tentam sinceramente para a
perfeição? A resposta vem no próximo verso.
AQUELE QUE SINCERAMENTE ASPIRA PELAS QUALIDADES DIVINAS
Mas aqueles devotos fiéis, que colocam-Me como a meta suprema, e a
seguem, ou verdadeiramente aspiram o desenvolvimento – do néctar mencionado
acima dos (quarenta) valores morais - são muito queridos por Mim. (12.20)
Alguém, talvez, tenha todas as virtudes,
mas um esforço sincero para o desenvolvimento das virtudes é mais apreciado pelo
Senhor. Assim, o indivíduo que aspira as virtudes é muito querido pelo Senhor.
Os devotos da classe superior não desejam qualquer coisa, incluindo salvação
pelo Senhor, exceto por uma bênção: A devoção aos pés de lótus de um Deus
personificado, nascimento após nascimento (TR 2.204.00). A classe inferior de
devotos usa Deus como um servo para realizar suas exigências materiais e desejos
pessoais. O desenvolvimento de amor e devoção inabaláveis aos pés de lótus do
Senhor é o alvo final de toda a disciplina espiritual, e é um feito meritoso,
como o objetivo do nascimento humano. Um verdadeiro devoto considera a si mesmo
um servo, o Senhor o Mestre, e, a criação inteira, seu corpo.
O caminho da devoção é o melhor caminho
para a maioria das pessoas, mas Devoção não se desenvolve sem uma combinação de
esforço pessoal, fé, e a graça de Deus. As nove técnicas para cultivar a devoção
– um intenso amor por Deus como um Ser personificado – baseado no Tulasi
Ramayana (Tr. 3.34.04 – 4.35.03), são: (1) A companhia de um santo e sábio; (2)
escutar e ler as glórias e histórias as incarnações do Senhor e Sua atividades
da criação, preservação e dissolução, como é dado nas escrituras religiosas; (3)
Seva, ou servir a Deus através do serviço aos necessitados, aos santos e a
sociedade; (4) canto congregacional e o murmurar das glórias de Deus; (5)
repetir os nomes do Senhor e o mantra com fé firme; (6) disciplina, controle
sobre os seis sentidos, e desapego; (7) ver seu Deus personificado em todas os
lugares e em todos; (8) contentamento e ausência de ambição, bem como abster-se
de comentar as falhas dos outros, e (9) simplicidade, ausência de ira, inveja, e
ódio. A melhor coisa que uma pessoa precisa desenvolver é o amor por Deus. O
Senhor
Rama disse que aquele que segue qualquer um dos métodos citados acima com fé
desenvolve amor por Deus, e torna-se um devoto.
A boa companhia dos santos e sábios é uma
ferramenta muito poderosa para a realização em Deus. É dito que amizade,
discussões, relacionamentos, e casamento devem ser realizados com igualdade, ou
com aqueles que são melhores do que nós, e não com um nível de inteligência
inferior (MB 5.13.117). Uma pessoa é conhecida pela companhia que ela tem. De
acordo com a maioria dos sábios e santos, o caminho da devoção é muito simples e
fácil de ser executado. Pode-se simplesmente cantar um mantra pessoal, ou
qualquer nome sagrado de Deus. Não há restrições e nem tempo certo, ou lugar,
para cantar os Santos Nomes de Deus. O processo de serviço devocional consiste
em um ou mais das seguintes práticas: ouvir discursos [sobre Deus]; cantar os
Santos Nomes de Deus; lembrar e contemplar a Deus; adorá-lO; rezar para Ele;
servir a Deus e a humanidade, e render-se as Sua vontades.
A inter-conexão dos quatro caminhos do
yoga, discutidas nos primeiros doze capítulos do Bhagavad-Gita, podem ser
sumarizados como o seguinte:
A prática do Karmayoga conduz para a
purificação da mancha do egoísmo da mente, que pavimenta o caminho para o
conhecimento de Deus, para ser revelado. O conhecimento desenvolve-se
dentro do amor devocional de Deus. O pensar constantemente em Deus, o objeto de
nosso amor devido a devoção, é chamado de meditação e contemplação, que
finalmente conduz para a iluminação e salvação.
HÁ SOMENTE UM CAMINHO CERTO PARA DEUS?
O Senhor Krishna falou-nos sobre ambos Seus
aspectos: manifesto e imanifesto, em capítulos anteriores. Os questionamentos de
Arjuna foram respondidos em grandes detalhes neste capítulo, mas as pessoas
ainda argumentam que um método de adoração ou certas práticas religiosas são
melhores do que outras. Semelhantes pessoas somente entendem “meia verdade”. Em
nossa opinião, é absolutamente claro que o método de adoração depende da
natureza individual. A pessoa ou o guru pessoal devem descobrir qual o caminho
será mais adequado para o indivíduo, dependendo do temperamento da pessoa.
Forçar ele ou ela ao método particular de adoração é um grande dano que um guru
pode fazer para seus discípulos. As pessoas introvertidas devem adorar um Deus
personificado; enquanto que a extrovertidas devem contemplar o aspecto
impessoal. A coisa importante é o desenvolvimento da fé e do amor por Deus. Deus
é poderoso para manifestar-Se diante um devoto em qualquer forma, apesar dos
devotos escolherem formas de adoração.
O que funciona para um, talvez não funcione para todos, então, o que faz alguém pensar
que seu método é universal? Não haveria a necessidade para o Senhor discutir os
diferentes caminhos do Yoga, se houvesse um só caminho para todos. Se a escolha
do caminho da disciplina espiritual não dá a paz a alguém, ou a realização em
Deus, então deve ser entendido que não se está praticando corretamente, ou o
caminho não está certo para o indivíduo. Deve-se ter em mente que uma gota
d´água, não sendo importante que caminho seguirá, irá finalmente alcançar o
oceano.
* Nota do tradutor: Na tradição
védica, o ato de adorar um Deus impessoal, como uma força, uma energia, ou algo
desta natureza, é muito difícil de desenvolver amor puro por Deus. O fato de o
devoto adotar um Deus personificado, como Krishna, por exemplo, facilita o
desenvolvimento de amor por Deus, uma vez que Ele é retratado e visto como uma
Pessoa Suprema, com nome, forma, passatempos de características próprias de cada
era. Shri Krishna é um avatara do Senhor Vishnu, chamado de purna-avatara,
porque possui todas as qualidades e potências do Senhor Supremo; porque Krishna
é o Senhor supremo em pessoa. Traduzimos, neste verso, a expressão “a personal
God”, como “Deus personificado”, para diferenciar de um “deus pessoal”, ou de um
deus segundo a concepção de cada um. Os esclarecimentos sobre as formas de Deus,
que cada um deve adotar, é descrito no comentário restante do verso.
Chapter 13
A CRIAÇÃO E O CRIADOR*
TEORIA DA CRIAÇÃO
O Senhor Krishna disse: Ó Arjuna, este corpo físico, um universo em
miniatura, pode ser chamado de campo ou criação. Aquele que conhece a criação é
chamado o criador (ou o Espírito, Atma), pelos videntes da verdade (13.01).
Qualquer coisa que está aqui no corpo está,
também, no cosmos; seja o que for que esteja lá é o mesmo aqui (KaU 4.10). O
corpo humano, o microcosmos, é uma réplica do universo, o macrocosmo. O corpo é
chamado de campo das atividades para a alma. O corpo ou criação é diferente da
alma ou do Criador. Para experimentar esta diferença é que explica aqui o
conhecimento metafísico.
Ó Arjuna, saiba que Eu sou o criador de todas as criaturas. Eu
considero o verdadeiro entendimento, de que tanto o criador como a criação são o
conhecimento transcendental (13.02).
O corpo (ou criação), e Espírito (o
criador) são distintos um do outro. Ainda assim, o ignorante não é capaz de
distinguir entre os dois, e qual o conhecimento é o verdadeiro conhecimento, o
qual nos torna aptos para fazer uma clara distinção entre o corpo e o espírito.
O corpo é chamado o campo (ou o meio) das atividades do Espírito. O corpo humano
é o meio pelo qual a alma individual desfruta o mundo material, ficando confusa,
e no final alcança a liberação. A alma dentro do corpo sabe de todas as
atividades do seu próprio corpo, isto é, por tanto, chamado de o conhecedor do
campo de atividades. A Superalma conhece todos os corpos, enquanto a alma
individual conhece apenas seu próprio corpo. Quando alguém entende claramente a
diferença entre o corpo, a alma individual dentro do corpo, e a Superalma,
diz-se que se tem o conhecimento real.
O que é a criação; como ela é; quais são as suas transformações; em que
lugar a criação se origina; quem é o criador, e o que é o Seu poder? brevemente,
escute todas estas coisas de Mim (13.03).
Os sábios têm, separadamente, descrito a criação e o criador em
diferentes caminhos nos hinos védicos e, também, nos conclusivos e convincentes
versos de outras escrituras (13.04).
O Gita também esclarece a verdade de outras
escrituras. Todas as escrituras, bem com os santos e sábios de todas as
religiões, coletam a água da verdade do mesmo oceano do Espírito. O ênfase deles
varia conforme as necessidades individuais e social no tempo.
A energia primária material, o intelecto cósmico, “Eu” a consciência ou
o ego, os cinco elementos básicos, os dez órgãos, a mente, os cinco objetos dos
sentidos e o desejo, ódio, prazer, dor, o corpo físico, consciência e resolução
– assim, foi brevemente descrito o campo inteiro com suas transformações
(veja, também, 7.04) (13.05-06).
De acordo com a doutrina do Sankhya (BP
3.26.10-18; 11.22.1016), o Espírito passa por vinte e cinco transformações
básicas na seguinte ordem: Ser Espiritual e as seguintes vinte e quatro
transformações da Energia Total: mente, intelecto, ondas de pensamento, e a
concepção de individualidade; os cinco elementos básicos ou ingrediente rudes,
na substância sutil ou grosseira: éter ou substância sutil, ar fogo, água e
terra); os cinco objetos dos sentidos: audição, tato, visão, gustação e olfação;
os cinco órgãos dos sentidos: orelha, pele, olhos, língua e nariz; e os cinco
órgão de ação: boca, mãos, pernas, anus e uretra.
O Intelecto Supremo é conhecido por vários
nomes, baseado nas funções realizadas no corpo. Ele chama-se mente quanto sente
e pensa; intelecto, quando raciocina; onda de pensamentos quando realiza o ato
de lembrar-se e vaguear de um pensamento a outro, e de ego quando ele tem o
sentimento de atente executor e individualidade. Os sentidos sutis consiste em
todos os quatro: mente, intelecto, onda de pensamentos, e ego. Eles são as
impressões kármicas que atualmente tomam a decisão final com a ajuda da mente e
do intelecto. Quando o poder cósmico realiza as funções do corpo, ele é chamado
de bioimpulso (força vital; Prana). O Espírito Supremo ou Consciência
manifesta-se em si mesma tanto como energia e matéria. Matéria e energia nada
mais são do que formas condensadas de consciência. De acordo com Einstein, tanto
mente como matéria são energias (prana). Ramana Maharishi disse: a mente é uma
forma de energia; manifesta-se em si mesma como o mundo.
AS
QUATRO NOBRES VERDADES COMO MEIOS DO NIRVANA
Humildade, modéstia, não-violência, perdão, honestidade, serviço ao
guru, pureza de pensamentos, palavras, obras e ações, regularidade,
auto-controle, aversão pelos objetos dos sentidos, ausência do ego, constante
reflexão sobre a dor, e o sofrimento inerente no nascimento, velhice, doença e
morte (13.07-08).
O verso 13.08 do Gita formula
o fundamento do Budismo. A contemplação constante e o entendimento de que a
agonia e o sofrimento são inerentes no nascimento, velhice, doença e morte, são
chamados da compreensão da quádrupla Nobre verdade do Budismo. Um entendimento
claro desta verdade é necessário antes de iniciar a jornada espiritual. Um
desgosto e descontentamento por menor que seja e a falta de realidade no mundo,
e de seus objetos, se transformam numa espécie de prelúdio para a jornada
espiritual. Como os pássaros buscam proteção numa árvore quando cansados, de
modo semelhante, os seres humanos procuram pela proteção divina após descobrirem
as frustrações e a tristeza na existência material.
Desapego dos membros da família, da casa, etc.; tranqüilidade
incessante diante desejável e do indesejável, e devoção inabalável, através da
contemplação sincera, para Comigo; gostar da solidão; desinteresse por encontros
sociais e fofocas; estabilidade na aquisição do conhecimento do Ser, e ver a
onipresença do Ser Supremo em todos os lugares – diz-se que isto é o que é para
ser conhecido. O que é contrário a isto é ignorância (13.09-11).
O cultivar das virtudes descritas nos
versos 13.08-11, irá nos habilitar para percebermos o corpo com as diferenças do
Ser. Assim, alcançamos o auto-conhecimento. Portanto, estas virtudes são
chamadas de conhecimento. Aqueles que não possuem estas virtudes não podem
conseguir o verdadeiro conhecimento do Ser, e permanecerão na escuridão da
consciência corporal ou ignorância.
Quando nos tornamos firmemente convencidos
de que Deus por si só é tudo – pai, mãe, irmão, amigo, inimigo, sustentador,
destruidor e refúgio – e que não há nada mais elevado do que Ele para alcançar,
não se pensando em qualquer outro objetivo, diz-se que se desenvolveu inabalável
devoção pelo o Senhor pela sincera contemplação. Neste estado da mente o
buscador e o procurado tornam-se qualitativamente unos a mesma coisa.
O SUPREMO PODE SER DESCRITO PELAS PARÁBOLAS, E NÃO POR
QUALQUER OUTRO MEIO.
Eu descreverei plenamente o Ser Supremo - o objeto do conhecimento. Por
conhecê-lO alcança-se a imortalidade. É dito que o Ser Supremo, sem princípio
(sem começo), não é eterno nem temporário (Veja, também, 9.19, 11.37 e 15.18)
(13.12).
No princípio não havia nem seres eternos
nem Temporários – nem céu, nem ar, nem dia, nem noite. Não havia nada mais seja
o que for do que o Supremo Ser Absoluto (RV 10.129.01; AiU 1.010). O Absoluto
está além tanto dos Seres Temporais (controladores celeste; Devas) como o
Ser Eterno (Espírito) (verso 15.18). portanto, Ele não é nem temporário nem
eterno. O Ser Supremo ou o Absoluto é também tanto temporário como eterno (verso
9.19), e além do temporário e do eterno (versos 11.37; 15.18), porque Ele está
em todo o lugar, em tudo, e além de tudo. Então, o Absoluto é o todo três – não
é tanto temporário como eterno, bem como é ambos, eterno e temporário, ao mesmo
tempo .
O Ser Supremo possui suas mãos, pés, olhos, cabeças, bocas e orelhas em
todo o lugar, porque Ele é todo-penetrante e onipresente (13.13).
Ele é quem apercebe todos os objetos dos sentidos sem os órgãos dos
sentidos; independente, e, mesmo assim, sustenta a todos, devido aos três modos
da natureza material e, ainda mais, é o desfrutador dos modos da natureza
material pela transformação das entidades vivas (13.14).
O Ser anda sem pernas, ouve sem ouvidos,
executa muitas ações sem as mãos, sente o cheiro sem um nariz, vê sem os olhos,
fala sem a boca, e desfruta todos os sabores sem a língua. Todas Suas ações são,
portanto, maravilhosas para aquele que procura Sua absoluta grandiosidade além
do que é descrito (TR 1.117.03-040). O Ser Supremo pode ser descrito somente por
parábolas e paradoxos, e não de outro modo (veja, também, ShU 3.19). O Ser se
expande em Si mesmo como entidade viva para desfrutar dos três modos da natureza
material.
Deus não possui um corpo como um ser comum.
Todos os Seus sentidos são transcendentais, ou seja, não são deste mundo. Suas
potências são de muitas formas. Qualquer um dos Seus sentidos pode agir num
outro sentido (ouvir um cheiro, ver um gosto, etc.; nota do tradutor). Todos os
Seus feitos são automaticamente executados como uma conseqüência natural.
Ele está dentro bem como fora de todos os seres, animados e inanimados.
Ele é incompreensível por causa de Sua sutileza. E por causa de Sua onipresença,
Ele está muito próximo, residindo na nossa psique interior, bem como longe, na
Sua Morada Suprema (13.15).
Ele é indivisível, mas apesar disto mostra-se como existente
dividindo-Se nos seres. Ele é o objeto do conhecimento e aparece como o criador
(Brahmaa), o sustentador (Vishnu), e o destruidor (Shiva) de todos os seres
(veja, também, 11.13 e 18.20) (13.16).
O Planeta Terra mostra-se repartido por
muitos paises; alguns países aparecem repartidos em vários estados; alguns
estados aparecem divididos em regiões, e assim por diante, de modo semelhante, a
Realidade uma aparece como sendo muitas. Estas são divisões aparentes, porque
elas possuem a mesma ordem da realidade. O termo “Deus” é utilizado para
designar os aspectos Gerador, Controlador, e Destruidor do Ser.
O Ser Supremo é a origem de todas as luzes. Diz-se que Ele está além da
escuridão da ignorância. Ele é o auto-conhecimento, o objeto do
auto-conhecimento, e está sentado na psique interior como consciência (veja o
verso 18. 61) de todos os seres; e Ele é o que deve ser realizado pelo
auto-conhecimento (13.17).
Eu sou a luz do conhecimento do mundo. Quem
quer que Me siga terá a luz da vida e jamais irá caminhar na escuridão da
ignorância (João 8.12). Aquele que conhece o Todo-poderoso como sendo muito mais
radiante do que o Sol e que está além da escuridão da realidade material,
transcende a morte. Não há outro caminho (YV31.18; SVB 3.08). O Supremo está
além do alcance dos sentidos e da mente. Ele não pode ser descrito ou definido
por palavras. Os diferentes meios de alcançar o Supremo continuam abaixo:
Eu, assim, brevemente, descrevi a criação bem como o conhecimento, e o
objeto do conhecimento. Conhecendo isto, Meu devoto alcança a Minha Morada
Suprema (13.18).
O CONHECIMENTO DO ESPÍRITO SUPREMO, ESPÍRITO, NATUREZA
MATERIAL, E AS ALMAS INDIVIDUAIS
Saiba que tanto a natureza material como o Ser Espiritual não têm
princípio. Todas as manifestações e as três ordens da mente e da matéria,
chamadas de modos ou Guna, nascem da natureza material. A natureza material é
dita que é a causa da produção do corpo físico e dos órgãos das percepção e da
ação. Espírito (ou consciência) é dito que é a causa da experimentação da dor e
do prazer (13.19-20).
O Ser Espiritual desfruta dos três modos da natureza material
pela associação com a natureza material. O apego aos três modos da
natureza material (devido a ignorância causada pelo karma anterior) é a causa do
nascimento da entidade viva em bons ou maus ventres (13.21).
O Espírito não é afetado pela natureza
material, assim como os reflexos do sol na água não afetam as propriedades da
água. O Espírito, por causa da Sua natureza, ao associar-se com as seis
faculdades dos sentidos, e o ego da natureza material, torna-se apegado,
esquecendo Sua real natureza, realizando boas e más ações, tendo perda da
independência e transmigrando como entidade viva (alma individual, Jiva) (BP
3.27.01-03). A entidade viva não conhece a energia ilusória divina (Maya), bem
como o Controlador Supremo como sendo sua própria e real natureza. A alma
individual é um reflexo na lua do espírito no pote d´água do corpo humano.
O Espírito no corpo é a testemunha, o guia, o suporte, o desfrutador, e
o controlador de todos os acontecimentos (13.22).
Dois pássaros – entidade viva e o
Controlador divino – vivem na psique interior na árvore do corpo. A entidade
vivia, estando cativada pelos frutos da árvore, se torna apegada pela natureza
material, experimentando dor e prazer na gratificação dos sentidos, estando
sujeita ao cativeiro e a liberação, enquanto que o Controlador divino, sendo
desapegado pela natureza material, permanece livre como uma testemunha e guia
(BP 11.11.06; ver RV 1.164.20; AV 9.09.20; Um 3.01.01; ShU 4.06). O Controlador
Supremo permanece não afetado, e desapegado pelos modos da natureza material,
assim como um folha de lótus permanece não afetada pela água.
O Espírito é consciente, a natureza
material é inconsciente. A natureza material, com a ajuda do Espírito, produz
cinco bioimpulsos (força vital; prana), e os três modos. O Espírito, residindo
como o Controlador divino no corpo físico, que é a casa com nove portões, e é
feito dos vinte e quatro elementos da natureza material, desfruta dos objetos
dos sentidos pela associação com os modos da natureza material. O Espírito
esquece-se da sua real natureza sob a influência da energia ilusória divina
(Maya), sentindo dor e prazer, fazendo boas e más ações, caindo no cativeiro do
trabalho, resultado do livre desejo devido a ignorância, e procura por salvação.
Quando a entidade viva renuncia os objetos dos sentidos e se eleva acima dos
modos da natureza material, ela alcança a salvação.
A mente, favorecida com poder infinito,
cria um corpo para residir e realizar os seus desejos latentes. A entidade viva
torna-se, de bom grado, confusa – e sofre como um bicho da seda no seu próprio
casulo – e não pode sair daqui. A entidade viva torna-se cativa pelo seu próprio
Karma e transmigra. Todas as ações, boas ou más, produzem cativeiro se
realizadas com egoísmo. As boas ações são algemas de ouro, e as más ações são as
de ferro. Ambas são correntes. A algema de ouro não é um bracelete.
A entidade viva é como um lavrador que lhe
foi dado um pedaço de terra como sendo seu corpo. O lavrador deverá retirar as
ervas daninhas da luxúria, ira, e avareza a terra, cultivando a agricultura de
um intenso desejo de amor por Deus. Dependendo da intensidade do desejo e do
grau da fé, a semeadura da devoção brotará no devido curso do tempo. Esta
semeadura deve ser continua e constantemente irrigada com a água da meditação,
na forma escolhida de Deus personalizado. A tendência de esquecimento da real
natureza das entidades desaparece com o florescer das flores do
auto-conhecimento e desapego. As flores sustentam os frutos da auto-realização e
visão de Deus, conduzindo para a liberação da reencarnação.
Aqueles que verdadeiramente entendem o Espírito, e a natureza material
com os seus três modos (como descritos acima), não voltam a nascer novamente,
apesar de seus estilos de vida (13.23).
Alguns percebem a Superalma, em sua psique interior, através da mente e
do intelecto, tendo-os purificado através da meditação ou pelo conhecimento
metafísico, ou pelo serviço sem egoísmo (13.24).
FÉ E DEVOÇÃO TAMBÉM PODEM CONDUZIR AO NIRVANA
Outros, entretanto, não conhecem o Yoga da meditação; do conhecimento,
e do serviço sem egoísmo; mas eles realizam adoração à deidade, com firme fé,
amor e devoção, como mencionado nas escrituras pelos santos e sábios. Eles,
também, transcendem à morte pela virtude de suas fés firmes, que eles têm nos
seus corações (13.25).
Abençoados sejam os que não possuem
entendimento, mas apesar disto eles têm fé (Mateus, 21.22). Não é necessário
entender completamente a Deus para obter a Sua graça, Seu amor, e para
alcançá-lO. Qualquer prática espiritual feita sem fé é como um exercício fútil.
O intelecto coloca-se no caminho como uma obstrução para a fé.
Tudo o que é criado – animado ou inanimado – saiba, Ó Arjuna, que eles
nascem da união do Espírito e da matéria (veja, também, 7.06) (13.26).
Aquele que vê o mesmo e eterno Senhor Supremo, residindo como Espírito,
igualmente em todos os seres mortais, de fato vê (13.27).
Quando alguém contempla o uno, e o mesmo Ser, igualmente em cada ser,
não faz nenhum dano a ninguém, porque considera tudo como o próprio Ser, e, por
isso, alcança a Morada Suprema (13.28).
Aquele que percebe que todos os trabalhos (ações) são feitos pelos
poderes da natureza material, verdadeiramente entendem, e não consideram a si
mesmos como os fazedores (ver, também, 3.27; 5.09, e 14.19) (13.29).
No instante em que se descobre a diversa variedade de seres, e suas
diferentes idéias, habitando o Uno, revelando-se somente Neste, alcança-se o Ser
Supremo (13.30).
ATRIBUTOS DO ESPIRITO (BRAHM)
Por ser sem-começo, e não ser afetada pelos três modos da natureza
material, a Superalma eterna – mesmo que residindo no corpo como uma entidade
viva – jamais faz qualquer coisa, nem fica maculada pelo Karma, Ó Arjuna
(13.31).
A eterna Superalma é dita como sem
atributos, porque Ela não possui os três atributos da natureza material. A
expressão “sem atributos” é geralmente confundida com “sem-forma”. Sem-atributos
refere-se somente a ausência de forma material, e a característica dita como a
mente humana. O senhor possui personalidade incomparável e qualidades
transcendentais.
Assim como o espaço que a tudo interpenetra não é maculado, por causa
de sua sutileza, similarmente, o Espírito que habita o corpo não é maculado por
ele (13.32).
O Espírito está presente em todo o lugar.
Ele está presente dentro do corpo, fora do corpo, bem como ao redor de todo o
corpo. Realmente, o Espírito está dentro e fora de tudo o que existe na criação.
Assim como o sol ilumina o mundo inteiro, similarmente, o Espírito dá a
vida para a criação inteira, Ó Arjuna (13.33).
De acordo com Shankara, vemos a criação mas
não o Criador por detrás da criação, devido à ignorância, assim como uma pessoa
na escuridão da noite enxerga a cobra e não a corda que sustenta a falsa noção
de uma cobra. Se qualquer outro objeto, que não o Espírito, parece ter
existência, ele é irreal como uma miragem, um sonho, ou a existência de uma
cobra na corda. O monismo absoluto, que nega todas as manifestações como um
sonho do mundo, não é totalmente verdadeiro. De acordo com os Vedas, Deus
é tanto transcendente como imanente num só. A ilustração do mundo como um sonho
é uma metáfora que tem em vista apenas ilustrar certos pontos, e não deve ser
expandida demais ou tomada literalmente. Se o mundo é um sonho ele é um sonho
lindo, realmente, do sonhador cósmico, que deve, também, ser extraordinariamente
lindo.
Alcança o Supremo, quem percebe – com os olhos do auto-conhecimento – a
diferença entre criação (ou o corpo) e o criador (ou o Espírito), bem como
conhece as técnicas de liberação (ver os versos 13.24-25) da entidade viva da
armadilha da divina energia ilusória (Maya; Prakriti) (13.34).
O Espírito emite o seu poder (Maya) como o
sol emite sua luz, o fogo emite seu calor, e a lua dá os raios refrescantes (DB
7.32.050). Maya é o inexplicável poder divino do Espírito, que não existe aparte
do Espírito, o dono do poder. Maya possui o poder da criação. Maya também ilude
a entidade viva pela criação da identidade com o corpo, desfrutando dos três
modos da natureza material, e esquecendo-se da sua real natureza como Espírito,
a base do universo inteiro, visível e invisível. A criação é como uma revelação
parcial do poder do Espírito e é chamada de irreal como um sonho do mundo porque
ela está sujeita a trocas e destruição. O barro é real, mas o pote é irreal por
causa da existência anterior do barro ao pote, conquanto o pote existe e depois
é destruído.
A criação é um projeto natural sem esforços
dos poderes do Espírito e é, portanto, sem finalidade (MuU 1.01.07). A atividade
criativa do Senhor é um mero passatempo do divino poder (Maya) sem qualquer
motivo ou propósito (BS 2.01.33). Ela não é nada mais do que uma modificação
aparente natural da Sua infinita e ilimitada energia (E) dentro da matéria (m) e
vice e versa (E=mc2 de Einstein) feito como um mero passatempo. A
criação, com efeito, relaciona-se com o Criador, a causa, como a peça de tecido
está relacionada com o algodão. No caso do tecido, de qualquer forma, o tecedor
não está incubado em cada fio do tecido, mas na criação a causa eficiente e
material a mesma coisa, um divino mistério, realmente! Tudo no universo está
conectado com tudo. A criação não é uma construção mecânica ou de engenharia.
Ela é o suprema, o fenômeno espiritual revelando seu esplendor divino. A criação
é feita pelo Senhor, do Senhor e para o Senhor.
-x-x-x-x-
* Nota do tradutor para o Português:
A versão do Bhagavad-gita de Ramananda
Prasad parte contando do segundo verso deste capítulo como se fosse o primeiro.
Mantive a versão original do autor, e recebi por um e-mail a resposta de que eu
fizesse conforme achasse melhor. No Bhagavad-gita traduzido por Sua Santidade
Swami Sivananda, e em grande parte de tradutores do mundo, aparece o seguinte
verso como sendo o primeiro:
Arjuna Uvaacha:
Prakritim purusham
chaiva kshetram kshetrajnameva cha;
Etadveditumicchaami
jnaanam jneyam cha keshava.
Traduzindo: “Arjuna disse: eu gostaria de aprender sobre a natureza (matéria) e do
Espírito (alma); sobre o campo e o conhecedor do campo, o conhecimento, e o que
deve ser conhecido (13.01)”.
Entendi que este verso é necessário para que o leitor não se perca do enredo do diálogo
entre Arjuna e Krishna. Apesar da pequena diferença entre uma versão e outra,
isto não lhe altera o sentido, mas, gostaria que o leitor soubesse disto para
não descaracterizar uma ou outra versão por causa de detalhes desta natureza.
Ojasvi dasa vyasa
Chapter 14
OS TRÊS MODOS DA NATUREZA MATERIAL
O Senhor Krishna disse: Eu facilitarei a explanação para você do
conhecimento supremo, o melhor de todo o conhecimento; conhecendo isso, todos os
sábios têm alcançado a salvação (14.01).
Aqueles que pegam refúgio neste conhecimento transcendental alcançam a
unidade Comigo, e não nascem no tempo da criação, e nem se atormentam no tempo
de dissolução (14.02).
TODOS OS SERES NASCEM DA UNIÃO DO ESPÍRITO E DA MATÉRIA
Minha natureza material é o ventre da criação onde Eu planto a semente
da Consciência, da qual todos os seres nascem, Ó Arjuna (ver 9.10) (14.03).
A natureza material, um produto da divina
energia cinética (Maya), é a origem do universo inteiro. A natureza material
cria as entidades vivas quando a semente do Espírito é semeada para germinar.
Qualquer que seja a forma gerada em todos os diferentes ventres, Ó
Arjuna, a natureza material é a mãe cósmica doadora corporal deles, e o Espírito
ou Consciência é o pai doador da vida (14.04).
COMO OS TRÊS MODOS DA NATUREZA MATERIAL ATAM A ALMA
ESPIRITUAL NO CORPO
Bondade, atividade, e inércia – estes três modos (ou amarras) da
natureza material acorrentam a eterna alma individual no corpo, Ó Arjuna
(14.05).
Destes, o modo da bondade é iluminado, e bom, porque ele é puro. O modo
da bondade acorrenta a entidade viva pelo apego à felicidade e ao conhecimento,
Ó inocente Arjuna (14.06).
Arjuna, saiba que o modo da paixão é caracterizado pelo desejo intenso
da gratificação dos sentidos, e é a origem do desejo material e do apego. O modo
da paixão acorrenta a entidade viva pelo apego aos frutos do trabalho (14.07).
Saiba, Ó Arjuna, que o modo da ignorância – o enganador da entidade
viva – nasce da inércia. O modo da ignorância ata as entidades vivas pela
desatenção, preguiça, e pelo dormir demasiado (14.08).
Ó Arjuna, o modo da bondade prende alguém à felicidade do estudo e
conhecimento do espírito; o modo da paixão prende à ação; e o modo da ignorância
prende por negligência, pelo encobrimento do auto-conhecimento (14.09).
O modo da bondade mantém-nos longe de atos
pecaminosos e conduz ao auto-conhecimento e felicidade, mas não é a salvação. O
modo da paixão cria forte cativeiro Kármico, e conduz o indivíduo mais distante
da liberação. Semelhantes pessoas conhecem as ações corretas e erradas, baseadas
em princípios religiosos, mas são inaptas para seguirem-nos, por causa dos seus
fortes impulsos de luxúria. O modo da paixão obscurece o real conhecimento do
Ser e causa tanto a experiência de prazer como dor nesta vida terrena. Tais
pessoas são muito apegadas a riqueza, poder, prestígio, prazeres sexuais, e são
muito egoístas e mesquinhas. No modo da ignorância, a pessoa não é capaz de
reconhecer a real meta da vida, de distinguir entre a ação certa e errada, e
permanece apegada em atividades proibidas e pecaminosas. Tal pessoa é
preguiçosa, violenta, carece de inteligência, e não tem interesse no
conhecimento espiritual.
CARACTERÍSTICAS DOS TRÊS MODOS DA NATUREZA
A bondade prevalece pela supressão da paixão e da ignorância; a paixão
prevalece pela supressão da bondade e da ignorância, e a ignorância prevalece
pela supressão da bondade e da paixão, Ó Arjuna (14.10).
Quando a luz do auto-conhecimento ilumina a todos os sentidos no corpo,
então será conhecido que a bondade é predominante (14.11).
Os órgãos dos sentidos (nariz, língua,
olhos, pele, ouvidos, mente e intelecto) são chamados de portões para o
auto-conhecimento no corpo. A mente e o intelecto adquirem interiormente o modo
da bondade e se tornam receptivos ao auto-conhecimento, quando os sentidos são
purificados pelo serviço, disciplina, e pela prática espiritual. É dito, também,
no verso 14.17 que a elevação do auto-conhecimento ocorre na mente quando ela
fica firmemente estabelecida no modo da bondade. Enquanto os objetos são vistos
com muita clareza na luz, de modo similar, na bondade percebemos e pensamos na
perspectiva correta, e os sentidos impróprios se afastam; não há atração na
mente por prazeres sexuais quando os sentidos estão iluminados pelo amanhecer da
luz do auto-conhecimento.
Ó Arjuna, quando a paixão é predominante, avareza, atividade, tarefas
de trabalhos egoístas, inquietação, e excitação aparecem (14.12).
Ó Arjuna, quando a inércia é predominante, a ignorância, inatividade,
desatenção e ilusão aparecem (14.13).
Um modo particular da natureza se torna
dominante na vida presente devido ao Karma passado. Os três modos abastecem os
veículos da transmigração que se carrega na bagagem do Karma, como discutido nos
versos seguintes.
OS TRÊS MODOS SÃO TAMBÉM VEÍCULOS DE TRANSMIGRAÇÃO PARA A
ALMA INDIVIDUAL
Aquele que morre quando a bondade é dominante, de bom coração, vai para
o céu – o mundo puro dos conhecedores do Supremo (14.14).
Aquele que morre quando a paixão é dominante, renasce ligado a ação (ou
ao utilitário). Aquele que morre na ignorância, renasce como uma criatura
inferior (14.15).
O fruto da boa ação se diz que é benéfico e puro; o fruto da ação
apaixonada é a dor; e o fruto da ação ignorante é a preguiça (14.16).
O auto-conhecimento surge do modo da bondade; a ambição surge do modo
da paixão, e a negligência, a ilusão, e a preguiça da mente, surgem do modo da
ignorância (14.17).
Aqueles que estão estabelecidos na bondade vão para o paraíso; as
pessoas na paixão, renascem no mundo mortal; e os desinteressados, residentes no
modo da ignorância, dirigem-se aos planetas infernais, ou adquirem nascimento
como criaturas inferiores (dependendo do degrau de suas ignorâncias) (14.18).
ALCANÇA-SE O NIRVANA APÓS TRANSCENDER OS TRÊS MODOS DA
NATUREZA MATERIAL
Quando os videntes percebem não serem os fazedores de outra coisa, a
não ser dos três modos da natureza material (Gunas), e conhecem o Supremo, o
qual está acima e além destes modos, então, eles alcançam o Nirvana ou a
salvação (ver 3.27; 5.09 e 13.29) (14.19).
As leis kármicas amarram
àquele que não crê que o Senhor controla tudo e que considera a si mesmo o
executor, desfrutador e o proprietário (BP 6.12.12). O poder de fazer todas as
ações, boas e más, procedem de Deus, mas nós, no final das contas, somos os
responsáveis por nossas ações, porque nós, também, temos o poder para
raciocinar. Deus deu-nos o poder para realizar trabalho; de qualquer modo, nós
somos livres para usar o poder de modo errado ou correto, e nos tornarmos livres
ou aprisionados.
O bom Senhor dá-nos apenas a faculdade para
agir; Ele não é responsável pelas ações de alguém. É de acordo com o indivíduo a
decisão de como agir. Esta decisão é controlada pelos modos da natureza
material, e é governado pelo nosso karma passado. Aqueles que entendem esta
propriedade conhecem como agir e não culpam a Deus por suas desgraças ou sentem
ciúmes pela sorte dos outros.
Devido à ignorância criada pela energia
ilusória (Maya), alguém se considera a si mesmo o executor e, conseqüentemente,
torna-se amarrado pelo karma, e submete-se a transmigração (BP 11.11.10). Não
importa se alguém declara ou mesmo pensa a si mesmo como o fazedor das coisas,
ele assume a função de um executor da ação, tornando-se responsável por ela
(karma), e é pego na intrincada rede kármica da transmigração.
Quando alguém se ergue por sobre, ou transcende, os três modos da
natureza material, que origina o corpo, alcança a imortalidade ou salvação, e
fica livre da dor do nascimento, velhice e morte (14.20).
O PROCESSO DE ERGUER-SE POR SOBRE OS TRÊS MODOS DA
NATUREZA MATERIAL
Arjuna disse: quais são os sinais daqueles que têm transcendido os três
modos da natureza material, e qual é o comportamento deles? Como faz alguém que
transcende estes três modos da natureza material, Ó Krishna? (14.21).
O Senhor Krishna disse: transcende os modos da natureza material quem
nunca odeia a presença do esclarecimento, atividade, e ilusão, e nem os deseja
quando eles estão ausentes; quem permanece como uma testemunha sem ser afetada
pelos modos da natureza material; quem se mantém firmemente ligado ao Senhor sem
vacilar – pensando que somente os modos da natureza material estão operando
(14.22-23).
E aquele que depende do Senhor, e é indiferente a dor e ao prazer; a
quem um montinho de terra, uma pedra e o ouro lhe são iguais, e para quem a
amizade e a inimizade lhe são iguais; quem tem a mente firme; quem é tranqüilo
na crítica e no elogio, e indiferente na honra e na desonra; quem é imparcial
para o com o amigo e o inimigo; e quem renunciou o sentimento de executor da
ação (14.24-25).
O guru Nanak disse: aquele que
obedece a vontade de Deus com prazer é livre e sábio; ouro e pedra, dor e
prazer, são iguais apenas para esta pessoa.
AS CORRENTES DOS TRÊS MODOS DA NATUREZA SÃO CORTADAS PELO
AMOR DEVOCIONAL
Aquele que serve a Mim com amor, e com devoção inabaláveis, transcende
os três modos da natureza material e adequa-se ao Nirvana (ver 7.14 e 15.19).
Devoção inabalável é definida como o amor
devocional no qual alguém faz sem depender de qualquer outra pessoa, mas apenas
de Deus para tudo.
O modo da bondade é a fase superior da
escada que conduz a verdade, mas ela não é a verdade como tal. Os três modos da
natureza material têm de ser transcendidos, passo a passo. Primeiro, deve-se
superar os modos da ignorância e da paixão, e ficarmos firmes no modo da
bondade, pelo desenvolvimento de certos valores e seguindo determinadas
disciplinas. Então, alguém se torna pronto para superar as dualidades do bem e
do mal, dor e prazer, e para elevar-se ao alto plano transcendental, por ir além
do modo superior – o modo da bondade.
A prática espiritual e a alimentação
vegetariana elevam a mente do modo da ignorância e da paixão, para o plano
transcendental da bem-aventurança, onde desaparecem os pares de opostos. O modo
da bondade é o resultado natural do profundo pensamento gerado pelo firme
entendimento da metafísica. Qualquer pessoa pode facilmente cruzar o oceano da
ilusão (Maya), que consiste nos três modos na natureza material, pelo barco da
fé firme, da devoção e de amor exclusivo para Deus. Não há outro meio para
transcender os três modos da natureza material e alcançar a salvação. Também é
dito que qualquer um situado em qualquer um dos três modos da natureza material,
podem aproximar-se do plano transcendental pela graça de um genuíno guru
autorizado.
Porque Eu sou a origem do Espírito imortal, da eterna ordem cósmica
(Dharma), e da bem-aventurança suprema (14.27).
O Ser Supremo é a origem ou a base do
Espírito. O Espírito é uma expansão do Ser Supremo. É o Espírito (do Ser
Supremo) que dirige o drama cósmico inteiro, e sustenta tudo. Então, o Espírito
é também chamado de Ser Supremo, ou o Senhor.
É significativo que o Senhor Krishna jamais
usou palavras como “adorando o Deus Supremo”, ou “o Absoluto é a base de tudo”.
Neste verso e em todo o Gita, o Senhor Krishna declarou que Ele é o Espírito
Supremo. Krishna significa diferentes coisas para diferentes pessoas. Alguns
comentadores consideram Krishna outra coisa que Deus; outros chamam-nO um “Deus
Hindu. Para outros, Krishna é um político, um professor, um amante divino, e um
diplomata. Para os devotos, Krishna é a incarnação do Absoluto, e o objeto de
seu amor. Os leitores devem bem entender e usar os ensinamentos de Krishna nas
suas vidas diárias sem ficarem confusos sobre quem é Krishna.
Chapter 15
O SER SUPREMO
A CRIAÇÃO É COMO UM ÁRVORE, CRIADA PELOS PODERES DE MAYA
O Senhor Krishna disse: O universo (ou o corpo humano) pode ser
comparado com uma árvore eterna, que tem a sua origem (raízes) no Ser Supremo, e
cujos seus galhos descem do cosmos. Os hinos védicos são as folhas desta árvore.
Aquele que entende esta árvore é o conhecedor dos Vedas (15.010).
Os ramos desta árvore eterna espalham-se por todo o cosmos. A árvore é
alimentada pela energia na natureza material; os sentidos de prazer são seus
brotos; e suas raízes são o ego, e os desejos que se estendem ao mundo humano
causam o cativeiro kármico (15.02).
O corpo humano, um universo microcósmico
(ou o mundo), pode ser comparado como uma pequenina árvore sem fim. O karma é a
semente; os incontáveis desejos são suas raízes; os cinco elementos básicos são
seus galhos principais; e os dez órgãos da ação e da percepção são seus
sub-ramos. Os três modos da natureza material provêm o alimento, e os prazeres
dos sentidos são os brotos. Esta árvore está sempre mudando, mas é eterna, sem
começo e nem fim. Assim como as folhas protegem a árvore, os rituais protegem e
perpetuam está árvore. Aquele que verdadeiramente compreende esta árvore
maravilhoso, sua origem (ou raiz), sua natureza e trabalho, é o conhecedor dos
Vedas no sentido verdadeiro.
Dois aspectos do Ser Eterno – o divino
controlador e o controlado (a entidade viva, ou alma individual) – fazem seus
ninhos e residem na mesma árvore, como uma parte do drama cósmico; virtude e
vício são suas flores gloriosas; prazer e dor são seus amargos e doces frutos.
As entidades vivas são como maravilhosos pássaros de várias plumagens. Não há
dois pássaros idênticos. A criação é em si maravilhosa. E o Criador é mais
maravilhoso e inconcebível.
COMO CORTAR A ÁRVORE DO APEGO, E ALCANÇAR A SALVAÇÃO,
PEGANDO REFÚGIO EM DEUS.
O começo, o fim, ou a forma real desta árvore, não são perceptíveis na
Terra. Tendo cortado as raízes firmes – os desejos – desta árvore por meio do
machado do auto conhecimento e desapego, vermos a Morada Suprema, alcançando-se
o local de onde nunca mais se volta a este mundo mortal novamente. Deve-se
sempre pensar: “Nesta completa pessoa primordial eu alcanço refúgio, do
qual esta primordial manifestação sai” (15.03-04).
A criação é cíclica, sem começo e fim. Ela
está sempre mudando e não tem existência ou forma real. Deve-se afiar o machado
do conhecimento metafísico por sobre a pedra da prática espiritual, cortando o
sentimento de separação entre a entidade viva e o Senhor, participando
alegremente do drama da vida, deixando-se para trás as sombras do passado, dos
prazeres e das tristezas. E vivendo neste mundo de forma completamente livre do
ego e dos desejos. Quando os apegos são afastados, um atitude desapaixonada toma
lugar, á qual é um pré-requisito para o progresso espiritual.
O sábio alcança a
meta eterna, estando livre do orgulho e da ilusão, e conquistando o mal do
apego; residindo constantemente no Ser Supremo, tendo toda a luxúria calada, e
estando livre das dualidades do prazer e da dor (15.05).
Esta Minha Suprema morada não é iluminada pelo sol, nem pela lua, nem
pelo fogo. Tendo A alcançado, as pessoas adquirem a liberação permanente
(mukti), e não voltam para este mundo temporário (15.06).
O Ser Supremo é em Si mesmo luminoso, não
sendo iluminado por qualquer outra origem. Ele ilumina o sol e a lua, como uma
lâmpada luminosa ilumina os outros objetos (DB 7.32.14). O Ser Supremo existe
antes que o sol e a lua; e o fogo chega dentro da existência durante a criação,
e irá existir mesmo após tudo dissolver-se dentro na natureza imanifesta,
durante a completa dissolução.
A ALMA INCORPORADA É O DESFRUTADOR
A alma individual
(jiva, jivatma) no corpo das entidades vivas é parte integral do Espírito
universal, ou consciência. A alma individual, associa-se com as seis sensórias
faculdades de percepção – incluindo a mente – e as ativam (15.07).
Em essência, o Espírito é chamado o Ser
Eterno, ou “Brahman”, em sânscrito. O Espírito é a verdadeira natureza do Ser
Supremo (ParaBrahm), e, portanto, é também chamado a parte integral do Ser
Supremo. O mesmo espírito é chamado alma individual, entidade viva, Jiva, alma,
e Jivatma, nos corpos das entidades vivas. As diferenças entre Espírito, e a
alma individual, são devidas às limitações adjuntas – o corpo e a mente –
assim como a ilusão, que engloba todo o espaço, é diferente do espaço ilimitado.
Assim como o ar
carrega o aroma das flores, similarmente, a alma individual carrega as seis
faculdades dos sentidos do corpo físico, que são descartadas durante a morte,
para um novo corpo adquirido na reencarnação (veja, também, 2.13) (15.08).
A alma individual recebe um corpo sutil –
as seis faculdades sensoriais da percepção: intelecto ou ego, e as cinco forças
vitais – de um corpo físico para outro após a morte, assim como o vento tira a
poeira de um lugar para outro. O vento não é afetado nem atingido pela
associação como a poeira, do mesmo modo que a alma individual não é afetada ou
atingida pela associação com o corpo (MB 12.211.13-14). O corpo físico está
limitado no espaço e no tempo, mas os corpos sutis são ilimitados e a tudo
penetram. O corpo sutil carrega os bons e maus karmas individuais para uma
próxima vida, até que seja totalmente exaurido. Quando todos os resquícios de
desejos são erradicados após o despertar do auto-conhecimento, o corpo físico
não volta a existir mais, e a compreensão do corpo sutil firma-se por sobre a
mente. O corpo astral é uma duplicata exata do corpo físico. Os seres no mundo
astral são mais avançados na arte, tecnologia e cultura. Eles pegam um corpo
físico para aprimorar-se e elevar a categoria do mundo físico. Hariharananda
Giri disse: “Não se pode perceber, conceber, e realizar Deus se não procurarmos
o invisível corpo sutil.
Durante o estado de vigília, o corpo
físico, a mente, o intelecto, e o ego, estão ativos. Durante o sono, a alma
individual temporariamente cria um mundo de sonho, e vaga como num corpo de
sonho, sem deixar o corpo físico. No sono profundo. A alma individual descansa
inteiramente no Ser Eterno (Espírito), sem ser perturbada pela mente e pelo
intelecto. O Ser Supremo, a Consciência Universal, toma conta de nós como uma
testemunha durante os três estágios – vigília, sonho e sono profundo. A entidade
viva deixa um corpo físico e adquire outro corpo após a morte. A entidade viva
amarra-se ou sofre, então, tenta libertar-se pela descoberta da sua real
natureza. A reencarnação permite que a entidade viva troque seu veículo, o corpo
físico, durante a sua longa e difícil jornada ao Ser Supremo. A alma individual
adquire diferentes corpos físicos até que todo o Karma seja extinto; após o que,
a meta de alcançar o Ser Supremo, é alcançada.
Diz-se que o Ser Supremo veste o véu da
ilusão, quando se torna uma alma individual, pegando a forma humana e outras
para realizar o drama cósmico, do qual o escritor, produtor, diretor e todos os
atores, bem como a audi |